sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A tragédia anunciada dos Guarani-kaiowá


No dia 8 de outubro, o Brasil tomou conhecimento, por carta dirigida ao governo e à Justiça Federal, de uma declaração de “morte coletiva” de 170 homens, mulheres e crianças da etnia indígena guarani-kaiowá, em resposta a uma ordem de despejo decretada pela Justiça de Naviraí (MS), onde estão acampados às margens do Rio Hovy, aguardando a demarcação das suas terras tradicionais, ocupadas por fazendeiros e vigiadas por pistoleiros.

A Justiça revogou a ordem de retirada de 170 índios Guarani-Kaiowá das terras em que habitam no Mato Grosso do Sul. Em carta à opinião pública, eles apelaram: "Pedimos ao governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos, mesmo, em pouco tempo”.

A carta dos Guarani-Kaiowá foi divulgada após a Justiça Federal determinar a retirada de 30 famílias indígenas da aldeia Passo Piraju, em Mato Grosso do Sul. A área é disputada por índios e fazendeiros. Em 2002, acordo mediado pelo Ministério Público Federal, em Dourados, destinou aos índios 40 hectares ocupados por uma fazenda. O suposto proprietário recorreu à Justiça.

Segundo o CIMI (Conselho Indigenista Missionário), vinculado à CNBB, há que saber interpretar a palavra dos índios: "Eles falam em morte coletiva (o que é diferente de suicídio coletivo) no contexto da luta pela terra, ou seja, se a Justiça e os pistoleiros contratados pelos fazendeiros insistirem em tirá-los de suas terras tradicionais, estão dispostos a morrerem todos nela, sem jamais abandoná-las”, diz a nota.


Dados do CIMI indicam que, entre 2003 e 2011, foram assassinados, no Brasil, 503 índios. Mais da metade – 279 – pertence à etnia Guarani-Kaiowá. Em protesto, a 19 de outubro, em Brasília, 5 mil cruzes foram fincadas no gramado da Esplanada dos Ministérios, simbolizando os índios mortos e ameaçados.

A Constituição abriga o princípio da diversidade e da alteridade, e consagra o direito congênito dos índios às terras habitadas tradicionalmente por eles. Essas terras deveriam ter sido demarcadas até 1993. Mas, infelizmente, a Justiça brasileira é extremamente morosa quando se trata dos direitos dos pobres e excluídos.

Um quarto de século após a aprovação da carta constitucional, em 1988, as terras dos Guarani-Kaiowá ainda não foram demarcadas, o que favorece a invasão de grileiros, posseiros e agentes do agronegócio.

O argumento dos inimigos de nossos povos originários é que suas terras poderiam ser economicamente produtivas. Atrás desse argumento perdura a ideia de que índios são pessoas inúteis, descartáveis, e que o interesse do lucro do agronegócio deve estar acima da sobrevivência e da cultura desses nossos ancestrais.

Os índios não são estrangeiros nas terras do Brasil. Ao chegarem aqui os colonizadores portugueses – equivocamente qualificados nos livros de história de "descobridores” – se depararam com mais de 5 milhões de indígenas, que dominavam centenas de idiomas distintos. A maioria foi vítima de um genocídio implacável, restando hoje, apenas, 817 mil indígenas, dos quais 480 mil aldeados, divididos entre 227 povos que dominam 180 idiomas diferentes e ocupam 13% do território brasileiro.

Não adianta o governo brasileiro assinar documentos em prol dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável se isso não se traduzir em gestos concretos para a preservação dos direitos dos povos indígenas e de nosso meio ambiente.

Bem fez a presidenta Dilma ao efetuar cortes no projeto do novo Código Florestal aprovado pelo Congresso. Entre o agrado a políticos e os interesses da nação e a preservação ambiental, a presidenta não relutou em descartar privilégios e abraçar direitos coletivos.

Resta agora demonstrar a mesma firmeza na defesa dos direitos desses povos que constituem a nossa raiz e que marcam predominantemente o DNA do brasileiro, conforme comprovou o Projeto Genoma Humano.

Frei Betto - www.vermelho.org.br

Já tomou seu cafezinho hoje? Talvez seus netos não tomem


Nova pesquisa mostra que o celebrado cafezinho nosso de cada dia pode sumir do cardápio dentro de 70 anos devido ao aquecimento global e às mudanças no clima.

