sexta-feira, 25 de maio de 2012

Nossas árvores: Paricá


Paricá é alternativa competitiva ao eucalipto e ao pinus na indústria - Toras possuem tamanho ideal para retirada de lâminas de compensado. Resíduos da fabricação e pontas vão para a produção de MDF.

A espécie Shizolobium amazonicum (paricá) por apresentar rápido crescimento, fuste reto e madeira com elevada cotação no mercado interno e externo, vem sendo bastante cultivada pelas empresas madeireiras da região norte e nordeste do país, principalmente nos Estados do Pará e Maranhão. Segundo o Centro de Pesquisa do Paricá (CPP) localizado no município de Dom Eliseu, no sul do Pará, que representa a grande maioria dos plantadores de paricá dos Estados do Pará e Maranhão, estima-se que, nestes Estados, existe em torno de 40.000 hectares da espécie plantados.

Ocorre na Amazônia brasileira, venezuelana, colombiana, peruana e boliviana. No Brasil, é encontrado nos Estados do Amazonas, Pará, Mato Grosso e Rondônia, em solos argilosos de florestas primárias e secundárias, tanto em terra firme quanto em várzea alta. Ocorre em altitudes de até 800m.

Morfologia
A árvore pode alcançar entre 15 a 40m de altura e 50 a 100 cm de DAP. Possui ramificação cimosa, com copa ampla e umbeliforme. O tronco cilíndrico e reto pode apresentar sapopemas. A casca, quando jovem, é esverdeada e delgada, tornando-se mais tarde acinzentada, espessa, dura, rugosa e com carreiras verticais de lenticelas; tem odor desagradável almiscarado.

A folha mede até 2m de comprimento e possui disposição alternada; é composta e bipinada; os folíolos são opostos e se fecham quando perturbados; a ráquis é lenhosa.

A planta é hermafrodita. As panículas terminais medem até 30cm de comprimento e contêm flores pequenas; o cálice possui coloração creme-esverdeada; as pétalas são glabras, de formato oblongo e coloração amarela. O fruto é um legume deiscente, obovado-oblongo, achatado, coriáceo ou sublenhoso, glabro, com coloração bege a marrom quando maduro, 10-16cm de comprimento, 4 a 6 cm de largura e contém uma semente envolta pelo meso-endocarpo alado.

A semente é elíptico-ovada, lateralmente achatada, ápice agudo, base arredondada, medindo 2cm de comprimento e 1,3cm de largura; o tegumento liso, duro e brilhante, possui coloração castanha com estrias finas; o hilo é punctiforme; a rafe é linear; o endosperma é abundante.

A plântula apresenta hipocótilo cilíndrico, verde-claro e semibrilhante; os cotilédones foliáceos são opostos, com ápice arredondado, base sagitada e duas estípulas; o epicótilo é cilíndrico, verde e brilhante; o primeiro par de folhas é oposto e paripinado, com 10-12 pares de folíolos opostos, verdes, membranáceos, oblongos, ápice apiculado e base arredondada, margem ciliada e puberulentos em ambas as faces; o pecíolo e a raque são canaliculados e recobertos por tricomas simples e hialinos.

Usos da espécie
A madeira é mole, leve, com textura grossa, grã direita a irregular, cerne creme-avermelhado e alburno creme claro. Apresenta processamento fácil e recebe bom acabamento, mas possui baixa durabilidade natural, sendo suscetível ao ataque de fungos, cupins e insetos xilófagos. É empregada na fabricação de palitos de fósforo, saltos de calçados, brinquedos, maquetes, embalagens leves, canoas, forros, miolo de painéis e portas, formas de concreto, laminados, compensados, celulose e papel.

A árvore é indicada para plantios comerciais, sistemas agroflorestais e reflorestamento de áreas degradadas, devido ao seu rápido crescimento e ao bom desempenho tanto em formações homogêneas quanto em consórcios. Por sua arquitetura e floração vistosa, pode ser empregada em arborização de praças e jardins amplos. A casca pode servir para curtume e as folhas são usadas como febrífugo por algumas etnias indígenas.

