domingo, 25 de março de 2012

Enterros sustentáveis?

Você já pensou em morrer de forma sustentável? Não? Mas muitas pessoas já pensam assim. Quando nos deparamos com várias maneiras de preservar o meio ambiente e diminuir a pegada de carbono, muitos dos nossos irmãos seres humanos, quando o assunto é “partir dessa pra uma melhor”, querem ser amigos da natureza.

Como possíveis soluções para os efeitos poluentes dos enterros tradicionais como os sepultamentos e cremações, podemos indicar os caixões biodegradáveis e cinzas que viram adubo para árvores. Os caixões, por exemplo, levam altíssima quantidade de produtos químicos cancerígenos na sua elaboração. Além disso, normalmente são feitos de materiais de difícil degeneração e dificultam a decomposição natural do cadáver, atraindo bactérias fãs de enxofre que poluem os recursos hídricos do local. Já a cremação, apesar de ser menos poluente, ainda libera quantidade significante de dióxido de carbono e mercúrio.

Por isso o ‘enterro verde’ vem ganhando cada vez mais adeptos, pois não envolve nenhum tipo de produto químico. Ao invés do caixão tradicional, o cadáver é envolto em um tecido biodegradável. Outra opção são os caixões biodegradáveis, que reduzem as emissões de carbono em mais de 50% se comparados aos tradicionais. Eles podem ser de pinho, madeira ou bambu certificados, papel e até jornal. Em ambos os casos, o corpo em decomposição passa a fazer parte da terra mais facilmente. Para ajudar ainda mais nesse processo, recomenda-se fazer covas com menos um metro de profundidade. Em alguns países já existem cemitérios que só aceitam esse tipo de enterro.

Ainda é possível ter outros cuidados ecológicos nos funerais, como escolher produtos com certificação de origem, reciclados e provenientes do comércio justo e local, para evitar o uso excessivo de transporte.

Para deixar o seu enterro ainda mais sustentável, existem possibilidades extras. Para os convites, marcadores e notas de agradecimento, você pode optar por papel reciclável e materiais biodegradáveis. Nos Estados Unidos, uma empresa criou os ‘eco convites’, livres de cloro e incorporados com sementes de flores silvestres, podendo assim, ser plantados.

Na hora de escolher as flores, lembre-se de verificar se elas não são possuem cobertura de plástico e se não estão amarradas com arames. Tudo ao natural é o mais indicado. Investir no transporte coletivo e incentivar caronas é mais uma opção. E já tem até gente realizando funerais de bicicletas.

Veja abaixo alguns dos métodos mais utilizados de enterro, mas não estranhe, eles estão cada vez mais no cotidiano das pessoas:

Resomação
Um meio alternativo de cremação conhecido como “biocremação”. Utiliza-se água aquecida e hidróxido de potássio para dissolver o corpo durante três horas, assim deixando apenas a ossada pra trás. As cinzas são devolvidas para os familiares em uma urna. Quando o procedimento termina, sobram alguns restos de osso em pó e 200 litros de fluído. O líquido que sobra é considerado um ótimo fertilizante. Além disso, ao contrário do processo normal de cremação, a resomação não libera produtos químicos no ar e gasta 80% menos energia.
Se a ideia de virar adubo for muito extrema, também é possível escolher a cremação tradicional. Mas você pode ser ambientalmente consciente na seleção da urna. Prefira recipientes de fontes sustentáveis. Uma opção interessante é o BioBaú, uma urna biodegradável feita de casca de ovo, turfa e celulose, que vem com uma semente de árvore dentro. Uma vez que as cinzas são guardadas, a urna é enterrada e a semente começa a germinar e crescer. ‘Um novo significado de vida após a morte’, explicam seus criadores.

Enterro Natural
O corpo é embalado em uma mortalha e enterrado sem utilizar concreto, madeira ou qualquer outro material não biodegradável.

Recifes Eternos
O corpo é cremado e os ossos que sobram são esmagados e misturados com concreto. Essa mistura é utilizada para restaurar corais em barreiras no fundo do mar.

Criogenia
A criogenia é o processo de congelamento do corpo para um possível retorno à vida.

Enterro Espacial
Algumas gramas das cinzas resultantes da cremação são jogadas no espaço.

Mumificação
Mostrando que mumificação não é uma coisa apenas dos egípcios, a organização religiosa Summum, oferece a possibilidade de mumificar pessoas e animais de estimação. Quem investe nesse meio ganha a promessa de preservar seu DNA para que no futuro, cientistas possam cloná-los.

