quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

"Homem-árvore”, paciente com doença rara desenvolve “cascas” nas mãos e pés

Médicos de Bangladesh se depararam com um caso incomum nesta última segunda-feira (1º). A equipe do Hospital Universitário de Daca está se preparando para operar Abul Bajandar, que desenvolveu verrugas com a aparência de cascas de árvores nas mãos e nos pés.
Conhecida como “doença do homem-árvore”, a condição é raríssima, segundo o coordenador do setor de cirurgia plástica do local, Samanta Lal Sen, em entrevista à agência EFE.
A anormalidade começou a surgir há 10 anos aos poucos. Hoje com 26 anos, Abul é incapaz de usar seus pés e mãos para trabalhar na aldeia onde vive na cidade de Khulna. Ele foi internado no último sábado (30) e aguarda para saber se será operado. 
“Trata-se de uma epidermodisplasia verruciforme, doença rara não contagiosa da qual conhecemos poucos casos no mundo. Nunca tinha visto uma coisa igual”, disse o especialista. Médicos farão análises durante as próximas semanas para avaliar se realmente é possível operar o paciente. 
“A priori, não existe cura para a doença. Nosso objetivo é proporcionar um alívio ao paciente, melhorar sua condição e tentar conseguir com que suas mãos e pés voltem a ser funcionais”, disse o médico. Entretanto, há a chance de as verrugas voltarem com o tempo. 
O rapaz é casado e tem uma filha de três anos, que sustentava com seu trabalho de motorista. Depois de perder as mãos para a anomalia, ele saiu do emprego e agora pede esmolas na rua. 

“Preciso de ajuda para todas as minhas atividades diárias, inclusive comer e tomar banho. O peso das verrugas faz com que meus braços cedam e a dor aumenta quando tento me movimentar”, explicou Abu ao jornal “The Daily Star".

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

THE WALKING TREE - AS ÁRVORES ANDANTES

É difícil imaginar uma árvore se movendo sozinha de um lado para o outro, mas isso acontece de verdade. Na América Central, árvores “andantes” se deslocam 20 metros a cada ano.
Em um ano elas podem chegar percorrer uma distância de até 20 metros. 

É difícil imaginar uma árvore se movendo sozinha de um lado para o outro. Mas, por mais estranho que isso possa parecer, é possível e acontece de verdade. A socratea exorhiza é a espécie conhecida como “Palmeira Andante”. A cada ano essas árvores são capazes de se deslocar por até 20 metros.




Endêmica da floresta tropical, a palmeira é mais comum na América Central, mas ela chega até a bacia do rio Amazonas, já em território brasileiro. Apesar de ser única em seu hábito incomum, esse diferencial não é o bastante para garantir a sua preservação total.

No Brasil, as palmeiras andantes são muito usadas na confecção de bengalas, na construção civil e até na fabricação de pequenas embarcações. Na Costa Rica, as legislações ambientais proíbem totalmente o corte desta espécie, enquanto no Equador, mesmo com áreas de preservação, ela ainda sofre na mão dos desmatadores.

O deslocamento desta árvore chama a atenção de pesquisadores há anos. Algumas hipóteses sobre a evolução das espécies já foram colocadas em cheque, mas descartadas depois. O que se sabe é que elas mudam de lugar em busca de melhor solo e mais luz do sol.



A caminhada é lenta, mas constante. As árvores andam diariamente de dois a três centímetros. Em um ano elas podem chegar percorrer uma distância de até 20 metros. Isso acontece através das novas raízes, que vão crescendo a pequenas distâncias das antigas. Quando as raízes velhas apodrecem, todo o tronco é deslocado junto às raízes novas. Por mais surpreendente que isso possa ser, infelizmente essas árvores não conseguem se deslocar rápido o suficiente para fugir do desmatamento.
 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Plástico orgânico comestível é desenvolvido por brasileiros