Pragas e Doenças
As principais pragas dos plantios são: broca-da-madeira (Acanthoderes jaspidea), coleobroca (Micrapate brasiliensis), serradores (Oncideres dejeani e O. saga) e moscada - madeira (Rhaphiorhynchus pictus). Durante o período chuvoso, pode ocorrer a incidência da crosta-negra-das-folhas (Phyllachora schizolobiicola subsp. schizolobiicola), embora as plantas normalmente tenham demonstrado resistência à doença. Os métodos de controle são específicos para cada caso.

No norte de Mato Grosso, e na região de Paragominas - PA, há muita incidência de broca no broto terminal. Em função do estresse, a planta é muito suscetível a doenças fúngicas. Na haste, foram detectadas Fusarium sp. e Botryodiplodia sp, e nas raízes, Rosellinia sp. e Botryodiplodia sp.

Na Amazônia Equatoriana, plantios de 300 hectares fracassaram devido ao intenso ataque de um inseto de gemas apicais. Nesse plantio, as plantas também foram atacadas por uma planta parasita do gênero Phoradendron.

Características Silviculturais
O paricá é uma espécie essencialmente heliófila, que não tolera baixas temperaturas. Apresenta crescimento monopodial, ainda que a céu aberto, com fuste reto e limpo, devido à boa derrama natural ou auto-poda.

Métodos de regeneração: os trabalhos relacionados com a silvicultura dessa espécie ainda são poucos. Contudo, essa espécie deve ser plantada a pleno sol nos espaçamentos de 4 m x 3 m ou 4 m x 4 m, que proporcionam maior crescimento. Contudo, é bastante afetada pela ação do vento, que pode provocar inclinação dos fustes. Para que haja equilíbrio na estrutura de povoamentos com essa espécie, recomenda-se cortinas de abrigo ou plantios consorciados com espécies que tenham semelhante ritmo de crescimento. O paricá brota, intensamente, da touça.

Sistemas agroflorestais: em Rondônia, essa espécie é utilizada para sombrear plantações de café ou de cacau. Em Paragominas, no sul do Pará, foi plantado em consórcio com o cultivo de milho repetido nos três primeiros anos; no terceiro ano, junto com o terceiro cultivo de milho, foram introduzidas três gramíneas forrageiras.

Semeadura: recomenda-se semear uma a duas sementes diretamente em sacos de polietileno com dimensão de 18 cm de largura por 25 cm de comprimento, ou em tubetes de tamanho grande. Se for necessária, a repicagem deve ser feita quando as plantas atingirem altura de 9 cm, entre uma semana a 71 dias após a germinação. O sistema radicular dessa espécie é superficial.

Propagação vegetativa: a produção de mudas de paricá pelo método de estaquia de material juvenil é viável, desde que as estacas sejam retiradas das seções medianas e basais da planta e tratadas com AIB com concentração variando entre 2.000 ppm a 4.000 ppm. Rosa & Pinheiro (2001) recomendam a utilização de 2.545,67 ppm de AIB para as estacas retiradas da base e 3.979,71 ppm para as estacas extraídas da parte mediana da planta, que correspondem ao enraizamento máximo,  de 83,07 % e 80,12 % respectivamente.

Ciflorestas- G1.globo

sábado, 19 de maio de 2012

Cerca de 20% da população mundial depende diretamente das florestas para sobreviver


Um novo estudo do Programa de Povos da Floresta (FPP) publicado nesta semana revelou que entre 1,2 bilhões e 1,7 bilhões de pessoas, cerca de 20% da população mundial, dependem diretamente das florestas para sua sobrevivência. Os dados divulgados pelo FPP não contabilizam pessoas que dependem indiretamente das florestas ou apenas de seus serviços, como regulação climática, fornecimento de água e sequestro de carbono.

A pesquisa indica que, destas pessoas, cerca de 200 milhões são consideradas indígenas. O relatório também detalha informações sobre a região, o país e o tipo de floresta que cada população habita.