Plastinação
Este meio consiste em preservar o corpo em uma forma quase reconhecível. O meio foi criado para que os corpos possam ser usados em escolas de medicina e laboratórios de anatomia para preservar amostras de órgãos para a educação. O criador da técnica, também monta exposições de corpos plastinados.

Liofilização
Consiste na imersão do cadáver em nitrogênio líquido. O nitrogênio deixa o corpo frágil, depois, algumas vibrações agitam o corpo e a água é evaporada em uma câmara de vácuo especial. Depois, filtros separam qualquer enchimento de mercúrio ou implantes cirúrgicos que vão virar pó, e os restos vão para uma cova rasa. Assim, o oxigênio e a água se misturam com os restos em pó e se transformam em adubo.

Composto de cadáver
Uma empresa sueca desenvolveu um processo que consegue decompor completamente o cadáver em seis meses. Para isso, é preciso realizar um processo de fragilização do corpo: congelando-o e fazendo uma imersão em nitrogênio líquido. O cadáver, então, é bombardeado com ondas sonoras, transformando-se em um fino pó branco. Por fim, os restos passam por uma câmera a vácuo, fazendo com que a água remanescente evapore. Assim como nas outras opções, o pó final é bastante fértil e nutritivo, recomendado para o plantio de árvores.

Blog Naturaekos

sábado, 24 de março de 2012

Código Florestal: Será que está nos olhos de quem vê?

Mesmo com o texto do novo Código Florestal em tramitação no Congresso Nacional e sob a ameaça de ter a votação adiada para depois da Rio+20 - a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável -, em junho, e ainda que o Legislativo chegue a um consenso, o texto terá que ser revisto em cinco anos.

Com uma das maiores florestas do mundo, o Brasil vive um impasse politico há anos. O primeiro Código Florestal é de 1934, sendo reformado na década de 60. Desde então sofreu inúmeras propostas. Atualmente, uma terceira proposta segue em votação no Congresso. Entre os pontos polêmicos estão a definição do tamanho das propriedade que devem ser preservadas e a anistia a multas e penalidades dos proprietários que tenham desmatado áreas de proteção até junho de 2008. Ambientalistas rejeitam essa ideia e defendem a recuperação das áreas degradas. Os ruralistas aprovam a anistia geral. Outra questão polêmica é a proposta de recuperação de até 50% do terreno com espécies exóticas e a permissão de que a recuperação aconteça em outras áreas.

O Código que saiu do Senado é melhor - ou menos pior -  que o que saiu da Câmara, que amplia as possibilidade de desmatamento legal, ao mudar por exemplo a definição de topo de morro e de mangue. A versão dos deputados também amplia áreas de interesse social e publico que poderia dar lugar a uma APP. E diminui gravemente as áreas que têm que ser recuperadas, reduzindo-as pela metade, a 25 milhões de hectares.

A solução, caso o atual projeto seja aprovado, quando o texto chegasse na mão da presidente Dilma, ela teria que exercer o veto em alguns artigos, que seriam invetáveis, por trazer pontos positivos e negativos. É possível então do ponto de vista legal, a Câmara parar o projeto no Congresso e abrir um processo para fazer todas correções necessárias e adequadas. Outra alternativa apontada é gerar um projeto adequado, aprovar na Câmara, levá-lo à Presidente, que então o vetaria e apresentaria uma medida provisória.  Temos que entender o seguinte: o novo Código Florestal não é um jogo ganho, ele pode ser revertido, sim, e com calma.

É preciso votar o texto, sim, mas um texto que se aproxime do código que saiu do Senado. E é preciso provar pra sociedade que essa reforma é necessária e criar compromisso pra fazer valer tudo o que está no novo Código; e que o novo Código ficou empobrecida. Grande parte das notícias é em cima do embate político entre ruralistas e ambientalistas. Faltou incluir a sociedade, essa foi a grande perda.

A compensação de reserva legal em outros Estados, não faz sentido, a não ser que haja uma razão ecológica, de recuperar na mesma bacia ou no mesmo bioma. O Código Florestal que está em análise, claramente diminui a proteção da floresta, quando essencialmente deveria se voltar para a preservação e recuperação dessas áreas.

