sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Caldeirão do Huck, Rede Globo, visita pororoca no Rio Araguari


Os atores Marcelo Serrado, Marcelo Novaes e Rodrigo Santoro, ao lado do apresentador Luciano Huck e do surfista de ondas gigantes Carlos Burle, viajaram até rio Araguari, no Amapá, para conhecer o fenômeno natural típico dos rios barrentos do Norte do Brasil. A reportagem vai ao ar neste sábado (01 de dezembro de 2012) no programa Caldeirão do Ruck.

De 27 a 30 de outubro, o pacato município de Cotias do Araguari, na foz do rio Araguari, viu sua rotina mudar radicalmente. No lugar das canoas que fazem o deslocamento por via aquática e bicicletas e veículos de tração animal para terra firme, a paisagem foi tomada por jet skis, pranchas de surfe, navios modernos, caminhonetes e até helicópteros.

Com o apoio do governo do Amapá, através do Corpo de Bombeiros e do Ibama, eles utilizaram os três dias para surfar a onda amazônica, contando com o know-how da Abraspo - Associação Brasileira de Surf na Pororoca.

Entre os participantes, apenas Carlos Burle tinha experiência no surf de rio praticado na Amazônia. Para todos os outros a oportunidade era inédita. "Foi um dos momentos mais lindos da minha vida", descreveu o ator Marcelo Serrado. Ele já havia escutado falar da pororoca quando esteve em Belém e, depois de ver imagens do fenômeno, decidiu encarar a aventura. O que era para ser uma viagem entre amigos se tornou um documento para a posteridade depois que o ator comentou com Luciano Huck a ideia.

Mas, ao chegar ao Amapá, surfar a pororoca tornou-se complicado: as ondas no período não passavam de dois palmos e os próprios moradores do local apostavam que aquele não era o tempo de pororoca. Então, a integração homem-natureza foi a outro patamar. "Fizemos o ritual ‘Auera Auara’, para chamar a onda. Nos pintamos, pedimos permissão para entrar no rio. E deu certo", disse Noélio Sobrinho, que atuou como o piloto de jet ski que colocou os atores para surfar a onda da pororoca. "As ondas chegaram a dois metros", afirmou Noélio.

"A gente ficou meio ‘grilado’. Ali era um rio, tinha jacaré, piranha, cobra e tudo o mais. Mas acho que os animais se afastam quando a onda passa. Perdi uma prancha lá, que a onda arrebentou. Mas foi incrível. O lugar é lindo, mágico. E a emoção de sentir aquele contato com a natureza, um perigo também, é indescritível. Recomendo a todos", disse Serrado, que já espera ansioso pela próxima oportunidade, que deve acontecer no Pará. O convite, pelo menos, já existe: o titular da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel), Marcos Eiró, enviou um documento para os participantes com um convite formal para conhecer a pororoca de São Domingos do Capim, onde o surfe da pororoca começou.


Quer saber tudo sobre a Pororoca? Clique no link ao lado: Surf na Pororoca: o esporte radical domando a força da natureza

domingo, 25 de novembro de 2012

E se não houvesse noite?


Veja como seria a sua vida se a noite deixasse de existir.

Uma megalomaníaca, hollywoodiana intervenção humana poderia instalar über-refletores na órbita da Terra e assim acabar com a escuridão. Mas, até este momento da história, não há motivo para fazer algo tão faraônico. Então fiquemos com a alternativa astronômica. A única maneira de não haver noite é pela sincronização dos movimentos da Terra. Ou seja, se a rotação fosse igual à translação. Só assim o mesmo lado do planeta daria toda a volta ao redor do Sol sem deixar de ser iluminado. E, para isso, a velocidade da Terra no Sistema Solar deveria ser constante, o que implica uma órbita circular, e não elíptica. Mesmo com essas condições, seria dia para sempre somente em um lado do planeta. No outro, noite eterna. Um lugar inóspito, com temperaturas que podem ser baixas como as dos polos e onde as formas de vida seriam diferentes das do lado iluminado. Algo como as profundezas abissais dos oceanos, mas na superfície. Teríamos dois planetas em um só. "Em movimento sincronizado, as condições climáticas seriam radicalmente diferentes. Dificilmente haveria a explosão da vida", diz o astrônomo da USP Enos Picazzio.

No lado iluminado, as coisas tampouco seriam fáceis. A vida na Terra está programada para reagir à luz. A galinha, por exemplo, é fotossensível. Em condições naturais, ela só bota ovos quando o Sol nasce. Com ele a pino sempre, a ave como conhecemos dificilmente existiria. Já as plantas vivem de acordo com a duração da noite e do dia. Em noites curtas, como no verão, elas crescem. Na primavera, elas florescem. "A ausência de sinais temporais poderia impedir a floração e a produção de frutos", diz Sergio Tadeu Meirelles, biólogo da USP. A vida como um todo seria adaptada não às andanças do Sol no céu, mas à imobilidade dele. E ele não serviria mais para contarmos o tempo. Essa função seria da Lua.



Cruzeiro para o crepúsculo
Quase não veríamos a Lua - mas ela continuaria importante

Piratas emos
Devido à volta da Lua ao redor da Terra, por 15 dias ela ficaria no lado claro, escondida. Nos outros 15, estaria a pino, na escuridão. O fenômeno chamaria a atenção na parte iluminada, mais rica e povoada. Turistas iriam ao escuro, guiados por habitantes das trevas, gente à margem da sociedade.

Pobres e pequenos
Nosso organismo foi feito para repousar no escuro. Sem ele, precisaríamos de câmaras de sono. Quem não tivesse dinheiro para isso teria problemas como pressão alta e estresse. E seria baixinho: o hormônio do crescimento age principalmente durante o sono.

Feliz 1433
O dia como o conhecemos é o tempo em que a Terra dá uma volta em seu eixo, a rotação. Como ela teria o mesmo tempo que a translação, um dia seria igual a um ano. Bizarro. Então a ideia de dia seria determinada pela Lua, cujo movimento em volta da Terra tem cerca de um mês. Não é absurdo. Há calendários baseados na Lua, como o islâmico.

