segunda-feira, 7 de março de 2016

SÉRIE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO AMAPÁ - PARTE 1: SANTUÁRIO







O Estado do Amapá merece atenção especial no contexto regional, nacional e internacional uma vez que 62% do seu território está sob modalidades especiais de proteção. São 19 unidades de conservação, totalizando 8.798.040,31ha (hectares), 12 das quais federais, 5 estaduais e 2 municipais. São 8 unidades de proteção integral e 11 de uso sustentável, as primeiras ocupando quase 60% do total da área protegida.
A maior parte das UCs no Amapá é de jurisdição federal, como seria de se esperar em um Estado que se emancipou de sua condição de Território Federal apenas em 1988. Elas abrangem trechos dos territórios de pelo menos 15 dos 16 municípios amapaenses, indicando um excelente índice de representatividade espacial. Sete das 12 unidades federais são extensas ou relativamente extensas; quatro delas se estendem pelas porções norte, noroeste e nordeste do Estado: o Parque Nacional do Cabo Orange, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, a Estação Ecológica de Maracá-Jipióca e a Reserva Biológica do Lago Piratuba. A Floresta Nacional do Amapá está no centro geográfico do Estado, e se conecta à enorme área do PARNA Montanhas do Tumucumaque. A Estação Ecológica do Jari, a Reserva Extrativista do Rio Cajari e a RDS do Rio Iratapuru ocupam boa parte do sul e sudoeste do Estado. Há, ainda, cinco RPPN, todas pequenas, distribuídas por quatro municípios.
Três das cinco unidades estaduais são pequenas. A Reserva Biológica Estadual do Parazinho, situada a leste do estado, ocupa apenas uma pequena ilha estuarina. As Áreas de Proteção Ambiental do Rio Curiaú e da Fazendinha ficam nas proximidades da área urbana do município de Macapá. Já a Floresta Estadual do Amapá é a segunda maior UC do Estado e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, no sudoeste do Amapá, vem em terceiro lugar em área geográfica.
Com relação às unidades municipais, ambas criadas no final de 2007, são também consideradas relativamente pequenas (menores que 100.000 hectares). A Reserva Extrativista Municipal Beija-Flor Brilho de Fogo, encontra-se com sua área em total sobreposição com parte do módulo I da Floresta Estadual (criada em 2006).
Cabe mencionar as terras indígenas localizadas no Amapá, abrangendo uma área total de 1.183.498,31 hectares, igual a 8,29% da superfície do Estado. São cinco áreas, todas demarcadas, com uma população de 7.426 indígenas em 2007, segundo dados da Fundação Nacional do Índio - Funai, dos quais 1.204 índios fora das aldeias e localizados nas cidades de Oiapoque e Saint George/Caiena na Guiana Francesa. Embora as terras indígenas não sejam unidades de conservação desempenham um papel importante na proteção dos recursos naturais. Assim, o total de áreas protegidas no Amapá (unidades de conservação e terras indígenas) é de 9.981.538,62 ha, correspondendo a 69,89% da área total do Estado.
As UCs estão bem distribuídas sobre a superfície do Estado, garantindo uma expressiva representatividade ecossistêmica, apesar da ausência notória e preocupante de uma área especificamente voltada à proteção dos cerrados. Por último, a qualidade ambiental das unidades é excelente, reflexo da condição pouco alterada das paisagens e dos ecossistemas. Contudo, problemas não faltam. Com exceção das RPPN, que são particulares, e da Reserva Extrativista do Rio Cajari, que tem um Plano de Utilização e já se encontra demarcada, até o presente momento nenhuma das UCs federais do Amapá conta com condições básicas para funcionamento, como regularização fundiária, demarcação e Plano de Manejo elaborado e implantado. O Programa ARPA - Áreas Protegidas da Amazônia, instituído no âmbito do Ministério do Meio Ambiente através do Decreto n.º 4.326, de 8 de agosto de 2002, vem contribuindo para o fortalecimento institucional e para a infra-estrutura de algumas unidades do Amapá.
Nas discussões sobre UCs brasileiras e suas relações com o desenvolvimento sócio-econômico, o Amapá não pode ser ignorado. Por todos os motivos mencionados acima, o Estado ocupa uma posição desafiadora para a conservação. De certa forma, o Amapá parece destinado a testar os limites das relações entre conservação e desenvolvimento. Na medida em que 70% do território amapaense encontra-se regularizado sob alguma forma de proteção ou de restrição de uso, é premente discutir como compensar a população do Amapá pelos serviços ambientais prestados pelas UCs e pelas populações, tradicionais e indígenas, que contribuem para esta conservação. Deve-se fomentar atividades como transferências fiscais, formação de fundos de sustentabilidade, doações financeiras, investimentos nas próprias UCs, programas de pesquisa científica e educação ambiental, estímulos ao ecoturismo, financiamento e assistência técnica a atividades produtivas sustentáveis, marketing verde e certificação ambiental de produtos locais. Esses são alguns mecanismos, não excludentes entre si, que podem proporcionar à população amapaense um nível digno de qualidade de vida e, ao mesmo tempo, contribuir para manter a fantástica riqueza natural do Estado do Amapá. Este Atlas resulta da crescente manifestação de interesse sobre as UCs do Amapá e contribui para ampliar o valor a elas atribuído.


