quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Religião e meio ambiente: abordagem (Eco) teológica


As pesquisas mostram que a maioria do povo brasileiro é Cristã, e que a questão ambiental tem sido por muito tempo, alvo de comentários de especialistas, levando em consideração que o cristão, tem pregado com tanta ênfase a perfeição da natureza cuja beleza foi dada por Deus. Embora a Teologia não esteja ligada diretamente ao tema meio ambiente, pode-se admitir que é de suma importância a interferência teológica dentro das questões que se referem a preservação ambiental.

E, a propósito, será que a comunidade cristã está cuidando dessa natureza que tanto se prega com tanta ênfase a sua perfeição? Segundo a Bíblia Sagrada, no livro de Gêneses, capítulo 2 e versículo 15 encontramos a primeira ordem de Deus ao homem para cuidar da natureza: “Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e guardar.” É bom que se diga, que, o povo Cristão no mundo inteiro tem plena consciência de que a Bíblia é a Palavra de Deus, ou seja, é o único guia de fé, porém, o mundo não tem atentado  para o fato de que a Bíblia começa e termina com a criação. “No princípio criou Deus os Céus e a terra...”Gn1.1, “ ...A Glória do Senhor encherá toda a terra”. Nm. 14:21 .

Nos dias contemporâneos há de se admitir que o mundo vive as maiores crises de degradação do meio ambiente, rios poluídos, floresta sendo desmatadas, poluição atmosférica fora do controle, e os homens em seus debates tornam vãs as tentativas de solução. Outros assistem de braços cruzados.

Em sendo assim, qual o papel do cristão como ser humano e como igreja no sentido de preservar o meio ambiente?  A Bíblia avisa que aqueles que destroem a Terra, serão destruídos. “Iraram-se, na verdade, as nações; então veio a tua ira, e o tempo de serem julgados os mortos, e o tempo de dares recompensa aos teus servos, os profetas, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra. (Ap. 11:18)” . Poluir o meio ambiente é moralmente errado e a Bíblia por sua vez  ensina em Deuteronômio 23:13 “E entre as tuas armas terás uma pá; e será que, quando estiveres assentado fora, então com ela cavarás e, virando-te, cobrirás aquilo que saiu de ti”.

O Cristão deve estar informado e informar ao mundo acerca dos males que causam por  falta da educação ambiental na sociedade, isso porque, Deus quer que sejamos dignos de confiança, pois somos a sua imagem e semelhança. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. (Gn 1.27). Nestas considerações é claro e notório que o povo de Deus está diretamente compromissado com a preservação do meio ambiente. Portanto, o homem está neste reflexo criador, ordenador e zelador dos bens de Deus.

Segundo a Bíblia o papel do homem na criação é de um mordomo e não de um tirano. Precisamos fomentar uma consciência ecológica fundamentada e inspirada biblicamente. Aqui é decisivo verificar quais são as reais motivações e qual é a cosmovisão que anima as propostas apresentadas pelos ambientalistas. Podemos estar de acordo em relação a determinadas propostas e estarmos totalmente em desacordo em relação aos seus pressupostos espirituais. Pode parecer que o mais importante são as propostas e os objetivos, mas, mais cedo ou mais tarde vamos verificar que pressupostos errados acabam por distorcer e comprometer os objetivos a longo prazo. 

Se a cura divina é um fato bem patente na vida de muitos cristãos não é menos marcante a prevenção que os princípios bíblicos de vida acabam por realizar. A influência da Igreja na sociedade move-se na dimensão sobrenatural e na dimensão natural. Tanto uma como outra estão interligadas na sua dinâmica. Não há qualquer dicotomia entre elas o natural apenas é para nós o sobrenatural que acontece todos os dias.

Todo o nosso estilo de vida e modo de relação com a natureza depende do que pensamos e cremos coletivamente, e que, para mudar a maneira de nos relacionarmos com a natureza devemos começar por mudar aquilo que pensamos e cremos a respeito dela. Para pensar a questão do meio ambiente a partir de uma perspectiva teológica é necessário que estabeleçamos uma premissa hermética de que existe uma relação profunda entre o ser humano religioso e o mundo como um todo.

Diferentemente das propostas dos críticos ambientalista, onde o conceito antropológico-cristão nos é apresentado como algo extremamente dualístico, para os teólogos da ecoteologia isso necessariamente não acontece. No conjunto dessas reflexões, um pensamento cristão voltado para os problemas ecológicos constitui decididamente uma mudança de paradigma na própria teologia. Para a ecoteologia não pode existir dualismo entre o homem redimido (a Igreja) e mundo da natureza. Haja vista, que o surgimento do homem, sua socialização, e desenvolvimento do chamado mundo da cultura seriam apenas etapas embrionárias de um plano maior onde o Telos se estabeleceria na perspectiva de um equilíbrio do sistema, por isto não pode ser absolutamente rompido sob pena de destruir a própria vida.

Neste sentido, o princípio do livre-arbítrio atribuído ao homem comporta a noção de que ele será premiado ou punido pela natureza conforme as suas ações sobre ela. Ou seja, o cristianismo tem ensinado e advogado de forma confessional, que o homem é responsável diante de Deus pelo uso racional e correto do mundo e da criação, visto que é o mordomo de Deus dos bens criados por ele.

No Brasil o teólogo Leonard Boff, preconiza a figura inspiradora da espiritualidade ecológica. Em seus textos, o autor tenta proclamar de forma poética e mística as matrizes relacionais que possibilitam a construção do diálogo entre religiosidade e meio ambiente. Para o autor é necessário estabelecer uma consciência ecológica, de caráter ético-teológico que seja perfeitamente capaz de entender que teologicamente falando, o ser homem está no centro da criação, mais não está sozinho. A humanidade só será humanidade de verdade, se estiver profundamente comprometido em unidade com o planeta Terra.

Podemos afirmar que o principal núcleo e a espinha dorsal da chamada ecoteologia seria a compreensão unificada da complexa experiência salvífica que envolve: a criação, a história, a encarnação, a redenção e a consumação, sobretudo em um processo de realização, incluindo necessariamente a ecoesfera, a comunidade biótica etc.

RevEleTeo

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