Depois de duas décadas de trabalho, os pesquisadores da Embrapa Instrumentação desenvolveram uma série de películas comestíveis que funcionam como plástico biodegradável e podem ser utilizadas no preparo de alimentos.
O processo de produção do “plástico comestível” é considerado simples. Primeiro, a matéria-prima, como frutas e verduras (espinafre, mamão, goiaba, tomate, entre outros) é transformada em uma pasta. Em seguida, os pesquisadores adicionam componentes para dar liga no material e o colocam em uma forma transparente, que é levada a uma câmara que emite raios ultravioleta. Após poucos minutos, a película sai da máquina pronta para ser consumida.
Quando descartado, este tipo de plástico se decompõe em até três meses e ainda pode ser utilizado como adubo ou lançado na rede de esgoto sem causar danos ao meio ambiente. A inovação ainda tem capacidade para conservar os alimentos pelo dobro do tempo do plástico convencional, que tem como agravante o fato de demorar cerca de 400 anos para se decompor na natureza.

Reaproveitamento de alimentos
De acordo com o pesquisador José Manoel Marconsini, a produção deste material favorece o reaproveitamento de alimentos que seriam rejeitados por não apresentarem bom aspecto visual, mesmo estando em condições de consumo. “Além disso, como vantagem ambiental tem a redução do desperdício de alimentos, pois auxilia no aumento da produtividade”, explicou ao portal Web Rádio Água.
O material tem características físicas semelhantes aos plásticos convencionais, como resistência e textura. Em laboratório, o plástico orgânico se mostrou mais resistente ao impacto, além de ser três vezes mais rígido que os plásticos sintéticos.
Ainda não há previsão de comercialização, entretanto, várias empresas já demonstraram interesse na inovação. 

(Fonte: Terra)

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Uma selva de confusões

Em 1967, o milionário americano Daniel Ludwig começou a formar um autêntico império no meio da selva amazônica. Passados mais de 45 anos, o Projeto Jari continua a ser um dos grandes desafios ao Pará e sua experiência provoca interesse internacional, por estar executando um manejo florestal considerado o maior do mundo.

Ludwig era um dos homens mais ricos do mundo quando, aos 70 anos, assumiu o controle de uma empresa extrativista de comerciantes portugueses estabelecidos em Belém, que, por sua vez, incorporou o patrimônio de um famoso coronel (de barranco) José Júlio de Andrade, em 1948.

Dezenas de diferentes títulos de terras que vieram na transação deram a Ludwig a convicção de se ter tornado o dono do maior latifúndio do planeta, com 3,6 milhões de hectares localizados no vale do rio Jari, entre o Pará e o Amapá, próximo à foz do rio Amazonas.

Ludwig precisava desse território para realizar seus dois maiores projetos: suprir o mundo faminto de fibra e de grão, produzindo celulose (numa fábrica trazida do Japão pelo mar) e arroz (empreitada que se frustrou). Mas quando a complexidade ou precariedade dos documentos de terras do Pará se foi revelando, os assessores do milionário chegaram à conclusão de que o império era menor. Talvez tivesse “apenas” 1,6 milhão de hectares, ainda no topo das maiores propriedades rurais do planeta. Mas essas dimensões eram precárias.

Em 1976, a empresa entregou ao Instituto de Terras do Pará 36 das suas dezenas de títulos. Esses papéis permitiam transformar posse em propriedade definitiva, se confirmados pelo governo. Um parecer do Iterpa concluiu que talvez a Jari tivesse direito a uns 300 mil hectares, não mais do que isso.
Quando o processo estava sendo encaminhado, o Gebam (Grupo Executivo de Terras do Baixo Amazonas), vinculado ao então todo poderoso Conselho de Segurança Nacional, em pleno regime militar, avocou o assunto. Só depois de 15 anos, por insistência do Iterpa, finalmente, foi devolvido o processo, no qual não havia sido dado um único despacho. Simplesmente hibernara em algum arquivo.