Extraído do sítio do MP/AP – Promotoria do Meio Ambiente

sexta-feira, 4 de março de 2016

Amapá, o meio do mundo é aqui

A Fecomércio Amapá (Organização sem fins lucrativos) lançou recentemente o vídeo 'Amapá, o meio do mundo é aqui'. O material que foi produzido pela M2 Comunicação, mostra toda a potencialidade turística e comercial do Estado. A proposta do vídeo é vender o Amapá, de forma a atrair investidores e turistas, a fim de movimentar a economia local.



video




Conheça um pouco do Amapá

O Amapá está situado na região Norte do Brasil e tem como limites a Guiana Francesa e o Suriname e o estado do Pará. A capital é Macapá e as cidades mais populosas, além da capital são: Santana, Laranjal do Jari e Oiapoque.
O Amapá é um dos mais novos estados brasileiros e o mais preservados deles, tendo 72% dos seus 14,3 milhões de hectares destinados a Unidades de Conservação e Terras Indígenas. As Unidades de Conservação do Amapá perfazem cerca de 9,3 milhões de hectares, tornando-o o único estado da federação a destinar um percentual tão significativo de suas terras para a preservação ambiental. Os dados absolutos são de 10,5 milhões de hectares, que equivalem ao tamanho de um país como Portugal.
É um dos poucos estados que, em sua condição geográfica, permite a formação de um conjunto de ecossistemas que vão desde as formações pioneiras de mangue à floresta tropical densa, passando por campos inundáveis e cerrados. Seus principais rios são: Amazonas, Jari, Rio Oiapoque, Araguari, Calçoene e Maracá. 

O Amapá tem um grande número de imigrantes vindo da Guiana Francesa (a maioria no município de Oiapoque) e vários outros oriundos de todas as regiões do país, dentre os quais destacam-se os mineiros, goianos, paraenses, paranaenses, cearenses e maranhenses. O fluxo migratório tem aumentado nos últimos anos em razão do desenvolvimento dos setores econômicos do estado.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O menino e o rio



Era uma vez...



Queria aqui relatar um "faz de conta", uma história fantástica que só existe em reinos tão, tão, mais tão distantes. Mas, que, infelizmente, existe bem aqui e bem ali, também. 
Essa é a história do menino que vive em uma sociedade que ainda não aprendeu a se sensibilizar e fazer sua parte para manter o meio ambiente menos impactado o possível.


O menino, em sua inocência, nem faz ideia dos riscos a que está exposto. Nem faz ideia, também, dos riscos a que o rio (Rio Amazonas - porção em frente ao Porto do Açaí - Município de Santana - Amapá) e a comunidade do entorno estão propensos.

Tais atores são apenas coadjuvantes em meio a inúmeros personagens que propiciam, dolosa ou culpadamente, para que tais mazelas continuem a externar suas problemáticas.


O menino é o retrato de uma realidade cruel. Uma realidade de exclui, que mutila, que faz chorar e que mata. Mata primeiro os sonhos, as esperanças e por fim, mata o corpo, a alma.

Não é minha intenção apontar culpados e, tampouco, dizer que é um fato recente. Não é! É uma cena que se repete inúmeras vezes pela Amazônia, pelo Brasil e pelo Mundo.

