sexta-feira, 11 de maio de 2012

Registro das maiores árvores do Brasil


No Brasil as citações sobre árvores gigantescas são escassas e vagas. Diversos cronistas, viajantes ou estudiosos, por vezes, fizeram referências a árvores colossais, porém esses relatos em geral não contemplam dados numéricos.

Uma notável exceção à carência de testemunhos gabaritados foi o relato de MARTIUS que, em sua obra de 1840-1869, “Tabulae Physiognomicae Explicatae”, escreveu em latim os trechos abaixo transcritos, graças à tradução feita pelo botânico P. CARAUTA, com as devidas conversões para o sistema métrico.

Em síntese, MARTIUS em 1819 registrou na Amazônia, entre outras, uma árvore gigantesca que tinha o diâmetro de oito metros na base e com diâmetro de quase seis metros na altura de três metros do solo. O autor teceu ainda considerações sobre as possíveis idades dos gigantes que encontrara, estimando-lhes as idades entre 2.052 e 4.104 anos, com base no seu conhecimento das taxas de crescimentos anuais.

Hoje em dia, é fato inconteste que, no vasto território do Brasil, com exceção de algumas áreas da Amazônia, as alterações ambientais provocadas pelos homens durante os últimos quinhentos anos simplesmente eliminaram as maiores árvores.

Por isso, tivemos que nos basear em anotações disponíveis de alguns autores, mas é de se admitir que muitas observações não foram divulgadas ou encontram-se no interior de relatórios de viagens, perdidos ou ainda inéditos, à espera de revelação. Apesar das dificuldades de conseguir informações fidedignas, uma laboriosa consulta em todas as fontes e publicações disponíveis permitiu relacionar quais os gigantes arbóreos assinalados no Brasil.

a) Quanto ao diâmetro do tronco, medido em geral à altura do peito (DAP):

Com mais de oito metros de diâmetro:
  • A “Árvore-de-Martius”, que talvez fosse um exemplar de Jatobá ou Jataí (Hymenaea courbaril), na Amazônia, com altura (h) estimada em 30 metros. Note-se que MARTIUS, no decorrer do seu texto sobre esse gigante, além de Hymenaea courbaril, citou também Outea guianensis, Ficus sp.  e  Clusia alba.

Com mais de sete metros de diâmetro:
  • Jequitibá (Cariniana legalis), h= 50 m, em São Paulo.

Com mais de seis metros de diâmetro:
  • Jequitibá-rosa (Cariniana estrellensis), h= 60m, no Rio de Janeiro.

Com mais de cinco metros de diâmetro:
  • Castanheira (Bertholletia excelsa), Pequi (Caryocar villosum), ambas com h= mais de 50 m, no Pará.

Com mais de três metros de diâmetro:
  • Pequiá (Caryocar barbinervis), h= 35 m (Amazônia); Cedro-rana (Cedrelinga catanaeformis), h=50 m (Amazônia); Sumaúma (Ceiba pentandra), h= 50 m (Amazônia); Paineira (Chorisia speciosa), h= 30 (Paraná); Angelim-pedra (Dinizia excelsa), h= 60 m (Amazônia); Tamboril (Enterolobium contortisiliquum), h= 40 m (Amazônia); Jatobá (Hymenaea courbaril), h= 40 m (Amazônia); Angelim-do-Pará (Hymenolobium excelsum), h= 50 m (Amazônia); Angelim-pedra (Hymenolobium petraeum), h= 50 m (Amazônia); Imbúia (Ocotea porosa), h= 30 m (Santa Catarina); Peroba-de-Campos (Paratecoma peroba), h= 65 m (Espírito Santo); Canafístula (Peltophorum dubium), h= 40 m (Amazônia); Angelim (Vouacapua anthelmintica), h= 40 m (Amazônia).

Com mais de dois metros e meio de diâmetro:
  • Pinheiro-brasileiro (Araucaria angustifolia), h= 50 m (Santa Catarina); Peroba (Aspidosperma polyneuron), h= 45 m (São Paulo); Munguba (Bombax munguba), h= 50 m (Amazônia); Cedro (Cedrela fissilis), h= 40 m (São Paulo); Pracuúba (Dimorphandra paraensis), h= 50 m (Amazônia); Assacu (Hura crepitans), h= 40 m (Amazônia); Ca-nela-batalha (Nectandra robusta), h= 25 m (Amazônia); Feijão-crú (Samanea saman), h= 35 m (Amazônia); Aguano (Swietenia macrophyla), h= 45 m (Amazônia).

b) Quanto à altura, medida entre o solo e o topo da copa:

Com alturas acima dos 60 metros:
  • Peroba-de-Campos (no Espírito Santo), Angelim (na Amazônia), Jequitibá (em São Paulo), Castanheira-do-Pará (na Amazônia).

