quinta-feira, 31 de maio de 2012

7 construções futuristas à prova de inundações


Projetos arquitetônicos inusitados propõem soluções para proteger as metrópoles dos efeitos da elevação do nível do mar causado pelas mudanças climáticas. Confira alguns dos mais curiosos.

Emergency Land

O pequeno conjunto de nove ilhas localizado no oceano pacífico, entre a Austrália e o Havaí, sofre as consequências do aquecimento global. Com área de 26 km², Tuvalu corre o risco de submergir diante do aumento do nível do mar. Nos últimos anos, as inundações constantes já vêm atrapalhando a produção de cultivos locais e a obtenção de água potável. Se a situação continuar assim, a população de Tuvalu vai precisar de um novo endereço. É aí que a entra a "Emergency Land" ( Terra de Emergência, no português), uma cidade-conceito criada pelo sul-coreano Choi Jinman arquiteto e o estudante Ji Shim Yong. Trata-se de uma plataforma que se eleva sobre o mar, podendo abrigar até 11 mil habitantes. O projeto traria todas as funções (serviços, infraestrutura, comércio, etc) de Tuvalu, mas dessa vez protegendo a todos de uma nova catástrofe.

Lilypad

Eventos climáticos extremos têm deixado milhares de desabrigados em todo o mundo. Se as previsões de elevação dos níveis dos mares se concretizarem, será preciso encontrar um novo lar para os refugiados climáticos. A solução para nos manter a tona vem do visionário arquiteto belga Vincent Callebaut, que criou a cidade flutuante Lilypad. O complexo é formado por arcas, cada uma com capacidade de abrigar até 50 mil pessoas – quantidade semelhante ao número de habitantes da cidade portuária de Constitución, no Chile, que em 2010 foi invadida por uma onda de 8 metros, obrigando os moradores a se retirar para as montanhas.

Membrana protetora em NY

A elevação dos níveis dos mares é uma das maiores ameaças para cidades litorâneas. Foi pensando em salvar a ilha de Manhatthan que os designers Tingwei Xu Zhang e Xie, da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, projetaram uma rede de membranas que, ao saírem do chão como se fossem raízes de árvores, seriam capazes de absorver e desviar a água do mar para bem longe da cidade. Agindo como um substituto do solo, as membranas criariam pantanos e zonas húmidas ao redor da ilha, funcionando assim como uma barreira protetora contra enchentes.



Wetropolis

Bangkok, na Tailândia, também deve sofrer com a elevação do nível do mar até meados do século. Para resolver esse problema, a firma de arquitetura S+PBA bolou uma solução interessante: um conceito de comunidade para “um futuro pós-diluviano”, como dizem. Como outras ideias listadas aqui, o projeto abraça um estilo de vida anfíbia, em vez de lutar contra ao aumento do nível das águas. A ideia é reproduzir toda uma rede e infraestrutura urbana acima do mar chamada de “Wetropolis”, que contaria com escolas, espaços públicos, indústria e todo tipo de serviço público. Os arquitetos preveem até espaços verdes, como parques e florestas e manguezais, que além de favorecer a atividade de carcinicultura, tambem ajudariam a filtrar a água e renovar o ar da cidade.

Casa anfíbio britânica

A firma de arquitetura britânica Baca desenvolveu uma casa anfíbio capaz de resistir às enchentes. Primeiro projeto deste tipo a receber autorização do governo inglês, a casa de 225 metros quadrados de área está sendo construída a apenas 10m da margem do rio Tâmisa, em Male, no condado de Buckinghamshire. Ela será erguida em bases fixas, como um edifício convencional, mas em caso de inundações na região, a casa será capaz de levantar e flutuar, mantendo a salvo seus ocupantes. A resistência à agua deve-se ao que os arquitetos chamam de "golfinhos", postes verticais normalmente encontrados em marinas que mantêm a instalação flutuante no lugar durante uma cheia.

Ilhas artificiais para as Maldivas

As pequenas e numerosas ilhas das Maldivas são tão belas quanto frágeis. Pelo menos 80% do arquipélago localizado no oceano Índico está apenas um metro acima do nível do mar. Uma elevação brusca das águas poderia varrer do mapa esse paraíso de praias de areia branquinha, palmeiras e atóis de corais. No último século, o nível do mar já subiu 20 centímetros em algumas partes do país. Temendo o pior, o governo local estuda comprar um novo território para o seu povo. Mas para o arquiteto Koen Olthuis do Waterstudio a solução é criar mini-ilhas flutuantes. Elas teriam formato de estrela e contariam com amplos espaços verdes e praias artificiais.

Resort semi-submerso no Qatar

Talvez os resorts de luxo do futuro serão parecidos com o do projeto ao lado, o Anphibious 1000, uma verdadeira rede de ilhas e hotéis flutuantes idealizada para o Qatar. Projetado pelo italiano Giancarlo Zema, do escritório de arquitetura Design Group (GZDG), o Amphibious 1000 é um resort semi-submerso, que será localizado em uma área marinha protegida na costa do Qatar, incluindo edifícios residenciais, escritórios, um parque marinho, passarelas flutuantes e até galerias marinhas subaquáticas.

Exame 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Goiânia e Campinas são as cidades mais arborizadas do país


Sede da conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre desenvolvimento sustentável, a Rio+20, o Rio de Janeiro está na nona posição.

Goiânia e Campinas são as cidades brasileiras com mais de 1 milhão de habitantes que têm mais árvores no entorno das casas, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sede da conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre desenvolvimento sustentável, a Rio+20, o Rio de Janeiro está na nona posição entre as 15 cidades pesquisadas.

De acordo com o IBGE, os domicílios mais arborizados, com árvores em volta dos quarteirões, em calçadas ou canteiros, com exceção de Goiânia (89,5%), estão nas regiões Sul e Sudeste. Já nas regiões Norte e Nordeste, estão as casas em áreas menos arborizadas. As capitais Belém, com 22,4%, e Manaus, no meio da floresta amazônica, com 25,1%, têm os menores percentuais de arborização.

Com cerca de um terço dos domicílios em áreas arborizadas, Brasília ficou na 12ª posição no ranking. Apesar de a cidade ter sido concebida com parques e jardins entre as quadras do plano piloto, as condições de infraestrutura das chamadas cidades satélites puxam para baixo o índice de arborização de Brasília.

Exame

terça-feira, 29 de maio de 2012

Como o mundo protege suas florestas


Conheça 6 países que adotam uma legislação linha-dura para proteger suas áreas verdes

As calorosas discussões sobre o novo Código Florestal podem, muitas vezes, passar a ideia de que só o Brasil se preocupa com sua legislação florestal. Mas não é assim. Duas das mais respeitadas instituições científicas do mundo quando o assunto é floresta - o Imazon, centro de estudo da Amazônia brasileira e o Proforest, ligado à Universidade de Oxford, na Inglaterra – investigaram, a pedido do Greenpeace, como outras nações do mundo cuidam de suas áreas verdes. O estudo mostra que alguns países não se incomodam em adotar uma postura linha-dura para proteger as florestas.