Mais de 800 milhões de pessoas vivem das florestas tropicais, enquanto 60 milhões nas florestas boreais. A China, a Índia, a Indonésia e o Paquistão têm os maiores números de pessoas dependentes das florestas, com 105 milhões, 84 milhões, 70 milhões e 42 milhões respectivamente.

Segundo as informações, muitas dessas pessoas são pequenos proprietários que dependem de agricultura de subsistência ou agrossilvicultura. Apenas uma pequena parte destas populações são verdadeiramente nômades.

Ainda de acordo o documento, cerca de 20 milhões de pessoas estão empregadas formalmente no setor florestal, e entre 47 milhões e 140 milhões trabalham em empresas formais ou informais que dependem das florestas.

Mas apesar destes números e de muitos destes povos viverem das e nas florestas há séculos, a maioria não tem a posse legal destas terras, o que coloca sua situação em risco, particularmente na África, na América do Sul e no sudeste da Ásia.

Nestes lugares, as florestas, que são propriedade do estado, frequentemente são vendidas ou arrendadas para empresas ou outros países para a agricultura, a extração de madeira e a mineração sem a consulta ou o consentimento dos povos locais, que são geralmente expulsos dos locais.

Atualmente cerca de 350 milhões de pessoas correm o risco de perder seus lares para a grilagem de terras, já que seus direitos à terra não são reconhecidos pelas legislações nacionais.

Neste sentido, o programa ressalta que a publicação do documento é muito importante, pois pode servir para ajudar a regularizar a situação destas populações em relação ao local onde vivem e melhorar suas condições de vida e de trabalho.

Esse relatório procura conscientizar sobre a existência de povos que dependem principalmente das florestas para sua subsistência, e reforçar sua visibilidade como atores chave e detentores de direitos no manejo e uso das florestas e seus recursos. Esses números podem servir como referências úteis na defesa do reconhecimento dos direitos legais e humanos dos povos das florestas.

(Instituto CarbonoBrasil)

Em vez de desmatar mais, usar melhor o que já foi desmatado


O drama do código florestal mexe frequentemente mais com o fígado do que com a cabeça, e vale a pena pegar alguns dados básicos. E nada melhor do que ir para a fonte primária dos dados, que têm origem essencialmente no Censo Agropecuário do IBGE.

A superfície do Brasil, como todos aprendemos na escola, é de cerca de 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Em hectares, isto representa 850 milhões. Desta superfície total, descontando a Amazônia distante, regiões demasiado secas do Nordeste ou alagadas do Pantanal, temos uma parte apenas em estabelecimentos agrícolas, representando um total de 334 milhões de hectares. Descontando as áreas paradas dos estabelecimentos agrícolas, temos 225 milhões de hectares de terras classificadas como “em uso”.

Muito interessante ver o que está contido neste “em uso”. Basicamente, temos, como atividade relativamente intensiva, a lavoura temporária, que ocupa 48 milhões de hectares, e a lavoura permanente que ocupa 12 milhões. Incluindo matas plantadas, que ocupam 5 milhões, temos um total de 65 milhões de hectares dedicados à lavoura, sobre um uso total de 225 milhões. O que acontece com os 160 milhões restantes? Trata-se de pasto, natural ou melhorado, mas consistindo essencialmente no que se chama de pecuária extensiva. Ocupam 71% do solo agrícola em uso. Quase duas vezes e meio a superfície da França.

Primeiro, que a pecuária ocupa o solo de maneira extremamente pouco produtiva: A taxa de lotação em 1996 era de 0,86 animais/ha e foi de 1,08 animais/ha em 2006. Disto resulta que a atividade que ocupa 71% do solo em uso do país participe com apenas 10% do valor da produção agropecuária. Trata-se de uma gigantesca subutilização do solo agrícola já desmatado.