Sua família aprecia um bom cafezinho preto? Se sim, é bom preparar seus netos para um futuro longe do hábito. Uma nova pesquisa, publicada na revista científica Plos One, mostra que essa bebida milenar pode sumir do cardápio dentro de 70 anos devido ao aquecimento global e às mudanças climáticas.

O estudo realizado por pesquisadores do Royal Botanic Gardens da Grã-Bretanha, em colaboração com cientistas na Etiópia, constatou que entre 38 e 99,7% das áreas adequadas para o cultivo da espécie arábica desaparecerá até 2080 se as previsões do aumento das temperaturas se concretizarem.

Importante commoditie agrícola, o arábica responde, atualmente, por cerca de 70% da produção e consumo mundial de café. Sozinho, o Brasil produziu 36,82 milhões de sacas de arábica em 2011, que representam 76% da safra de café nacional no período.

Segundo os cientistas, os produtores de café comercial ainda seriam capazes de cultivar os grãos em lavouras projetadas que reproduzam as condições de clima ideal. Na natureza, as melhores regiões para cultivo do arábica têm altitudes acima de 800m e temperaturas entre 19 e 21 °C.

São justamente essas regiões que poderão sofrer com as mudanças climáticas. Pior, ao deixar de ser produzido em seu hábitat natural, a espécie perde sua capacidade de diversificação, de onde poderiam surgir variedades mais resistentes ao calor, ficando sujeita à extinção.

Alimentos na mira do clima
O efeito do aquecimento global e das mudanças climáticas sobre a agricultura preocupa e tem chamado a atenção dos cientistas. Um estudo das Nações Unidas feito pelo Grupo Internacional de Consulta em Pesquisa Agrícola (CGIAR, na sigla em inglês) mostra como a elevação das temperaturas e as mudanças climáticas poderão afetar a produção das principais commodities agrícolas no mundo (veja 15 alimentos na mira do aquecimento global).
Para se ter uma ideia, até 2050, cerca de 20% da produção trigo, arroz e milho – as três commodities agrícolas mais importantes e que estão na base de metade das calorias consumidas por um ser humano – pode ser prejudicada.

EXAME

Desafio do tamanho da fome



Mudanças à vista, ou melhor, à mesa. Um estudo feito pelo Grupo Internacional de Consulta em Pesquisa Agrícola (CGIAR, na sigla em inglês) para as Nações Unidas sugere que o aquecimento global pode comprometer, até 2050, cerca de 20% da produção trigo, arroz e milho – as três commodities agrícolas mais importantes e que estão na base de metade das calorias consumidas por um ser humano.É uma perda preocupante, contra a qual será preciso lutar, sob a dura pena de mergulhar bilhões de pessoas na fome – um mal que  atinge um em cada sete habitantes do planeta. Veja a seguir como a elevação das temperaturas e as mudanças climáticas poderão afetar a produção das principais commodities agrícolas no mundo.

Feijão
As altas temperaturas aparecem como o problema mais grave, seguido pela seca, entre as ameaças da mudança climática para a produção de feijão. Há motivos para preocupação, uma vez que a leguminosa representa, em média, 20% da dieta dos países em desenvolvimento. Em alguns, a dependência é ainda maior, caso de Burundi (55%) e Ruanda (38%). No Brazil e Tanzânia, o feijão responde por 14% das proteínas vegetais consumidas por uma pessoa.





Arroz
A mudança climática pode levar a um declínio de 15% na produção de arroz. O motivo? Cientistas suspeitam que as plantas estão gastando mais energia para respirar em noites quentes, o que afeta a capacidade de realizar fotossíntese. Não para aí. As inundações são um problema significativo para o cultivo de arroz, especialmente nas planícies do sul e sudeste da Ásia. A ameaça crescente de salinidade é outro problema, que resulta do aumento do nível do mar em grandes áreas de zonas húmidas costeiras.





Banana
A maior ameaça das mudanças climáticas para a produção de bananas é o aumento de surtos de pragas e doenças, principalmente nas terras altas da Uganda, Tanzânia, Burundi, Ruanda e Congo Oriental, países onde a fruta é sinônimo de segurança alimentar. Não só isso, a banana é altamente sensível à água disponível no solo. E essas regiões, que juntas abrigam comunidades pobres de mais de 30 milhões pessoas, são vulneráveis à falta de água, hoje um dos maiores desafios enfrentados pelos governos locais.


