terça-feira, 5 de junho de 2012

Desmatamento na Amazônia Legal diminui


O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) concluiu o mapeamento e o cálculo da taxa de desmatamento na Amazônia Legal para o período agosto/2010 a julho/2011, atividades realizadas no âmbito do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes). O resultado final, obtido pela análise de 213 imagens do satélite Landsat 5/TM e DMC, computou o valor de 6.418 km2.

Esse valor representa a menor taxa de desmatamento registrada na Amazônia Legal desde que o Inpe começou a medi-la, em 1988. O Prodes computa como desmatamento as áreas maiores que 6,25 hectares onde ocorreu remoção completa da cobertura florestal – o corte raso.

A taxa de desmatamento consolidada pelo Prodes 2011 indica uma redução de 8% em relação à taxa do período anterior – Prodes 2010, em que foram medidos 7.000 km2 de desmatamento.

O valor da taxa consolidada é 3% acima do valor estimado em dezembro de 2011, que foi de 6.238 km2, este gerado com base em 97 imagens Landsat que cobrem área onde foram registrados mais de 90% do desmatamento no período anterior (agosto/2009 a julho/2010) e também os 43 municípios referidos no Decreto Federal 6.321 de  2007 e atualizado em 2009. A tabela ao lado apresenta a distribuição da taxa de desmatamento nos estados que compõem a Amazônia Legal.

Este resultado confirma a tendência de redução na taxa de desmatamento na Amazônia Legal que vem sendo observada a partir de 2005, quando foram iniciadas as atividades do PPCDAm, conforme mostram os gráficos abaixo:



Confira os dados do desmatamento desde 1988, obtidos através do sistema Prodes.

INPE

Mamífero descoberto há 20 anos continua sendo mistério


O saola, um mamífero parecido com o antílope que habita as selvas fronteiriças entre o Laos e o Vietnã, é um animal muito reservado. Cientistas conseguiram capturar com vida um exemplar que morreu em cativeiro alguns dias depois e antes que os especialistas pudessem examiná-lo.

O saola, um mamífero parecido com o antílope que habita as selvas fronteiriças entre o Laos e o Vietnã, ainda é um mistério para a comunidade científica duas décadas após seu descobrimento. É um animal extremamente reservado. Os cientistas ainda não puderam estudá-lo em estado selvagem apesar de habitarem em uma área reduzida e os capturados não conseguiram sobreviver.

As primeiras provas de sua existência datam de 1992, quando um grupo de exploradores do WWF e do Ministério de Florestas vietnamita encontrou a ossada de um exemplar que não reconheceram na choça de um caçador local na reserva nacional de Vu Quang, no Vietnã, perto da fronteira com o Laos.

O crânio, estranhamente longo para as espécies conhecidas e com dois chifres longos e retos, representava a descoberta de um novo mamífero em mais de 50 anos, quando em 1937 os cientistas encontraram uma espécie de bovino selvagem nas selvas do norte do Camboja que batizaram como kouprey.

Desde então pouco se avançou no conhecimento dos costumes e comportamentos deste escorregadio vertebrado de 90 centímetros de altura e 100 quilos, cujas primeiras imagens foram feitas em 1999 por uma câmara automática na região laosiana de Bolikhamxay. Há dois anos nessa mesma região, localizada na parte central do Laos, conseguiram capturar com vida um exemplar que morreu em cativeiro alguns dias depois e antes que os especialistas pudessem examiná-lo.

Os cientistas não puderam calcular o número de saolas (que vivem em liberdade) devido às dificuldades para detectá-los. Se as coisas vão bem, pode haver cerca de 200, mas se vão mal sua população seria inferior a dez espécimes. Os esforços para salvar o saola, classificado pelos conservacionistas como espécie "em risco crítico de extinção" redobraram desde que se confirmou no ano passado a extinção do rinoceronte-de-java no Vietnã pelas mãos de caçadores.