França
A área florestal total da França passou de 14,5 milhões de hectares em 1990 para 16 milhões de hectares em 2010, o que corresponde a 29% do território do país. Para converter qualquer área de mais de 4 hectares é preciso pedir permissão ao governo, só concedida por razões ambientais.
Mesmo assim, a autorização para converter florestas é baseada em uma série de questões, que levam em conta a proteção de encostas, montanhas, fauna e flora e risco de erosão. A conversão da terra sem permissão é crime ambiental. Em relação aos incentivos para reflorestamento, a França recebe fundos da União Europeia para fornecer subsídios a proprietários de terras para o gerenciamento adequado das florestas e sua biodiversidade.

Alemanha
Na Alemanha, áreas florestais não podem ser convertidas para outros usos da terra, e onde ela ocorre é necessário obter permissão de autoridades governamentais competentes. É permitida a exploração para fins madeireiros, mas com recomposição e manejo sustentável.
Praticamente todas as florestas públicas alemãs são certificadas de acordo com padrões de Manejo Florestal Sustentável do Forest Stewardship Council (FSC) ou pelo Programme for the Endorsement of Forest Certification (PEFC, Programa para o Reconhecimento de Certificação Florestal).
A área florestal total do país aumentou de 10,7 milhões de hectares em 1990 para 11,1 milhões de hectares em 2010, o que corresponde a 32% da área do país. Assim como a França, a Alemanha recebe verba da União Europeia para fornecer subsídios aos proprietários de terra para o gerenciamento de florestas.

Japão
Desde a Segunda Guerra Mundial, o Japão vem apresentado um crescimento constante no seu estoque de florestas. As áreas plantadas aumentaram em quatro vezes entre 1966 e 2002 e hoje ocupa 69% do território nacional. Aproximadamente metade da área florestal é de propriedade privada, sendo que 98% pertencem a pessoas físicas.
O Código Florestal japonês não permite a conversão da floresta protegida – tanto as estatais como as privadas – exceto em circunstâncias excepcionais. No Japão, os proprietários de áreas florestais podem receber subvenções, empréstimos a juros baixos e um tratamento fiscal favorável em troca de observar as práticas de gerenciamento da terra, como o uso e ocupação do solo e o plantio de árvores.

Suécia
A Suécia e a Finlândia foram os primeiros países onde as leis de conservação da floresta entraram em vigor, em 1886 e 1903, respectivamente. Essas leis estipulavam que áreas desmatadas deveriam ser reflorestadas. Atualmente, a cobertura florestal corresponde a 69% do território do país.
A conversão da floresta para outros usos é apenas permitida em circunstâncias excepcionais. O Conselho Regional Florestal pode multar o proprietário caso ele negligencie sua responsabilidade com a recuperação da área que sofreu o corte e a manutenção da diversidade biológica nas florestas deve fazer parte dos planos de manejo florestal.

China
A China é um país pobre em florestas, dada a sua área e grande população, além de décadas de exploração dos recursos florestais para gerar energia a partir da madeira. No entanto, ciente da necessidade de reverter sua situação, o gigante asiático lançou um programa radical de reflorestamento e hoje é o país com maior índice de reflorestamento no mundo.
Para se ter uma ideia, entre 1990 e 2010, a área florestal chinesa aumentou de 157 milhões de hectares para 261 milhões de hectares, o corresponde a 22% da área total de seu território. Todas as florestas são propriedade do Estado, que é responsável também pela supervisão do setor.
Em geral, a lei florestal chinesa afirma que as florestas não devem ser supridas para mineração ou projetos de infraestrutura. Caso tais atividades sejam necessárias, quem deseja fazer a supressão florestal deve obter aprovação e precisa pagar uma taxa de restauração florestal.

Reino Unido
Depois da Eco-92, no Rio de Janeiro, e da segunda Conferência Ministerial para a Proteção das Florestas na Europa, ocorrida em 1993, o governo adotou uma política para promover o uso sustentável das florestas com o objetivo de implementar o manejo sustentável e assegurar uma expansão constante da cobertura florestal.
Com raras exceções, é ilegal derrubar árvores sem a aprovação prévia da Comissão Florestal e as pessoas que infringem a lei são processadas e multadas. A conversão da floresta para a agricultura não é permitida, exceto em circunstâncias excepcionais. Sua conversão para infraestrutura apenas é permitida quando tiver sido demonstrado que não há alternativa razoáveis.
Desde 1950 há um forte apoio do governo para incentivar proprietários de terras a plantar florestas. A grande maioria dos proprietários privados de florestas do Reino Unido recebe subsídios para alguns aspectos do manejo florestal. No início, esses subsídios focavam na recriação de estoques madeireiros e na produtividade comercial. Recentemente, o foco mudou para a conservação da biodiversidade, acesso e restauração da paisagem.

Exame 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

CARTA SOCIOAMBIENTAL DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAPÁ PARA A RIO +20


A Amazônia é considerada como um dos territórios mais ricos em sociobiodiversidade, entretanto, é uma das regiões com maiores índices de pobreza, desigualdade social, cobiça e ameaça crescente de destruição dos recursos naturais. Neste contexto, a Universidade do Estado do Amapá - UEAP, consciente do seu papel e comprometida com a causa ambiental, promoveu ampla discussão através do Fórum UEAP Rumo à Rio + 20 sobre o futuro sustentável das florestas, dos recursos naturais locais e das populações tradicionais, pautando-se nas políticas de desenvolvimento sustentável e sua repercussão na qualidade de vida da população local, considerando um dos principais pilares do desenvolvimento sustentável, a sustentabilidade social.

Estas políticas vêm sendo discutidas desde a conferência de Estocolmo em dois pontos principais: a prioridade na satisfação das necessidades das camadas mais pobres da população e as limitações do atual modelo tecnológico e de organização social imposto sobre o meio ambiente. Estes pontos foram firmados na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – Rio 92, através de seu documento oficial, a agenda 21. Todavia, duas décadas após o evento a população pobre da sociedade ainda não foi favorecida, e sim uma elite dominante na política mundial. O que tem restado aos menos favorecidos são apenas os problemas ambientais ocasionados pela exploração dos recursos naturais. Embora muitas políticas e legislações ambientais tenham sido criadas, a sua efetivação não tem sido colocada em prática para a preservação do meio ambiente, principalmente na Amazônia brasileira.

