sexta-feira, 15 de junho de 2012

6 casas subterrâneas verdes

Construir uma residência enterrada no solo ou escavada em pedras é uma maneira de diminuir drasticamente as necessidades de energia e viver em sintonia com a natureza. Confira a seguir alguns projetos ecológicos até debaixo da terra.

No melhor estilo "Hobbit"

Escavada nas montanhas do vilarejo suíço da região de Vals, famosa por seus banhos termais, esta casa no melhor estilo "hobbit" pode passar facilmente despercebida se comparada com as demais que se erguem metros acima do solo, contrastando com paisagem. E é justamente esse o intuito do projeto, se misturar com a vasta natureza ao redor, como se fosse parte integrante dela. Fruto da parceria entre o arquiteto Christian Müller e o estúdio Search, a casa tem um design sofisticado e inteligente, que elimina completamente a necessidade de aquecimento e resfriamento no verão e no inverno. A terra e as plantas que contornam a estrutura formam um cobertor verde que fornece excelente isolamento e proteção contra as intempéries naturais.

Vivendo como os Teletubbies

Malator, o nome oficial dessa casa de veraneio contemporânea, que se tornou uma das obras arquitetônicas mais originais do País de Gales, perde em popularidade quando comparado ao apelido carinhoso dado (de forma muito apropriada) pela comunidade local: Teletubby. Não poderia ser diferente. O telhado de turfa, chaminé de aço e porta com olho mágico, inevitavelmente remetem ao programa infantil dos humanoides coloridos que moravam em casas subterrâneas. O projeto escavado na colina, cujo visual se funde com a paisagem ao redor, foi desenhado por Bob Marshall-Andrews e construído em 1998 para um ex-deputado do Parlamento Europeu e sua esposa.

Condomínio "Casa Terra"

O Earth House Estate Lättenstrasse é um condomínio residencial composto por nove casas construídas sob uma pequena colina, em Dietikon, na Suíça. Elas são cobertas por terra e grama, que fazem as vezes de um cobertor de isolamento eficiente para proteger da chuva, baixas temperaturas, vento e corrosão. As residências se agrupam em torno de um lago artificial, que funciona como piscina e possuem janelas de vidro reciclado grandes o suficiente para receber quantidade generosa de luz, garantindo uma iluminação natural e, principalmente, econômica. Quem assina o projeto é a firma Vetsch Architektur.

Uma "ruína moderna" nas ilhas gregas

Outro exemplo de criatividade e arquitetura verde vem das Ilhas Cíclades, na Grécia. Projetada para suportar o clima marcada por fortes ventos do Mar Egeu, esta casa do escritório Decca foi esculpida na terra entre duas encostas e possui dois andares - sendo um visível acima do solo. O projeto tem um plano em forma de caixa simples que combina com o deserto ao redor, e ainda incorpora elementos de design tradicionais da região.

De volta ao tempo das pedras

Se você nunca pensou em morar dentro de uma caverna, alguém já. Prova disso é a casa de três andares construída dentro de uma gruta de arenito, uma formação bem estável, na cidade de Festus, Missouri, Estados Unidos. Apesar de remeter aos tempos das pedras, a casa de 4 mil metros quadrados é extremamente eficiente em energia. A maior parte das paredes no interior é natural e contribui para uma atmosfera sempre fresca. Durante o inverno, o aquecimento geotérmico garante uma temperatura agradável.

Casa de pétalas

Das setes casas listadas aqui, esta em formato de pétalas de rosa é a única que ainda não saiu do papel. Ela é parte do planos do ex-capitão do time de futebol Manchester United, Gary Neville. O projeto desenhada para ser uma casa ecológica e subterrânea em Bolton, no Reino Unido, aguarda a liberação do Comitê de Planejamento da cidade. A construção terá 8000 metros quadrados e será eco-eficiente em energia. As grandes flores em forma de pétalas abertas são projetadas para deixar entrar a luz natural nos cômodos.