Temos que ter em mente que o Código Florestal brasileiro não é como um código civil que reúne todas as legislações sobre um assunto e consolida eles todos. Desde a Constituição de 88, surgiram outras leis que tratam do meio ambiente. O ideal seria que o novo Código englobasse tudo isso. A proposta atual tem uma origem muito clara de um grupo com interesses muitos específicos e motivados por resolver passivos acumulados com o tempo, que falam pelo setor rural, para fazer uma alteração que simplifique e facilite a ocupação.

Quando se iniciou o debate em 2008 da nova proposta, o principal argumento era de que o Código não tinha racionalidade técnica. Acontece que o texto atual tem muito mais inconsistências técnicas, conceituando mangue de uma forma que o mangue passa a ser quase inexistente. Todos os aspectos ligados a racionalidade foram absolutamente ignorados no atual debate, a ponto da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e a Academia Brasileira de Ciências terem enviados relatórios para os parlamentares e que foram totalmente ignorados.

Não dá pra fazer uma leitura curta sobre a nova proposta, que vem sendo considerada por muitos como um lobby da bancada ruralista. Há a falta de informações precisas sobre quantos equitares de Áreas de Preservação Permanente (APP) o Brasil possui. Temos uma lei que fala em preservar, mas não sabemos o tamanho do que temos aqui. Como é possível legislar assim? A lei de crimes ambientais foi um ponto positivo por que o Brasil vinha aumentando suas taxas de desmatamento. Mas no momento em se faz valer, ela criminaliza quem já estava nas chamadas áreas consolidadas, num momento em que não havia cobrança, o que teria gerado uma reação dos agentes ruralistas. Existe um limite para a sociedade aceitar certas imposições.

No polêmico artigo 62, que determina os percentuais a serem recompostos em APPs (áreas de preservação permanente) desmatadas irregularmente em margens de rio, foram suprimidos os parágrafos do texto do Senado que estabeleciam 30m a 100 m de recuperação no caso de propriedades que margeiam rios de mais de 10m de largura. Retiraram também os gatilhos do texto do Senado que limitavam a recuperação em pequenas propriedades.

Manteve-se, porém, a exigência de recompor 15m nas margens de rios de até 10m. Os outros percentuais deverão ser regulamentados posteriormente, como queria a bancada ruralista. A regulamentação dá poder aos Estados de flexibilizar as regras. Pastagens em topos de morro e encostas também ficam liberadas, desde que não envolvam desmates futuros. A mudança acaba prejudicando os pequenos proprietários, já que o texto suprimido do Senado limitava a recomposição para propriedades de até 4 módulos fiscais (até 400 hectares).

Na questão das APPs urbanas, foram cedidas as exigências da Confederação Nacional da Indústria e foram eliminados do texto os percentuais de mata ciliar em rios urbanos. A CNI era contra o dispositivo por entender que ele implicaria em retirar instalações industriais construídas à beira de rios em todo o país.

Outras modificações feitas foram o enfraquecimento do CAR (Cadastro Ambiental Rural), mecanismo pelo qual as propriedades rurais se tornam "visíveis" à fiscalização e o artigo do texto do Senado que determina suspensão de crédito a quem não se registrar num prazo de cinco anos.

O texto também tira a prerrogativa do Ibama de autorizar desmatamentos em áreas que tenham espécies em extinção, admite a soma de APPs no cálculo reserva legal sem restrições e derruba a proibição do Senado à possibilidade de regularização de desmatamentos futuros.

O substitutivo aumenta a anistia, consolidando praticamente todas as áreas ilegalmente desmatadas até 2008, e retira força dos processos de regularização, para evitar a separação do legal/ilegal, desmatamento antigo/desmatamento novo.

O novo código representa um avanço sobre o tema e precisa ser aprovado, mas está prejudicado por questões políticas e ideológicas. Esses componentes podem expor a necessidade de ajustes. Além das regras que podem ficar comprometidas pela incapacidade de fiscalização de todo o território nacional, devido às diversas realidades produtivas que existem no país. É difícil construir uma legislação nacional para uma questão que guarda tantas especificidades.

A diversidade de biomas também causa uma dificuldade no cálculo exato e nacional do que seria o estoque de florestas suficiente para garantir uma agricultura sustentável. O georreferenciamento por satélite que está sendo elaborado pela Embrapa, mapeando a produção e os tipos de solo do território nacional, deve oferecer um cenário mais preciso para balizar políticas públicas de incentivo por parte do governo.

O governo abriu mão de votar o Código Florestal neste semestre e pediu que o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), levasse a proposta nesta quarta-feira à bancada ruralista, que a rejeitou e insiste em votar a matéria na próxima semana.