O Censo também mostra que entre 1996 e 2006, houve uma redução de 12,1 milhões de hectares (-11%) nas áreas com matas e florestas contidas em estabelecimentos agropecuários é interessante cruzar este desmatamento com o fato que os maiores aumentos dos efetivos bovinos entre os censos foram nas Regiões Norte (81,4%) e Centro-Oeste (13,3%). As reduções do número de estabelecimentos com bovinos e dos rebanhos do Sul e do Sudeste mostram que a bovinocultura deslocou-se do Sul para o Norte do país, destacando-se, no período, o crescimento dos rebanhos do Pará, Rondônia, Acre e Mato Grosso. Nestes três estados da região Norte, o rebanho mais que dobrou, enquanto que em Mato Grosso o aumento foi de 37,2%.

A pecuária extensiva emprega muito pouco. Em 2006 foram recenseados 17 milhões pessoas ocupadas em estabelecimentos agropecuários, 19% do total. São os pequenos estabelecimentos que geram mais empregos: Embora a soma de suas áreas represente apenas 30% do total, os pequenos estabelecimentos (área inferior a 200 ha) responderam por 84,36% das pessoas ocupadas em estabelecimentos agropecuários. Mesmo que cada um deles gere poucos postos de trabalho, os pequenos estabelecimentos utilizam 12,6 vezes mais trabalhadores por hectare que os médios (área entre 200 e 2000 ha) e 45,6 vezes mais que os grandes estabelecimentos (área superior a 2.000 ha).

Outro ponto importante, a concentração do controle da terra continua absurda: Os resultados do Censo Agropecuário 2006 mostram que a estrutura agrária brasileira, caracterizada pela concentração de terras em grandes propriedades rurais não se alterou nos últimos 20 anos. Basicamente 50 mil estabelecimentos com mais de 1.000 hectares, ou seja, 1% do total de estabelecimentos, concentram 43% da área (146,6 milhões de hectares).

São os que mais subutilizam a terra. E como os grandes empregam pouco, gera-se a pressão sobre as cidades. A questão do uso do solo e a contenção do desmatamento fazem parte do mesmo problema da racionalidade do uso dos nossos recursos naturais e da estabilidade dos trabalhadores da terra, tem a ver com todos nós, e não apenas com ruralistas.

As conclusões são relativamente óbvias. Dada a imensa subutilização das terras já desmatadas, é simplesmente absurdo exigir mais desmatamento. O desmatamento está se dando em áreas vulneráveis (a maior expansão da pecuária está nas bordas da Amazônia), e mantem o ciclo destrutivo. O ciclo agrícola deve conjugar os objetivos de produção, emprego e preservação do capital-solo e dos recursos naturais. Claramente o caminho é o da intensificação tecnológica, capacitação e apoio ao pequeno e médio agricultor, levando a um aproveitamento melhor e mais limpo do solo agrícola já usado, e apropriação maior de terras já desmatadas e subutilizadas pela pecuária extensiva.

Os dados do Censo mostram elevado nível de analfabetismo. Mais de 80% dos produtores rurais têm baixa escolaridade. Mais da metade dos estabelecimentos onde houve utilização de agrotóxicos não recebeu orientação técnica.  Não é de mais química e de mais desmatamento que a agricultura precisa, e sim de um salto formação, de eficiência tecnológica, social e ambiental. Temos os conhecimentos e recursos necessários. É um novo século. Produzir não é apenas expandir, é melhorar. Meio ambiente não é entrave, é oportunidade para um novo ciclo. E francamente, quando os grandes do agronegócio se colocam em defesa do pequeno, devemos olhar melhor os argumentos.

Ladislau Dowbor - Mercado Ético

terça-feira, 15 de maio de 2012

WWF alerta para pressão insustentável sobre o planeta


Relatório Planeta Vivo 2012 avaliou 9.000 populações de mais de 2.600 espécies e indica uma perda de biodiversidade da ordem dos 30% desde 1970 causada, sobretudo, por nossa procura incessante por recursos naturais.

O aumento da procura de recursos, consequência do crescimento da população está colocando enormes pressões sobre a biodiversidade do nosso planeta e ameaça a segurança, saúde e bem-estar do nosso futuro - é o que revela a edição de 2012 do Relatório Planeta Vivo da WWF divulgado nesta terça-feira (15) - a publicação bianual de referência sobre a saúde da Terra.