O menino faz parte de um ciclo vicioso, onde seus pais não receberam uma educação eficiente e de qualidade e, muito menos, foram educados ambientalmente. Aliás, seus pais nem tiveram oportunidades de frequentar uma escola. Alicerçados por uma sociedade que cobra impiedosamente por resultados imediatos, o menino é o reflexo, hoje, do que seus responsáveis foram ontem.

Esse ciclo vicioso atinge à todos, principalmente quem observa e não faz nada, quem fica inerte ou quem não se motiva a mudar tal realidade.


E o rio? o rio é o elo que liga o menino ao mundo. Um mundo tão fantástico em sua mente, quanto em sua realidade. A mesma água que abriga a vida aquática e que dá condições para o sustento de inúmeras famílias, é o mesmo rio que ceifa vidas. Ceifa, pois está sendo decaptado, exaurido pela poluição. Um rio que em sua magnitude é o maior, mais extenso e mais caudaloso do Planeta, está pedindo socorro, está pedindo sossego e necessitando de cuidados.



Um ambiente degradado pela ação humana é o que faz movimentar as engrenagens das indiferenças, das perdas de oportunidades e da baixa qualidade de vida. Cada um de nós é capaz de mudar isso, de melhorar a salubridade dos nossos rios. Bastam apenas motivação e força de vontade para cobrar por nossos direitos, mas em contrapartida, nos responsabilizarmos com nossos deveres. Deveres esses que são: ter hábitos saudáveis de consumismo, gerar menos resíduos, levar a educação ambiental e suas informações aos demais da sociedade, não jogar resíduos e esgotos em corpos d'água e nem em outros lugares.

São pequenas ações que fazem toda a diferença! Mas, enquanto isso ainda não está sendo executado  de forma massiva e por todos os atores sociais, o menino vai voltar no dia seguinte e continuar brincando no rio e com os resíduos que estão poluindo-o!



Enfim, sempre existe uma luz no fim do túnel, aliás no pôr do Sol.

Pôr do Sol visto do Porto do Açaí - Santana/Amapá



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

"Homem-árvore”, paciente com doença rara desenvolve “cascas” nas mãos e pés

Médicos de Bangladesh se depararam com um caso incomum nesta última segunda-feira (1º). A equipe do Hospital Universitário de Daca está se preparando para operar Abul Bajandar, que desenvolveu verrugas com a aparência de cascas de árvores nas mãos e nos pés.
Conhecida como “doença do homem-árvore”, a condição é raríssima, segundo o coordenador do setor de cirurgia plástica do local, Samanta Lal Sen, em entrevista à agência EFE.
A anormalidade começou a surgir há 10 anos aos poucos. Hoje com 26 anos, Abul é incapaz de usar seus pés e mãos para trabalhar na aldeia onde vive na cidade de Khulna. Ele foi internado no último sábado (30) e aguarda para saber se será operado. 
“Trata-se de uma epidermodisplasia verruciforme, doença rara não contagiosa da qual conhecemos poucos casos no mundo. Nunca tinha visto uma coisa igual”, disse o especialista. Médicos farão análises durante as próximas semanas para avaliar se realmente é possível operar o paciente. 
“A priori, não existe cura para a doença. Nosso objetivo é proporcionar um alívio ao paciente, melhorar sua condição e tentar conseguir com que suas mãos e pés voltem a ser funcionais”, disse o médico. Entretanto, há a chance de as verrugas voltarem com o tempo. 
O rapaz é casado e tem uma filha de três anos, que sustentava com seu trabalho de motorista. Depois de perder as mãos para a anomalia, ele saiu do emprego e agora pede esmolas na rua. 

“Preciso de ajuda para todas as minhas atividades diárias, inclusive comer e tomar banho. O peso das verrugas faz com que meus braços cedam e a dor aumenta quando tento me movimentar”, explicou Abu ao jornal “The Daily Star".

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

THE WALKING TREE - AS ÁRVORES ANDANTES

É difícil imaginar uma árvore se movendo sozinha de um lado para o outro, mas isso acontece de verdade. Na América Central, árvores “andantes” se deslocam 20 metros a cada ano.
Em um ano elas podem chegar percorrer uma distância de até 20 metros. 