O Plano Amazônia Sustentável (PAS), lançado em 8 de maio de 2008, é um plano do Governo Federal brasileiro em parceria com os governadores dos estados da região amazônica, que tem como objetivo definir as diretrizes para o desenvolvimento sustentável na Amazônia brasileira. Este Plano constituiu um marco nas políticas públicas para que a Amazônia alcance o desenvolvimento regional com sustentabilidade, visando construir uma produção sustentável, com inovação e competitividade, além de propor a gestão ambiental e o ordenamento territorial, com inclusão social e cidadania. Essa é mais uma tentativa de efetivação de propostas de sustentabilidade, mas para que de fato seja realizada é necessário compatibilizar a expansão da infraestrutura com o uso dos recursos naturais e o bem-estar da população regional.

O Amapá é considerado um estado em processo de desenvolvimento econômico com base na utilização de recursos da biodiversidade, em especial os recursos hídricos e minerais. Entretanto, a crescente instalação de hidrelétricas e empresas de mineração na região até o momento não tem apresentado melhorias da qualidade de vida da população, acentuando as desigualdades sociais e os problemas ambientais oriundos desses investimentos.

A economia verde foi um dos assuntos discutidos durante o Fórum UEAP Rumo à Rio +20, onde se percebeu que apesar de vivermos em um mundo capitalista, há necessidade de priorizar as questões ambientais, com distribuição de renda, medidas de combate ao desmatamento e conservação dos ecossistemas para as gerações futuras. Entretanto, é perceptível a contraposição entre as questões sociais e ambientais e o sistema capitalista que está mais preocupado com o lucro. Portanto, antes de falar em economia verde é necessário deixar claro que a natureza tem limites e precisa ser preservada e mantida para o bem-estar da humanidade.

Com base nas problemáticas ambientais presentes no Estado do Amapá e as políticas de economia verde, a UEAP propõe que nesta Conferência das Nações Unidas, a Amazônia não seja vista apenas como uma reserva de extração de recursos naturais. Deve-se considerar também que o Amapá é um dos estados da federação com grande potencial de biodiversidade, isso se deve ao vasto território inserido na área da maior floresta tropical do mundo, a Amazônia.

Utilizar as riquezas ambientais do Amapá de forma consciente e ecológica não só é inteligente como oportuno, pois o futuro perpassa pela utilização racional de recursos naturais. Pensando nisso, a UEAP destaca como fatores potenciais: a diversidade de produtos florestais, ambientes naturais para manejo integrado de produtos economicamente viáveis para aproveitamento e comercialização e a efetivação de políticas públicas com o envolvimento das populações tradicionais e os setores tomadores de decisões.

Nesta perspectiva, o incentivo às cadeias produtivas de manejo e venda de produtos locais pode gerar novas ocupações e rendas alternativas, possibilitando melhorias na qualidade de vida da população local. Logo, parte representativa do recurso e financiamento do capital estadual deve ser revertida na criação de cooperativas que viabilizem a produção de produtos madeireiros e não-madeireiros derivados da floresta.

Assim, para que a economia verde seja realmente sustentável é necessária a criação de uma agenda intersetorial para o uso racional dos recursos naturais, incentivo à agricultura familiar, disponibilidade de linhas de crédito, maior financiamento da ciência e tecnologia e valorização dos arranjos produtivos locais. Além disso, é imprescindível a efetivação de políticas públicas que considerem os aspectos políticos, econômicos, sociais e ambientais, uma vez que as populações amazônicas, em sua maioria, não têm acesso à educação, saúde, transporte, serviços e infraestrutura que possibilitem condições mínimas de sobrevivência, pois vivem basicamente dos recursos naturais e muitas dessas comunidades acabam recebendo apenas os problemas ambientais gerados pelas empresas que aqui se instalam.

Além disso, o Estado conta com uma gama de belezas cênicas naturais incomparáveis que podem ser utilizadas para o ecoturismo, o que garantiria alternativas de renda ao caboclo amazônida. Atrelado a isso, temos o etnoconhecimento dos recursos naturais, como, por exemplo, o conhecimento sobre o manejo de cipós por populações tradicionais e locais e o uso de plantas medicinais utilizadas para sanar as deficiências do Estado no atendimento à saúde, consideradas de grande importância para os avanços da medicina, principalmente como produtos fitoterápicos.

Por outro lado, não se pode deixar de enfatizar as áreas de preservações permanentes existentes no Amapá, que possui mais de 72% de seu território em áreas de preservação, a exemplo do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, que se localiza às margens do maior rio do mundo em extensão e volume de água, e atrelado a isso uma diversidade de bacias hidrográficas em torno de todo o Estado.

Apesar de todas estas vantagens, o Amapá apresenta algumas problemáticas que envolvem o desenvolvimento e a garantia da geração de emprego e renda na região, dentre as quais se destaca a não efetivação de políticas educacionais nos currículos escolares das populações amazônicas.

Diante do exposto, percebe-se a necessidade que se estabeleça no Amapá a efetivação de políticas públicas de incentivo econômico sustentável, bem como a fiscalização eficaz da biopirataria. Providências como essas são fundamentais para o desenvolvimento local de forma equilibrada.

O novo código florestal, na forma como foi aprovado no Congresso Nacional, se implementado, afeta diretamente o estado do Amapá, uma vez que propõe a redução da área de Reserva Legal nas propriedades rurais da Amazônia – hoje fixada em 80% – para até 50%, quando o Estado tiver Zoneamento Ecológico-Econômico aprovado e mais de 65% do seu território ocupado por unidades de conservação de domínio público, devidamente regularizadas, e terras indígenas homologadas, representando, dessa forma, uma punição ao Amapá, que foi um dos pioneiros em implementar uma política de sustentabilidade do uso dos seus recursos naturais.

Em toda a Federação, apenas o Amapá se encontra nesta condição, o que significa que o novo código florestal fere a Constituição Federal Brasileira, que garante a isonomia entre os estados da federação, colocando em risco as florestas, rios e toda a nossa sociobiodiversidade, o que agravará ainda mais os problemas socioambientais amapaenses.

Considerando que vivemos em um dos maiores biomas do planeta, na maior bacia hidrográfica do mundo, com reservas naturais de água potável e com uma das mais espetaculares fauna e flora existentes no mundo, não podemos admitir o uso deste patrimônio como se fosse algo inesgotável.

Neste sentido, a UEAP tem um papel fundamental na formação de profissionais preocupados com o meio em que vivemos, e deverá contribuir para dialogar com o conhecimento local, mediando as relações ambientais, tendo a sustentabilidade como um dos pilares para o ensino, a pesquisa e a extensão, assumindo o compromisso de promover uma educação voltada para a cidadania e ética ambiental.

Portanto, o desafio que se impõe à UEAP no mundo da sustentabilidade e da necessidade de uma nova ética ambiental, é o de procurar ser elemento articulador da indissociabilidade entre a teoria-prática e universidade-sociedade, buscando construir a teoria da reciprocidade, integração do pensar, fazer e viver a partir do rompimento da dimensão dicotômica, dualista e fragmentada que tem sido implementada no cotidiano Universitário.