Com alturas acima dos 50 metros:
  • Munguba (na Amazônia), Cedro-rana (na Amazônia), Angelim-pedra (na Amazônia).

Com alturas acima dos 40 metros:
  • Cedro-branco (em Santa Catarina), Pinheiro-brasileiro (no Paraná), Jatobá (na Amazônia), Faveiro (na Amazônia), Tamboril (na Amazônia), Pequiá (na Amazônia).


Entretanto, é bastante provável que exemplares de algumas espécies possam ter existido, com maiores dimensões do que as citadas nas publicações.

ÁRVORES GIGANTESCAS DA TERRA E AS MAIORES ASSI-NALADAS NO BRASIL - Alceo Magnanini, Cristina Magnanini.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Código Florestal e a propaganda enganosa


O projeto de alteração do Código Florestal aprovado no dia 25 de abril é apresentado como uma lei que vai trazer segurança jurídica para o setor rural e conciliar a produção com a conservação dos recursos naturais. Entretanto isso não é bem verdade.

Diversos pontos que desfiguram este Projeto de Lei como um Código Florestal estão bem tratados em diversas outras manifestações. Destaca-se aí a anistia ao descumprimento da lei explicitada no artigo 67, que dentre outros efeitos penaliza quem cumpriu a lei até agora.

Outro exemplo, que embora possa parecer preciosismo, prejudica a aplicação da lei é a definição das áreas de preservação permanente (APP) de topo de morro. O uso da cota do ponto de sela mais próximo da elevação par defini-la nos relevos ondulados na prática pode extinguir esta categoria, pois a maioria das elevações não será abrangida pela mesma.

Inicialmente é bom ressaltar que o projeto tem alguns pontos positivos, enfrentando questões que não são bem tratadas no atual Código. Em especial destaca-se a questão dos usos consolidados em APPs e de Reseva Legal. Sem defender anistias amplas e irrestritas nestes casos é importante reconhecer situações, enfrentadas pela quase totalidade de imóveis rurais no país. A recuperação e proteção integrais destas áreas são de fato inviáveis. Mesmo assim, reconhecendo a importância ambiental, tanto para a produção agrícola quanto para a sociedade em geral destas áreas, é necessário estabelecer condições e contrapartidas para seu uso.

Mas esse processo pode e deve ser feito de forma melhor que a apresentada, para que se tenha melhor coerência e qualidade técnica e legal. Alguns exemplos podem ser destacados, considerando aqui aspectos referentes á pretendida segurança para os agricultores e aplicadores da Lei.

Pode-se começar pelo uso inadequado do termo “agrosilvipastoril”, que é central na definição do uso consolidado, mas não consta dos dicionários. Sistemas agrosilvipastoris na literatura técnica são situações bem específicas, que pressupõem a integração na mesma área das três atividades (agricultura, florestas e pecuária) simultaneamente e não alternativamente. Por exemplo, o Manual Agroflorestal para a Mata Atlântica (Ministério do Desenvolvimento Agrário, Secretaria de Agricultura Familiar, 2008) define: “Sistemas agrossilvipastoris: são caracterizados pela criação e manejo de animais em consórcios silviagrícolas…”

Em outros pontos do próprio Projeto de Lei 1876 pode-se observar o uso de outros termos como “atividades agropecuárias” (art. 3º, inc. VI), agroflorestal (em diversos pontos). No artigo 58 as duas categorias (agroflorestal e agrosilvipastoril) são tratadas como distintas. É normal nos casos em que se pretende inovar que a lei traga definições, tanto é que o artigo 3º deste PL lista 23 definições, mas não esta, que seria essencial para a aplicação deste conceito e que ficará condicionada à interpretação dos diversos agentes da lei.

A obrigação de recompor das faixas marginais em quinze metros apenas dos cursos d’água com menos de 10 metros de largura é incoerente. A função ambiental das faixas ciliares não acaba com aumento da largura dos rios. Em termos de extensão no conjunto do território a maioria dos cursos d’água será abrangida, mas os efeitos desta regra serão proporcionalmente maiores nas propriedades menores que nas maiores. É de se esperar que praticamente todos os imóveis tenham rios menores que 10 metros, e poucos são banhados por rios maiores.