Robin das trevas
A influência da noite na cultura seria outra. O Pink Floyd, se existisse, gravaria The Dark Side of the Earth. Caetano Veloso cantando "Às vezes no silêncio da noite"? Esqueça. E não teríamos tanto convívio com os morcegos. Ou seja, Drácula e Batman não existiriam. Mas o lado escuro inspiraria tanta curiosidade que viveríamos obcecados por lendas de monstros no lado de lá.

Pelos, por que tê-los?
Os animais seriam pelados. Ou teriam pelos (e penas) muito curtos, provavelmente brancos, para refletir o sol e diminuir a temperatura corporal. Na parte escura do planeta não haveria plantas, pois não haveria luz para fazer fotossíntese. Então todos seriam carnívoros, com olhos ultrassensíveis para enxergar à noite.

Incêndio consome Lagoa dos Índios


Em anos anteriores, outros casos parecidos foram registrados.

Um incêndio que já persiste alguns dias está preocupando os moradores das proximidades da Lagoa dos Índios. Devido o tempo seco, a vegetação de fácil combustão incendiou e se alastrou rapidamente.

Nesse período onde o clima é extremamente seco e quente, as altas temperaturas facilitam a ignição e a propagação do fogo nas residências e em áreas de campo.

Apesar das denúncias dos moradores da área, o Corpo de Bombeiros tem dificuldades em controlar o fogo, pois o local é de difícil acesso, íngreme, tem mata seca e fechada, além de temperatura alta.

A fumaça se espalha em diversos pontos da área da Lagoa que está com boa parte da vegetação seca, devido o período de veraneio. Quando anoitece, a temperatura cai e é possível ver os focos de incêndio na Linha G que fica do outro lado da Lagoa.

Neste lugar, é comum anualmente, nesta época, ocorrerem incêndios em vegetação, isso se dá por agricultores que residem às redondezas, eles realizam queimas descontroladas para plantarem suas lavouras, outra causa são os motoristas fumantes que passam na rodovia e que jogam pontas de cigarro no local gerando os incêndios naquela área.

Lagoa dos Índios

A Lagoa dos Índios está situada em uma área de ressaca, na bacia do Igarapé da Fortaleza, no município de Macapá, a oeste do núcleo urbano, já próximo ao município de Santana.

A Ressaca Lagoa dos Índios chama a atenção pelo contraste entre a bela paisagem natural e a urbanização do seu entorno. Vale destacar que a referida Lagoa dos Índios é considerada uma Área de Preservação Permanente (APP).

Essa área está ocupada há mais de duzentos anos por uma comunidade predominantemente negra, a qual se reconhece enquanto “remanescente de quilombos”. Nesse contexto, estudos datam que na metade do século XVIII ocorreu a ocupação da região por habitantes negros, época que coincide com o surgimento dos quilombos no Estado do Amapá. Estes negros foram ali chegando fugitivos da escravidão, e viram na bacia hidrográfica do Igarapé da Fortaleza condições favoráveis para sua sobrevivência. Por esta razão, o primeiro nome dado à localidade foi Fortaleza, passando posteriormente a se chamar Lagoa dos Índios.

Entretanto, antes de chegada dos escravos, o lugar já se encontrava habitado por tribos indígenas que ali se acostaram ainda na fase pré-colonial. Desta forma, com o surgimento da mão de obra dos escravos refugiados e a organização indígena, várias atividades foram sendo realizadas como plantações, atividades domésticas, construção da vila de São José de Macapá, além da criação de gado e da atividade pesqueira.


Elas estão em todos os lugares: as baratas

Elas estão moídas no seu chocolate, sobrevivem a até um mês sem cabeça e comem seres humanos vivos. (Agora a boa notícia: elas não resistiriam a um ataque nuclear). Conheça o nojento mundo dessa obra-prima da evolução: a barata.



Gênio do design
Conheça milímetro a milímetro o inseto highlander.

Casca dura
Para proteger o interior delicado, elas são revestidas por um casco duro de quitina. O formato achatado permite que elas suportem esmagamentos leves sem morrer.

Creme
A massa branca que sai quando você esmaga uma barata é gordura e protege os órgãos internos. Ela permite que o inseto fique dias sem comer.

Filhotes
A maioria das baratas guarda seus ovos em um recipiente chamado ooteca, que fica dentro do corpo. Algumas espécies seguram os filhotes dentro de si até estarem prontos para ir ao mundo; outras largam a ooteca em um lugar seguro para os ovos eclodirem sozinhos.

Antenada
Dotadas de pequenos pelinhos ultrassensíveis, as antenas das baratas captam odores e podem, dependendo da espécie, detectar a presença de água, álcool ou açúcar nas proximidades.

Fôlego
A barata respira por 20 aberturas laterais chamadas espiráculos, que levam o ar para o corpo todo. Assim, pode ficar horas sem oxigênio.

Radar
Esses espinhos no traseiro dão informações detalhadas sobre ameaças: percebem movimentos sutis do ar e captam informações sobre possíveis ameaças, como localização, tamanho e velocidade.

A barata dos vizinho
São 5 mil espécies do inseto que vive na Terra há 325 milhões de anos. Eis as principais:
Nome - Barata americana
Tamanho - 3 a 4 cm
Longevidade - 3 a 4 anos
Habitat - Ambientes escuros como sótãos, porões e esgoto.
Comuns no mundo todo, são maiores, e fazem voos curtos. É a espécie mais resistente: fica 90 dias sem comida e 40 sem água. Acredita-se que tenham vindo da África em navios negreiros.

Nome - Barata germânica
Tamanho - 1,2 a 1,6 cm
Longevidade - 1 ano
Habitat - Cozinhas e banheiros, despensa de alimentos, máquinas de café.
Elas têm asa, mas não voam e são as mais comuns nas cidades da América. Vivem até 45 dias sem comida e 14 sem água. Acredita-se que tenham ido para a Europa com os fenícios.

Nome - Barata de Madagascar
Tamanho - 5 a 9 cm
Longevidade - 2 a 5 anos
Habitat - No chão de florestas tropicais, principalmente Madagascar.
Esta espécie não é considerada uma praga urbana - na verdade, é até criadacomo bicho de estimação. São famosas pelo alto assobio que fazem quando se sentem ameaçadas.