Assim, a grande tarefa da UEAP e da Sociedade Amapaense é a de procurar mudar o sistema de valores que está por traz da economia global, de modo que passe a respeitar a dignidade humana e atenda às exigências da sustentabilidade Amazônica.

Essa nova perspectiva que se forma, de Universidade Sustentável, não pode permitir que se abra mão da identidade histórica, como instituição produtora de conhecimentos, sendo fundamental na Conferência RIO+20 a formulação de novas abordagens teóricas focadas no respeito aos valores da dignidade humana, que atenda aos interesses e necessidades de castanheiros, seringueiros, ribeirinhos, pescadores, agricultores familiares, extrativistas, artesãos, ilhéus, construtores navais, parteiras tradicionais, indígenas e demais povos da Amazônia que estão excluídos, caso contrário, a Universidade corre o risco de tornar-se passiva diante dos constantes desafios de produzir conhecimentos voltados às nossas necessidades socioambientais.

A UEAP reafirma o compromisso de se comportar de maneira a não reproduzir as práticas insustentáveis vigentes na sociedade e procurar definir conceitos, procedimentos e atitudes que busquem construir uma comunidade e economia sustentáveis e contribuir para que a mudança de valores detenha e reverta os estragos que foram causados ao planeta e à espécie humana.
 
O papel da universidade é despertar nos acadêmicos a reflexão necessária para a compreensão da configuração da sociedade vigente, de forma que o conhecimento não possa ser fragmentado, mas multi, inter e transdisciplinar para a compreensão das relações sociais estabelecidas no contexto atual.

10 países sob risco extremo de falta d´água


Levantamento da consultoria britânica Maplecroft lista as regiões mais vulneráveis à escassez de água. Mais da metade fica no Oriente Médio, região onde cada gota pode emergir como uma nova fonte de conflito.

1 - Bahrein

O país mais pobre do Oriente Médio é também o que mais sofre com a escassez de água, segundo o ranking da Maplecroft. Mais da metade do território do Bahrein é desértico ou semidesértico. Em meio a crescente demanda pelo recurso, associada ao aumento populacional, os especialistas temem o surgimento de conflitos hídricos na região, que vive basicamente da exportação de petróleo. No interior, um pouco mais úmido, produz-se sorgo (um cereal) para consumo interno e algodão para exportação, mas com dificuldade.

2 - Qatar

No Qatar, a escassez de água é apontada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) como o principal problema. A ausência de rios perenes faz com que a agricultura seja quase inteiramente dependente de irrigação com água bombeada. Estima-se que os aquíferos de Qatar se esgotarão entre 20 e 30 anos, se mantidas as taxas atuais de retirada das águas subterrâneas. Além disso, o aumento do desenvolvimento urbano e rural tem levado à poluição das fontes.

3 - Kuwait

O pequeno país do Oriente Médio e rei do petróleo corre "risco extremo" de desabastecimento de água, segundo o relatório da Maplecroft. Rodeado pelo deserto, o Kuwait é considerado o país mais seco do mundo e o único onde não existe água doce. Não há, ao longo de seus 18 mil km² de território, nenhuma reserva, rios ou lagos, nem mesmo aquíferos subterrâneos de água doce. Aproximadamente 75% de toda a água potável consumida no país precisa ser dessalinizada ou importada. Essa é uma questão estratégica devido às altas temperaturas da região, à falta de chuva e à deteriorização do solo para cultivo. A escassez de água doce é, inclusive, o principal entrave para o desenvolvimento da agricultura no país.

4 - Líbia

Como um país desértico, a Líbia sofre para encontrar água fresca. Seus recursos hídricos, além de limitados, são mal distribuídos pelo território. Para se ter uma ideia, a água de superfície responde por menos de 3% do consumo total do país. Já os aquíferos subterrâneos dão conta dos 97% do abastecimento para agricultura, indústria e uso doméstico. Desde 1960, contundo, os níveis de água veem variando ano a ano devido à irrigação intensiva. A queda anual nos níveis de água varia entre 0,5 m e 5 metros, o que muitas vezes leva ao ressecamento de aquíferos superficiais ou permite a invasão de água salina.

5 - Djibouti

O quinto país à beira da seca, segundo o ranking da Maplecroft, é vizinho da Etiópia e da Somália. Com clima quente e seco durante todo o ano, Dijibouti não possui rios perenes e registra apenas 150 mm de chuva por ano – volume que uma única tempestade forte despeja sobre São Paulo em apenas 24hs. Pior, em Dijibouti, essa água evapora antes mesmo de chegar aos lençóis freáticos, cujo acesso por comunidades locais, bem como para a produção agrícola e precuária em pequena escala, não é nada fácil.



6 - Emirados Árabes

A escassez de água é uma das questões que mais têm determinado as opções tecnológicas dos Emirados Árabes, confederação no Golfo Pérsico formada por Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajman, Umm al-Quwain, Ras al-Khaimah e Fujairah. O clima do país é árido, com temperaturas muito elevadas no verão. Para driblar este cenário nada favorável, os Emirados têm investido em unidades de dessalinização da água do mar. Só Dubai deverá investir cerca de 20 milhões de dólares neste sistema nos próximos sete anos. Até 2025, etima-se que será necessário investir 200 milhões de dólares em programas de infraestrutura e de tratamento de esgoto.

7 - Iêmem

O Iêmem é a sétima nação do mundo em risco extremo de secar. Mantidos os ritmos atuais de extração, os poços que abastecem a capital Sanaa podem praticamente desparecer nos próximos dez anos. Conflitos civis são a principal efeito de uma oferta de água que não acompanha o crescimento populacional, um dos mais elevados do mundo, com taxa de crescimento 3,46 por cento em 2008.




8 - Arábia Saudita

A Arábia Saudita é outro país que vive a crise da água de forma dramática. Pela falta de corpos hídricos na superfície, o abastecimento de água potável para o consumo e para outras atividades agrícolas e industriais é quase que totalmente garantido por fontes subterrâneas. Hoje, 90% da água de poços profundos é utilizada para fins agrícolas. O problema é que esse recurso, já precariamente baixo, tem sido contaminado há décadas por conflitos no Golfo Pérsico e pela infiltração de poluentes da própria atividade agrícola. Em função disso, o país começou a procurar novas fontes de água, movimento que pode resultar em pontos de tensão política e conflitos com seus vizinhos.

9 - Omã

A incerteza paira sobre os recursos hídricos deste pequeno país árabe. Secas constantes e um número limitado de chuvas ajudam a aumentar as pressões sobre o fornecimento de água para uso agrícola e também doméstico. O solo de Omã está cada vez mais salinizado pela exploração desenfreada e mal coordenada das reservas subterrâneas de água doce, o que muitas vezes permite a invasão de água salgada no lençol freático das planícies costeiras.