Produzido em colaboração com a Sociedade Zoológica de Londres e a Global Footprint Network, o relatório deste ano é lançado a partir da Estação Espacial Internacional, pelo astronauta André Kuipers, que nos oferece uma perspectiva única do estado do planeta a partir da sua missão na Agência Espacial Europeia.

Só temos uma Terra. Daqui de cima podemos ver a pegada da humanidade, incluindo os incêndios florestais, poluição do ar e erosão; no fundo os desafios que se colocam ao nosso Planeta nesta edição do Relatório Planeta Vivo. Embora existam pressões insustentáveis sobre o planeta, temos a capacidade de salvar a nossa casa, não só para nosso benefício, mas, sobretudo, para as gerações vindouras.

O Relatório Planeta Vivo usa o Índice Global Planeta Vivo para medir as mudanças na saúde dos ecossistemas do planeta, avaliando 9.000 populações de mais de 2.600 espécies. O índice global revela quase 30 por cento de queda desde 1970, sendo os trópicos os mais atingidos, registrando-se um declínio de 60 por cento em menos de 40 anos. Assim enquanto a biodiversidade revela uma tendência decrescente, a Pegada Ecológica sobre a Terra aumenta, um dos outros indicadores-chave utilizados no relatório, ilustrando bem como a nossa crescente procura pelos recursos naturais se tornou insustentável.

Estamos vivendo como se tivéssemos um planeta extra à nossa disposição, usando 50 por cento mais recursos do que a Terra pode produzir de forma sustentável e se não mudarmos esse rumo, este número vai crescer rapidamente - em 2030 até dois planetas não serão suficientes.

O relatório reforça o impacto do crescimento da população humana e o sobre-consumo, como as principais causas da pressão ambiental. Este relatório é como um check-up planetário e os resultados indicam que temos um planeta muito doente. Ignorar este diagnóstico terá implicações importantes para a humanidade. Podemos restaurar a saúde do planeta, mas apenas através da resolução das causas mais profundas, como o crescimento populacional e o excessivo consumo.

O relatório evidencia ainda o impacto da urbanização como uma dinâmica em crescimento – em 2050, duas em cada três pessoas viverão numa cidade; evidencia, por outro lado, a necessidade da humanidade desenvolver novas e melhores formas de gerir os recursos naturais.

Podemos criar um futuro próspero que ofereça comida, água e energia para os 9 ou talvez 10 bilhões de pessoas que estarão a partilhar o planeta em 2050. As soluções centram-se em áreas como a redução de resíduos, gestão inteligente da água e utilização de fontes de energia renováveis que sejam limpas e abundantes – como a eólica e a solar.

A diferença entre países ricos e pobres também é sublinhada no relatório. Países com altos rendimentos têm uma Pegada Ecológica, em média, cinco vezes maior do que os países de baixos rendimentos.

Os dez países com maior pegada ecológica são: Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Estados Unidos da América, Bélgica, Austrália, Canadá, Holanda e Irlanda. O Brasil aparece na 56ª posição.

Ainda de acordo com o Índice Global Planeta Vivo, o declínio da biodiversidade desde 1970 tem sido mais rápido nos países de baixa renda, o que demonstra como as nações mais pobres e vulneráveis estão subsidiando os estilos de vida dos países mais ricos. A diminuição da biocapacidade (capacidade de uma região para regenerar os seus recursos) vai levar à necessidade de importar recursos essenciais aos ecossistemas, uma tendência que os tornará mais vulneráveis a longo prazo.

O crescimento da dependência de recursos externos está a colocar certos países em risco. A crise ecológica está a agravar os problemas de crescimento económico.  Usar cada vez mais a natureza, apesar de termos cada vez menos, é uma estratégia perigosa, mas a maioria dos países continua a seguir este caminho. Até os países começarem a controlar e gerir os seus próprios défices de biocapacidade, eles não só colocam o planeta em risco como, mais importante, a eles mesmos.