As autoridades do Vietnã e do Laos estabeleceram, desde a descoberta do saola, uma rede de áreas protegidas e criaram algumas reservas naturais para proteger o habitat natural deste raro exemplar. No entanto, a principal ameaça para sua sobrevivência e reprodução é a caça ilegal, embora seja assim de forma indireta porque o animal não faz parte do lucrativo negócio da venda ilegal ou da demanda da medicina tradicional chinesa.

Apesar de sua raridade, o saola é um dos poucos vertebrados da Annamita (cordilheira montanhosa que se estende por Laos, Vietnã e Camboja) sem um alto preço no mercado negro, e só é capturado pelos caçadores de maneira acidental.

Nas últimas décadas, a exploração das recônditas selvas do Vietnã e do Laos permitiu descobrir um bom número de animais e plantas até então desconhecidos. Apenas em 2010, especialistas de WWF percorreram os diferentes ecossistemas que enriquecem o delta do Mekong e descobriram 208 novas espécies, entre elas cinco plantas carnívoras e um macaco sem nariz.

O saola completou o 20º aniversário de seu descobrimento, mas não haverá mais comemorações a menos que se tomem medidas urgentes para sua proteção. 

Exame.abril

segunda-feira, 4 de junho de 2012

10 presentes "verdes" para o Dia dos Namorados


Que tal presentear a pessoa amada com um mimo inusitado e poduzido de forma ecológica? Confira as dicas a seguir e surpreenda.

Relógios WeWood

Os relógios da WeWood são 100% naturais, feitos com madeira e não possuem substâncias tóxicas, por isso, são hipoalergênicos. Para garantir a proteção do meio ambiente, a marca criou o slogan "Um relógio – Uma árvore – Um mundo melhor". Em parceria com a mais antiga ONG de reflorestamento dos EUA, a American Forests Global Releaf, uma árvore é plantada a cada relógio vendido.
Preço: de R$ 389,00 a R$449,00
Onde encontrar: greenvana.com



Ecotrip a dois

Uma experiência nova e diferente pode valer mais do que um presente, digamos assim, “material”. Imagine então curtir a natureza hospedado em um hotel verde longe da correria cotidiana? Uma boa dica é o Verdegreen, eleito o hotel sustentável de 2012 pelo Guia Quatro Rodas. Construído segundo rigorosos padrões da construção ecológica, a hospedagem em João Pessoa, na Paraíba, conta com uma cozinha totalmente orgânica que oferece produtos locais cultivados sem um pingo de agrotóxico (alguns são colhidos na própria horta do hotel). A decoração suave fica por conta de obras de artistas adeptos do ecodesign. Vai dizer que não é um ótima experiência para curtir a dois?

Almofada “Make It Work”

A almofada da marca Pino é feita com tecido de garrafa PET reciclada e tem impressão digital com tinta atóxica à base de água. Ótima pedida para quem curte conforto sem deixar de lado a preservação do planeta.
Onde encontrar: Greenvana
Preço sugerido: R$ 69,90





Livro “Comer Animais”

Quando ficou sabendo que se tornaria pai, o escritor Jonathan Safran Foer – premiado pelo seu romance de estreia “Tudo se ilumina”, que chegou a ser adaptado para o cinema – resolveu conhecer a fundo o processo de produção da carne que chega aos nossos pratos diariamente. Através do que descobre no caminho, o autor, que defende o vegetarianismo e o onivorismo, propõe um debate ético sobre o consumo alimentar dos animais e advoga um retorno aos métodos de criação menos traumatizantes para os bichos.
Preço sugerido: R$ 41,50

Vestindo um mundo melhor

As camisetas do Coletivo Verde são confeccionadas em Tecido Pet produzido com 50% poliéster de garrafas pet e 50% algodão. Cada camiseta utiliza em média duas garrafas pets. Dá pra acreditar? Também são usadas tintas sustentáveis com baixo impacto ambiental a base de água livres de metais pesado e PVC.
Preço sugerido: R$ 54,90