Passados quase 40 anos do início do procedimento, ainda não é possível determinar com clareza o quanto é terra realmente de domínio da empresa. Recentemente ela tentou chegar a 950 mil hectares através de uma inusitada manobra num cartório do interior, sem sucesso. A operação tentada era ilegal.

Agora é o poder público que busca ajustar o plano da realidade ao formato legal. De um lado os órgãos do executivo e o Ministério Público, atrás de uma solução nessa trama de décadas, ou mesmo séculos. De outro lado, pela primeira vez com voz ativa. representantes de 153 comunidades, com mais de duas mil pessoas, estabelecidas na área. A história deixou de ser um monólogo da empresa, coadjuvada pelo governo federal, que na maior parte do tempo a apoiou incondicionalmente.

Este processo foi interrompido por uma recomendação de uma promotora de justiça para a suspensão de todas as atividades da empresa, com o congelamento da vida produtiva e econômica nessa região. Mas o governo acabou não acatando a recomendação. A situação é mais complexa.

No Jari agora atuam duas empresas do grupo Orsa, de São Paulo. Uma continua com a celulose, mas parou sua atividade para mudar o produto: ao invés de ser insumo para a indústria de papel e papelão, vai atender o mercado de tecidos. Outra empresa se dedica apenas à madeira para a venda direta aos mercados nacional e internacional.

A Jari atua numa área de 965 mil hectares, sendo 545 mil hectares (80%) de reserva florestal, sobrando 120 mil hectares de floresta de eucalipto plantado em substituição à mata nativa, que sofreu corte raso, com desmatamento total. Em 2009 começou o plano de manejo de floresta nativa, considerado o maior de todos, visando a produção de madeira comercial com a manutenção da floresta. De 2009 até junho deste ano, a Orsa teve autorização legal para extrair 1,2 milhão de metros cúbicos de madeira, no valor de 146 milhões de reais.

A Jari é o principal ator do enredo. Mas agora há outros, que querem apenas extrair madeira. É atividade tão intensa que o grande rio Paru chegou a ficar obstruído para a navegação por causa da quantidade de jangadas de madeiras de uma só vez no seu leito.

É quase impossível que a recomendação do Ministério Público alcance esses agentes. Eles continuam praticamente imunes à repressão oficial, que mal consegue dar conta dos compromissos assumidos com a Jari e os antigos moradores. O próprio MP reconhece que há “um número significativo de madeireiras ilegais na região”. Nunca, porém, o governo dispôs de tantas informações e providências para chegar a uma solução justa para essa história.

A correção de rumos não é simples. O governo federal concedeu tantos favores à Jari que o Banco do Brasil e o BNDES lhe fizeram empréstimos de 500 milhões de dólares (valor não corrigido) aceitando dupla hipoteca de terras tidas como de propriedade e contínuas, quando não havia de fato essa garantia. O banco já aprovou um novo empréstimo para a empresa, sem que a situação fundiária esteja esclarecida e os planos de manejo confrontados com a realidade, na verificação de estarem realmente merecendo o selo verde internacional que ostentam.

Assim são as coisas na Amazônia.



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Gatos foram domesticados quando iam caçar ratos há mais de 5 mil anos

A análise de fósseis de gatos que viveram em um vilarejo chinês há cerca de 5,3 mil anos corrobora a principal teoria sobre como os felinos selvagens tornaram-se os gatos domesticados que conhecemos hoje em dia. Os resultados da pesquisa conduzida pela Universidade de Washington foram publicados nesta segunda-feira (16) na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS).

A teoria dominante sobre como os gatos selvagens se transformaram ao longo dos anos defende que foi o apetite dos felinos que os colocaram no caminho da domesticação. O grão armazenado pelos antigos agricultores funcionava como um ímã de roedores. E isso atraía gatos selvagens aos vilarejos. Ao longo do tempo, gatos selvagens se adaptaram à vida nos vilarejos e se tornaram mais dóceis ao redor dos humanos.