Um dos deputados presentes na reunião, Valdir Colatto (PMDB-SC), disse que a proposta do governo é continuar o debate nos próximos meses e votar somente depois da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

O temor do Planalto é sofrer uma derrota na votação do novo conjunto de leis ambientais, como ocorreu em maio do ano passado, quando deputados aprovaram uma emenda que ampliava os poderes dos Estados de regularizar ocupações em áreas de proteção e os tipos de atividades admitidas nessas regiões.

Adiar a votação é uma loucura. Depois de maio, junho, ninguém mais vai ao Congresso. Este é um ano eleitoral. A sociedade tem de se reunir e pressionar. Já que o Congresso deve esvaziar a partir do recesso parlamentar em julho. Por conta das eleições municipais em outubro, os parlamentares devem passar a maior parte do tempo em seus Estados e as discussões na Câmara só devem ser retomadas após o pleito.

5 tecnologias para o tratamento da água

Não é preciso ser nenhum especialista para saber que a distribuição de água potável não é igual para todas as pessoas no mundo, e muitas delas ainda enfrentam problemas com seca, poluição e desastres naturais. Por isso, muitos pesquisadores buscam encontrar meios de conseguir água saudável para aqueles locais mais devastados.
Confira cinco deles:

EM-1

Os microrganismos que antes eram usados para fermentar o leite e o vinho agora são utilizados para despoluir rios e lagos. As chamadas bactérias ácido-laticas são induzidas a trabalharem na produção de subprodutos benéficos que promovem a saúde do meio ambiente por meio da tecnologia EM-1.
Com esses seres vivos é possível despoluir afluentes e lagos por meio da decomposição de matéria orgânica. Essa tecnologia já é usada em mais de 150 países e tem como maior incentivador o Japão. Como esses microorganismo estão presentes em ambientes comuns como o estômago de animais, no solo e na água, só que em baixa concentração, não há riscos de contra-indicações da tecnologia.

Bicicleta produz água filtrada


A empresa japonesa Nippon Basic lançou um sistema de purificação de água que é acionado por energia produzida por pedaladas. A bicicleta purificadora consegue produzir cerca de cinco litros de água limpa em apenas um minuto.
Uma das ações de marketing da empresa é disponibilizar o produto em Bangladesh, país que sofre com desastres naturais e precisa de transporte rápido para o abastecimento de água.

Destilador de água de baixo custo

Um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu um destilador de água laboratorial de baixo custo. Enquanto os destiladores tradicionais gastam em torno de R$280 para destilar 1m³ de H2O limpo, o produzido pela universidade custa cerca de 20 vezes menos.
A pesquisa surgiu de estudos envolvendo radiação solar e ultravioleta. Para realizar o aquecimento que gera a purificação, a equipe utiliza um equipamento construído com peças de aquecedor solar doméstico.
Apesar de ainda ter um potencial produtivo relativamente baixo (o equipamento é capaz de destilar até 3,3 litros de água ao dia, enquanto o sistema convencional produz até 30 litros em cinco horas), a equipe acredita que o projeto tem tudo para ser utilizado dentro de inúmeros segmentos produtivos, como em laboratórios de análises químicas, clínicas e biológicas.

Banana para a extração de metais da água

Um estudo brasileiro do Instituto de Biociência de Botucatu encontrou uma solução natural para a purificação de água contaminada com metais pesados: o uso de bananas. Tradicionalmente, os engenheiros utilizam silica, celulose e óxido de alumínio para retirar os metais, mas essas estratégias acabam provocando o acumulo de toxinas nos próprios pesquisadores.
Para o estudo, o grupo de Botucatu colocou bananas da terra em frascos de água com concentrações de metais conhecidas, além de construir um filtro com cascas da fruta. Segundo o responsável pelo estudo, Gustavo Castro, nas duas tentativas o metal foi removido da água e se acumulou nas bananas.
Entretanto, Castro não aconselha que as pessoas tentem fazer a experiência em casa. Para os iniciantes, a concentração de metal na água é praticamente ilegível. Além disso, mesmo que a banana remova uma quantidade do elemento, não será possível mensurar ao certo o valor.

Dessalinização de água em Dubai

A falta de água no deserto dos Emirados Árabes é visível, mas o monte de dinheiro investido para o desenvolvimento do turismo da região culminou na tecnologia de dessanilização da água. A água consumida por Dubai, uma das cidades mais ricas do mundo, é produto de um caro processo de extração do sal da água colhida do mar do Golfo Pérsico. Essa água abastece vários setores da cidade, inclusive o parque aquático Wild Wadi Park que gasta estimados 200 mil dólares por dia para repor a água de suas piscinas.