Lanterna solar e à dínamo

Quantas vezes, em apagões, quedas de luz você não se frustra por não encontrar pilhas para a lanterna? Acontece nas melhores famílias. Mas a lanterna ao lado pode resolver esse problema – ela funciona a energia solar ou girando uma manivela que produz energia à dínamo. Ela ainda é à prova d’água e tem três opções de iluminação (médio, forte e piscando). É perfeita para deixar no carro, levar em viagens ou acampamentos.
Preço sugerido: R$ 45,99
Onde encontrar: http://br.greenvana.com

Vinho orgânico

A Matetic Vineyards é pioneira na produção de vinhos orgânicos no Chile. O Pinot Noir é proveniente de vinhedos orgânicos antigos, um deles, a apenas 8 km do mar, o que lhe confere uma tipicidade única, com acidez e aromas ideais. Sem dúvida, uma bebida excelente para brinda esse dia especial.
Onde encontrar: http://www.grandcru.com.br
Preço sugerido: R$ 89,00 (tinto) e R$49,00 (branco)



Chocolate ecológico

Para acompanhar o vinho e adoçar ainda mais o Dia, que tal uma barrinha de chocolate? A dica é o Tablete Orgânico 52% Cacau, que você encontra nas lojas da Cacau Show.






Mala ecológica

Se seu namorado faz o tipo viageiro, ele vai adorar essa mala de mão em lona de caminhão reciclada e detalhes em sarja marrom, da Tuitá. O forro bege é 100% algodão.
Preço sugerido: R$ 169,00




Eco Bag descolada

Cultura é reciclar. É com essa proposta que nasceram as coleções de ecobags da Livraria Cultura, confeccionadas com tecido 100% reciclado e garrafas pet. Com ela você ajuda sua namorada a trocar as sacolas plásticas por uma bolsa reutilizável.
Preço: R$ 39,90
Onde encontrar: www.livrariacultura.com.br

exame.abril

quinta-feira, 31 de maio de 2012

7 construções futuristas à prova de inundações


Projetos arquitetônicos inusitados propõem soluções para proteger as metrópoles dos efeitos da elevação do nível do mar causado pelas mudanças climáticas. Confira alguns dos mais curiosos.

Emergency Land

O pequeno conjunto de nove ilhas localizado no oceano pacífico, entre a Austrália e o Havaí, sofre as consequências do aquecimento global. Com área de 26 km², Tuvalu corre o risco de submergir diante do aumento do nível do mar. Nos últimos anos, as inundações constantes já vêm atrapalhando a produção de cultivos locais e a obtenção de água potável. Se a situação continuar assim, a população de Tuvalu vai precisar de um novo endereço. É aí que a entra a "Emergency Land" ( Terra de Emergência, no português), uma cidade-conceito criada pelo sul-coreano Choi Jinman arquiteto e o estudante Ji Shim Yong. Trata-se de uma plataforma que se eleva sobre o mar, podendo abrigar até 11 mil habitantes. O projeto traria todas as funções (serviços, infraestrutura, comércio, etc) de Tuvalu, mas dessa vez protegendo a todos de uma nova catástrofe.

Lilypad

Eventos climáticos extremos têm deixado milhares de desabrigados em todo o mundo. Se as previsões de elevação dos níveis dos mares se concretizarem, será preciso encontrar um novo lar para os refugiados climáticos. A solução para nos manter a tona vem do visionário arquiteto belga Vincent Callebaut, que criou a cidade flutuante Lilypad. O complexo é formado por arcas, cada uma com capacidade de abrigar até 50 mil pessoas – quantidade semelhante ao número de habitantes da cidade portuária de Constitución, no Chile, que em 2010 foi invadida por uma onda de 8 metros, obrigando os moradores a se retirar para as montanhas.

Membrana protetora em NY

A elevação dos níveis dos mares é uma das maiores ameaças para cidades litorâneas. Foi pensando em salvar a ilha de Manhatthan que os designers Tingwei Xu Zhang e Xie, da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, projetaram uma rede de membranas que, ao saírem do chão como se fossem raízes de árvores, seriam capazes de absorver e desviar a água do mar para bem longe da cidade. Agindo como um substituto do solo, as membranas criariam pantanos e zonas húmidas ao redor da ilha, funcionando assim como uma barreira protetora contra enchentes.