Também vão pegar você
Poucos bichos são tão liberais quanto as baratas quando se trata de alimentação. Elas comem praticamente tudo. E isso inclui coisas bizarras como cola, fezes, papel, couro, outras baratas e cerveja azeda quente, que é seu alimento preferido. (A única coisa que odeiam é pepino - sabe-se lá por quê.) E elas também curtem comer seres humanos - vivos ou mortos. Sim, elas "mordem" gente viva (que está dormindo) - sempre nas extremidades: dedão e sola dos pés, unhas e palmas das mãos. Também há relatos de baratas que comem cílios. Elas não têm dentes, mas usam sua forte mandíbula para raspar as superfícies até deixar buracos doloridos. Também podem se alimentar de restos de comida, especialmente de leite seco na boca de bebês que estão dormindo. As crianças são mais suscetíveis por terem o sono mais pesado, mas adultos também não escapam. Se você é do tipo que curte tomar cerveja e comer salgadinho no sofá e acaba dormindo por lá mesmo, chegou a hora de repensar sua vida.

Boatos sobre baratas

Elas resistem a ataques nucleares
Mentira. O mito provavelmente surgiu na década de 1960, com o relato nunca confirmado de que baratas teriam sobrevivido às bombas de Hiroshima e Nagasaki. É verdade que, comparadas com não-insetos, elas são resistentes: por terem poucas células que se dividem lentamente, conseguem consertar alguns problemas causados pela radiação. Mas outros seres vivos são muito mais resistentes, como certas algas, musgos e bactérias. E até alguns insetos são mais fortes: enquanto a barata americana aguenta até 20 mil rads (unidade de radiação absorvida), o caruncho de madeira aguenta 48 mil, e a mosca-das-frutas, 64 mil. Uma bomba como a de Hiroshima tem 34 mil rads. Ou seja, elas não sobreviveriam.

Elas sobrevivem sem cabeça
Verdade. Baratas são sobreviventes. Além de conseguir ficar até um mês sem comer nada e semanas sem ingerir água, o inseto ainda é capaz de sobreviver por até outro mês sem a cabeça. É que suas principais estruturas vitais ficam espalhadas pelo abdômen (incluindo as que permitem a respiração) e, caso percam a cabeça (no sentido literal), um gânglio nervoso no tórax passa a coordenar os seus movimentos, permitindo que fujam das ameaças. Como o seu corpo tem um revestimento de células sensíveis à luz, ela ainda pode localizar e correr para as sombras a fim de se proteger. Mas, como todos, inevitavelmente um dia acaba morrendo.

Elas estão no chocolate
Verdade. Segundo a Food and Drugs Administration (FDA), o órgão que faz o controle dos alimentos e remédios nos EUA, uma barra de chocolate comum contém, em média, 8 resíduos de baratas. (Um pedaço de 100 gramas de chocolate tinha, em média, 60 resquícios de insetos variados em sua composição.) O inseto entra em contato com o doce ainda durante a colheita e armazenamento do cacau. E mais: pessoas que têm alergia ao chocolate podem, na verdade, ser alérgicas aos pedacinhos de baratas que ficam no doce. O inseto pode causar reações alérgicas em algumas pessoas, como coceira e cãibras, e cortar o chocolate da dieta é justamente um dos tratamentos recomendados a pessoas alérgicas.

Sexo explícito
Uma loucura. Observe aqui, de perto, o que só acontece atrás das paredes: o ritual de acasalamento da barata americana, a "voadora". Ui.
1. Essa espécie pode produzir até 800 descendentes nos seus 4 anos de vida. A germânica, que vive 1 ano, gera até 20 mil
2. Veja a atitude sensual da fêmea: ela abaixa o abdômen, levanta as asas e libera feromônios. Se o macho topar, ela sobe nele.
3. Enquanto escala o macho, ela vai lambendo suas costas. Assim, ingere uma substância especial, produzida na corte.
4. O macho não perde tempo: vai tentar introduzir a genitália na fêmea por baixo, para iniciar a cópula.
5. Ligado pelas genitália, o macho se vira e assume posição oposta à parceira. É nesse momento que ela é fecundada.

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sábado, 24 de novembro de 2012

Nazistas na Amazônia


Os oficiais de Hitler estiveram aqui, gostaram do que viram e fizeram um plano audacioso e assustador: enviar uma missão secreta à Amazônia para atacar os países vizinhos e começar a ocupação da América do Sul.

Os gringos querem tomar a Amazônia. Você já deve ter ouvido essa teoria conspiratória, que volta e meia aparece em conversas de bar. O que você provavelmente não sabe é que esse risco já existiu de verdade. Uma superpotência já esteve aqui mapeando o terreno. E não foram os EUA - foi a Alemanha nazista. "A tomada das Guianas é uma questão de primeira importância por razões político-estratégicas e coloniais." Essa frase faz parte de um relatório de 1940 preparado pelo biólogo e geógrafo Otto Schulz-Kamphenkel para a SS - a força de elite do Terceiro Reich. O objetivo da chamada Operação Guiana era colonizar as guianas Francesa, Inglesa e Holandesa. A invasão seria feita pelo norte do Brasil, pois os nazistas já haviam passado por aqui - e gostado do que viram. De 1935 a 1937, Schulz-Kamphenkel liderara uma expedição que começou em Belém do Pará e percorreu as margens do rio Jari, no atual estado do Amapá, até chegar à fronteira da Guiana Francesa.

Os metais preciosos da região e a forte influência dos ingleses na América do Sul foram os principais incentivadores da Operação Guiana. Em carta endereçada a Hitler, no dia 3 de abril de 1940, o oficial da SS Heinrich Peskoller diz que as reservas de ouro e diamantes locais seriam suficientes para sanar a situação financeira da Alemanha em poucos anos. "Na Guiana Britânica, a extração de ouro e diamante é mantida em baixa para não atrapalhar o mercado sul-africano (dominado também por ingleses). Nas mãos do Führer, cada metro quadrado de solo poderia ser em pouco tempo explorado pela grande Alemanha", escreveu o oficial.

Peskoller não queria apenas criar uma colônia para alimentar a economia do Terceiro Reich. A região teria importância na construção do Espaço Vital da raça ariana - pois os nazistas acreditavam que seria possível transformar a região em um lugar bom de viver. "O empenho e a técnica alemã poderiam domar as inúmeras cachoeiras na forma de usinas hidrelétricas colossais. Podendo fazer uma rede elétrica em todo o país com bondes, navegação fluvial, produção de madeiras nobres, pontes, aeroportos, escolas e hospitais. A comparação entre o antes e o depois da tomada dos alemães contaria pontos para o Führer", argumentava Peskoller.