Mandioca
A mandioca é a segunda cultura alimentar mais importante nos países pobres e a quarta mais importante nos países em desenvolvimento, com produção total de 218 milhões de toneladas. Além de contribuir para a segurança alimentar, é fonte de renda para pequenos proprietários.Em geral, a espécie é tolerante à seca e adaptável a algumas das mais altas temperaturas encontradas na agricultura. Por outro lado, a mandioca não se dá bem com excesso de água, é altamente vulnerável à podridão da raiz quando exposta a inundações por longos períodos.



Cevada
Nem todos os alimentos serão prejudicados com um meio ambiente mais hostil. Exemplo disso é a cevada, cereal rico em zinco e ferro que poderia ajudar a melhorar a nutrição no mundo, especialmente em regiões afetadas pela seca. Grão valorizado pela produção de bebidas alcoólicas, a cevada pode tornar-se ainda mais atraente por outros motivos: a resistência ao calor, seca e à salinidade do solo, uma ameaça real diante do avanço do nível dos mares.


Grão-de-bico
Outra fonte tradicional de proteína vegetal, o grão-de-bico pode ser vulnerável às mudanças climáticas, em parte, porque geralmente é cultivado em terras com quantidades mínimas de fertilizantes e irrigação, ficando exposto a ataques de pragas e estresses ambientais.Uma pesquisa na Índia, feita ao longo de 10 anos, mostrou que o aumento da temperatura acima de 35 ° C torna a planta mais suscetível a desenvolver uma podridão na raiz causada por doenças. Hoje, as principais regiões produtoras são Índia, Turquia, Paquistão, Bangladesh, Nepal, Irã e México.


Milho
Juntamente com arroz e trigo, o milho responde por 30% das calorias de alimentos consumidos por 4,5 bilhões de pessoas em 94 países em desenvolvimento.Seu ponto fraco: detesta calor. Testes de campo e dados históricos mostram que as temperaturas superiores a 30 ° C associadas à seca reduzem o rendimento das culturas. Só na África, 20% da produção está em risco com as alterações climáticas.



Amendoim
O amendoim também está na mira do aquecimento global. Segundo o estudo, secas constantes podem tornar as sementes vulneráveis à contaminação por aflatoxina, uma toxina cancerígena produzida principalmente pelo fungo Aspergillus flavus. Além disso, as altas temperaturas e as chuvas irregulares dificultam a secagem do grão e seu armazenamento.



Lentilha
Alimento altamente nutritivo, a lentilha consegue resistir bem ao ambiente hostil. Sua resiliência a torna um coringa no sentido de aumentar a segurança alimentar em países necessitados.Mas as lentilhas não são a prova de tudo, e sob certos estresses climáticos, podem ter o rendimento afetado. A intensidade e principalmente a frequência das mudanças no tempo e das tensões térmicas poderiam afetar severamente a produção.


Trigo
As alterações climáticas terão impactos significativos na produção de trigo, cuja cultura é extremamente vulnerável ao calor e seca. A irrigação pode ajudar o trigo a sobreviver a condições de estresse, mas exigiria uma quantidade insustentável desse recurso. Segundo o estudo, o "estresse hídrico" associado ao aumento de 1°C na temperatura resultaria na perda de 20% da produção.



Batatas
Dona da quarta maior safra de alimentos do mundo, as batatas também estão na mira do aquecimento do planeta, e se tem um palavra que não combina com esse cultivo é aquecimento. O medo é que as temperaturas crescentes reduzam a produtividade da batata em locais onde pessoas já lutam para suprir suas necessidades nutricionais básicas, como a Índia.


Soja
A soja é uma das culturas que mais sofrem sob altas temperaturas. De acordo com o estudo, áreas nos EUA e no Brasil que cultivam a proteína vegetal para exportação terão de enfrentar quedas acentuadas quando a temperatura ultrapassar os 30 ° C com frequência. Em 2070, a área adequada para plantio de soja poderá cair 60% em relação à área de produção atual, devido à falta de água e a verões mais intensos.



Inhame
Cultivo importante e meio de subsistência no oeste africano, o inhame é vulnerável a pragas e doenças que poderiam intensificar-se devido aos efeitos do clima. Desde 2000, indica o relatório, a taxa de crescimento anual da produção de inhame tem sido irrisória (menos de 1%) em uma das principais regiões produtoras, a Nigéria.