EXAME

terça-feira, 12 de junho de 2012

Saber Sustentável: Couro ecológico feito de látex


O projeto, de iniciativa da própria comunidade, está localizado da região de Manguari – Belterra – Pará. Sendo composta por 23 famílias que participam de todo processo de fabricação do material.

A produção inicia-se com a retirada do látex das seringueiras, em seguida coa-se o leite para retirada das impurezas, após isso, ferve-se para dar liga ao material. Terminada essa etapa, passa-se o leite sobre um tecido de algodão cru e espera-se a secagem do produto. O tingimento fica a critério, podendo usar qualquer cor. No final, o resultado é um belo trabalho na confecção de bolsas, roupas, cintos, calçados e diversos acessórios.

O projeto é desenvolvido desde 1997 e já tem clientes em vários Estados do país e na Europa também. Em 2003, com o apoio do IBAMA, os comunitários construíram galpões para facilitar a confecção do material. A produção é a principal fonte de renda dos moradores.

Essa iniciativa, além de gerar renda para os moradores locais, ajuda e valoriza as riquezas naturais, pois evita o desmatamento de novas áreas para plantio de outras culturas e mantem o ambiente com um mínimo de interferências antrópicas.

Tanto o governo quanto a iniciativa privada tem de incentivar projetos como esse, que retiram da floresta somente o necessário.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

EcoMoto: o duas rodas sem tanque


Ar comprimido substitui uso de combustível e zera emissões.

O australiano Dean Benstead criou um projeto que pode revolucionar as motocicletas. A “02 Pursuit” é movida por ar comprimido e foi destaque no Melbourne Design Award, o principal prêmio da área na Austrália. É mais uma solução de transporte alternativo de baixa agressão ao meio ambiente.

A moto não possui tanque de combustível, o que a deixa mais leve, e pode atingir até 100 km/h. O motor especial que utiliza ar comprimido se chama “DiPietro”. Futuramente pode servir como alternativa aos combustíveis fósseis.

E o melhor de tudo é que além de a moto não poluir e ser silenciosa, ainda será totalmente fabricada com materiais reciclados.

Yahoo 

sábado, 9 de junho de 2012

China lidera produção mundial de tecnologia limpa


Documento da WWF aponta que gigante asiático ultrapassou União Europeia e agora é o maior mercado de tecnologia verde do mundo, tendo alcançado vendas no patamar de €57 bilhões no ano passado.

Um novo relatório publicado pela ONG WWF revelou que a China é a nova líder mundial no setor industrial de tecnologia e energia limpa em termos absolutos, passando a União Europeia nesta marca.

O documento, intitulado ‘Economia Limpa, Planeta Vivo’, classificou 40 países a partir do valor de vendas dos produtos de tecnologia de energia limpa que eles produziram. O relatório indicou que a indústria de tecnologias verdes cresceu 10% em 2011, chegando a quase €200 bilhões. Neste ritmo, a organização prevê que até 2015 esse mercado atinja entre €240 bilhões e €290 bilhões, ultrapassando o setor de equipamentos de petróleo e gás.

A nova líder do mercado teve um crescimento no último ano de €13 bilhões, chegando a €57 bilhões. A China alcançou o segundo lugar como centro de produção com mais rápido crescimento, com 29%, tendo ficado atrás apenas de Taiwan, que cresceu 36% em 2011. Em terceiro lugar figurou a Índia, com um crescimento de 19%, em quarto a Coreia do Sul, também com 19%, e em quinto os Estados Unidos, com 17%.

A vontade política é o que separa os vencedores dos perdedores em uma economia limpa do futuro, e é isso que os rankings mostram. O governos deles investiu, e agora os vencedores estão ganhando as vendas, os empregos e a tecnologia.

Todos os países que estão ganhando os mercados globais perceberam que a tecnologia limpa é uma parte importante de suas políticas energética, econômica e industrial. Esses países estão apoiando a indústria da tecnologia energética limpa, e têm políticas estáveis de longo prazo que geram investimentos verdes. Eles incentivam as áreas certas, e agora estão colhendo os frutos.