É difícil imaginar uma árvore se movendo sozinha de um lado para o outro. Mas, por mais estranho que isso possa parecer, é possível e acontece de verdade. A socratea exorhiza é a espécie conhecida como “Palmeira Andante”. A cada ano essas árvores são capazes de se deslocar por até 20 metros.




Endêmica da floresta tropical, a palmeira é mais comum na América Central, mas ela chega até a bacia do rio Amazonas, já em território brasileiro. Apesar de ser única em seu hábito incomum, esse diferencial não é o bastante para garantir a sua preservação total.

No Brasil, as palmeiras andantes são muito usadas na confecção de bengalas, na construção civil e até na fabricação de pequenas embarcações. Na Costa Rica, as legislações ambientais proíbem totalmente o corte desta espécie, enquanto no Equador, mesmo com áreas de preservação, ela ainda sofre na mão dos desmatadores.

O deslocamento desta árvore chama a atenção de pesquisadores há anos. Algumas hipóteses sobre a evolução das espécies já foram colocadas em cheque, mas descartadas depois. O que se sabe é que elas mudam de lugar em busca de melhor solo e mais luz do sol.



A caminhada é lenta, mas constante. As árvores andam diariamente de dois a três centímetros. Em um ano elas podem chegar percorrer uma distância de até 20 metros. Isso acontece através das novas raízes, que vão crescendo a pequenas distâncias das antigas. Quando as raízes velhas apodrecem, todo o tronco é deslocado junto às raízes novas. Por mais surpreendente que isso possa ser, infelizmente essas árvores não conseguem se deslocar rápido o suficiente para fugir do desmatamento.
 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Plástico orgânico comestível é desenvolvido por brasileiros

Depois de duas décadas de trabalho, os pesquisadores da Embrapa Instrumentação desenvolveram uma série de películas comestíveis que funcionam como plástico biodegradável e podem ser utilizadas no preparo de alimentos.
O processo de produção do “plástico comestível” é considerado simples. Primeiro, a matéria-prima, como frutas e verduras (espinafre, mamão, goiaba, tomate, entre outros) é transformada em uma pasta. Em seguida, os pesquisadores adicionam componentes para dar liga no material e o colocam em uma forma transparente, que é levada a uma câmara que emite raios ultravioleta. Após poucos minutos, a película sai da máquina pronta para ser consumida.
Quando descartado, este tipo de plástico se decompõe em até três meses e ainda pode ser utilizado como adubo ou lançado na rede de esgoto sem causar danos ao meio ambiente. A inovação ainda tem capacidade para conservar os alimentos pelo dobro do tempo do plástico convencional, que tem como agravante o fato de demorar cerca de 400 anos para se decompor na natureza.

Reaproveitamento de alimentos
De acordo com o pesquisador José Manoel Marconsini, a produção deste material favorece o reaproveitamento de alimentos que seriam rejeitados por não apresentarem bom aspecto visual, mesmo estando em condições de consumo. “Além disso, como vantagem ambiental tem a redução do desperdício de alimentos, pois auxilia no aumento da produtividade”, explicou ao portal Web Rádio Água.
O material tem características físicas semelhantes aos plásticos convencionais, como resistência e textura. Em laboratório, o plástico orgânico se mostrou mais resistente ao impacto, além de ser três vezes mais rígido que os plásticos sintéticos.
Ainda não há previsão de comercialização, entretanto, várias empresas já demonstraram interesse na inovação. 

(Fonte: Terra)

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Uma selva de confusões

Em 1967, o milionário americano Daniel Ludwig começou a formar um autêntico império no meio da selva amazônica. Passados mais de 45 anos, o Projeto Jari continua a ser um dos grandes desafios ao Pará e sua experiência provoca interesse internacional, por estar executando um manejo florestal considerado o maior do mundo.

Ludwig era um dos homens mais ricos do mundo quando, aos 70 anos, assumiu o controle de uma empresa extrativista de comerciantes portugueses estabelecidos em Belém, que, por sua vez, incorporou o patrimônio de um famoso coronel (de barranco) José Júlio de Andrade, em 1948.

Dezenas de diferentes títulos de terras que vieram na transação deram a Ludwig a convicção de se ter tornado o dono do maior latifúndio do planeta, com 3,6 milhões de hectares localizados no vale do rio Jari, entre o Pará e o Amapá, próximo à foz do rio Amazonas.