Isso aconteceu no Oriente Médio, e não na China. Mas os ossos encontrados em vilarejos chineses corroboram a ideia de que os felinos assumiram a função de controle de pestes na antiguidade, segundo a pesquisadora Fiona Marshall, da Universidade de Washington, uma das autoras da pesquisa.

O estudo, focado em um vilarejo agrícola no norte da China, aborda um período pouco compreendido na história dos gatos. A primeira evidência de gatos domesticados só foi aparecer muito depois do período analisado, há cerca de 4 mil anos, quando eles começaram a aparecer na arte egípcia.

O que acontecia nesse vilarejo? – Pesquisadores encontraram sinais de que os roedores estavam ameaçando o estoque de grãos do vilarejo. Os locais de armazenamento eram feitos para mantê-los fora, mas os roedores conseguiam cavar até atingir a cova de armazenamento de grãos.

Os ossos dos antigos gatos apresentam sinais químicos que indicam que eles comeram animais que, por sua vez, tinham se alimentado de milho, grão sabidamente cultivado pelos aldeões da época. Então, aparentemente, os gatos realmente apareceram na região porque foram atrás dos roedores.


Ainda não está claro se os gatos eram de uma população selvagem ou se já eram domesticados e tinham sido trazidos de outro lugar, segundo Fiona. De qualquer maneira, a pesquisa mostra que os ossos dos gatos antigos corroboram a hipótese sobre como começou a domesticação dos felinos.

Greger Larson, da Universidade de Durham, na Inglaterra, chamou o novo trabalho de “um importante passo adiante”. Segundo ele, poucos estudos se concentraram na história da domesticação dos gatos.




(Fonte: G1; Ambiente Brasil)

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Metallica leva o heavy metal à Antártida: preocupação ambiental

O Metallica, uma das principais bandas de heavy metal do mundo, fez no domingo, um inusitado show abaixo de zero no gelo da Antártida diante de uma plateia de pouco mais de 100 pessoas que viram o espetáculo usando fones de ouvido, para evitar impactos ambientais.

“Obrigado por nos acompanhar no show mais memorável do Metallica”, agradeceu James Hetfield, vocalista da banda, logo após a apresentação, no heliporto da base Argentina Carlini.

Dentro de uma cúpula transparente, de 12 metros de diâmetro e seis de altura, com a beleza das intensas águas azuis da enseada Porter e o branco da geleira Fourcade como cenário, o Metallica descarregou a força do heavy metal, mas, sem amplificadores, só foi possível ouvir o show usando fones de ouvido.

“Esse show estará nos livros de História algum dia”, disse Hetfield, cercado, literalmente, por um público tão incomum como a própria apresentação: além de um grupo de fãs, cientistas de diferentes pontos das bases perto da base Carlini, organizadores e alguns jornalistas.

Durante uma hora, o Metallica tocou alguns de seus hits mais marcantes como “Creeping death”, “Sad bat true”, “Blackened” e “Nothing else matters” – um hino para os fãs da banda californiana, que já vendeu mais de 100 milhões de discos em 30 anos de carreira.

Na cúpula, toda a força do Metallica nos fones de ouvido e, o quase imperceptível ritmo amortecido da bateria de Lars Ulrich e os gritos dos fãs enquanto, a poucos metros, um grupo de skuas – aves autóctones da Antártida – cochilavam em uma lagoa e alguns pinguins e elefantes marinhos descansavam indiferentes ao show.

Para tudo ser possível, foi preciso mais de um ano de intenso trabalho e de um rigoroso protocolo sobre o impacto ambiental supervisado pela Direção Nacional Antártica (DNA) argentina que exigiu o uso de fones de ouvido e a instalação cuidadosa de mais de 25 toneladas de equipamentos, incluindo placas solares, para evitar qualquer tipo de impacto no local.