Já a UE, que até recentemente liderava o setor, teve queda nas vendas da indústria de tecnologia limpa na maioria de seus países, como resultado da recessão econômica que atingiu o bloco, o que aumentou o risco de investimentos e reduziu-os. As vendas do setor verde caíram 5% na Europa.

Individualmente, as quedas foram de, por exemplo, 9% na Espanha, 14% nos Países Baixos e 30% na França. Apenas a Alemanha e a Dinamarca tiveram bons resultados, alcançando respectivamente o terceiro e o primeiro lugares em se tratando de vendas por porcentagem de produto interno bruto (PIB).

Se a Europa quer voltar à disputa, precisa de novas e ambiciosas metas para estimular a produção de sua tecnologia limpa para novos níveis de desempenho, e para se manter competitiva na economia do século XXI.

Mesmo o valor das vendas tendo crescido 10%, o volume aumentou ainda mais, o que indica que a energia verde está ficando rapidamente mais barata. Nesse sentido, a Europa mais uma vez teve uma má notícia: apesar dos fabricantes europeus terem vendido mais, eles ganharam menos. A queda de preço é uma boa notícia para os consumidores, mas para continuar gerando receita os fabricantes da UE têm que acompanhar a competição. A política pode ajudar, criando condições estáveis para investimento e inovação.

Brasil
O Brasil apresentou relativamente bons resultados na classificação, mantendo seu crescimento de 3% no setor de tecnologias limpas, com as vendas atingindo €7,5 bilhões em 2011. Com isso, o país ficou em quarto lugar no ranking absoluto.

De acordo com o documento, a maior parte das vendas de tecnologia verde no Brasil ficou por conta do bioetanol e do biodiesel, embora o volume de produção do bioetanol tenha diminuído 26% devido a uma má colheita no último ano, fator que foi compensado com um aumento nos preços, tendo as vendas totais caído apenas 5%. Já a produção de biodiesel no país teve um aumento de 52%.

O documento também salienta a produção de turbinas eólicas no Brasil, embora reconheça que ela ainda é volátil, tendo mostrado uma redução de 21% em 2011 devido a questões financeiras dos fabricantes. O relatório mostra que a produção de tecnologia limpa é uma grande oportunidade de negócio e um elemento essencial para trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável.

Carbono Brasil 

Projeto quer levar floresta tecnológica ao deserto do Saara


Pesquisadores usam inovação para criar um oásis high-tech para o maior deserto do mundo. A intenção é utilizar a energia solar concentrada, água do mar e o cultivo de culturas tradicionais para conseguir água fresca.

Dessa vez, não será miragem: um oásis artificial de 200 mil metros quadrados recebeu autorização do governo da Jordânia para ser criado na cidade de Aqaba, próximo ao Mar Vermelho. Ainda que chame atenção pela dimensão, a obra é apenas um piloto. O próximo alvo é nada menos que o gigantesco deserto do Saara. 

Por trás do projeto está um grupo de pesquisadores ingleses e noruegueses, que acreditam já dispor de toda a tecnologia necessária para transformar os desertos em florestas. Sob o nome Projeto Floresta no Saara (Sahara Forest Project, em inglês), a ideia da iniciativa pode ser simples -  levar vegetação a regiões secas - mas ela surpreende pelas soluções high-tech.
A intenção é utilizar a energia solar concentrada, água do mar e o cultivo de culturas tradicionais para conseguir água fresca, comida, biomassa e energia de forma sustentável. O oásis artificial será formado por uma usina termossolar - que usa o calor do Sol para gerar energia, e não o efeito fotovoltaico das células solares - e de uma estufa "alimentada" por água salgada.

Esta estufa de água salgada, cujo funcionamento já foi atestado em projetos-piloto em pequena escala, será usada para cultivar vegetais para alimentação e algas para produzir combustíveis. Por fim, a energia solar e o clima quente do deserto, é usada para converter água salgada em água doce, que é então usada para cultivar hortaliças e algas que absorvem o gás carbônico. O projeto começa a ser construído em novembro.