10 - Egito

Verões rigorosos, demanda crescente e aumento constante das tarifas tornam a situação do abastecimento de água no Egito bastante complicada. Faltam sistemas de saneamento em larga escala e menos de 15% da população conta com esgoto tratado. Durante o verão de 2008, muitos pessoas chegaram a beber água diretamente do próprio Nilo, o que causou uma série de infecções. Em muitos casos, nas áreas rurais onde não há canalização, os dejetos ficam a céu aberto, contaminando o solo e consequentemente os escassos lençóis freáticos. O acesso ao Rio Nilo, sem o qual o Egito seria um mero deserto, também está cada vez mais disputado por outros países, como Uganda, Etiópia, Ruanda e Tanzânia. A totalidade da população egípcia, estimada em 80 milhões de habitantes, retira do Nilo 90% de seus recursos hídricos.

Exame 

domingo, 27 de maio de 2012

O que muda no novo Código Florestal com os vetos de Dilma


Ao todo, foram vetados 12 artigos e feitas 32 modificações no novo texto; confira os principais pontos anunciados pelo governo.

Descontente com a versão do Código Florestal que chegou às suas mãos, a presidente Dilma Rousseff “canetou” para valer o texto aprovado em abril na Câmara dos Deputados, considerado de contornos mais ruralistas. Nesta sexta-feira, os ministros Mendes Ribeiro, da Agricultura, Izabella Teixeira, do Meio Ambiente e Pepe Vargas, do Desenvolvimento Agrário anunciaram as alterações ao Código, que não foram poucas. Ao todo, a presidente Dilma Rousseff vetou 12 artigos e fez 32 modificações na nova lei.

As modificações serão divulgadas em documento oficial na próxima segunda-feira, quando também será publicada no Diário Oficial uma Medida Provisória, que preencherá vazios legislativos do texto. Confira a seguir, as principais mudanças anunciadas hoje para o Código Florestal brasileiro.

Veto à “anistia”

A presidente Dilma Rousseff vetou qualquer possibilidade de anistia a desmatadores. “Não haverá anistia para ninguém, todos deverão recompor as matas ciliares desmatadas ilegalmente”, disse a Ministra do Meio Ambiente Isabella Teixeira.

Segundo o texto aprovado na Câmara dos Deputados, imóveis rurais de até 4 módulos fiscais (de 20 a 440 hectares, dependendo da região) ficariam desobrigados de recompor regiões desmatadas em Reserva Legal até julho de 2008. Na prática, essa desobrigação dispensa a maioria das propriedades rurais do país, já que mais de 90% dos imóveis possuem até quatro módulos fiscais.

Recomposição de áreas desmatadas

O governo vai redigir um novo artigo sobre recomposição de áreas desmatadas, um dos pontos mais polêmicos do texto aprovado na Câmara, que obrigava apenas as propriedades rurais localizadas próximas a pequenos rios, de até 10 metros de largura, a recuperar uma faixa de 15 metros em cada margem.

Porém, o texto não contemplava regras de recomposição de mata para propriedades agrícolas maiores e com rios mais largos - ao contrário do texto do Senado, que previa a obrigatoriedade de recomposição de uma faixa de mata entre 30 e 100 metros para rios com mais de 10 metros de largura.

O novo artigo de recomposição de área desmatada aprovado por Dilma Rousseff prevê a obrigatoriedade de recomposição para todas as propriedades e com limites diferentes. Propriedades de 0 a 1 módulo fiscal deverão recompor uma área de 5 metros nas margens de rios com mais de 10 metros de largura. Já donos de terra de 1 a 2 módulos fiscais deverão recompor até 8 metros.

Propriedades de 2 a 4 módulos fiscais, ficam obrigadas a recuperar 15 metros, enquanto as de 4 a 10 módulos fiscais deverão recompor 20 metros. Para propriedades maiores, acima de 10 módulos rurais, será exigido recomposição de uma faixa de mata de 30 a 100 metros.

Manutenção de áreas protegidas

Segundo as modificações anunciadas, topos de morro não serão liberados para uso agrícola, ao contrário do que previa o texto aprovado na Câmara. "Topo de morro é APP e tem uma função estratégica de proteção e assim deverá continuar", disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

A possibilidade de liberar áreas de encostas e morros - regiões consideradas sensíveis pela instabilidade - para a atividade agropecuária, era um dos pontos que mais geravam desconforto ao governo. Do lado ruralista, o argumento era de que essas áreas eram necessárias para garantir o crescimento da produção de alimentos, o que é refutado pelo governo.

Também será mantido o estatuto da Reserva Legal em vigor hoje, que determina que a área de reserva legal deve ser de 80% na Amazônia Legal, 35% no Cerrado e 20% nos demais biomas.

Crédito agrícola só para regularizados

Outra mudança em relação ao texto saído da Câmara diz respeito à concessão de crédito agrícola. Ao contrário do Código aprovado pelos deputados em abril – que retirou um artigo que impedia a concessão de crédito agrícola àqueles que não regularizassem seus imóveis dentro do prazo- o texto modificado pela presidente condiciona a concessão de crédito agrícola para o proprietário e agricultor que fizer a regularização do seu imóvel e cadastro no CAR (Cadastro Ambiental Rural) no prazo de cinco anos, a contar da publicação da lei.

exame

Carta do Amapá - Rio + 20


Versão Preliminar Carta do Amapá para a Rio + 20



Seção I: Princípios
Este documento é resultado da articulação de vários setores do Governo do Estado do Amapá com as principais representações da Sociedade Civil Organizada dos grupos majoritários e da população negra, principalmente via Conselhos Estaduais e Movimentos da Juventude, para construir sua afirmação na "Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – CNUDS".
A Carta do Amapá para Rio+20 pauta-se nas Conferências e Tratados Internacionais pertinentes aos temas da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), a "ECO 92", e seus desdobramentos, alicerces do processo de transição para um desenvolvimento socioeconômico sustentável, bem como, considerando o tema "Economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da Pobreza", assim como:
1 – Nos documentos nacionais e internacionais balizadores das discussões da Conferência Rio+20, a exemplo, o rascunho zero ("draft zero"), a Carta da Coalizão dos Estados Brasileiros, a Carta da Amazônia, a Carta do Cerrado, entre outros documentos.
2 – Na participação social, elaboração de políticas públicas, justiça social, responsabilidade socioambiental e na equidade de gênero, raça, etnia, geração, credo e cultura.
3 – No reconhecimento das diferenças e semelhanças do estado do Amapá com os demais estados amazônicos, nacionais e internacionais, e das suas potencialidades e oportunidades frente às cooperações técnicas e financeiras com estes estados.
5 – Na urgência de serem elaborados novos rumos para o desenvolvimento socioeconômico, cultural e ético, frente à degradação do meio ambiente e do consumo insustentável dos recursos naturais, e suas conseqüências potenciais e efetivas1.
6 – No reconhecimento das comunidades tradicionais: os quilombolas, extrativistas, pescadores, ribeirinhos, e a população negra amapaense, como legítimos integrantes dos segmentos majoritários no âmbito da Rio+20.
4 – Na valorização do conhecimento tradicional e local, com reconhecimento de suas potencialidades e de suas contribuições para o crescimento econômico e para a ciência, sempre por meio da repartição justa e equitativa de seus benefícios.
7 – No reconhecimento do papel das florestas tropicais, especialmente na Amazônia,  como o maior remanescente de florestas nativas do mundo, que mantém importantes estoques de carbono, produz 18% da água doce do planeta e é abrigo de uma vasta e única biodiversidade.
8 – No reconhecimento da importância dos serviços ambientais prestados pelos ecossistemas naturais preservados no Estado do Amapá (serviços de regulação hídrica,  fertilização natural dos solos, provimento de água, sumidouro de carbono, belezas cênicas, entre outros), necessários ao equilíbrio do clima global e manutenção da vida no planeta.