“Foi uma experiência única, aproveitei muito”, contou logo após a apresentação o guitarrista da banda, Kirk Hammett, para quem o uso de fones pelo público não gerou nenhum problema, já que os músicos se comunicaram com seus próprios aparelhos auditivos.

O frio, que chegou a dois graus negativos, também não afetou o grupo, já que dentro da cúpula a temperatura estava “totalmente normal” e o clima com o público. “muito quente”, acrescentou.

A presença do Metallica em Carlini alterou, por um dia, a atividade das bases próximas e convocou cientistas do Brasil, do Uruguai, do Chile, da Polônia, da Coreia do Sul, da Rússia e da Alemanha, que se misturaram aos 19 fãs da banda selecionados em cinco países latino-americanos para assistir à apresentação na Antártida.

“Parece que estive em outro mundo. Isso só acontece uma vez na vida”, repetia emocionado o jovem chileno Roberto Peñafoundes, um dos vencedores de um concurso para ir ao show.

“Nós nos tornamos parte da história do Metallica, estamos no único show da banda na Antártida, é incrível” disse o argentino Sergio Maldonado.

“Achei estranho, mas ótimo. Espetacular. Foram tomadas todas as providências para proteger o meio ambiente e o show foi excelente”, elogiou Guido Fernandez, oficial da base chilena Frei.

Fanny Vieria, pesquisadora na base uruguaia, ressaltou o cuidado ambiental: “É bom focar na Antártida para proteger um patrimônio da humanidade, um lugar de paz e de ciência, onde não importam bandeiras”.

Superado o desafio na Antártida, o Metallica já pensa em um novo disco para o próximo ano e em outro desafio: “Adoraríamos fazer isso de novo”, brinca Hammett, que não descarta voltar a tocar no gelo.


Fonte: Terra; Ambiente Brasil.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Os 10 lugares mais poluídos do mundo — e habitados

Atualmente, mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo estão expostas à poluição tóxica em níveis superiores aos tolerados pelas organizações internacionais de saúde. Essas populações vivem em regiões contaminadas por metais pesados, pesticidas e até por substâncias radioativas, como o césio. À frente de ações de monitoramento e mitigação de impactos, a organização ambiental Blacksmith Institute listou as 10 regiões que mais com sofrem com os poluentes tóxicos.






Agbogbloshie, Gana
Poluente: Chumbo
População afetada: 40 mil +

Agbogbloshie, na Gana, é a segunda maior área de processamento de lixo eletrônico na África Ocidental. Devido à composição heterogênea desses materiais, reciclá-los com segurança é complexo e pode exigir um elevado nível de habilidade. Na maior parte do tempo, não é isso o que ocorre em Gana, o que eleva o risco de contaminação.
Através de processos de reciclagem informais, o chumbo é frequentemente liberado no meio ambiente sem controle de segurança ambiental. As principais formas de contaminação se dão pela ingestão de alimentos ou água contaminados e por inalação de partículas de poeira da substância, que pode se armazenar por até 30 anos no tecido ósseo. Os efeitos da exposição ao chumbo são devastadores e incluem danos neurológicos e redução de QI.


Rio Citarum, Indonésia
Poluente: Produtos químicos, incluindo chumbo, cádmio, cromo e pesticidas
População afetada: 500 mil + diretamente e até 5 milhões indiretamente

A Bacia do Rio Citarum em Bandung, Indonésia, ocupa uma área de aproximadamente 13.000 quilômetros quadrados, que abrange uma população de 9 milhões de pessoas. O rio fornece 80% das águas para abastecimento em Jacarta, irriga fazendas que fornecem 5% do arroz da Indonésia, e é uma fonte de água para mais de 2.000 fábricas.
Mas a água deste rio também contém uma gama de contaminantes oriundos de fontes industriais e domésticas. Investigações de campo realizadas pelo Blacksmith Institute encontraram níveis de chumbo em mais de 1.000 vezes a norma internacional para água potável. As concentrações de alumínio, manganês e ferro no rio também estão bem acima do nível de metais pesados considerado seguro pela EPA.