EXAME

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A Rio+20 ainda é desconhecida por muitos brasileiros


O levantamento também indicou que o meio ambiente é apenas o sexto principal problema do Brasil, apontado por 13% dos entrevistados. Além da percepção sobre a Rio+20, a pesquisa também questionou os hábitos dos brasileiros em relação às questões ambientais.

Um estudo divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente revelou que 78% da população brasileira desconhece a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. A pesquisa "O que o brasileiro pensa do meio ambiente e do consumo sustentável" ouviu mais de 2 mil pessoas de todo o País. O levantamento também indicou que o meio ambiente é apenas o sexto principal problema do Brasil, apontado por 13% dos entrevistados. A situação da saúde (81%) é a maior preocupação, seguida da violência (65%) e do desemprego (34%).

Mesmo com os baixos índices houve crescimento em relação às últimas pesquisas. Na Eco 92, quando foi realizada a primeira pesquisa, apenas 6% dos brasileiros conheciam o evento. Hoje, são 22%. Em 1992, o meio ambiente sequer aparecia na lista de prioridades. Considerando que estamos falando de todo o Brasil, este índice não é baixo. Ele representa 40 milhões de pessoas.

De acordo com o novo levantamento do Ministério, os brasileiros também desconhecem os principais conceitos discutidos no evento. A noção de consumo sustentável é ignorada por 66% do público, e o desenvolvimento sustentável por 55% da população. Os pesquisadores percorreram casas em áreas urbanas e rurais de todas as regiões e entrevistaram pessoas maiores de 16 anos. É muito preocupante que a população não esteja alertada. Se ela não assume sua responsabilidade cidadã, nós efetivamente não vamos conseguir alterar o padrão em que a gente vive. É como se isso não afetasse as pessoas no cotidiano.

Além da percepção sobre a Rio+20, a pesquisa também questionou os hábitos dos brasileiros em relação às questões ambientais, ao consumo, a separação e reciclagem do lixo. O estudo indicou que 51% da população disse que aceitaria pagar pela preservação da floresta Amazônica e que as belezas naturais são apontadas como o principal motivo de orgulho do brasileiro, com 28%.

Por outro lado, mais da metade (52%) dos entrevistados não separam o lixo em suas casas e 58% não têm costume de levar sacolas retornáveis ao supermercado. Dentre os problemas identificados pelo público, o desmatamento é considerado o mais grave (67%). A poluição dos rios e lagoas (47%) e do ar (36%), o volume do lixo (28%) e o desperdício de água (10%) também foram citados.

A responsabilidade sobre os problemas, segundo os entrevistados, é dos governos estadual, municipal e federal, respectivamente. A responsabilidade individual ocupa apenas a quarta colocação, indicada por 46% do público. Em 20 anos, o brasileiro deixou de desconhecer o ambiente. Agora é hora de olhar pra os deveres e não só para os direitos.

EXAME

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Entrevista com VANDANA SHIVA


"Financeirização da economia está na raiz da crise"

Em entrevista ao Floresta do Meio do Mundo, a ativista indiana Vandana Shiva fala sobre suas expectativas em relação a Rio+20. Ela não acredita que a conferência da ONU consiga firmar compromissos de mudanças mais significativas em função da influência das grandes corporações. Neste cenário, defende, o papel da Cúpula dos Povos adquire maior importância. Para Vandana Shiva, a crise atual não poderá ser resolvida com mais financeirização e mais mercantilização.

Vandana Shiva, que participará da Rio+20 e da Cúpula dos Povos, é a autora do livro ‘The Violence of Green Revolution’ de 1991 (A Violência da Revolução Verde), uma leitura obrigatória para o debate sobre a produção agrícola alterada pela ‘Revolução Verde’; ‘revolução’ que trouxe para o plano agrícola a lógica que impôs o uso de pesticidas e sementes transgênicas, dentre muitas outras modificações, que Vandana explora profundamente em seu livro, infelizmente ainda sem tradução para o português.

Ela é defensora dos direitos humanos e do meio ambiente, os quais infelizmente muitas vezes são defendidos como causas separadas, mas que possuem intrínseca conexão pois os dois são explorados, cada um a sua forma, pela lógica econômica capitalista.