Wetropolis

Bangkok, na Tailândia, também deve sofrer com a elevação do nível do mar até meados do século. Para resolver esse problema, a firma de arquitetura S+PBA bolou uma solução interessante: um conceito de comunidade para “um futuro pós-diluviano”, como dizem. Como outras ideias listadas aqui, o projeto abraça um estilo de vida anfíbia, em vez de lutar contra ao aumento do nível das águas. A ideia é reproduzir toda uma rede e infraestrutura urbana acima do mar chamada de “Wetropolis”, que contaria com escolas, espaços públicos, indústria e todo tipo de serviço público. Os arquitetos preveem até espaços verdes, como parques e florestas e manguezais, que além de favorecer a atividade de carcinicultura, tambem ajudariam a filtrar a água e renovar o ar da cidade.

Casa anfíbio britânica

A firma de arquitetura britânica Baca desenvolveu uma casa anfíbio capaz de resistir às enchentes. Primeiro projeto deste tipo a receber autorização do governo inglês, a casa de 225 metros quadrados de área está sendo construída a apenas 10m da margem do rio Tâmisa, em Male, no condado de Buckinghamshire. Ela será erguida em bases fixas, como um edifício convencional, mas em caso de inundações na região, a casa será capaz de levantar e flutuar, mantendo a salvo seus ocupantes. A resistência à agua deve-se ao que os arquitetos chamam de "golfinhos", postes verticais normalmente encontrados em marinas que mantêm a instalação flutuante no lugar durante uma cheia.

Ilhas artificiais para as Maldivas

As pequenas e numerosas ilhas das Maldivas são tão belas quanto frágeis. Pelo menos 80% do arquipélago localizado no oceano Índico está apenas um metro acima do nível do mar. Uma elevação brusca das águas poderia varrer do mapa esse paraíso de praias de areia branquinha, palmeiras e atóis de corais. No último século, o nível do mar já subiu 20 centímetros em algumas partes do país. Temendo o pior, o governo local estuda comprar um novo território para o seu povo. Mas para o arquiteto Koen Olthuis do Waterstudio a solução é criar mini-ilhas flutuantes. Elas teriam formato de estrela e contariam com amplos espaços verdes e praias artificiais.

Resort semi-submerso no Qatar

Talvez os resorts de luxo do futuro serão parecidos com o do projeto ao lado, o Anphibious 1000, uma verdadeira rede de ilhas e hotéis flutuantes idealizada para o Qatar. Projetado pelo italiano Giancarlo Zema, do escritório de arquitetura Design Group (GZDG), o Amphibious 1000 é um resort semi-submerso, que será localizado em uma área marinha protegida na costa do Qatar, incluindo edifícios residenciais, escritórios, um parque marinho, passarelas flutuantes e até galerias marinhas subaquáticas.

Exame 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Goiânia e Campinas são as cidades mais arborizadas do país


Sede da conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre desenvolvimento sustentável, a Rio+20, o Rio de Janeiro está na nona posição.

Goiânia e Campinas são as cidades brasileiras com mais de 1 milhão de habitantes que têm mais árvores no entorno das casas, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sede da conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre desenvolvimento sustentável, a Rio+20, o Rio de Janeiro está na nona posição entre as 15 cidades pesquisadas.

De acordo com o IBGE, os domicílios mais arborizados, com árvores em volta dos quarteirões, em calçadas ou canteiros, com exceção de Goiânia (89,5%), estão nas regiões Sul e Sudeste. Já nas regiões Norte e Nordeste, estão as casas em áreas menos arborizadas. As capitais Belém, com 22,4%, e Manaus, no meio da floresta amazônica, com 25,1%, têm os menores percentuais de arborização.

Com cerca de um terço dos domicílios em áreas arborizadas, Brasília ficou na 12ª posição no ranking. Apesar de a cidade ter sido concebida com parques e jardins entre as quadras do plano piloto, as condições de infraestrutura das chamadas cidades satélites puxam para baixo o índice de arborização de Brasília.