Hazaribagh, Bangladesh
Poluente: Cromo
População afetada: 160.000 +

Processos industriais são os principais responsáveis pela poluição através do chamado cromo hexavalente, a forma mais perigosa deste metal pesado e altamente cancerígeno. As indústrias que mais contribuem para a contaminação envolvem operações de tratamento de metais, soldagem de aço inoxidável, produção de cromato e processo de curtimento de couro. Existem nada menos do que 270 curtumes registrados em Bangladesh, e a maioria está localizada em Hazaribagh.
Os métodos de processamento utilização são antigos, desatualizados e ineficientes. Todos os dias, os curtumes despejam coletivamente 22.000 litros cúbicos de resíduos tóxicos no Buriganga, principal rio de Dhaka. As comunidades locais utilizam a água contaminada para vários fins, incluindo irrigação de cultivos, higiene pessoal e para lavar louças e roupas.


Norilsk, Rússia
Poluente: cobre, óxido de níquel, outros metais pesados
População afetada : 135 mil

Norilsk é uma cidade industrial fundada em 1935. As operações de mineração e fundição começaram na década de 1930 e fizeram da região o maior complexo de fundição de metais pesados do mundo. Cerca de 500 toneladas de óxidos de cobre e de níquel, além de 2 milhões de toneladas de dióxido de enxofre, são lançadas anualmente no ar. A expectativa de vida para os trabalhadores de fábrica em Norilsk é de 10 anos abaixo da média russa.
Embora o número exato de pessoas potencialmente afetadas pela poluição em Norilsk seja desconhecido, estima-se que mais de 130 mil moradores da região estão sendo expostos a material particulado, dióxido de enxofre, metais pesados e fenóis. Estudos anteriores descobriram elevado concentrações de cobre e níquel  o solo de quase todos os lugares dentro de um raio de 60 quilômetros da cidade. Isso levou ao aumento dos níveis de doenças respiratórias e câncer dos pulmões e do sistema digestivo.


Dzerzhinsk, Rússia
Poluente: Produtos químicos e subprodutos tóxicos de inúmeros processos químico-industriais
População afetada: 300 mil

Durante o período soviético, Dzershinsk foi um dos principais locais da Rússia para fabricação de produtos químicos, incluindo armas químicas. Hoje em dia, é ainda um centro significativo da indústria química russa. Entre 1930 e 1998, cerca de 300.000 toneladas de resíduos químicos foram indevidamente depositados na cidade e em áreas circundantes.
Em 2007, amostras de água tomadas dentro da cidade apresentaram níveis de substâncias químias tóxicas milhares de vezes acima dos níveis recomendados. Isso levou o Livro de Recordes do Guiness Book a citar Dzershinsk como a cidade mais poluída do mundo no mesmo ano. Nos últimos anos, esforços têm sido realizados para fechar instalações obsoletas e restaurar a terra contaminada. Um estudo de 2006 revelou que a expectativa média de vida em Dzershinsk é de 47 para as mulheres e apenas 42 para os homens.


Matanza-Riachuelo, na Argentina
Poluentes: compostos orgânicos voláteis, incluindo tolueno
População afetada: 20 mil +

A bacia do rio Matanza-Riachuelo, na Argentina, tem mais de 60 quilômetros de extensão e abriga um sem número de fabricantes de produtos químicos. Estima-se que 15 mil indústrias estão ativamente lançando efluentes no rio, que corta 14 municípios. Um estudo publicado na Revista Latino-Americana de Sedimentologia e Análise de Bacia, em 2008, revelou que o solo nas margens do rio continha níveis de zinco, chumbo, cobre, níquel e cromo bem acima dos níveis seguros.
Acredita-se que 60% das cerca de 20 mil pessoas que residem perto da bacia do rio vivem em território considerado impróprio para a habitação humana. Doenças diarreicas, doenças respiratórias e câncer estão entre os problemas de saúde pública associados aos vários setores da bacia.