O Relatório Planeta Vivo apresenta um conjunto de soluções necessárias para reverter o Índice Planeta Vivo em declínio e reduzir a Pegada Ecológica para níveis compatíveis com a capacidade do planeta. Estas são definidas como 16 ações prioritárias e incluem a alteração dos padrões de consumo, a valorização económica do capital natural, e a criação de estruturas legais e políticas que promovam a gestão do acesso equitativo à água, alimentos e energia.

O relatório é lançado cinco semanas antes de nações, empresas e sociedade civil se reunirem no Rio de Janeiro para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Vinte anos passados depois da ultima conferência da Terra, este encontro é uma oportunidade chave para os líderes mundiais reafirmarem o seu compromisso para a criação de um futuro sustentável.

Os desafios sublinhados no Relatório Planeta Vivo são claros. A Rio+20 pode e deve ser o momento para os governos traçarem um novo rumo em direção à sustentabilidade. O encontro é uma oportunidade única para a definição de compromissos, para que governos, cidades e empresas unam forças, desempenhando um papel crucial para manter este planeta vivo.

Instituto Carbono Brasil

Mapa da Vida registra a distribuição da biodiversidade


Ferramenta online integra vários tipos de dados, incluindo 150 milhões de registros de ocorrência de espécies, e busca disponibilizar a visualização do conhecimento atual sobre a distribuição geográfica da biodiversidade em escala global.

Conhecer as espécies que se deseja proteger e as suas relações com o meio é o primeiro passo para conseguir conter a atual degradação em massa dos ecossistemas ao redor do mundo. Até agora, a humanidade conseguiu descrever apenas 1,8 milhões de espécies, das quais 33% estão ameaçadas de alguma forma.

Estimativas indicam que o mundo abriga entre 10-100 milhões delas, fato preocupante por estarmos extinguindo espécies que ainda não conhecemos, mas também fascinante, motivando pesquisas e explorações de ambientes isolados em todo o mundo.

Pensando nisso, pesquisadores norte-americanos e canadenses construíram uma inovadora ferramenta online que visa mobilizar e integrar vários tipos de dados, desde registros únicos de ocorrência em coleções de museu até análises de especialistas encontradas em guias de campo.

O objetivo é que seja possível a visualização do conhecimento atual disponível sobre a distribuição da biodiversidade ao redor do mundo. O 'Mapa da Vida' está agora sendo lançado em uma versão demo, aberta a sugestões.

Neste primeiro momento de demonstração, é possível explorar a distribuição geográfica global de várias espécies de vertebrados, além de peixes de água doce da América do Norte, contando com 150 milhões de registros de ocorrência do Global Biodiversity Information Facility (GBIF), mapas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), listas do World Wildlife Fund (WWF) e banco de dados de vários cientistas.

Através de camadas distintas nos mapas, que podem ser ajustadas de acordo com a finalidade, são apresentados registros como pontos de ocorrência, abrangência e dados específicos de determinadas áreas de estudo (como reservas e regiões). Também é possível obter listas de espécies nos arredores de qualquer área de interesse ao redor do mundo. Dois vídeos (em inglês) demonstram as ferramentas de busca taxonômica e a lista de espécies.

Em breve, o portal pretende abranger também plantas e invertebrados, além de ampliar as funcionalidades, como adicionar filtros de informações com características como sazonalidade e data de observação; possibilitar edição e adição de dados, além da sua intersecção com outras informações ambientais (uso da terra, clima) e o cálculo, demonstração e download de padrões como riqueza e endemismo, entre outros.

A meta de médio e longo prazo é obter um sistema de modelagem incluindo dados ambientais para a produção de estimativas mais refinadas da distribuição atual e projetada de espécies. A ideia para a criação da ferramenta surgiu do pesquisador em Biologia da Conservação da Universidade de Yale, Walter Jetz, a partir da sua necessidade de combinar dados próprios com outros já existentes para melhor compreender como padrões de biodiversidade de aves poderiam embasar esforços de conservação.