O PL também não resolve claramente as obrigações das concessionárias e dos proprietários lindeiros, referentes às APPs criadas com a implantação de reservatórios d’água, destinados à geração de energia ou abastecimento público, já existentes.

A elaboração deste Projeto ignorou a Lei Agrícola (nº 8171, de 17/01/1991) já fazia alguma conexão entre as questões agrícola e ambiental. Em seu em artigo 99 criava a obrigação generalizada para todos os imóveis de recompor a RL em até 30 anos. Esta norma continua em vigor, contradizendo o pretendido novo Código.

A mesma lei trazia a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) referente às APPs e Reserva Legal. O PL 1876 fala em dedução, o que traz dois conceitos distintos para a mesma coisa.
Assim, esse PL não atende nem uma proteção dos recursos naturais nem a chamada segurança jurídica, tão pleiteada. Até por isso, então, o melhor é o veto, e retomar a elaboração de um Código que contemple verdadeiramente o uso sustentável dos recursos naturais.

Roberto Ulisses Resende - Envolverde 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Entrevista: Desenvolvimento sustentável não é questão de charme


Estamos nos aproximando de mais uma Conferência da ONU sobre Sustentabilidade, que novamente acontecerá no Brasil (Rio+20), entre os dias 13 e 22 de junho, na qual as nações serão instigadas a mudar a forma de produção mundial para buscar a sustentabilidade. Mais do que um evento oficial, porém, a Conferência é um convite para que a sociedade discuta “nosso futuro comum”, como já apregoava o Relatório Brundtland, que propôs em 1987 o desenvolvimento sustentável (aquele que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades). O Instituto Akatu trabalha para que o consumo consciente seja um dos mecanismos para se chegar ao novo modelo de produção e estilo de vida para que se chegue a essa nova forma de desenvolvimento, conforme disseram ao Floresta do Meio do Mundo sua diretora executiva, Ana Maria Wilheim, e o coordenador de conteúdo Estanislau Maria.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: A economia verde e a governança para a sustentabilidade são os principais temas programados para a Rio+20. Na sua opinião, a economia sustentável é viável? Há espaço para uma governança para a sustentabilidade?

Ana Maria Wilheim – O processo para construção de um novo modelo econômico é inevitável, já que o atual modelo de produção e estilo de vida chegou ao limite. Desenvolvimento sustentável não é mais uma questão de charme. Precisamos que o novo modelo se paute por novas tecnologias e um sistema de produção de menor impacto e preocupado com o ciclo de vida do produto. Nesse sentido, a Rio+20 é muito oportuna como indutora para a economia verde, que precisa ser sustentável e inclusiva, com erradicação da pobreza. O debate preparatório no Brasil já incluiu esta dimensão. Já a governança para a sustentabilidade também é inevitável. O desafio é criar espaços para institucionalizá-la. Embora não tenhamos um modelo, sabemos que o modelo atual da ONU não está dando conta dos desafios.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Quais são suas expectativas em relação à Conferência? E como os cidadãos/consumidores brasileiros podem colaborar para que os resultados da Rio+20 levem a uma sociedade que possa atender ao bem estar de toda a humanidade sem comprometer a sua sobrevivência no longo prazo?

Ana Maria – Embora os acordos internacionais sejam muito importantes, por pautarem os países e fazer com que regulamentem o que foi assinado, a Rio+20 poderá ter um grande peso mesmo que não seja uma conferência de fechamento de acordos. Isso porque os processos também são importantes, por promoverem as iniciativas que os países já têm. As trocas são importantes e o Brasil tem o que mostrar, como as Políticas Nacionais de Mudanças Climáticas e de Resíduos Sólidos. É uma boa oportunidade de trazer pauta para o Brasil e o mundo. O caminho que acreditamos é pela consciência do cidadão, que ele (indivíduo) construa corresponsabilidade social perante os desafios. Isso passa por educação não só das futuras gerações, mas das gerações em consumo. Precisamos mobilizar e nos associar aos donos de restaurantes, estilistas, lojistas, industriais. A Amazônia, por exemplo, é um local onde o desafio é produzir linhas de produtos com escala e que possam substituir o que é feito com bens não renováveis, sem destruir as florestas. A região precisa de tecnologias inovadoras que se utilizem da floresta tropical em pé.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: De onde virão essas tecnologia inovadoras?