Fava
Fava é a principal fonte de proteínas vegetais na dieta dos países onde é cultivada, como Etiópia, Sudão, Marrocos, Egito e Síria. Cultura importante na rotação de cereais, pois ajuda a fixar nitrogênio no solo, a Fava pode ter de lidar com novos tipos de pragas com o aumento das temperaturas. Para piorar, o cultivo tem fama de ser sensível à seca, que pode causar quebra de safra drástica.



Sorgo
O estudo revela que um aumento de 1 ° C na temperatura média da atmosfera poderia reduzir o rendimento do quinto cereal mais importante (depois do arroz, trigo, milho e cevada) entre 4 e 8% em estações chuvosas na Índia. Os grãos do sorgo são úteis na produção de farinha para panificação, amido industrial, álcool e como forragem ou cobertura de solo em regiões tropicais e subtropicais do mundo.


EXAME

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Jari vai parar produção de celulose na Amazônia


A decisão está alinhada à posição do grupo de buscar alternativas consideradas mais atrativas para a fábrica instaladas no Pará.

O sonho de se produzir celulose em plena Floresta Amazônica, que teve início em 1967 com o Projeto Jari, do bilionário americano Daniel Ludwig, será paralisado mais uma vez. A Jari Celulose, Papel e Embalagens, empresa controlada pelo Grupo Orsa (que assumiu os ativos do Projeto Jari em 2000), vai interromper as atividades da sua fábrica de celulose de eucalipto a partir de janeiro.

A decisão está alinhada à posição do grupo de buscar alternativas consideradas mais atrativas para a fábrica instalada em Almeirim, no Pará. A medida deve acabar beneficiando as demais empresas do setor, em um momento no qual há expectativa de maior pressão no mercado, por conta da entrada em operação da fábrica de celulose da Eldorado, em Três Lagoas (MS).

No final de outubro, a Agência Estado havia noticiado que o modelo de negócios da Jari na área de celulose seria revisto. Em entrevista, o presidente do Grupo Orsa, Sergio Amoroso, afirmou que a empresa estudava alternativas e estava atenta à possibilidade de migrar para o mercado de especialidades. A companhia, então, decidiu anunciar a decisão aos clientes e não dar andamento a assinatura de contratos após janeiro do próximo ano.

A unidade paraense tem capacidade para produzir 410 mil toneladas anuais de celulose de eucalipto e, com o volume produzido até o momento, terá condições de atender os clientes até março. A decisão sobre o futuro da unidade de celulose deverá ser tomada pelo Grupo Orsa até o final deste ano.

A informação de que a Jari interromperia as atividades em janeiro agradou os analistas. O banco JP Morgan publicou na terça-feira relatório no qual comentava os efeitos positivos da decisão para o mercado de celulose de eucalipto, principalmente para Fibria e Suzano Papel e Celulose. Para a instituição, a medida reduziria a pressão esperada para o mercado por conta do início das operações da Eldorado, neste mês, e de outras duas fábricas de celulose (Suzano e Arauco/Stora Enso), em 2013.



AGENCIA ESTADO, EXAME

A reciclagem de celulares ajuda a salvar vidas


Como se sentiria se soubesse que duas crianças tenham morrido para você ter esse telefone celular?

Os consumidores de telefones celulares são chamados a refletir sobre a exploração sangrenta na República Democrática do Congo de uma matéria-prima para esses aparelhos, o tântalo.

Jean- Bertin, um congolense de 34 anos que denuncia o “silêncio absoluto” sobre os crimes cometidos em seu país pela exploração de matérias-primas estratégicas como o coltan (columbita-tantalita). A República Democrática do Congo (RDC) possui pelo menos 64% das reservas mundiais de coltan, nome popular na África central para designar as rochas formadas por dois minerais, columbita e tantalita.

Da tantalita se extrai o tântalo, metal duro de transição, de cor azul acinzentado e brilho metálico, resistente à corrosão e que é usado em condensadores para uma enorme variedade de produtos, como telefones celulares, computadores e tablets, bem como em aparelhos para surdez, próteses, implantes e soldas para turbinas, entre muitos outros. A maldição da RDC é sua riqueza. O Ocidente e todos que fabricam armas metem o nariz ali.