O conhecimento global sobre a distribuição espacial de espécies é muito mais complexo de se estruturar geograficamente do que outros bancos de dados, como topografia ou uso da terra, comentaram os autores do Mapa da Vida no artigo 'Integrando o conhecimento da distribuição da biodiversidade: em direção a um mapa global da vida’, publicado na revista Trends in Ecology and Environment.

Uma barreira a ser superada pelo Mapa da Vida é a aceitação da comunidade científica internacional, já que a possibilidade de inserção de dados de locais e grupos de pesquisa distintos traz consigo uma diversidade de protocolos utilizados.

Instituto Carbono Brasil

segunda-feira, 14 de maio de 2012

7 multimilionários dos negócios “verdes”


Ranking da Forbes lista os empresários que fazem fortunas investindo em tecnologias limpas e energia renovável.

Aloys Wobben

Ele instalou sua primeira usina eólica no quintal da própria casa em 1984. Hoje, o empreendedor alemão Aloys Wobben é dono da Enercon, uma gigante do setor de construção de geradores eólicos, que já instalou mais de 17 mil aparelhos em 30 países pelo mundo, além de empregar mais de 12 mil pessoas. No ranking da Forbes, Wobben é o maior bilionário verde do mundo, com um patrimônio líquido de cerca de US$ 2,3 bilhões.



Rubens Ometto

O segundo homem mais rico em negócios verdes é o brasileiro Rubens Ometto Silveira Mello, o “único bilionário do etanol”. O executivo é dono da Cosan, a maior exportadora mundial de açúcar e etanol e detentora da marca Esso no Brasil. Seu patrimônio “verde” líquido, diz a Forbes, chega a US$1.9 bilhão.



Zhu Gognshan

Quem aparece na terceira colocação, atrás de Aloys Wobben e Rubens Ometto, é o empresário Zhu Gognshan, dono da GCL Energia Poly, maior empresa chinesa de policilício, principal matéria prima para a fabricação das placas de energia solar. A companhia está envolvida em quase todos os métodos de produção de energia, exceto o nuclear. Zhu construiu sua primeira usina de eletricidade em 1996. Hoje, possui um patrimônio “verde” líquido de US$ 1,4 bilhão.



Elon Musk

Ele estreiou na lista de bilionários da Forbes este ano, em grande medida graças às fortunas quem vem fazendo à frente da fabricante de carros elétricos Tesla, que nasceu no Vale do Silício com a proposta de gerar quatrorodas esportivos possantes movidos a eletricidade. Elon Musk também usufrui do bom momento de outros empreendimentos que possui, como o PayPal e o SolarCity, empresa líder na instalação de paineis solares nos EUA por sistema de aluguel. De acordo com a Forbes, mais da metade de seu patrimônio líquido total (estimado em US$2 bilhões) foi alcançado com investimento em projetos verdes (US$ 1,2 bilhão).

Fan Zhaoxia

Uma das novas bilionárias da China, Fan Zhaoxia é co-fundadora da empresa Pequim Jingyuntong Technology, que produz equipamentos para a indústria fotovoltaica de energia solar. Ano passado o patrimônio verde líquido de Fan foi estimado em US$ 1 bilhão.





Christy Walton

A mulher mais rica do mundo recebe quase todo seu patrimônio líquido de sua participação no Wal-Mart, que herdou de seu marido John Walton, falecido em 2005. O empresário foi um dos primeiros investidores em painel solar na empresa fisrt solar. Ano passado, a participação de Christy Walton Solar valia US$ 4,2 bilhões. Filantropa, a empresária apoia museus, projetos de educação e jardinagem orgânica.





Vinod Khosla

Vinod Khosla, fundador do grupo de capital de risco centrado em novas companhias de tecnologia limpa e energia renovável Khosla Ventures, é um grande entusiasta e visionário da sustentabilidade. Boa parte de sua fortuna vem da empresa de biocombustível Kior e da de biotecnologia Amyris. Somados com startups que surgem aqui e ali, esses empreendimentos respondem por um patrimônio líquido de US$1,3 bilhão. Sua ambição do momento é transformar a biomassa num equivalente químico do petróleo bruto.