Portal EcoD

A água novamente entre a vida e a morte

O Conselho Mundial da Água, liderado por empresas como Veoliam, Suez, Coca Cola, Monsanto e outras grandes transnacionais desenvolveu uma visão muito sofisticada da água, uma visão que está fundamentada no conceito de que ela é um bem mercantil necessário para a vida e a ecologia, funcional aos direitos humanos e à sobrevivência e, portanto...um grande negócio. Como é possível que o Fórum Mundial da Água negue-se a reconhecer o direito humano à água e ao saneamento? O artigo é de Elizabeth Beltrán.

Passaram-se já 15 anos da primeira edição do Fórum Mundial da Água e 20 da Declaração do Rio. Durante esses anos, o Conselho Mundial da Água, liderado por empresas como Veoliam, Suez, Coca Cola, Monsanto e outras grandes transnacionais desenvolveram uma visão muito sofisticada da água, uma visão que está fundamentada no conceito de que água é um bem mercantil necessário para a vida e a ecologia, funcionais aos direitos humanos e à sobrevivência e, portanto, um grande negócio.

Em todo esse período, ao invés de melhorar o cuidado com as fontes e aquíferos em todo o mundo a situação piorou substancialmente. Os equilíbrios ecológicos necessários para a sobrevivência e a fluidez do ciclo hidrológico foram rompidos como nunca havia acontecido, devido aos processos de agroindústria em larga escala, contaminação mineradora e projetos de energia baseados na construção de enormes hidroelétricas, entre outras causas. As empresas, por sua vez, estão buscando cada vez ganhar mais terreno da gestão pública e seguem ocorrendo debates entre gestores públicos e empresários diplomáticos corporativistas que tentam nos convencer de que o papel do setor privado é absolutamente necessário para a gestão da água.

Nestes debates e acordos de governança global da água pretende-se deslegitimar a gestão pública e fortalecer o conceito que foi desenvolvido pelo Consenso de Washington: o desenvolvimento e o cumprimento dos objetivos do Milênio só serão possíveis se existir um forte investimento privado; portanto, o desenvolvimento, os direitos humanos e os equilíbrios ecológicos estão ligados à sorte do mercado.

Este princípio permitiu construir um sistema especulativo de alto voo que agora é reforçado com o desenvolvimento da economia verde que é mais do mesmo, mas concebido para criar mercados especulativos coloridos com uma tinta verde acrescentada para dar a sensação de que se está protegendo o planeta e com a intenção de mercantilizá-lo todo; não só a água que tomamos e até o ar que respiramos, mas inclusive o futuro do planeta. Ainda que pareça ficção científica, isso é possível assim como foi possível que desde este Fórum tenham surgido soluções técnicas e corporativas escandalosas há alguns anos e que agora estão sendo colocadas em prática.

Em Haia, o Fórum Mundial da Água de 2003 se propôs incentivar a criação de sementes transgênicas para “poupar água”, sob o diagnóstico de que a agricultura é a atividade que consome mais água em todo o mundo. Na época, os ativistas da água reclamaram que esta solução podia se constituir em um crime que poderia afetar a saúde de todo o mundo e lançaram campanhas para evitar as sementes transgênicas e incluir o princípio de precaução nestas tecnologias. Hoje, as sementes transgênicas são parte do comércio mundial de alimentos e suas tecnologias e insumos. Nesta semana a Argentina apresentou ao mundo com orgulho o patenteamento de uma nova semente transgênica capaz de “poupar” água na produção de trigo, milho e soja em nível mundial.

As coisas vão mal porque deixaram as decisões mais importantes sobre a vida e sobre o planeta nas mãos das corporações e de governos poderosos e desenvolvimentistas que, baseados no princípio de que tudo se compra, se paga, se vende ou se repara pagando, levaram até os limites a impossibilidade de construir uma sociedade solidária, protetora do meio ambiente e, sobretudo, respeitosa de um bem sagrado para a vida como é a água.

O Fórum Mundial da Água se negou sistematicamente a apoiar em suas declarações o Direito Humano à Água e ao Saneamento. No Fórum Mundial da Água do México, em 2006, foram apenas quatro os países que assinaram uma declaração minoritária exigindo o direito humano à água, entre eles Uruguai e Bolívia. No entanto, nas Nações Unidas, há dois anos não houve nem um só voto contra a Resolução 64/292 declarando o Direito Humano à Água e ao Saneamento. Os países que se opunham a ela só puderam se abster de votar, mas não explicitar sua negativa a um evidente consenso gerado pelos povos e pelos países que sabem que esse é um direito inalienável para a humanidade.