A extração de coltan contribui para manter um dos maiores conflitos armados da África, que causou mais de cinco milhões de mortos, êxodo em massa e violações de 300 mil mulheres nos últimos 15 anos, segundo organizações de direitos humanos. Isto foi reconhecido pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que confirmou a existência do “vínculo entre a exploração ilegal dos recursos naturais e a continuação do conflito na República Democrática do Congo”. Um grupo de especialistas convocado pelo Conselho registrou cerca de 157 empresas e indivíduos de todo o mundo vinculados, de um modo ou de outro, à extração ilegal de matérias-primas valiosas na RDC.

A exploração de coltan em dezenas de minas informais, salpicadas na selva oriental da RDC, financia os grupos armados e corrompe militares e funcionários. A extração artesanal, sem nenhum controle de qualidade, comporta um regime trabalhista próximo da escravidão e um grande dano ao meio ambiente e à saúde dos trabalhadores, incluindo crianças.

No entanto, fontes da indústria, como o Tantalum- Niobium International Study Center (TIC), alertam que as jazidas de coltan na RDC e de toda a região da África central estão longe de serem a fonte principal de tântalo. A Austrália foi o principal produtor desse mineral durante vários anos e mais recentemente cresceu a produção sul-americana e asiática, além de outras fontes, como a reciclagem. O TIC estima que as maiores reservas conhecidas de tântalo estão no Brasil e na Austrália, e ultimamente há informações sobre sua existência na Venezuela e na Colômbia.

A RDC tem outras riquezas naturais igualmente contrabandeadas, como ouro, cassiterita (mineral de estanho), cobalto, cobre, madeiras preciosas e diamantes. Contudo, está em último lugar no Índice de Desenvolvimento Humano 2011. Neste cenário, as denúncias da sociedade civil organizada apelam cada vez mais aos consumidores de produtos que contêm estes materiais.


O surgimento de novas fontes de tântalo e a reciclagem deveriam ajudar a reduzir a pressão da demanda sobre o coltan congolense. A organização Entreculturas e a Cruz Vermelha Espanhola promovem desde 2004 a campanha nacional Doe seu Celular, para incentivar a entrega de aparelhos velhos para serem reutilizados ou para reciclagem de seus componentes. Os fundos obtidos são investidos em projetos de educação, meio ambiente e desenvolvimento para setores pobres da população. Até julho foram coletados 732.025 aparelhos e arrecadados mais de um milhão de euros.

Entretanto, fundações e empresas dedicadas à reciclagem, concordam que seria impossível abastecer com esta fonte uma porção significativa da crescente demanda mundial por tântalo. A pressão do mercado faz com que as pessoas troquem o celular por outro mais moderno de tempos em tempos, por isso a reciclagem, mesmo feita em grande escala, não daria conta, disse uma fonte da BCD Electro, empresa de reutilização e reciclagem informática e eletrônica. E a telefonia móvel é apenas um segmento das aplicações atuais do tântalo.

Apple e Intel anunciaram, em 2011, que deixariam de comprar tântalo procedente da antiga colônia belga. Nokia e Samsung fizeram declarações similares. A Samsung assegura em sua página corporativa que tomou medidas para garantir que seus terminais “não contenham materiais derivados do coltan congolense extraído ilegalmente”. Na verdade, os códigos de conduta empresariais vieram preencher o vazio de normas taxativas.

O esforço maior é o das Diretrizes da OCDE para Empresas Multinacionais, pois compreende todas as nações industrializadas sócias da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Porém, o longo e opaco circuito do coltan congolense torna difícil demonstrar que tais códigos são cumpridos. Os minerais explorados ilegalmente são contrabandeados através de países vizinhos, como Ruanda e Uganda, para Europa, China e outros destinos.

Os grupos rebeldes proliferam pela riqueza das terras em coltan, diamantes ou ouro. Os governos vizinhos são cúmplices e até o momento tudo é apoiado e encoberto pelas empresas beneficiárias, em seu último destino, dessas riquezas. Há muitos interesses econômicos em torno do negócio do coltan. Enquanto isso, na RDC as matanças são reais. O sangue está por toda parte, e, no entanto, é como se o país não existisse.
A Comissão de Valores dos Estados Unidos (SEC) regulamentou um capítulo da Lei de Proteção do Consumidor e Reforma de Wall Street, referente aos “minerais de conflitos”. A Lei 1.502 estabelece que todas as empresas nacionais ou internacionais já obrigadas a entregar informação anual à SEC e que manufaturem ou contratem a manufatura de produtos que contenham um dos quatro minerais de conflito (estanho, tântalo, tungstênio, ouro) deverão adotar medidas para determinar sua origem mediante a análise da cadeia de fornecimento.