Exame

terça-feira, 29 de maio de 2012

Como o mundo protege suas florestas


Conheça 6 países que adotam uma legislação linha-dura para proteger suas áreas verdes

As calorosas discussões sobre o novo Código Florestal podem, muitas vezes, passar a ideia de que só o Brasil se preocupa com sua legislação florestal. Mas não é assim. Duas das mais respeitadas instituições científicas do mundo quando o assunto é floresta - o Imazon, centro de estudo da Amazônia brasileira e o Proforest, ligado à Universidade de Oxford, na Inglaterra – investigaram, a pedido do Greenpeace, como outras nações do mundo cuidam de suas áreas verdes. O estudo mostra que alguns países não se incomodam em adotar uma postura linha-dura para proteger as florestas.

França
A área florestal total da França passou de 14,5 milhões de hectares em 1990 para 16 milhões de hectares em 2010, o que corresponde a 29% do território do país. Para converter qualquer área de mais de 4 hectares é preciso pedir permissão ao governo, só concedida por razões ambientais.
Mesmo assim, a autorização para converter florestas é baseada em uma série de questões, que levam em conta a proteção de encostas, montanhas, fauna e flora e risco de erosão. A conversão da terra sem permissão é crime ambiental. Em relação aos incentivos para reflorestamento, a França recebe fundos da União Europeia para fornecer subsídios a proprietários de terras para o gerenciamento adequado das florestas e sua biodiversidade.

Alemanha
Na Alemanha, áreas florestais não podem ser convertidas para outros usos da terra, e onde ela ocorre é necessário obter permissão de autoridades governamentais competentes. É permitida a exploração para fins madeireiros, mas com recomposição e manejo sustentável.
Praticamente todas as florestas públicas alemãs são certificadas de acordo com padrões de Manejo Florestal Sustentável do Forest Stewardship Council (FSC) ou pelo Programme for the Endorsement of Forest Certification (PEFC, Programa para o Reconhecimento de Certificação Florestal).
A área florestal total do país aumentou de 10,7 milhões de hectares em 1990 para 11,1 milhões de hectares em 2010, o que corresponde a 32% da área do país. Assim como a França, a Alemanha recebe verba da União Europeia para fornecer subsídios aos proprietários de terra para o gerenciamento de florestas.

Japão
Desde a Segunda Guerra Mundial, o Japão vem apresentado um crescimento constante no seu estoque de florestas. As áreas plantadas aumentaram em quatro vezes entre 1966 e 2002 e hoje ocupa 69% do território nacional. Aproximadamente metade da área florestal é de propriedade privada, sendo que 98% pertencem a pessoas físicas.
O Código Florestal japonês não permite a conversão da floresta protegida – tanto as estatais como as privadas – exceto em circunstâncias excepcionais. No Japão, os proprietários de áreas florestais podem receber subvenções, empréstimos a juros baixos e um tratamento fiscal favorável em troca de observar as práticas de gerenciamento da terra, como o uso e ocupação do solo e o plantio de árvores.

Suécia
A Suécia e a Finlândia foram os primeiros países onde as leis de conservação da floresta entraram em vigor, em 1886 e 1903, respectivamente. Essas leis estipulavam que áreas desmatadas deveriam ser reflorestadas. Atualmente, a cobertura florestal corresponde a 69% do território do país.
A conversão da floresta para outros usos é apenas permitida em circunstâncias excepcionais. O Conselho Regional Florestal pode multar o proprietário caso ele negligencie sua responsabilidade com a recuperação da área que sofreu o corte e a manutenção da diversidade biológica nas florestas deve fazer parte dos planos de manejo florestal.