Seção II: Propostas
O resultado das contribuições daqueles que construíram a Carta do Amapá para Rio+20 está afirmado no conjunto das seguintes proposições que demandam:
1 – Uma maior participação do Estado nas discussões federais sobre meio ambiente, recursos naturais e biodiversidade, solicitando-se para tanto o empenho das entidades governamentais no processo de educação para o desenvolvimento sustentável e no estabelecimento de mecanismos de monitoramento, fiscalização, fomento e difusão das políticas voltadas para sustentabilidade de seus recursos naturais.
2 – A promoção da inovação e acesso à tecnologia no Estado do Amapá, por meio de estudos e fomento a utilização de novas tecnologias para o aquecimento da economia e a ampliação da captação de recursos para pesquisas científicas, objetivando aumentar o conhecimento sobre os produtos amazônicos e a melhoria de sua capacidade de produção sustentável.
3 – A implantação de "polos tecnológicos" em parceria com os produtores familiares agroextrativistas, para a agregação de valores aos produtos regionais, junto ao desenvolvimento e incentivo aos estudos e tecnologias voltados para a produção e segurança alimentar, bem como, o fomento à mecanização de baixo impacto para humanizar as condições de trabalho.
4 – Uma mudança nos atuais padrões de produção e consumo, a partir do ordenamento racional da cadeia produtiva e pelo fomento e capacitação do produtor, empreendedor e comerciante, garantindo crédito e acesso a grandes mercados para produtos amazônicos obtidos num modelo mais sustentável.
5 – O desenvolvimento do mercado interno do estado do Amapá, visando o aperfeiçoamento da produção e escoamento da produção local, apoiando propostas como a  criação de uma "feira do produtor  ribeirinho" e também novas modalidades de apoio para as comunidades rurais amapaenses.
6 – Um desenvolvimento urbano sustentável, objetivando aumentar a atual porcentagem de apenas 2% do esgoto tratado, a contenção das invasões em áreas de ressaca, a implementação de um sistema de saneamento ambiental integrado com o ambiente, de forma a não considerar somente o abastecimento de água e o esgotamento sanitário, mas incluir os resíduos sólidos, o fomento para as iniciativas de reciclagem, redução e reutilização do lixo urbano e o direcionamento de maiores investimentos do PIB na saúde e no saneamento básico.
7 – Uma política efetiva de garantia dos direitos humanos através da redução  dos índices elevados de violência, drogadição, prostituição, aborto, tráfico de mulheres bem como o combate às drogas e controle das doenças decorrentes da falta de qualidade de vida, com a contrapartida sócio-ambiental para investimento em educação, cultura, saúde, segurança pública e assistência social.
8 – A construção da Política de Planejamento Familiar, da Política de Mobilidade Urbana, da Política Habitacional do Estado do Amapá e dos Planos de Saneamento Básico municipais e estadual até 2015.
9 – A garantia de acessibilidade e inclusão no trânsito através do compromisso político para elaboração de planos e programas estatais, oferecendo a população entre outros direitos, vias trafegáveis e arborizadas, incluindo ciclovias, prioridade aos transportes coletivos, adaptados às pessoas com necessidades especiais, integrados e de baixo custo para os usuários, e, geradores de baixa emissão de carbono.
10 – O fortalecimento da Defesa Civil estadual e dos municípios, para fazer frente aos desastres naturais e humanos, por meio da formulação de Políticas e Programas de defesa civil, voltados para realidade amazônica, da inserção deste tema no âmbito da sociedade civil e da participação desta nos zoneamentos e reconhecimentos das áreas críticas de ocorrência de desastres.
11 – O estabelecimento de políticas e de mecanismos de valorização e incentivo à Cultura, com o desenvolvimento de instrumentos adequados para a formação cultural da comunidade educacional, tendo como meta a implantação e implementação dos Planos Estaduais e Municipais de Cultura até o ano de 2015.
12 – A valorização do etnoconhecimento a partir de políticas públicas de proteção e promoção do saber popular na comunidade e na sociedade, através de sua inserção na grade do ensino básico, superior e nos cursos de pós-graduação.
13 – Priorizar a participação da sociedade civil, objetivando construir políticas públicas de natureza coletiva, respeitando as lideranças e opiniões locais, seus costumes e valores, garantindo que as comunidades sejam chamadas e ouvidas antes da instalação dos grandes projetos voltados para o Amapá e para a Amazônia.
14 – A criação de instrumentos e mecanismos mais eficazes de controle social e responsabilidade do poder público, para o fortalecimento da democracia participativa como real alternativa à representatividade, com o fortalecimento dos conselhos estaduais oportunizando formação adequada, autonomia e transparência na gestão, e, a criação do fórum permanente dos conselhos.
15 – A valorização e empoderamento das mulheres, por meio de uma política de auto-sustentabilidade de gênero e de sua proteção em casos como dos impactos sociais na periferia das cidades e no entorno dos grandes empreendimentos.
16 – Uma melhor gestão governamental da água, descentralizada, e que envolva os usuários e a comunidade, com o fortalecimento das instituições responsáveis pelo gerenciamento de recursos hídricos, o combate a hidropirataria, a criação de um Instituto de Águas e a implantação no Amapá até 2017, dos instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos.
17 – Uma melhor gestão das áreas protegidas no Estado do Amapá, garantindo a participação social nos processos de criação e gestão destas áreas, com apoio de projetos de educação ambiental, com a implementação de políticas de economia solidária, e pela ampliação do instrumento "bolsa verde" para as populações das unidades de conservação estaduais.
18 – O incentivo à educação ambiental, condição essencial para o desenvolvimento sustentável, por meio de capacitação da população, promoção de ações de conscientização sobre a disposição e tratamento do lixo urbano, poluição sonora, entre outros temas de igual relevância.
19 – O fortalecimento e a implantação de escolas famílias ou escolas agrícolas nas comunidades rurais e ribeirinhas, com o resgate do modelo da "Escola Bosque" na rede de ensino do Estado até 2015.
20 – Universalização da energia limpa, com o incentivo ao uso da energia alternativa – eólica e solar – a baixo custo.
21 – A imediata transferência das terras da União para o estado do Amapá e promoção da regularização fundiária, para viabilizar o desenvolvimento e acesso aos produtores rurais aos incentivos financeiros federais e estaduais, garantindo até 2018 a titulação e o desenvolvimento social, econômico e cultural de todos os territórios do estado do Amapá.
22 – O desenvolvimento e a regulamentação dos instrumentos de valoração e compensação dos serviços ambientais prestados pelos ecossistemas naturais e áreas protegidas do Amapá, tendo em vista que existem alternativas como o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), Mecanismos de Desenvolvimento Limpos (MDL) e da Redução de Emissão por Desmatamento e Degradação (REDD+), incluindo a conservação, manejo sustentável das florestas e aumento de seus estoques, o que além de beneficiar as populações tradicionais, contribuirão de forma indireta para reduzir a dívida social verificada nas áreas urbanas da Amazônia.
23 – O reconhecimento da população negra como grupo majoritário no âmbito da classificação da Organização das Nações Unidas (ONU), o incentivo e a divulgação de suas tradições e cultura no estado do Amapá e a criação de uma política de ação afirmativa para a mulher negra urbana e quilombola, para que ela tenha melhor qualidade de vida na área da educação, saúde, cultura e outros.
24 – O estabelecimento das Políticas Públicas para o Desenvolvimento Rural Sustentável – PDRS até 2014, com o fortalecimento das instituições envolvidas na execução dessas políticas, incentivo financeiro à agricultura familiar, a extensão e o manejo florestal, os quais favorecem o emprego de práticas produtivas mais equilibradas, como a diversificação de cultivos, do menor uso de insumos industriais e do uso sustentável dos recursos genéticos e naturais.
25 – O fomento do setor pesqueiro estadual, por meio de uma nova política pública buscando seu desenvolvimento, ordenamento (pesquisa e estatística), proporcionando infraestrutura adequada para a produção, comercialização e certificação da qualidade do pescado.
26 – A implementação do manejo florestal comunitário, a simplificação e harmonização dos mecanismos de incentivo econômico e social nas áreas rurais e a promoção do ecoturismo comunitário e outras formas de promoção da economia verde no nível local.
27 – A criação urgente de mecanismos estaduais e municipais de proteção e controle dos sítios arqueológicos, principalmente os localizados em áreas quilombolas.
28 – A conclusão de forma participativa do Zoneamento, Ecológico e Econômico – ZEE no Amapá até 2015 e que este seja reconhecido como política pública.
29 – Estruturação e informatização dos Órgãos governamentais da gestão ambiental e da saúde, visando melhorar à eficiência da fiscalização e a punição dos responsáveis por danos ao meio ambiente.
30. A promoção da utilização sustentável das Florestas de Produção, através de Concessões Florestais, como alternativa para o acesso a madeira legal, promoção da economia florestal de base sustentável com atração de empresas com responsabilidade socioambiental.
31. Combate efetivo e permanente a corrupção.
Assim, tornamos publico nosso manifesto, nossa vontade política e nos colocamos a disposição de todos os interessados na busca pela consolidação do desenvolvimento sustentável como política de desenvolvimento e pela melhoria da qualidade de vida para todos os cidadãos e cidadãs do mundo.