Ludwig precisava desse território para realizar seus dois maiores projetos: suprir o mundo faminto de fibra e de grão, produzindo celulose (numa fábrica trazida do Japão pelo mar) e arroz (empreitada que se frustrou). Mas quando a complexidade ou precariedade dos documentos de terras do Pará se foi revelando, os assessores do milionário chegaram à conclusão de que o império era menor. Talvez tivesse “apenas” 1,6 milhão de hectares, ainda no topo das maiores propriedades rurais do planeta. Mas essas dimensões eram precárias.

Em 1976, a empresa entregou ao Instituto de Terras do Pará 36 das suas dezenas de títulos. Esses papéis permitiam transformar posse em propriedade definitiva, se confirmados pelo governo. Um parecer do Iterpa concluiu que talvez a Jari tivesse direito a uns 300 mil hectares, não mais do que isso.
Quando o processo estava sendo encaminhado, o Gebam (Grupo Executivo de Terras do Baixo Amazonas), vinculado ao então todo poderoso Conselho de Segurança Nacional, em pleno regime militar, avocou o assunto. Só depois de 15 anos, por insistência do Iterpa, finalmente, foi devolvido o processo, no qual não havia sido dado um único despacho. Simplesmente hibernara em algum arquivo.

Passados quase 40 anos do início do procedimento, ainda não é possível determinar com clareza o quanto é terra realmente de domínio da empresa. Recentemente ela tentou chegar a 950 mil hectares através de uma inusitada manobra num cartório do interior, sem sucesso. A operação tentada era ilegal.

Agora é o poder público que busca ajustar o plano da realidade ao formato legal. De um lado os órgãos do executivo e o Ministério Público, atrás de uma solução nessa trama de décadas, ou mesmo séculos. De outro lado, pela primeira vez com voz ativa. representantes de 153 comunidades, com mais de duas mil pessoas, estabelecidas na área. A história deixou de ser um monólogo da empresa, coadjuvada pelo governo federal, que na maior parte do tempo a apoiou incondicionalmente.

Este processo foi interrompido por uma recomendação de uma promotora de justiça para a suspensão de todas as atividades da empresa, com o congelamento da vida produtiva e econômica nessa região. Mas o governo acabou não acatando a recomendação. A situação é mais complexa.

No Jari agora atuam duas empresas do grupo Orsa, de São Paulo. Uma continua com a celulose, mas parou sua atividade para mudar o produto: ao invés de ser insumo para a indústria de papel e papelão, vai atender o mercado de tecidos. Outra empresa se dedica apenas à madeira para a venda direta aos mercados nacional e internacional.

A Jari atua numa área de 965 mil hectares, sendo 545 mil hectares (80%) de reserva florestal, sobrando 120 mil hectares de floresta de eucalipto plantado em substituição à mata nativa, que sofreu corte raso, com desmatamento total. Em 2009 começou o plano de manejo de floresta nativa, considerado o maior de todos, visando a produção de madeira comercial com a manutenção da floresta. De 2009 até junho deste ano, a Orsa teve autorização legal para extrair 1,2 milhão de metros cúbicos de madeira, no valor de 146 milhões de reais.

A Jari é o principal ator do enredo. Mas agora há outros, que querem apenas extrair madeira. É atividade tão intensa que o grande rio Paru chegou a ficar obstruído para a navegação por causa da quantidade de jangadas de madeiras de uma só vez no seu leito.

É quase impossível que a recomendação do Ministério Público alcance esses agentes. Eles continuam praticamente imunes à repressão oficial, que mal consegue dar conta dos compromissos assumidos com a Jari e os antigos moradores. O próprio MP reconhece que há “um número significativo de madeireiras ilegais na região”. Nunca, porém, o governo dispôs de tantas informações e providências para chegar a uma solução justa para essa história.

A correção de rumos não é simples. O governo federal concedeu tantos favores à Jari que o Banco do Brasil e o BNDES lhe fizeram empréstimos de 500 milhões de dólares (valor não corrigido) aceitando dupla hipoteca de terras tidas como de propriedade e contínuas, quando não havia de fato essa garantia. O banco já aprovou um novo empréstimo para a empresa, sem que a situação fundiária esteja esclarecida e os planos de manejo confrontados com a realidade, na verificação de estarem realmente merecendo o selo verde internacional que ostentam.

Assim são as coisas na Amazônia.



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