Ana Maria – O economista Ignacy Sachs tem defendido a ideia de uma nova subdivisão geopolítica que considere os biomas e que haja cooperação, com troca de aprendizagens no mundo. Assim, parcerias entre Brasil, Índia e África são um caminho. Uma economia com base nos biomas é um dos novos paradigmas possíveis para produção e consumo com menos impacto.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: E as empresas, estão preparadas para a economia verde ou só irão caminhar nessa direção a partir de cobrança governamental e da sociedade?

Ana Maria – O que se vê é que as empresas têm um poder muito grande e talvez maior agilidade para trazer respostas tecnológicas às demandas necessárias. O desafio é fazer com que tirem proveito para seu negócio, mas também se aproximem do setor público e entre si, porque o mundo precisa de cooperação entre empresas do mesmo setor.
Estanislau Maria – No caso de algumas empresas, realmente, é difícil o conceito de sustentabilidade entrar expontaneamente; para essas precisa haver legislação e regulação. Mas há bons exemplos de cooperação, como no caso do acordo dos supermercados de São Paulo para abolir as sacolinhas plásticas.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Qual o papel do terceiro setor nesse cenário?

Ana Maria – As organizações não governamentais são fundamentais e as empresas reconhecem sua importância. As ONGs são hoje um campo de inteligência: monitoram, fiscalizam, denunciam. Hoje, muitas empresas confiam em ONGs e se associam a elas em projetos. A Brasken chamou o Akatu para referendar um estudo sobre sacolas plásticas. Fomos chamados porque eles sabem que vamos questionar.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Uma das linhas de ação do Akatu é mostrar como as ações individuais podem impactar toda a sociedade para um mundo mais sustentável. Como isso é possível diante de uma realidade onde os recursos naturais já estão sendo utilizados além dos limites que o planeta é capaz de repor?

Ana Maria – O Akatu trabalha de duas maneiras. Na primeira frente, busca orientar as empresas para que trabalhem conosco e desenvolvam e promovam produtos mais sustentáveis, através de embalagens com menos impactos, uma cadeia construtiva que leve em conta o ciclo de vida do produto. Queremos que aprendam como inovar e como trazer isso ao consumidor. Por outro lado, a mudança de comportamento de consumo passa pelo indivíduo. Tudo o que tem a ver com mudança de hábito é difícil. Só se consegue por dor ou grandes estímulos. É como fazer dieta: só se consegue mudando os hábitos de consumo de alimentos. Mas a motivação precisa ser grande: ou por doença ou porque se quer colocar um biquíni nas férias, por exemplo. Para o consumidor que precisa mudar os padrões de consumo no dia a dia, queremos que consiga ver além da sua comodidade pessoal. Se eu usar muita água, vai faltar na periferia, pois não tem água suficiente para todos. Não adianta eu separar meu lixo se não houver coleta seletiva. O desafio é sair do discurso e colocar os problemas no cotidiano de cada um. Só quando tenho contato com minha realidade, posso mudar o caminho. Acreditamos que a mudança não é imposta. Sabemos, porém, que isso não é suficiente para responder ao ritmo de mudanças que o planeta pede, por isso precisamos de desafios e campanhas cada vez mais potentes.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: O Akatu acaba de lançar um decálogo do consumo consciente (veja abaixo). Como a instituição chegou a essas dez orientações e no que elas podem colaborar para um mundo mais sustentável?

Estanislau – O Akatu tem produzido conteúdo para ser discutido com todos os setores e, periodicamente, também faz pesquisas sobre o perfil do consumidor brasileiro e o seu entendimento sobre responsabilidade social das empresas – a mais recente é de 2010 e mostrou que a fatia de consumidores conscientes no país continua em 5% da população. Além disso, sabemos que o planeta vive uma situação dual, onde já consumimos 50% a mais do que o planeta é capaz de repor e apenas 16% da população mundial consome 78% dos recursos retirados da natureza. E, apesar do déficit de recursos, temos também um déficit de produtos para grande parte da humanidade. Mesmo sabendo que não é possível mudar tudo do dia para a noite, pensamos quais seriam os princípios que regem essa sociedade insustentável e quais seriam os da sociedade sustentável para a qual temos que migrar? Levamos em consideração também que nem tudo é possível e que a formulação não poderia ser absoluta. Por exemplo, não podemos dizer: não use descartáveis, já que na área de saúde eles são necessários. Alguma embalagem é necessária, já que sem ela muitos produtos pereceriam rapidamente e seriam perdidos; por isso a reciclagem é essencial.
Ana Maria – Usamos esse decálogo em oficinas de desenvolvimento de produtos, para desafiar as empresas a criar produtos mais duráveis, sem obsolescência acelerada ou programada. O objetivo é contribuir para modos de produção e consumo mais sustentáveis. Soube de uma empresa alemã que está desenvolvendo eletrodomésticos que podem receber “upgrade” quando surgirem inovações sem precisar ser trocados. Mas para que isso dê certo, o consumidor também precisa estar preparado.