Vandana trabalha por uma economia verde sem dogmas e não foge ao debate sobre questões necessárias para barrar o avanço da situação que se encontram tanto trabalhadores, como natureza. A ativista também levanta a bandeira da situação das mulheres indianas, da segurança alimentar e da preservação dos povos e culturas locais. É fundadora da ONG indiana Navdanya, que, entre outras agendas, estimula a agricultura orgânica local.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Infelizmente seu livro "The Violence of Green Revolution" não foi traduzido para o português até hoje. Você poderia trazer ao nosso leitor uma exposição dá época em que ele foi escrito juntamente de uma análise dos desdobramentos que se deram dos anos 80 pra cá em relação as perdas da agricultura, não só na Índia como nos outros países.

VANDANA SHIVA: Comecei a fazer a pesquisa sobre a violência da Revolução Verde em 1984, ano da violência no Punjab, onde a Revolução Verde foi implementada pela primeira vez em 1965. A Revolução Verde teve um Prêmio Nobel da Paz, mas em 1984, Punjab era uma terra de guerra. 30.000 pessoas foram mortas pela violência em Punjab, que é um número 6 vezes maior do que os mortos na tragédia do 11/9. O ano de 1984 foi também o ano do desastre de Bhopal, onde uma fábrica de pesticidas, da ‘Union Carbide’ (hoje Dow), vazou e matou 3.000 pessoas. Desde então, 30.000 pessoas morreram. Hoje a Índia é a capital da fome e dos suicídios de agricultores. Desde 1997, 250.000 agricultores foram presos por dívidas e tiraram suas vidas.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: A senhora traçaria um paralelo entre o modo de produção voltado ao abastecimento e especulação do mercado, as reservas naturais e as condições que se encontram a mão de obra trabalhadora no seu país? Outras regiões do mundo trariam condições semelhantes?

VANDANA SHIVA: O modelo econômico dominante desperdiça recursos e pessoas. Apesar destes resíduos serem chamados de "eficiente" e "produtivo". Ele substituiu a produção com a especulação do capital financeiro, e do consumismo para as pessoas. Este modelo é: destruir a natureza e a sociedade em si.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Reformas ou Revolução? O que e o porque a senhora acredita ser necessário para impedir o avanço da situação de degradação das condições tanto humanas quanto naturais contemporâneas?

VANDANA SHIVA: Duas coisas são necessárias para acabar com essa deterioração. Em primeiro lugar, uma mudança de paradigma e visão de mundo. Em segundo lugar, as pessoas levantarem-se coletivamente e dizer "Basta". Chega.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: A senhora terá a oportunidade de participar da Rio+20 e da Cúpula dos Povos. Quais seriam na sua opinião, as limitações e as contribuições que cada uma delas poderão nos trazer?

VANDANA SHIVA: A Rio+20 será limitada em firmar compromissos em função da influência das grandes corporações. Essas contribuições podem ser significativas, se reconhecerem a necessidade de restabelecer a harmonia com a natureza - objeto de uma sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas no ano passado - e se reconhecerem que a agricultura ecológica é o caminho para a proteção do planeta e da Segurança Alimentar. A Cúpula dos Povos, os Direitos da Mãe Terra, e o compromisso para uma transformação serão vitais.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Não haveria uma lógica comum entre os mecanismos financeiros criados em torno da questão ambiental e ativos financeiros comuns? Esta mesma lógica é capaz de lidar com problemas ambientais, criados muitas vezes por ela própria? O que a senhora poderia falar sobre este assunto?

VANDANA SHIVA: Há um provérbio africano que diz: "Você não pode colocar um bezerro dentro de uma vaca bezuntando-o com lama". A financeirização da economia e a consequente redução da economia a um casino, e os recursos do planeta e processos em mercadorias privatizadas, são a a raiz das crises ecológicas e econômicas. Estas crises não podem ser resolvidas por mais financeirização e mercantilização.

Ana Paula Salviatti - http://www.cartamaior.com.br
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