Agência Amapá

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Nossas árvores: Paricá


Paricá é alternativa competitiva ao eucalipto e ao pinus na indústria - Toras possuem tamanho ideal para retirada de lâminas de compensado. Resíduos da fabricação e pontas vão para a produção de MDF.

A espécie Shizolobium amazonicum (paricá) por apresentar rápido crescimento, fuste reto e madeira com elevada cotação no mercado interno e externo, vem sendo bastante cultivada pelas empresas madeireiras da região norte e nordeste do país, principalmente nos Estados do Pará e Maranhão. Segundo o Centro de Pesquisa do Paricá (CPP) localizado no município de Dom Eliseu, no sul do Pará, que representa a grande maioria dos plantadores de paricá dos Estados do Pará e Maranhão, estima-se que, nestes Estados, existe em torno de 40.000 hectares da espécie plantados.

Ocorre na Amazônia brasileira, venezuelana, colombiana, peruana e boliviana. No Brasil, é encontrado nos Estados do Amazonas, Pará, Mato Grosso e Rondônia, em solos argilosos de florestas primárias e secundárias, tanto em terra firme quanto em várzea alta. Ocorre em altitudes de até 800m.

Morfologia
A árvore pode alcançar entre 15 a 40m de altura e 50 a 100 cm de DAP. Possui ramificação cimosa, com copa ampla e umbeliforme. O tronco cilíndrico e reto pode apresentar sapopemas. A casca, quando jovem, é esverdeada e delgada, tornando-se mais tarde acinzentada, espessa, dura, rugosa e com carreiras verticais de lenticelas; tem odor desagradável almiscarado.

A folha mede até 2m de comprimento e possui disposição alternada; é composta e bipinada; os folíolos são opostos e se fecham quando perturbados; a ráquis é lenhosa.

A planta é hermafrodita. As panículas terminais medem até 30cm de comprimento e contêm flores pequenas; o cálice possui coloração creme-esverdeada; as pétalas são glabras, de formato oblongo e coloração amarela. O fruto é um legume deiscente, obovado-oblongo, achatado, coriáceo ou sublenhoso, glabro, com coloração bege a marrom quando maduro, 10-16cm de comprimento, 4 a 6 cm de largura e contém uma semente envolta pelo meso-endocarpo alado.

A semente é elíptico-ovada, lateralmente achatada, ápice agudo, base arredondada, medindo 2cm de comprimento e 1,3cm de largura; o tegumento liso, duro e brilhante, possui coloração castanha com estrias finas; o hilo é punctiforme; a rafe é linear; o endosperma é abundante.

A plântula apresenta hipocótilo cilíndrico, verde-claro e semibrilhante; os cotilédones foliáceos são opostos, com ápice arredondado, base sagitada e duas estípulas; o epicótilo é cilíndrico, verde e brilhante; o primeiro par de folhas é oposto e paripinado, com 10-12 pares de folíolos opostos, verdes, membranáceos, oblongos, ápice apiculado e base arredondada, margem ciliada e puberulentos em ambas as faces; o pecíolo e a raque são canaliculados e recobertos por tricomas simples e hialinos.