A conquista das Guianas também traria outro grande benefício para os alemães: atrapalhar a Inglaterra. Os ingleses compravam muitas matérias-primas das Américas, e boa parte dos cereais consumidos no território inglês vinha da Argentina. Depois de montar a base na América do Sul e tomar as Guianas, o próximo passo dos nazistas seria mandar submarinos para a região - para que os navios que se dirigiam à Inglaterra fossem abatidos.

Em 1940, o projeto foi encaminhado a Heinrich Himmler, líder da SS e um dos principais nomes do governo nazista. "O plano parece romântico, mas é factível", defendeu Schulz-Kamphenkel. A operação, de acordo com o pesquisador, deveria ser feita em sigilo. Os alemães atacariam em duas frentes. Uma tropa de 150 soldados navegaria o rio Jari, no Amapá, para chegar a Caiena, capital da Guiana Francesa. Ao mesmo tempo, pequenas embarcações e 2 submarinos atacariam pela costa da Guiana.

A América do Sul e a Sibéria deslumbravam Schulz-Kamphenkel pelas riquezas naturais. Esses territórios eram considerados áreas ideais para a expansão do Terceiro Reich. Mas a invasão militar na Sibéria estava temporariamente descartada. Os Russos dominavam a região. E, até 22 de junho de 1941, estava em vigor um pacto de não-agressão germano-soviético. Sobrava a América do Sul.

Na avaliação dos nazistas, os países vizinhos não impediriam a invasão. O Brasil dera apoio irrestrito à primeira viagem de Schulz-Kamphenkel pela Amazônia, em 1935 (quando o pretexto dele era estudar a flora e a fauna locais), e não sabia dos planos de ataque. Uma possível represália dos EUA também era considerada improvável. Em 1940, eles ainda não estavam em guerra contra a Alemanha. Pela lógica da SS, a troca de poder nas colônias seria uma mera substituição de nações europeias na região - e não afetaria a influência dos americanos por aqui.

O plano também incluía previsões assustadoras para o período do pós-guerra. Após a conquista da Europa, o novo alvo seria o Japão. "Se conseguirmos assegurar (o território das Guianas), teremos uma posição estratégica para enfrentar o Japão", diz o relatório. Era uma questão de defesa. "Há o risco terrível de domínio amarelo no mundo. A raça branca está ameaçada pela raça amarela."

Antes de a guerra estourar, o jovem Otto Schulz-Kamphenkel já desfrutava de prestígio entre os homens fortes de Hitler. Sua primeira grande expedição foi na África, na atual região da Libéria, onde ele caçou animais - que vendeu para o zoológico de Berlim. Seu grande desejo era conhecer a floresta amazônica. A expedição ao Jari, em 1935, colocou o pesquisador no patamar dos mais prestigiados cientistas alemães da época. O Museu de História Natural de Berlim ainda expõe animais empalhados trazidos por Schulz-Kamphenkel, que também gravou um filme de 90 minutos, tirou 250 fotos e escreveu o livro O Enigma do Inferno Verde, que vendeu 100 mil exemplares na época. "A descrição da paisagem é muito precisa. Ainda hoje é possível se guiar na região com as referências dadas no livro", diz Cristoph Jaster, chefe do Parque Nacional Tumucumaque, no Estado do Amapá.

No livro, saudações a Hitler se misturam com comentários sobre a superioridade da raça ariana. Imagens mostram um hidroavião e alguns barcos carregando bandeiras com suásticas. Os nazistas deixaram uma lembrança que pode ser vista até hoje na margem do rio Jari, a poucos metros da cachoeira de Santo Antônio. É uma cruz de 3 m de altura, decorada com uma suástica, em homenagem a um oficial que morreu durante a expedição.
Negros e índios eram considerados raças inferiores. Mas Schulz-Kamphenkel exaltava a boa relação construída com as tribos locais aparai, mayna e wajäpi. Os nativos, que despertavam a curiosidade dos alemães (e atraíram muitos espectadores para o filme que mostra a expedição) serviram como guias na desconhecida região da floresta amazônica. Quando surgiu a ideia do Projeto Guiana, Schulz-Kamphenkel dizia que sua boa relação com os locais seria um facilitador para a conquista germânica. "Ele não queria apenas participar da invasão. O bom contato com os índios fez Schulz-Kamphenkel sonhar com o governo da futura Guiana Alemã", afirma o alemão Jens Glüsing, autor do livro Das Guiana-Prokejt. Ein deutsches Abenteuer am Amazonas (Projeto Guiana - Uma Aventura Alemã no Amazonas), ainda sem tradução em português.

Militares disfarçados

O Ministério da Aeronáutica nazista forneceu um hidroavião para ajudar nos estudos na selva. Nas entrelinhas, havia um objetivo militar: testar técnicas de mapeamento aéreo. Esse aprendizado foi usado para fins militares durante a Segunda Guerra. Os ministérios das Relações Exteriores e da Guerra de Brasil e Alemanha cuidaram da burocracia e negociaram a isenção de impostos para armas, munição e mais de 30 toneladas de material para a expedição. O Museu Nacional no Rio de Janeiro, presidido por Paulo de Campos Porto, foi o principal incentivador do projeto pelo lado brasileiro. Esse apoio existiu porque a região era igualmente desconhecida pelo nosso governo, e o museu estava interessado nos resultados científicos obtidos pela expedição. Além disso, as células do Partido Nazista no Brasil tinham forte influência sobre setores do governo de Getúlio Vargas e fizeram lobby a favor da expedição.

Sim, havia uma presença nazista no Brasil. O presidente brasileiro não escondia seu respeito ao nacional-socialismo de Hitler. Os cientistas alemães eram referência no Brasil, e as políticas antissemitas tinham grande respaldo, principalmente, no Ministério das Relações Exteriores. O integralismo, movimento brasileiro identificado com o fascismo e um dos principais partidos da base aliada do governo antes do golpe do Estado Novo, dividia a sede no Rio de Janeiro com os representantes cariocas do nacional-socialismo. "O nazismo tinha uma legenda organizada no Brasil. Membros do partido andavam com carteiras de identificação, jornais nazistas circulavam sem restrições e materiais racistas eram veiculados em escolas. Vargas tinha uma clara identificação ideológica, principalmente, com as noções de uma nação forte e uma raça pura", diz Maria Luiza Tucci Carneiro, coordenadora do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação do Departamento de História da USP.