China
A China é um país pobre em florestas, dada a sua área e grande população, além de décadas de exploração dos recursos florestais para gerar energia a partir da madeira. No entanto, ciente da necessidade de reverter sua situação, o gigante asiático lançou um programa radical de reflorestamento e hoje é o país com maior índice de reflorestamento no mundo.
Para se ter uma ideia, entre 1990 e 2010, a área florestal chinesa aumentou de 157 milhões de hectares para 261 milhões de hectares, o corresponde a 22% da área total de seu território. Todas as florestas são propriedade do Estado, que é responsável também pela supervisão do setor.
Em geral, a lei florestal chinesa afirma que as florestas não devem ser supridas para mineração ou projetos de infraestrutura. Caso tais atividades sejam necessárias, quem deseja fazer a supressão florestal deve obter aprovação e precisa pagar uma taxa de restauração florestal.

Reino Unido
Depois da Eco-92, no Rio de Janeiro, e da segunda Conferência Ministerial para a Proteção das Florestas na Europa, ocorrida em 1993, o governo adotou uma política para promover o uso sustentável das florestas com o objetivo de implementar o manejo sustentável e assegurar uma expansão constante da cobertura florestal.
Com raras exceções, é ilegal derrubar árvores sem a aprovação prévia da Comissão Florestal e as pessoas que infringem a lei são processadas e multadas. A conversão da floresta para a agricultura não é permitida, exceto em circunstâncias excepcionais. Sua conversão para infraestrutura apenas é permitida quando tiver sido demonstrado que não há alternativa razoáveis.
Desde 1950 há um forte apoio do governo para incentivar proprietários de terras a plantar florestas. A grande maioria dos proprietários privados de florestas do Reino Unido recebe subsídios para alguns aspectos do manejo florestal. No início, esses subsídios focavam na recriação de estoques madeireiros e na produtividade comercial. Recentemente, o foco mudou para a conservação da biodiversidade, acesso e restauração da paisagem.

Exame 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

CARTA SOCIOAMBIENTAL DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAPÁ PARA A RIO +20


A Amazônia é considerada como um dos territórios mais ricos em sociobiodiversidade, entretanto, é uma das regiões com maiores índices de pobreza, desigualdade social, cobiça e ameaça crescente de destruição dos recursos naturais. Neste contexto, a Universidade do Estado do Amapá - UEAP, consciente do seu papel e comprometida com a causa ambiental, promoveu ampla discussão através do Fórum UEAP Rumo à Rio + 20 sobre o futuro sustentável das florestas, dos recursos naturais locais e das populações tradicionais, pautando-se nas políticas de desenvolvimento sustentável e sua repercussão na qualidade de vida da população local, considerando um dos principais pilares do desenvolvimento sustentável, a sustentabilidade social.

Estas políticas vêm sendo discutidas desde a conferência de Estocolmo em dois pontos principais: a prioridade na satisfação das necessidades das camadas mais pobres da população e as limitações do atual modelo tecnológico e de organização social imposto sobre o meio ambiente. Estes pontos foram firmados na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – Rio 92, através de seu documento oficial, a agenda 21. Todavia, duas décadas após o evento a população pobre da sociedade ainda não foi favorecida, e sim uma elite dominante na política mundial. O que tem restado aos menos favorecidos são apenas os problemas ambientais ocasionados pela exploração dos recursos naturais. Embora muitas políticas e legislações ambientais tenham sido criadas, a sua efetivação não tem sido colocada em prática para a preservação do meio ambiente, principalmente na Amazônia brasileira.

O Plano Amazônia Sustentável (PAS), lançado em 8 de maio de 2008, é um plano do Governo Federal brasileiro em parceria com os governadores dos estados da região amazônica, que tem como objetivo definir as diretrizes para o desenvolvimento sustentável na Amazônia brasileira. Este Plano constituiu um marco nas políticas públicas para que a Amazônia alcance o desenvolvimento regional com sustentabilidade, visando construir uma produção sustentável, com inovação e competitividade, além de propor a gestão ambiental e o ordenamento territorial, com inclusão social e cidadania. Essa é mais uma tentativa de efetivação de propostas de sustentabilidade, mas para que de fato seja realizada é necessário compatibilizar a expansão da infraestrutura com o uso dos recursos naturais e o bem-estar da população regional.