Contudo, o primeiro informe deverá ser apresentado em 31 de maio de 2014, prazo considerado excessivo por defensores dos direitos humanos, que denunciam os crimes que continuam sendo cometidos na RDC, apesar da presença desde 2010 de uma missão de paz da ONU.


TERRAMÉRICA

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Extrativismo no Amapá


Acompanhando o movimento iniciado no Acre nos anos 80, as populações agroextrativistas do sul do Amapá também se organizaram politicamente, visando garantir o acesso aos produtos do extrativismo vegetal. Contando com o apoio de entidades nacionais e internacionais, este processo culminou com a criação de três unidades de proteção ambiental, nas quais esta assegurada de forma coletiva o seu uso sustentável. No total, são aproximadamente três milhões de hectares de florestas na Amazônia exploradas de forma sustentável pelos agroextrativistas.

Passados 26 anos, constatam-se grandes discrepâncias nos resultados socioeconômicos e ambientais alcançados nas unidades de uso. Tal discrepância advém das peculiaridades dos arranjos institucionais de gestão ambiental criados a partir da interação entre a lógica reprodutiva das famílias extrativistas e a cultura institucional dos gestores públicos envolvidos nas respectivas unidades, num ambiente marcado por fortes pressões tanto das estruturas de acumulação de capital comercial e agroindustrial, quanto de Ongs ambientalistas.

A criação  de instrumentos jurídicos para formas coletivas de posse e  exploração de recursos  naturais constitui uma forte inovação institucional  em nosso país. Longe de ser a solução final, coloca imensos desafios àqueles responsáveis pela gestão das áreas coletivas de conservação.
        
Passada a fase inicial em torno da luta pela terra, na qual a ação coletiva se reveste de um forte caráter mobilizador e unificador das ações individuais, no momento seguinte observa-se no sul do Amapá a emergência de sérios conflitos no seio das unidades coletivas a partir do afloramento de interesses individuais. A inexistência de arranjos institucionais claros e suficientemente testados capazes de legitimar tanto a ação dos órgãos oficiais quanto das comunidades envolvidas para a gestão de áreas de conservação segue sendo imperativa no fracasso das experiências do sul do Amapá.

Vale lembrar que o caso do PAE Maracá, de longe o que apresenta as maiores precariedades ambientais, sociais e econômicas, é emblemático ao atestar o despreparo do INCRA em gerir assentamentos coletivos. A RESEX Cajari logrou maiores êxitos devido à experiência dos primeiros técnicos envolvidos em sua gestão. Já no caso da RDS do Iratapuru, sua organização, abundância dos recursos florestais e a sua reduzida densidade populacional proporcionou os melhores ganhos sociais e econômicos sem danos ambientais digno de nota. Alias, a partir da criação das três unidades constata-se uma forte redução das taxas de desmatamento em toda a área, por se dedicarem principalmente ao extrativismo da castanha, freando a tão temida expansão da pecuária na região.

Políticas públicas do Governo do Amapá

Segundo o governador, Camilo Capiberibe, o debate é fundamental para desenvolver a cadeia produtiva e promover a qualidade de vida dos povos da floresta. Dialogar abertamente extrativismo e apresentar políticas para o setor é o que todos esperam do congresso sobre Extrativismo que está sendo realizado em Macapá. Ele também pontuou que tem trabalhado pela população do campo, exemplos disso são os programas que o governo do Estado lançou como: O Pró-Extrativismo, que tem a missão de apoiar a cadeia produtiva da castanha, açaí e cipó-titica; o Programa Territorial da Agricultura Familiar e Floresta (Protaf), que recupera áreas degradadas e avança com a produção agrícola familiar e o Pró-agroindústria, que visa industrializar toda essa produção.

Sabemos que o relativo sucesso no plano ecológico, por si só não é garantia de sustentabilidade para as unidades de conservação. As frequentes e fortes oscilações nos preços pagos aos extrativistas pela castanha colocam em xeque a base econômica de sustentação das famílias extrativistas. Outrora alardeadas como a grande solução, as cooperativas locais têm se revelado incapazes de gerir tanto a coleta como o processamento da castanha de formas a sobrepujar as tradicionais formas de acumulação de capital comercial local e acessar mercados mais rentáveis no exterior.
 