Nazismo verde e amarelo

Não eram só os partidos fascistas que se deslumbravam com a aventura de Schulz-Kamphenkel. A opinião pública também apoiou a expedição nazista. O jornal carioca Gazeta de Noticias publicou no dia 9 de agosto de 1935 uma matéria com o título: "Nas vésperas da sua sensacional expedição ao Jari". A entrevista com o geógrafo alemão exaltava "uma viagem que mereceu os mais francos aplausos". O cientista era caracterizado como "uma expressão brilhante da moderna geração que ora está surgindo cheia de vida e coragem, disposta a derrubar os obstáculos que entravam a marcha da civilização".

Em outra entrevista para o Jornal do Norte, publicada no dia 24 de agosto de 1935, o piloto alemão Gerd Kahle agradeceu: "Não se esqueça de dizer pelo jornal que estamos muito sensibilizados pelas atenções das autoridades paraenses. Aos senhores Andrade de Ramos & Cia., proprietários de imensa extensão de terras no Jari, também estamos cativos pelas facilidades que nos têm assegurado a boa consecução do nosso empreendimento."

Mas a segunda expedição, em que os alemães viriam secretamente para invadir as guianas, acabou não saindo do papel. Ela não se concretizou por uma decisão pessoal de Himmler, o líder da SS, que esfriou os planos. Na estratégia dele, a guerra havia ganhado outras dimensões - e seria mais inteligente centrar fogo na Europa. Em 10 de maio de 1940, a Alemanha lançou uma grande ofensiva contra a Europa Ocidental. Em dias, a Holanda foi conquistada e, em pouco mais de um mês, Hitler realizou seu desfile histórico pela Avenida Champs-Élysées, em Paris. "As invasões da Holanda e da França representaram a anexação automática de suas colônias ao governo nazista. Não havia mais a necessidade de invadir as Guianas", explica Jens Glüsing.

Com o decorrer da guerra, os habitantes da Guiana Francesa começaram a se revoltar contra as forças de Vichy (governo pró-nazista implantado na França durante a Segunda Guerra). A capital, Caiena, ganhou o clima de terra sem lei e virou palco da ação de espiões e fugitivos. Em 1943, com a ajuda dos EUA, o governo pró-nazista foi expulso da Guiana Francesa. Mas a população local era contra uma ocupação americana. E os franceses não tinham mais autoridade. O país estava sem comando - e o governo brasileiro começa a cogitar a anexação da Guiana Francesa ao Brasil. Livros de propaganda política, como Brasil, o País do Futuro, do austríaco Stefan Zweig, chegaram a ser distribuídos em Caiena. Mas Getúlio Vargas acabou desistindo do plano, pois temia criar atrito com os EUA.
Após voltar da Amazônia, Schulz-Kamphenkel se filiou à SS e chegou ao posto de tenente. Com outros cientistas, formou uma tropa de elite de pesquisadores a favor do nazismo. Depois, se envolveu na operação secreta Comando Especial Doca, que levou mais de 50 pesquisadores nazistas para estudar o Deserto do Saara e imaginar possíveis rotas que os ingleses e os franceses poderiam tomar até a Itália. Schulz também perambulou por Grécia, Iugoslávia, Finlândia, Polônia e Ucrânia.

Em 1945, ele foi preso na Áustria pelos americanos e enviado para um campo de prisioneiros de guerra. O FBI o interrogou em maio de 1946. No dossiê sobre o geógrafo, um oficial recomendou ao governo americano que adotasse as técnicas de mapeamento aéreo desenvolvidas por Schulz-Kamphenkel, mas isso não chegou a ser concretizado. No mesmo ano, ele foi solto e voltou para sua cidade natal, Hamburgo, onde abriu o Institut für Welkunde in Bildung und Forschung (Instituto de Formação e Pesquisa de Ciência do Mundo). Em funcionamento até hoje, a instituição fundada pelo ex-tenente da SS fornece filmes didáticos e material de ensino de geografia para escolas alemãs.

Depois de ser alvo de Hitler, a região do rio Jari e a fronteira com a Guiana Francesa se transformou em palco de extração de ouro, com a ação predatória de garimpeiros e exploração mineral desenfreada na década de 1980. Hoje, faz parte de uma área de proteção ambiental - mas, como toda a Amazônia, sofre com os efeitos do desmatamento, que cresceu 60% no segundo semestre de 2011. Hoje a grande ameaça à região é outra: a destruição ecológica.

POR ONDE ELES PASSARAM

As andanças nazistas pela região
Itinerário
A expedição percorreu 1 000 km. Ela partiu de Belém, em 1935, e atravessou Breves e Arumanduba até chegar ao rio Jari e terminar perto da fronteira da Guiana, em maio de 1937.

1. Set/1935 - A expedição começa, com parte da equipe num hidroavião e a outra de barco.
2. Nov/1935 - Os alemães fazem seu primeiro contato com indígenas.

3. Jan/1936 - Há um surto de malária e um membro da equipe morre. A expedição é obrigada a voltar a Arumanduba para pegar suprimentos.
4. Abril/1936 - Uma cruz de 3 m, decorada com uma suástica, é colocada na cachoeira de Santo Antônio em homenagem a Greiner.

A água da chuva é potável?


Não. As gotas de chuva arrastam partículas soltas no ar. E muitas delas são poluentes altamente tóxicos.

No meio do caminho entre a formação das gotículas nas nuvens e o chão, há diversas substâncias na atmosfera. E elas podem ser tóxicas, especialmente se você estiver em uma cidade grande ou industrial. A chuva carrega poluentes da queima de combustíveis, como o benzeno, que é cancerígeno. Aliás, é por isso que a chuva deixa o ar mais limpo, pois ela varre a sujeira do céu. E não se engane. Longe dos centros urbanos, a água tampouco é potável. O ar é mais limpo, mas as nuvens podem vir de cidades distantes. Um exemplo histórico foi o caso de chuva ácida nos aparentemente incólumes lagos noruegueses, em 1881. Ela trazia partículas de carvão da Inglaterra, a mais de 1 000 km. No Brasil, uma pesquisa realizada pela USP mostrou que os poluentes gerados em São Paulo podem se espalhar por até 350 km em caso de ventos fortes. Além disso, água da chuva de nuvens formadas no campo podem ter excesso de cálcio e potássio. Já nuvens do litoral têm sódio. Essas substâncias podem causar hipertensão e problemas de coração, entre outros. Ou seja, água de chuva não é recomendada para consumo. Até mesmo a de cisternas precisa ser tratada antes.