Chernobyl, Ucrânia
Poluente: poeira radioativa, incluindo urânio, plutônio, césio-137, estrôncio-90, e outros metais
População afetada: Até 10 milhões

Chernobyl é reconhecido internacionalmente como um dos piores desastres nucleares da história. Na noite de 25 de abril de 1986, o teste na usina provocou um colapso do núcleo do reator, liberando mais de 100 vezes a radioatividade das bombas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki. Cerca de 150 mil quilômetros quadrados de terra foram afetados no acidente.
O reator foi enterrado em uma caixa de concreto projetado para absorver a radiação e conter o combustível remanescente. No entanto, a estrutura tinha intenção de ser uma solução temporária e projetada para durar não mais do que 30 anos. Hoje, existem mais de uma dúzia de radionuclídeos artificiais como o césio-137 que podem ser detectados na superfície do solo ao redor da planta. A ingestão de alimentos produzidos em áreas contaminadas continua a ser a principal via de intoxicação, como resultado da exposição prolongada de baixa dosagem.


Kabwe, Zâmbia
Poluente: Chumbo
População afetada: 300.000 +

Kabwe, a segunda maior cidade da Zâmbia, está localizada a cerca de 150 quilômetros ao norte da capital do país, Lusaka. Um estudo de saúde feito em 2006 descobriu que, em média, os níveis de chumbo no sangue das crianças em Kabwe ultrapassam os níveis recomendados em até dez vezes.
Este é o resultado de contaminação a partir de mineração de chumbo na área, que fica ao redor do Copperbelt. Em 1902, ricas jazidas de chumbo foram descobertas, conduzindo operações de mineração e fundição por mais de 90 anos. Apesar das minas terem sido fechadas, a atividade artesanal em pilhas de rejeitos continua. Crianças que vivem brincando no solo e jovens garimpeiros na área estão em maior risco.


Kalimantan, na Indonésia
Poluente: Mercúrio e cádmio
População afetada: 225.000 +

Kalimantan é a parte indonésia da ilha de Bornéu. Em duas de suas cinco províncias, a mineração artesanal de ouro em pequena escala constitui a principal fonte de renda para 43 mil pessoas. A grande maioria dos mineiros utilizam mercúrio no processo de extração de ouro. Ele auxilia o processo de purificação do metal conhecido como "amalgamação", sendo liberado na forma de vapor no meio ambiente.
Os trabalhadores, que lidam dia-a-dia na atividade garimpeira, são os mais suscetíveis a aspirar esse vapor tóxico e imperceptível. A contaminação também pode acontecer por ingestão de peixes oriundos de águas poluídas.


Delta do Rio Níger, na Nigéria
Poluente: Petróleo
População afetada: indeterminada

O Delta do Rio Níger é uma região densamente povoada que se estende por cerca de 70.000 km2 e representa quase 8% do território da Nigéria. É fortemente poluído por petróleo e hidrocarbonetos, uma vez que a região tem sido palco de grandes operações petrolíferas desde o final da década de 1950. Entre 1976 e 2001, havia cerca de 7.000 incidentes envolvendo derrames de petróleo, onde a maior parte do óleo nunca foi recuperado.
Uma média de 240 mil barris de petróleo são derramados no delta do Níger a cada ano devido a falhas mecânicas e muitas causas desconhecidas. Os vazamentos não só contaminam a água superficial e subterrânea do delta, mas também o ar ambiente e as culturas agrícolas locais, além de afetar a saúde da população. Um artigo publicado no Nigerian Medical Journal, em 2013, estima que a poluição generalizada pode levar a uma redução de 60% na segurança alimentar das famílias e um aumento de 24% dos casos de desnutrição infantil.



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