O Amapá é considerado um estado em processo de desenvolvimento econômico com base na utilização de recursos da biodiversidade, em especial os recursos hídricos e minerais. Entretanto, a crescente instalação de hidrelétricas e empresas de mineração na região até o momento não tem apresentado melhorias da qualidade de vida da população, acentuando as desigualdades sociais e os problemas ambientais oriundos desses investimentos.

A economia verde foi um dos assuntos discutidos durante o Fórum UEAP Rumo à Rio +20, onde se percebeu que apesar de vivermos em um mundo capitalista, há necessidade de priorizar as questões ambientais, com distribuição de renda, medidas de combate ao desmatamento e conservação dos ecossistemas para as gerações futuras. Entretanto, é perceptível a contraposição entre as questões sociais e ambientais e o sistema capitalista que está mais preocupado com o lucro. Portanto, antes de falar em economia verde é necessário deixar claro que a natureza tem limites e precisa ser preservada e mantida para o bem-estar da humanidade.

Com base nas problemáticas ambientais presentes no Estado do Amapá e as políticas de economia verde, a UEAP propõe que nesta Conferência das Nações Unidas, a Amazônia não seja vista apenas como uma reserva de extração de recursos naturais. Deve-se considerar também que o Amapá é um dos estados da federação com grande potencial de biodiversidade, isso se deve ao vasto território inserido na área da maior floresta tropical do mundo, a Amazônia.

Utilizar as riquezas ambientais do Amapá de forma consciente e ecológica não só é inteligente como oportuno, pois o futuro perpassa pela utilização racional de recursos naturais. Pensando nisso, a UEAP destaca como fatores potenciais: a diversidade de produtos florestais, ambientes naturais para manejo integrado de produtos economicamente viáveis para aproveitamento e comercialização e a efetivação de políticas públicas com o envolvimento das populações tradicionais e os setores tomadores de decisões.

Nesta perspectiva, o incentivo às cadeias produtivas de manejo e venda de produtos locais pode gerar novas ocupações e rendas alternativas, possibilitando melhorias na qualidade de vida da população local. Logo, parte representativa do recurso e financiamento do capital estadual deve ser revertida na criação de cooperativas que viabilizem a produção de produtos madeireiros e não-madeireiros derivados da floresta.

Assim, para que a economia verde seja realmente sustentável é necessária a criação de uma agenda intersetorial para o uso racional dos recursos naturais, incentivo à agricultura familiar, disponibilidade de linhas de crédito, maior financiamento da ciência e tecnologia e valorização dos arranjos produtivos locais. Além disso, é imprescindível a efetivação de políticas públicas que considerem os aspectos políticos, econômicos, sociais e ambientais, uma vez que as populações amazônicas, em sua maioria, não têm acesso à educação, saúde, transporte, serviços e infraestrutura que possibilitem condições mínimas de sobrevivência, pois vivem basicamente dos recursos naturais e muitas dessas comunidades acabam recebendo apenas os problemas ambientais gerados pelas empresas que aqui se instalam.

Além disso, o Estado conta com uma gama de belezas cênicas naturais incomparáveis que podem ser utilizadas para o ecoturismo, o que garantiria alternativas de renda ao caboclo amazônida. Atrelado a isso, temos o etnoconhecimento dos recursos naturais, como, por exemplo, o conhecimento sobre o manejo de cipós por populações tradicionais e locais e o uso de plantas medicinais utilizadas para sanar as deficiências do Estado no atendimento à saúde, consideradas de grande importância para os avanços da medicina, principalmente como produtos fitoterápicos.

Por outro lado, não se pode deixar de enfatizar as áreas de preservações permanentes existentes no Amapá, que possui mais de 72% de seu território em áreas de preservação, a exemplo do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, que se localiza às margens do maior rio do mundo em extensão e volume de água, e atrelado a isso uma diversidade de bacias hidrográficas em torno de todo o Estado.