Água tem gosto?

Sim. E existe até sommelier de água

Especialistas conseguem detectar até 20 variantes de sabor da água. A classificação vai de notas florais a gosto de vegetação, terra e até peixe. Mas são variações mínimas, dentro do permitido, que só alguém treinado percebe. "É um parâmetro que usamos para qualificar, mas eu já bebi a água de diferentes sistemas [onde ela é captada] e não percebi mudança no gosto", diz Marcelo Morgado, assessor de meio ambiente da Sabesp. Por falar em sistemas de água, a da torneira, por lei, é potável. Mas, na prática, é preciso checar caixa d’água, encanamento e o serviço de abastecimento antes de sair bebendo por aí.

Detalhes inéditos sobre o vírus da gripe


Cientistas publicaram detalhes da estrutura do vírus da gripe que nunca tinham sido revelados antes. O avanço é resultado de duas pesquisas independentes – uma do Instituto The Scripps, em La Jolla, nos Estados Unidos, e outra do Centro Nacional de Biotecnologia da Espanha – publicadas pela revista “Science”.

Os estudos mostraram a estrutura tridimensional das “embalagens” moleculares que carregam o material genético dos vírus. A análise revelou que tipo de proteínas compõem essa estrutura, e de que forma elas agem na replicação do influenza, como é chamado o vírus da gripe.

A compreensão de como o vírus se multiplica é um grande desafio para as pesquisas na medicina. As proteínas do influenza não interagem com as células de laboratório da mesma maneira como fazem com o hospedeiro, e por isso era impossível observar sua replicação. Nos atuais estudos, os dois grupos foram capazes de superar esse obstáculo.

O conhecimento mais profundo do processo será capaz de indicar alguns pontos vulneráveis do vírus, e isso certamente será útil no desenvolvimento de novos medicamentos contra a doença.

O vírus da gripe é considerado uma grande ameaça à saúde pública, por isso é importante conhecê-lo bem. A preocupação não é só com a gripe comum – também chamada de gripe sazonal –, mas também com suas variações, que podem produzir uma nova doença mortal.
Recentemente, pesquisadores causaram polêmica quando produziram uma mutação do vírus da gripe aviária que seria transmitida entre mamíferos. A possibilidade foi vista como um risco por especialistas em biossegurança, que viram na linha de pesquisa um potencial de uso por terroristas.

Fonte: G1 – Jornal Ambiente Brasil

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A bicicleta revolucionou o sexo e a genética


Que invenção pode ter sido mais revolucionária para o sexo do que a pílula anticoncepcional, a camisinha ou o Viagra? Para um dos geneticistas mais renomados da Grã-Bretanha, a resposta é clara: a bicicleta.

Stephen Jones, professor do University College de Londres (UCL), uma das mais respeitadas instituições de ensino e pesquisa do país, destaca que a invenção da bicicleta foi o evento mais importante dos últimos 100 mil anos da história da evolução humana.
Para Jones, em entrevista ao programa da BBC Science Club, a bicicleta "fez com que os homens não se limitassem mais a encontrar sua companheira sexual na porta ao lado, mas, sim, transportar-se a aldeias vizinhas e manter relações sexuais com uma mulher do povoado ao lado".

Transporte barato e eficiente

Embora a bicicleta tenha sido inventada no início do século 19, não foi até pouco mais de um século atrás que se converteu em um fenômeno de massa.

Os primeiros modelos tinham rodas pesadas e pouco confiáveis, mas dois elementos transformaram a bicicleta em um dos milagres da tecnologia moderna: a corrente e as rodas com raios.

A roda com raios feitos de cabos de metal finos e esticados permitiu acelerar o funcionamento da bicicleta.

Antes da criação da corrente dentada, as rodas eram acionadas por meio de pedais acoplados, o que obrigava contar com uma roda frontal de enorme tamanho, que acabava sendo incômoda e instável.

A corrente, além das marchas, permitiu que, com apenas uma volta do pedal, a roda se movesse várias vezes e assim foi como nasceram, há um século, as bicicletas "seguras para damas".

Dessa forma, essa maravilha da engenharia se converteu em um sistema de transporte barato, eficiente, e acessível a homens e mulheres de todas as classes sociais.

Mais 'paqueras' e menos piano

A imprensa da época na Grã-Bretanha reportou que a invenção mudou a forma de cortejo entre os jovens do final do século 19.

Nos jornais britânicos daqueles dias, é possível encontrar notícias de que a bicicleta reduziu a frequência do comparecimento de pessoas à igreja, criou novas tendências de cortejo entre os jovens e até mesmo provocou uma diminuição no uso do piano.

Mas, além das transformações sociais, a ciência destaca que a contribuição mais importante da bicicleta se refletiu nos nossos genes.

Stephen Stearns, professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, defende que a bicicleta ampliou em 48 quilômetros a distância de 'paquera' dos homens ingleses no final do século 19.

Ele diz que a invenção estimulou ainda a pavimentação das ruas, o que facilitou, mais tarde, a incorporação do automóvel ao mundo do transporte. Para os especialistas, deu-se assim o início a um processo de migração que dura até hoje.

Diversidade genética

Jones, do University College de Londres, ressalta que a distância entre o lugar de nascimento dos futuros cônjuges não parou de aumentar desde então.

O cientista pede aos leitores que se façam uma pergunta simples: Quão distante é a origem de seu marido/mulher em comparação com a dos seus pais?

"Se caminharmos por uma cidade como Londres hoje em dia, vemos uma variedade genética que não teríamos visto em outra época".

A bicicleta, segundo Jones, deu início assim a um caminho rumo à diversidade genética sem precedentes, algo que tem um papel primordial no desenvolvimento do nosso sistema imunológico – o que teve repercussões futuras cruciais para a humanidade.