Usos da espécie
A madeira é mole, leve, com textura grossa, grã direita a irregular, cerne creme-avermelhado e alburno creme claro. Apresenta processamento fácil e recebe bom acabamento, mas possui baixa durabilidade natural, sendo suscetível ao ataque de fungos, cupins e insetos xilófagos. É empregada na fabricação de palitos de fósforo, saltos de calçados, brinquedos, maquetes, embalagens leves, canoas, forros, miolo de painéis e portas, formas de concreto, laminados, compensados, celulose e papel.

A árvore é indicada para plantios comerciais, sistemas agroflorestais e reflorestamento de áreas degradadas, devido ao seu rápido crescimento e ao bom desempenho tanto em formações homogêneas quanto em consórcios. Por sua arquitetura e floração vistosa, pode ser empregada em arborização de praças e jardins amplos. A casca pode servir para curtume e as folhas são usadas como febrífugo por algumas etnias indígenas.

Pragas e Doenças
As principais pragas dos plantios são: broca-da-madeira (Acanthoderes jaspidea), coleobroca (Micrapate brasiliensis), serradores (Oncideres dejeani e O. saga) e moscada - madeira (Rhaphiorhynchus pictus). Durante o período chuvoso, pode ocorrer a incidência da crosta-negra-das-folhas (Phyllachora schizolobiicola subsp. schizolobiicola), embora as plantas normalmente tenham demonstrado resistência à doença. Os métodos de controle são específicos para cada caso.

No norte de Mato Grosso, e na região de Paragominas - PA, há muita incidência de broca no broto terminal. Em função do estresse, a planta é muito suscetível a doenças fúngicas. Na haste, foram detectadas Fusarium sp. e Botryodiplodia sp, e nas raízes, Rosellinia sp. e Botryodiplodia sp.

Na Amazônia Equatoriana, plantios de 300 hectares fracassaram devido ao intenso ataque de um inseto de gemas apicais. Nesse plantio, as plantas também foram atacadas por uma planta parasita do gênero Phoradendron.

Características Silviculturais
O paricá é uma espécie essencialmente heliófila, que não tolera baixas temperaturas. Apresenta crescimento monopodial, ainda que a céu aberto, com fuste reto e limpo, devido à boa derrama natural ou auto-poda.

Métodos de regeneração: os trabalhos relacionados com a silvicultura dessa espécie ainda são poucos. Contudo, essa espécie deve ser plantada a pleno sol nos espaçamentos de 4 m x 3 m ou 4 m x 4 m, que proporcionam maior crescimento. Contudo, é bastante afetada pela ação do vento, que pode provocar inclinação dos fustes. Para que haja equilíbrio na estrutura de povoamentos com essa espécie, recomenda-se cortinas de abrigo ou plantios consorciados com espécies que tenham semelhante ritmo de crescimento. O paricá brota, intensamente, da touça.

Sistemas agroflorestais: em Rondônia, essa espécie é utilizada para sombrear plantações de café ou de cacau. Em Paragominas, no sul do Pará, foi plantado em consórcio com o cultivo de milho repetido nos três primeiros anos; no terceiro ano, junto com o terceiro cultivo de milho, foram introduzidas três gramíneas forrageiras.

Semeadura: recomenda-se semear uma a duas sementes diretamente em sacos de polietileno com dimensão de 18 cm de largura por 25 cm de comprimento, ou em tubetes de tamanho grande. Se for necessária, a repicagem deve ser feita quando as plantas atingirem altura de 9 cm, entre uma semana a 71 dias após a germinação. O sistema radicular dessa espécie é superficial.

Propagação vegetativa: a produção de mudas de paricá pelo método de estaquia de material juvenil é viável, desde que as estacas sejam retiradas das seções medianas e basais da planta e tratadas com AIB com concentração variando entre 2.000 ppm a 4.000 ppm. Rosa & Pinheiro (2001) recomendam a utilização de 2.545,67 ppm de AIB para as estacas retiradas da base e 3.979,71 ppm para as estacas extraídas da parte mediana da planta, que correspondem ao enraizamento máximo,  de 83,07 % e 80,12 % respectivamente.

Ciflorestas- G1.globo

sábado, 19 de maio de 2012

Cerca de 20% da população mundial depende diretamente das florestas para sobreviver


Um novo estudo do Programa de Povos da Floresta (FPP) publicado nesta semana revelou que entre 1,2 bilhões e 1,7 bilhões de pessoas, cerca de 20% da população mundial, dependem diretamente das florestas para sua sobrevivência. Os dados divulgados pelo FPP não contabilizam pessoas que dependem indiretamente das florestas ou apenas de seus serviços, como regulação climática, fornecimento de água e sequestro de carbono.

A pesquisa indica que, destas pessoas, cerca de 200 milhões são consideradas indígenas. O relatório também detalha informações sobre a região, o país e o tipo de floresta que cada população habita.

Mais de 800 milhões de pessoas vivem das florestas tropicais, enquanto 60 milhões nas florestas boreais. A China, a Índia, a Indonésia e o Paquistão têm os maiores números de pessoas dependentes das florestas, com 105 milhões, 84 milhões, 70 milhões e 42 milhões respectivamente.

Segundo as informações, muitas dessas pessoas são pequenos proprietários que dependem de agricultura de subsistência ou agrossilvicultura. Apenas uma pequena parte destas populações são verdadeiramente nômades.

Ainda de acordo o documento, cerca de 20 milhões de pessoas estão empregadas formalmente no setor florestal, e entre 47 milhões e 140 milhões trabalham em empresas formais ou informais que dependem das florestas.

Mas apesar destes números e de muitos destes povos viverem das e nas florestas há séculos, a maioria não tem a posse legal destas terras, o que coloca sua situação em risco, particularmente na África, na América do Sul e no sudeste da Ásia.

Nestes lugares, as florestas, que são propriedade do estado, frequentemente são vendidas ou arrendadas para empresas ou outros países para a agricultura, a extração de madeira e a mineração sem a consulta ou o consentimento dos povos locais, que são geralmente expulsos dos locais.

Atualmente cerca de 350 milhões de pessoas correm o risco de perder seus lares para a grilagem de terras, já que seus direitos à terra não são reconhecidos pelas legislações nacionais.

Neste sentido, o programa ressalta que a publicação do documento é muito importante, pois pode servir para ajudar a regularizar a situação destas populações em relação ao local onde vivem e melhorar suas condições de vida e de trabalho.

Esse relatório procura conscientizar sobre a existência de povos que dependem principalmente das florestas para sua subsistência, e reforçar sua visibilidade como atores chave e detentores de direitos no manejo e uso das florestas e seus recursos. Esses números podem servir como referências úteis na defesa do reconhecimento dos direitos legais e humanos dos povos das florestas.

(Instituto CarbonoBrasil)
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