Apesar de todas estas vantagens, o Amapá apresenta algumas problemáticas que envolvem o desenvolvimento e a garantia da geração de emprego e renda na região, dentre as quais se destaca a não efetivação de políticas educacionais nos currículos escolares das populações amazônicas.

Diante do exposto, percebe-se a necessidade que se estabeleça no Amapá a efetivação de políticas públicas de incentivo econômico sustentável, bem como a fiscalização eficaz da biopirataria. Providências como essas são fundamentais para o desenvolvimento local de forma equilibrada.

O novo código florestal, na forma como foi aprovado no Congresso Nacional, se implementado, afeta diretamente o estado do Amapá, uma vez que propõe a redução da área de Reserva Legal nas propriedades rurais da Amazônia – hoje fixada em 80% – para até 50%, quando o Estado tiver Zoneamento Ecológico-Econômico aprovado e mais de 65% do seu território ocupado por unidades de conservação de domínio público, devidamente regularizadas, e terras indígenas homologadas, representando, dessa forma, uma punição ao Amapá, que foi um dos pioneiros em implementar uma política de sustentabilidade do uso dos seus recursos naturais.

Em toda a Federação, apenas o Amapá se encontra nesta condição, o que significa que o novo código florestal fere a Constituição Federal Brasileira, que garante a isonomia entre os estados da federação, colocando em risco as florestas, rios e toda a nossa sociobiodiversidade, o que agravará ainda mais os problemas socioambientais amapaenses.

Considerando que vivemos em um dos maiores biomas do planeta, na maior bacia hidrográfica do mundo, com reservas naturais de água potável e com uma das mais espetaculares fauna e flora existentes no mundo, não podemos admitir o uso deste patrimônio como se fosse algo inesgotável.

Neste sentido, a UEAP tem um papel fundamental na formação de profissionais preocupados com o meio em que vivemos, e deverá contribuir para dialogar com o conhecimento local, mediando as relações ambientais, tendo a sustentabilidade como um dos pilares para o ensino, a pesquisa e a extensão, assumindo o compromisso de promover uma educação voltada para a cidadania e ética ambiental.

Portanto, o desafio que se impõe à UEAP no mundo da sustentabilidade e da necessidade de uma nova ética ambiental, é o de procurar ser elemento articulador da indissociabilidade entre a teoria-prática e universidade-sociedade, buscando construir a teoria da reciprocidade, integração do pensar, fazer e viver a partir do rompimento da dimensão dicotômica, dualista e fragmentada que tem sido implementada no cotidiano Universitário.

Assim, a grande tarefa da UEAP e da Sociedade Amapaense é a de procurar mudar o sistema de valores que está por traz da economia global, de modo que passe a respeitar a dignidade humana e atenda às exigências da sustentabilidade Amazônica.

Essa nova perspectiva que se forma, de Universidade Sustentável, não pode permitir que se abra mão da identidade histórica, como instituição produtora de conhecimentos, sendo fundamental na Conferência RIO+20 a formulação de novas abordagens teóricas focadas no respeito aos valores da dignidade humana, que atenda aos interesses e necessidades de castanheiros, seringueiros, ribeirinhos, pescadores, agricultores familiares, extrativistas, artesãos, ilhéus, construtores navais, parteiras tradicionais, indígenas e demais povos da Amazônia que estão excluídos, caso contrário, a Universidade corre o risco de tornar-se passiva diante dos constantes desafios de produzir conhecimentos voltados às nossas necessidades socioambientais.

A UEAP reafirma o compromisso de se comportar de maneira a não reproduzir as práticas insustentáveis vigentes na sociedade e procurar definir conceitos, procedimentos e atitudes que busquem construir uma comunidade e economia sustentáveis e contribuir para que a mudança de valores detenha e reverta os estragos que foram causados ao planeta e à espécie humana.
 
O papel da universidade é despertar nos acadêmicos a reflexão necessária para a compreensão da configuração da sociedade vigente, de forma que o conhecimento não possa ser fragmentado, mas multi, inter e transdisciplinar para a compreensão das relações sociais estabelecidas no contexto atual.
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