Como é possível que, sistematicamente, o FMA se negue a reconhecer esse direito e que, na ONU, ele tenha sido aprovado sem oposição há dois anos? Sendo que são os mesmos países que fazem parte das declarações ministeriais, por um lado, e das resoluções e conferências, por outro. Por que é que agora que ocorreu esse passo tão importante na ONU, o FMA não avança, mas, ao contrário, busca retroceder e diminuir as possibilidades de implementação do direito humano à água, favorecendo os processos de privatização? Mais do que isso, agora o FMA está decididamente disposto a incluir a água em “todas as suas dimensões econômicas, sociais e ambientais em um marco de governança, financiamento e cooperação”...como afirma sua declaração emitida ontem, apesar do protesto de alguns países.

Enquanto isso, milhares, senão milhões de experiências e iniciativas de gestão social e solidária, experiências exitosas de gestão pública, são implementadas com base no conceito de que água é um bem comum, um bem não mercantil para a vida.

As políticas e visões promovidas pelo Fórum Mundial da Água não estão à  altura dos desafios colocados diante do planeta e da humanidade. Pelo contrário, estão condenando a gestão da água a seu manejo pelos poderes corporativos incapazes de priorizar a vida, preocupados mais em extrair lucros de qualquer parte, por sistemas financeiros, especulativos e sistemas de litígios corporativos cobiçados nas instituições financeiras internacionais.

Considerando o extremo esgotamento dos recursos e o desequilíbrio ecológico produzido no planeta é indispensável que a governabilidade da água fique fora das mãos do Conselho Mundial da Água e seja construída a partir de consensos dos cidadãos, dos povos e do interesse público. É por isso que os movimentos sociais reunidos em Marselha estão propondo que a ONU convoque um Fórum Global da Água que possibilite escutar as vozes das pessoas para pensar a água como um bem para a vida. As organizações sociais estão pedindo que sejam reforçados os sistemas locais e que se contribua para um exercício de vigilância social para assegurar que seu manejo seja social, democrático e solidário.

Diz-se, não sem razão que “milhares viveram sem amor, mas ninguém viveu sem água” (Auden). Nós acrescentamos, a partir deste Fórum, “sem amor, empatia e solidariedade, será impossível assegurar que a água chegue limpa e pura para todos”.

cartamaior.com.br

sexta-feira, 23 de março de 2012

Agenda Ambiental


25/03/2012 a 26/03/2012

8ª. Reunião do Conselho Normativo UN-REDD

De acordo com o regulamento operacional do Programa de REDD da ONU (UN-REDD Programme), foram divulgados a Agenda e os documentos referentes à 8ª reunião do Conselho Normativo que ocorrerá durante os dias 25-26 de março de 2012 em Assunção, Paraguai.
Todos os demais documentos que serão pauta dessa reunião estão disponíveis em inglês, espanhol e francês em: www.un-redd.org/PolicyBoard/8thPolicyBoard/tabid
Na ocasião serão discutidos:
  • Os principais avanços e atividades desde a sétima Reunião do Conselho Normativo;

  • O informe anual provisório das atividades implementadas pelo Fundo do Programa UN-REDD e do marco de financiamento;

  • Uma atualização do Forest Carbon Partnership Facility (FCPF), do Banco Mundial;

  • Uma apresentação das ferramentas de comunicação e informação;

  • A consideração de novas solicitações de alocação de recursos de fundos para programas nacionais da UN-REDD: República do Congo e Sri Lanka;

  • As apresentações informais sobre a preparação nacional para REDD+ por parte da Mongólia e Sudão;

  • Uma atualização do progresso de monitoramento e informação para REDD+;

  • Os avanços sobre o guia de consentimento livre, prévio e informado e o mecanismo de recurso no Programa UN-REDD;

  • E uma análise dos Princípios e Critérios sociais e ambientais do Programa UN-REDD.

INFORMAÇÕES:
Dia: 25 e 26 de março de 2012
Local: Assunção, Paraguai.