O Decálogo do Consumo Consciente do Akatu propõe um consumo que valorize:


  • Os produtos duráveis mais do que os descartáveis ou de obsolescência acelerada;
  • A produção e o desenvolvimento local mais do que a produção global;
  • O uso compartilhado de produtos mais do que a posse e o uso individual;
  • A produção, os produtos e os serviços social e ambientalmente mais sustentáveis;
  • As opções virtuais mais do que as opções materiais;
  • O não desperdício dos alimentos e produtos, promovendo o seu aproveitamento integral e o prolongamento da sua vida útil;
  • A satisfação pelo uso dos produtos e não pela compra em excesso;
  • Os produtos e as escolhas mais saudáveis;
  • As emoções, as ideias e as experiências mais do que os produtos materiais;
  • A cooperação mais do que a competição. 


Clima e Floresta; IPAM

terça-feira, 8 de maio de 2012

Dica de Livro: Desmatamento ao redor do mundo


Livro editado pelo Diretor Executivo do IPAM, Paulo Moutinho, fornece uma visão geral sobre a dinâmica do desmatamento ao redor do mundo.

Desmatamento e degradação florestal representam uma fração significativa das emissões anuais de gases de efeito estufas induzidos por ação humana na atmosfera, a maior fonte de perdas na biodiversidade e a destruição de milhões de lares familiares. Apesar das causas serem locais/regionais, suas consequências são globais. O livro fornece uma visão geral sobre a dinâmica do desmatamento ao redor do mundo, incorporando análises às suas causas, impactos e ações de prevenção. Seus 17 capítulos, organizados em três seções, discutem o impacto do desmatamento no clima, solo, biodiversidade e população humana, porém, também descrevem diversas iniciativas para prevenção. Uma ênfase especial é dada ás diferentes técnicas de sensoriamento remoto e mapeamento que poderiam ser usadas como fonte para tomadores de decisão e para a sociedade para promover a conservação florestal e controlar o desmatamento.

IPAM

Faça o download da publicação (em inglês) gratuitamente:

Os animais da Amazônia


A Amazônia abriga uma riqueza de fauna sem paralelo: não há outro lugar do mundo que tenha tamanha variedade de peixes, aves, primatas e insetos como esta floresta. Novas espécies de animais são descobertas com frequência e estima-se que muitas ainda são ignoradas pelo homem. A interdepen­dência entre a fauna e a flora na região é muito estreita: a destruição de uma espécie implica em colocar muitas outras em risco.

Mamíferos
A Amazônia possui mais de 300 espécies de mamíferos, das quais 64 são endêmicas da região. Os grupos mais diversificados são os roedores, morcegos e macacos. Dos grandes mamíferos aquáticos, a Amazônia abriga duas espécies de golfinhos, uma de peixe-boi e pelo menos duas outras de lontras. Os mamíferos são os animais mais difíceis de serem avistados na floresta, já que a maioria tem hábitos noturnos e, os que podem ser observados de dia, normalmente fogem de qualquer barulho humano. Pegadas, fezes e sons normalmente são os indicadores da presença destes animais. Algumas espécies estão ameaçadas de extinção, em função da degradação do habitat e da caça predatória, como a onça-pintada e o peixe-boi.

Aves
A mais rica concentração de espécies de aves no mundo ocorre nas terras baixas amazônicas: estima-se que mais de mil espécies habitam a área. O número é maior se outras áreas de abrangência da Amazônia nos países vizinhos forem acrescentadas. Estudos demonstraram que, em algumas áreas da Amazônia ocidental, mais de quinhentas espécies de aves podem ser registradas em poucos quilômetros quadrados.