"A diversidade genética é a base da evolução, se não a tivéssemos, ainda seríamos muito parecidos com os primatas", concluiu.

BBC BRASIL

Composto da árvore "Cássia do Nordeste" pode tratar Alzheimer


Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara (SP), montaram um banco de dados com informações sobre compostos químicos extraídos da biodiversidade brasileira. Um deles, que já está patenteado, poderá ser usado no tratamento do mal de Alzheimer.

A descoberta, uma das mais importantes, nasceu da árvore Senna Spectabilis, popularmente conhecida como Cássia do Nordeste. Os pesquisadores verificaram que ela tem substâncias que podem ajudar no tratamento da doença de Alzheimer. Isso porque ela atua no sistema nervoso central e, assim, diminui os sintomas típicos da doença.

O medicamento pode ser uma esperança para tantas famílias como a da aposentada Valderes Pedro Gomido, que descobriu a doença há quatro anos. Desde então, além dos remédios, ela faz atividades em grupo. “A gente vai ao cinema em todo lugar, mas sozinha eu não faço mais”, contou.

São as filhas que se revezam para cuidar da mãe. Elas usam uma lousa para anotar as tarefas e nunca deixam a idosa sozinha. “Agora inverteu um pouco, a gente que tem que ter cuidado com quem ligou, porque que ligou. A gente tem que ver do que ela precisa, ao invés dela cuidar da gente, é a gente que tem que cuidar dela”, disse a terapeuta ocupacional Sylvia Regina Gomide.

Efeitos medicinais

Durante a pesquisa, várias plantas revelaram efeitos medicinais. Uma erva conhecida como guaçatonga, por exemplo, é muito usada pela população para fazer chás para quem tem úlcera de estômago, mas os pesquisadores identificaram substâncias que podem ajudar ainda no desenvolvimento de remédios contra o câncer.

Para chegar até esses novos princípios ativos é preciso colher amostras de uma mesma espécie em épocas e lugares diferentes. “Dependendo das condições do solo e de luz, ela vai produzir essas substâncias de maneira diferente”, explicou o pesquisador da Unesp Ian Castro-Gamboa.

Banco de dados – Durante 15 anos de estudos, os pesquisadores identificaram 640 substâncias de mais de 220 plantas da mata atlântica e do cerrado. Agora, todas essas informações estão disponíveis no site www.nubbe.iq.unesp.br para quem quiser acessar de qualquer lugar do mundo.

No site, é possível estudar as substâncias identificadas pelos pesquisadores, quais aplicações elas podem ter e de que plantas foram extraídas. “Essas informações já estavam disponíveis nas revistas cientificas, mas era muito importante criar um banco de dados para agilizar e facilitar o acesso de outros pesquisadores”, finalizou a pesquisadora Marília Valli.

(Fonte: G1)

Seca pode afetar fluxo de água dentro de árvores


Pesquisa divulgada pela revista científica “Nature” aponta que uma maior frequência na quantidade de secas no planeta, consequência de alterações climáticas, poderia causar um colapso no fluxo de água existente no interior das árvores e proporcionar uma maior mortalidade de espécies.

O transporte de água da raiz das árvores para partes mais altas ocorre por um conjunto de canais conhecido como xilema. Uma possível escassez de fluidos no solo prejudicaria o ciclo natural das árvores, que teriam de “forçar” a extração de água do solo.

De acordo com o estudo, essa sucção intensa dentro do xilema geraria bolhas de ar, que podem entupir canais que transportam água para partes mais altas da planta – um resultado que é conhecido como falha hidráulica e que pode levar à morte da árvore.

Cientistas da Universidade de Ulm, na Alemanha, estudaram esse fluxo natural em 226 árvores localizadas em 81 diferentes locais do mundo. Eles observaram a pressão do xilema dessas espécies durante um período de estresse hídrico (ausência de chuvas). Segundo o estudo, foi constatado que metade das árvores analisadas apresentaram problemas no transporte interno de água.

Maioria vulnerável – Havia a expectativa de que árvores presentes em locais áridos teriam mais chances de sobrevivência por estarem adaptadas ao clima. Ao mesmo tempo, aquelas dependentes do clima úmido ficariam mais vulneráveis com uma maior escassez de chuvas.

No entanto, 70% das árvores estudadas apresentaram dificuldades no funcionamento do xilema, independente de sua localização. Os cientistas afirmam que plantas com flores, também chamadas de angiospermas, correm mais risco de serem afetadas do que pinheiros e seus familiares, conhecidos com gimnospermas.

(Fonte: Globo Natureza)

Por que os orgânicos são tão caros?


8 fatores explicam o preço mais alto dos alimentos sem agrotóxicos. E nada explica o conformismo diante do alto custo ambiental, social e de saúde pública que vem de brinde com a agricultura baseada em aditivos químicos. Ninguém, em sã consciência, prefere comida com agrotóxico, mas os orgânicos no Brasil ainda são bem mais caros, o que deixa muita gente inconformada.






1 – Eles demoram mais para amadurecer

A agricultura orgânica consegue nível semelhante de produção por metro quadrado à da lavoura que usa adubos artificiais e agrotóxicos. No entanto, os alimentos se desenvolvem mais devagar. A cenoura orgânica, por exemplo, é colhida por volta de 116 dias após a semeadura enquanto a versão com aditivos químicos fica pronta em 97 dias. Ou seja, a safra ocupa a terra por mais tempo. E tempo é dinheiro.

Por outro lado, essa desvantagem comercial torna os orgânicos mais nutritivos e saborosos, pois vão extraindo da terra nutrientes mais variados e em maior quantidade. Enquanto os vegetais cultivados à base de compostos químicos sintéticos recebem basicamente apenas três macronutrientes -nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) - os adubos orgânicos oferecem toda uma tabela periódica em sua lista de ingredientes.

2 – Certificação

Por incrível que pareça, não há fiscalização obrigatória nas lavouras que usam agrotóxicos. Os abusos, ultrafrequentes, são descobertos pela ANVISA (Agência de Vigilância Sanitária) apenas ao recolher amostras de alimentos em supermercados. Para sentir o drama, é só clicar nesse link: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,pimentao-e-o-campeao-do-agrotoxico-mostra-estudo-da-anvisa,355203,0.htm.