09/04/2012 a 30/04/2012

Congresso Virtual Internacional: Economia Verde e Inclusão socioprodutiva: o papel da agricultura familiar

Usuários de todo mundo poderão participar, junto com especialistas e gestores públicos, de Congresso Virtual que abordará os temas que serão inseridos na agenda RIO+20. Resultados serão levados ao evento oficial, em junho. O Congresso é uma das raras oportunidades de participação efetiva da sociedade civil em eventos de grande porte e de enorme repercussão mundial.
“Convidamos pesquisadores e gestores para participarem do evento e a interagiram com os usuários. É uma oportunidade rara de discutir esses temas com pessoas de renome. Além disso, os resultados do Congresso serão consolidados em um informe técnico e uma revista especial que conterão a sistematização dos debates temáticos e as principais contribuições para a Rio +20”, afirmou Carlos Miranda, Coordenador Executivo do Fórum Permanente de Desenvolvimento Rural Sustentável e um dos organizadores do Congresso.
TEMAS QUE SERÃO DISCUTIDOS: Economia Verde; Inclusão Sócioprodutiva; Desenvolvimento Rural Sustentável; Recursos Naturais e Segurança Alimentar; Produção e Consumo sustentável.
PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS: Tânia Bacelar (Professora da UFPE); Renato Maluf (Professor do CPDA e Presidente do CONSEA), Ricardo Abramovay (Professor Titular da USP), Sergio Leite (Professor e Pesquisador do CPDA), Julio Berdegué (Diretor do RIMISP), Eduardo Trigo (Consultor Independente em Ciência e Tecnologia), Peter May (Professor e Pesquisador do CPDA).
INFORMAÇÕES:
Dia: 09 a 30 de Abril
Preço: Inscrições gratuitas e aberto ao público em geral
Para mais informações acesse: www.congressorio20.org.br/sitio/
Mais detalhes
09/05/2012 a 11/05/2012

4ª Feira da Floresta - Consciência e Economia crescendo juntas

O Potencial das nossas florestas depende da forma como as exploramos. A oportunidade para todos os setores da cadeia produtiva florestal realizarem negócios saudáveis para empresas e para o planeta.
INFORMAÇÕES:
Dia: 09 a 11 de maio de 2012
Local: Serra Park - Gramado - RS
Para mais informações acesse: www.futurafeiras.com.br/feiradafloresta/
Mais detalhes
29/05/2012 a 31/05/2012

É hora de pensar e discutir sobre infraestrutura no Brasil

MundoGEO#Connect Latinamerica reunirá os principais profissionais de engenharia e obras do país em evento que acontece dias 29 a 31 de maio em São Paulo com o tema: É hora de pensar e discutir sobre infraestrutura no Brasil.
INFORMAÇÕES:
Data: 29 a 31 de maio de 2012
Local: Centro de Convenções Frei Caneca, 569 – Consolação, São Paulo (SP).
Acesse: mundogeoconnect.com

quinta-feira, 22 de março de 2012

Israelenses criam tratamento de água de baixo custo


Sistema expõe a água poluída à luz ultravioleta dos raios solares para limpar e filtrar o abastecimento de água com auxílio de energias renováveis. Se fosse comercializado, dispositivo poderia ser usado em qualquer casa e por qualquer pessoa.


Dois alunos israelenses, Avishai Katko e Maya Braun, do ensino médio da Sharett High School, na cidade de Netanya, desenvolveram uma estação de tratamento de água de baixo custo.

Para isso, o sistema expõe a água poluída à luz ultravioleta dos raios solares para limpar e filtrar o abastecimento de água com auxílio de energias renováveis. Assim, ela fica adequada para o consumo.

Katko e Braun dizem que o dispositivo poderia ser usado em qualquer casa, por qualquer pessoa, se fosse comercializado. O tratamento de água israelense é modular, móvel e adequado para ser usado em locais com escassez de água potável, mas que tenham luz solar abundante durante boa parte do ano, já que depende dos raios solares.

Trata-se de um passo importante porque, atualmente, a maior parte da água de Israel é tratada em usinas de dessalinização. Se esse novo sistema for comercializado, fará com que os cidadãos consigam colher e tratar a própria água que consumir sem gastar muito dinheiro e com maior autonomia.

O projeto foi apresentado no Fórum Mundial da Água, que aconteceu França. Além disso, o sistema ganhou o Intel-Israel 15th Annual Young Scientists Competition. A competição ocorreu no Museu de Ciência Bloomfield de Jerusalém. Já a cerimônia de premiação foi feita no Knesset. Os dois estudantes vão receber uma bolsa de estudo universitária no valor de três mil dólares. Além disso, vão representar Israel na competição mundial em Pittsburgh, Pensilvânia, no final deste ano.