Exame.com

domingo, 13 de maio de 2012

Um Código Florestal para o Brasil


Feijão e arroz interessam a todos, assim como água limpa e ar puro (Rolf Kuntz, 08/05/2012, no site Observatório da Imprensa). Mas esses dois lados não recebem o mesmo peso nas avaliações dos formadores de opinião. Predomina o enfoque da preservação ambiental em detrimento da produção de alimentos.

A proteção do meio ambiente é, hoje, uma preocupação de todos os seres humanos e vemos com alívio que governos, empresas e consumidores estão mais conscientes de que os recursos da terra devem ser explorados de modo sustentável. No Brasil rural não é diferente, basta olhar os índices cada vez menores de desmatamento e o desenvolvimento de técnicas avançadas como a agricultura de baixo carbono.

No entanto, também é importante que os países produzam mais alimentos para um mundo desigual, onde atualmente 900 milhões de pessoas passam fome, segundo dados da FAO. Lamentavelmente, essa triste realidade não é considerada pela utopia ambientalista, que tenta separar o inseparável, como se possível fosse discutir meio ambiente sem considerar o econômico e o social.

Será que é racional abrir mão de 33 milhões de hectares da área de produção de alimentos, que representam quase 14% da área de plantada, para aumentar em apenas 3,8 pontos percentuais a área de vegetação nativa do País? Esta troca não me parece justa com os brasileiros, pois corremos um alto risco de aumento no preço dos alimentos sem um ganho equivalente na preservação ambiental.

Reduzir 33 milhões de hectares nas áreas de produção agropecuária significa anular, todos os anos, cerca de R$ 130 bilhões do PIB do setor. Para que se tenha uma noção do que representam 33 milhões de hectares, toda a produção de grãos do País ocupa 49 milhões de hectares.

O Código Florestal não foi construído para agradar produtores ou ambientalistas e, sim, para fazer bem ao Brasil. Agora, está nas mãos da nossa presidente, a quem cabe decidir, imune a pressões, o que é melhor para sermos um país rico, um país sem miséria, que é a grande meta da sua gestão.

A utopia ambientalista, no entanto, não respeita a democracia política, muito menos a economia de mercado. Há líderes do movimento verde que pregam abertamente um Estado centralizado, com poderes para determinar a destinação dos recursos, da produção e até mesmo do consumo. Nesse tipo de sociedade autoritária, não há lugar para a liberdade e para as escolhas individuais. Salvam a natureza e reduzem a vida humana à mera questão da sobrevivência física.

Mas slogans fáceis e espetáculos midiáticos não podem ofuscar a eficiência da agropecuária verde-amarela.  O Ministério da Agricultura acaba de divulgar os dados do primeiro quadrimestre de 2012. Exportamos U$ 26 bilhões, gerando um superávit de U$ 20,8 bilhões. Nunca é demais lembrar que o agro exporta apenas 30% de tudo o que produz. E para isso, utiliza apenas 27,7% do território, preservando 61% com vegetação nativa. Qual país do mundo pode ostentar uma relação tão generosa entre produção e preservação?

Os ambientalistas, em sua impressionante miopia, ainda cobram que a agropecuária deve elevar a produtividade. Nos últimos 30 anos, com apenas 36% a mais de área, a produção de grãos cresceu 238%! Eles não consideram que os índices brasileiros já são elevados e que aumentos são incrementais. Exigem maior produção em menor área, mas condenam sistematicamente as plantas transgênicas, o uso de fertilizantes químicos e de defensivos contra pragas e doenças, pregando a volta dos velhos métodos tradicionais herdados de nossos avós.

É fundamental que o novo Código Florestal garanta segurança para que o País continue produzindo o melhor e mais barato alimento do planeta. É inaceitável que o Brasil abra mão da sua capacidade produtiva, deixando de contribuir plenamente para a redução da pobreza, já tendo a maior área de preservação do mundo.

Senadora Kátia Abreu – CNA; Folha de São Paulo
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