Já o produto orgânico precisa ser certificado. Ou seja, o produtor deve arcar com a auditoria anual de sua propriedade, o que custa em média cerca de R$ 3 mil. Existem outras formas de certificação por meio de cooperativas que, embora sem custo fixo, demandam bastante tempo e dedicação, desviando o agricultor de sua função principal.

3 – Período de conversão

Um agricultor convencional que resolve virar orgânico passará por um tempo de vacas magras, pois sua terra está “viciada” em produtos químicos e não é fácil recompor a fertilidade utilizando recursos naturais. Durante essa fase, não há nenhum tipo de financiamento governamental que permita ao produtor sobreviver até conseguir safras melhores. No campo, essa talvez seja a principal barreira à adoção do sistema orgânico. Ou seja, existe muita gente querendo sair do esquema convencional, mas não consegue por razões financeiras de curto prazo.

4 – Falta de crédito

No Brasil não existem linhas de financiamento voltadas para a agroecologia. Parece mentira, mas para conseguir liberação de dinheiro no banco, o produtor precisa mostrar a nota fiscal comprovando que adquiriu agrotóxicos. Veja com seus próprios olhos o depoimento deles no documentário “O Veneno está na Mesa”, de Silvio Tendler, e aproveite para ampliar seus conhecimentos sobre o tema. O filme está totalmente livre para cópia e veiculação: http://www.youtube.com/watch?v=8RVAgD44AGg.

5 - Barreira de isolamento

De acordo com a legislação atual, quem usa substâncias potencialmente tóxicas na lavoura não precisa se preocupar com os resíduos que deixa na atmosfera, na água e no solo, além de estar isento de responsabilidade caso seja comprovada a contaminação de um trabalhador. Para completar, nada o impede de borrifar agrotóxicos até o limite de sua propriedade, mesmo sabendo que a pulverização invadirá o território alheio.

Já o produtor orgânico precisa manter uma faixa de vegetação robusta e alta para isolar seu cultivo da química dos vizinhos. Ou seja, uma parte de sua propriedade não pode ser utilizada para plantar alimentos, o que reduz a produtividade.

6 - Menor escala de produção

O agronegócio convencional privilegia a monocultura. Assim, terrenos imensos são ocupados por uma única espécie (algo muito atraente para pragas e doenças, pois, quando o invasor encontra esse farto banquete, se dissemina em altíssima velocidade). No sistema orgânico dá-se preferência ao plantio conjunto de várias espécies vegetais e ao consórcio com a criação animal. Desse modo, é mais rica a produção interna de adubo (feito com esterco e sobras vegetais) e mais eficiente o controle das espécies indesejáveis.

No entanto, uma propriedade com vários cultivos emprega maior número de trabalhadores e há menor possibilidade de mecanização. Outro complicador do ponto de vista comercial é que, ao ter quantidades pequenas de diferentes produtos para oferecer ao mercado, o produtor orgânico perde poder de barganha.

Um detalhe, porém, não deve ser esquecido: do ponto de vista socioambiental, essas aparentes desvantagens são muito positivas.

7 – Ganância dos supermercados

Grandes varejistas investem bastante em pesquisas sobre hábitos de consumo e logo descobriram que as pessoas com maior poder aquisitivo e nível de instrução são as que mais consomem orgânicos. Encontraram aí uma excelente oportunidade de inflar preços e foi o que fizeram. Uma pesquisa do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) realizada em 2010 flagrou uma diferença de preços de até 463% num mesmo produto orgânico (http://www.idec.org.br/em-acao/revista/142/materia/quer-pagar-quanto). Para quem busca alimentos sem veneno por preço em conta, as feiras de orgânicos são a melhor alternativa (procure aqui: http://www.slowfoodbrasil.com/textos/noticias-slow-food/504-voce-conhece-as-feiras-organicas-da-sua-cidade), seguidas pelos esquemas delivery (para saber mais sobre essa opção: http://conectarcomunicacao.com.br/blog/98-diga-adeus-aos-agrotxicos/.).

8 – Falta de assistência técnica e pesquisa

Antigamente existiam no país as redes de assistência rural financiadas pelo governo. Aos poucos, o poder público foi abandonando essa importante função e deixou o espaço livre para os fabricantes e revendedores de adubos sintéticos e agrotóxicos. Assim, quem dá orientações técnicas aos agricultores hoje em dia são os vendedores dessas fórmulas. Claro que eles não têm interesse nenhum em ajudar quem não consome seus produtos. Além disso, nas faculdades de agronomia predomina o ensino da agricultura baseada em insumos químicos, gerando carência de profissionais que sabem cultivar a terra sem apelar para eles. Para complicar de vez a situação da agroecologia, entidades como a FAPESP, o CNPQ e a CAPES não costumam liberar bolsas de estudos para quem se propõe a estudar agricultura orgânica e familiar.

Com tudo isso, dá para ver que os alimentos convencionais, aparentemente mais baratos, na verdade saem muito caro. Em seu preço não estão computados:

  • O custo social representado pelo abandono do campo e inchaço das periferias urbanas;
  • O custo em termos de saúde pública que tem origem no enorme número de pessoas intoxicadas pelos agrotóxicos, seja de forma aguda ou crônica (câncer, doenças neurológicas e endócrinas entre outras);
  • O custo ambiental devido à contaminação química do ar, da água e do solo, à perda da fertilidade do solo e da biodiversidade.

Do dia para a noite não haverá solução mágica para levar orgânicos baratos à mesa de todos os brasileiros. Mas já existem esquemas alternativos e mais acessíveis para adquiri-los (veja acima o exemplo do delivery e das feiras orgânicas) e outros virão por aí.

A gente pode e deve brigar para virar esse jogo. Temos o direito de exigir que o dinheiro público seja investido num modelo agrícola mais justo e sustentável, em vez de virar subsídio para os agrotóxicos, que, aliás, têm isenção de impostos!


Claudia Visoni é jornalista, paulistana e dirige a empresa Conectar Comunicação (www.conectar.com.br). Desde a adolescência, pesquisa assuntos ligados à ecologia e ao consumo, buscando alternativas para viver bem economizando os recursos naturais. E-mail: claudia@conectar.com.br
Artigo enviado pela Autora e originalmente publicado em seu blogue pessoal.
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