Ante a crise das formas tradicionais de acumulação comercial e a - até o presente -inviabilidade técnica e gerencial das cooperativas, surge um vácuo na intermediação comercial e agroindustrial entre a produção local e os grandes mercados, de cujo preenchimento dependem as esperanças de um modelo de desenvolvimento sustentável para o Amapá.

Agência Amapá; Jefferson Pereira - CNPT-AP.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Dicas do dia: ajude nosso planeta e ainda economize dinheiro

ELÉTRICOS

  • Limpe ou troque os filtros de seu aquecedor e ar-condicionado;
  • Prefira eletrodomésticos novos e de baixo consumo de energia;
  • Desligue os aparelhos eletrônicos da tomada quando não estiverem sendo usados.

ROUPAS

  • Sempre que possível, dê preferência ao varal em vez de usar a secadora;
  • Use a máquina de lavar roupa com muitas peças, na capacidade máxima. E não exagere no sabão;
  • Não passe a roupa aos poucos, nem esqueça o ferro ligado;
  • Evite utilizar o ferro elétrico quando vários aparelhos estiverem ligados.

SEU QUINTAL OU RUA

  • Os jardins e os gramados devem ser regados com moderação, pela manhã ou à noite;
  • Ajude a recuperar as áreas verdes, plante uma árvore.

ALIMENTAÇÃO

  • Compre alimentos frescos em vez de congelados;
  • Coma menos carne vermelha;
  • O metano é o segundo gás que mais contribui com o efeito estufa, e um dos principais emissores desse gás é o gado. Sua dieta baseada em grama e seus estômagos múltiplos são responsáveis pela produção do metano que exalam a cada respiração.

ÁGUA

  • Use menos água quente;
  • Dê preferência a banhos frios e tente limitar seus banhos a aproximadamente cinco minutos;
  • Durante o banho, procure fechar o chuveiro enquanto se ensaboa;
  • Mantenha a torneira fechada enquanto escova os dentes ou faz a barba;
  • Evite vazamento em torneiras, descargas, chuveiros, boias de caixa-d'água e tubulações;
  • Em áreas sujeitas a secas, armazene água da chuva;
  • Aproveite o clima chuvoso para economizar, evite lavar o carro com mangueira.

MÓVEIS

  • Evite comprar móveis de madeira ou que não tenham a certificação do FSC (“selo verde” garante que a madeira foi extraída de forma legal e sem destruição das florestas primárias).

AO SE LOCOMOVER

  • Deixe o carro na garagem. Caminhe, pedale, reveze carona e, sempre que possível, utilize o transporte público;
  • Desligue o motor nas pequenas paradas a partir dos 20 segundos;
  • Mantenha o motor de seu carro regulado;
  • Não exagere na utilização do ar-condicionado e dos sistemas de som de potência elevada;
  • Cheque a pressão de seus pneus toda semana.

EMBALAGENS

  • Evite levar para casa embalagens plásticas e de papel que não serão novamente utilizadas;
  • Escreva nos dois lados do papel e use, sempre que puder, produtos feitos com papel reciclado;
  • Escolha produtos que tenham a opção de refil;
  • Use bolsa própria (lona ou pano) quando for às compras ou reutilize os sacos plásticos.
GÁS BEM APROVEITADO

  • Instale o fogão num local protegido de correntes de ar;
  • Enquanto não estiver usando o fogão, deixe o registro do gás fechado;
  • Escolha panelas de fundo largo;
  • Tampe bem as panelas. O alimento fica pronto mais depressa e você gasta menos gás;
  • Use sempre as bocas maiores do fogão;
  • Não se esqueça de regular o fogão sempre que as chamas se tornarem amareladas e emitirem ruídos;
  • Se você usa chuveiro com aquecedor a gás, lembre-se também de não deixar o piloto do aquecedor instantâneo aceso o tempo todo.

Essas são somente algumas dicas que qualquer um de nós podemos fazer. Sabemos que nos próximos 100 anos as coisas piorarão muito se nada for feito e nós brasileiros sofreremos as consequências com o mundo. Ninguém está imune ao aquecimento global, e o aumento de temperatura poderá afetar e desequilibrar o ecossistema e perderemos muitas espécies.

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