Exame

Água: todos são responsáveis pelo seu fluxo

A crescente escassez da água foi definida pela UNESCO como o problema ambiental mais grave deste século. A drenagem indiscriminada e a poluição dos recursos hídricos têm acentuado os conflitos pelos diversos usos deste bem, tais como: abastecimento de populações e irrigação de lavouras; diluição de esgoto doméstico e industrial e pesca; geração de energia e lazer; entre outros.

O Brasil concentra em torno de 12% da água doce do mundo disponível em rios e abrigue o maior rio em extensão e volume do Planeta, o Amazonas. Além disso, mais de 90% do seu território recebe chuvas abundantes durante o ano e as condições climáticas e geológicas propiciam a formação de uma extensão e densa rede de rios, com exceção do Semi-Árido. Essa água, no entanto é distribuída de forma irregular, pois na Amazônia, onde estão as mais baixas concentrações populacionais, possui 78% da água superficial. No Sudeste a relação se inverte, a maior concentração populacional tem disponível 6% do total de água.

E mais: a água está mais rara e mais cara, por falta de cuidados com a sua qualidade. Parte da água no Brasil perdeu a característica de recurso natural renovável, em razão de processos de urbanização, industrialização e produção agrícola, incentivados, mas pouco estruturados em termos de preservação ambiental e da água.

Nas cidades, os problemas de abastecimentos estão diretamente relacionados ao crescimento da demanda, ao desperdício e à urbanização descontrolada – que atinge regiões de mananciais. Na zona rural, os recursos hídricos são também explorados de forma irregular, além de parte da vegetação protetora da bacia (mata ciliar) ser destruída para realização de atividade como agricultura e pecuária, com agrotóxicos e dejetos poluindo a água.

Uma questão preocupante é a baixa eficiência das empresas de abastecimento e de saneamento. Estima-se que as perdas nas redes de distribuição atinja entre 40% e 60% por roubos e vazamentos. O saneamento básico não é implementado, já que 90% dos esgotos domésticos e 70% dos efluentes industriais são jogados sem tratamento nos rios, açudes e águas litorâneas, gerando um nível de degradação nunca imaginado.

No alento à proteção dos recursos hídricos, a Lei das Águas 9433/97, veio priorizar o abastecimento humano e a dessedentarão animal em situações de escassez e conflitos de uso. Prevê ainda a gestão de uso da água por bacias hidrográficas e geração de recursos a serem empregados prioritariamente na própria bacia, por meio de cobrança pelo uso da água onde há conflitos ou escassez.

Sendo assim, a importância de gerenciar adequadamente a demanda e a oferta de água requer o estudo das alternativas viáveis. E para a garantia do fornecimento de água para as próximas gerações deve ser focada no que estabelece a Lei nº 9.433/97, a qual instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, definindo cinco instrumentos de sua suporte à sua implementação: o sistema de informações; os planos; os enquadramentos dos corpos de água; a outorga e a cobrança pelo uso dos recursos hídricos.

Não é apenas nosso país que sofre com o problema da falta de gerência das águas. E o desafio é colossal, pois a demanda por água não para de crescer; 1 bilhão de pessoas não têm acesso a água potável; 2,4 bilhões não dispõem de saneamento e perto de 90% da água usada é despejada na natureza sem qualquer tratamento. Até2050, a demanda da agricultura por água crescerá 19%, a da indústria aumentará 50% até 2035. Se nada for feito, estas necessidades não serão atendidas, gerando terríveis consequências econômicas, sanitárias, alimentares, energéticas e políticas.

Sendo indispensável à agricultura, à geração de energia e à saúde, a água é o único recurso ligado a todos os aspectos do desenvolvimento, além de estar na base do modelo de desenvolvimento sustentável. É consenso que a solução do problema passa necessariamente por uma abordagem global, capaz de instalar uma governança mundial e um marco regulatório planetário.

Para que esse modelo se imponha, a cooperação internacional é essencial. Só com ela poderemos investir em uma gestão integrada dos recursos hídricos. A proteção da água como recurso fundamental, a otimização de seu uso e a garantia de uma distribuição equitativa dos benefícios gerados pelas atividades que a empregam intensivamente devem estar no centro das políticas públicas e das regulamentações. A implementação desta abordagem será um dos grandes temas da conferência Rio+20, em junho de 2012.

INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL
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