Peixes
Os únicos sistemas na terra com uma diversidade de peixes comparável à da bacia Amazônica são os oceanos. O índice de novas descobertas de espécies a cada ano indica que deve haver ao redor de três mil espécies de peixes nos rios e lagos amazônicos. Em muitos rios, a quantidade de minerais na água é tão pequena que os peixes dependem quase que exclusivamente dos alimentos produzidos na floresta dos arredores. 
É na época das cheias, quando os rios transbordam e preenchem a floresta ao redor, que os peixes encontram a maior parte de sua alimentação. Espécies que comem frutas, como o tambaqui, movem-se pelos principais cursos d’água, entre os galhos das árvores que antes forneciam alimentos para pássaros e mamíferos, para esperar as frutas que caem. O tambaqui tem dentes semelhantes aos molares humanos que, unidos à força dos músculos da cabeça, podem quebrar sementes de seringueira e de outras árvores. Ao mordê-las, eles prejudicam o processo de dispersão das sementes grandes, mas são agentes importantes na multiplicação das árvores com sementes pequenas, já que elas passam intactas pelo seu sistema digestivo. Há espécies carnívoras, também, como o tucunaré. Os peixes são extremamente dependentes das florestas inundadas, suas maiores fornecedoras de alimento. A manutenção da diversidade das espécies, portanto, está diretamente relacionada à conservação dessas áreas.

Piranhas
A fúria das piranhas tem sido muito exagerada. Não há dúvida que várias espécies, quando submetidas a certas condições, são capazes de matar mamíferos de grande porte, mas a maior parte delas, em geral, é inofensiva. O comportamento das espécies predatórias parece depender diretamente de seu hábitat. Nos canais principais dos rios e lagos da Amazônia, as piranhas normalmente não molestam os nadadores. No entanto, quando ficam presas em pequenas lagoas isoladas, na época da seca, com pouco alimento disponível, podem ser perigosas. A piranha-preta é a maior delas, mas a que tem a pior reputação é a piranha-vermelha. Várias outras espécies, porém, são inofensivas: alimentam-se das nadadeiras de outros peixes, frutas, sementes, folhas e insetos.

Insetos
Estima-se que dezenas de milhões de espécies existam na Amazônia. Cerca de 80% da biomassa da fauna amazônica é representada por insetos. Acredita-se que um terço seja composto por formigas e cupins: cada 10.000 m2 de terreno florestal seria ocupado por oito milhões de formigas e um milhão de cupins. Em algumas áreas florestadas, o solo é coberto por um tapete vivo de insetos e ácaros. Pesquisadores atribuem a diversidade e abundância de insetos à diversidade e abundância de plantas. Nesse sentido, os insetos na Amazônia dispõem de condições excelentes para uma diversificação evolutiva, ocupando muitos nichos e desempenhando diferentes papéis ecológicos. 
Insetos herbívoros são, em geral, muito especializados e exploram diversas espécies de plantas, nas quais suas folhas, flores e caules são alimentos em potencial. As plantas, para se protegerem dos insetos, defendem-se com espinhos, pelos, resinas e substâncias venenosas. Apesar dessa aparência conflituosa, muitas espécies de insetos mantêm relações amigáveis com as plantas, ajudando na polinização, dispersão de sementes e proteção de algumas espécies.

Anfíbios
A bacia amazônica, com sua alta umidade e temperaturas elevadas durante quase todo o ano, fornece condições excelentes para anfíbios, cuja temperatura corporal depende diretamente do ambiente ao redor e a pele não é bem protegida contra perda de água. Os sapos são os anfíbios mais abundantes na bacia: mais de trezentas espécies ocorrem na Amazônia e novas espécies são descritas a cada ano. Com uma densidade de mais de 80 espécies de sapos em um espaço de poucos quilômetros quadrados, a Amazônia ocidental tem a mais rica fauna destes animais no mundo.

Sapos
Algumas espécies que merecem destaque na bacia são os sapos venenosos da família Dendrobatidae e as pererecas arborí­colas da família Hylidae. Os sapos venenosos são usados para envenenar dardos de caça por índios colombianos. A perereca Phyllomedusa bicolor é chamada de “campu” pelos índios do vale do Javari, que usam sua substância tóxica para combater a preguiça e o azar na caça, chamado por eles de panema.

Répteis
Existem aproximadamente 300 espécies de répteis na floresta amazônica e o grupo mais representativo é o das serpentes, seguido pelos lagartos, tartarugas e jacarés. As florestas de terra firme são o hábitat da maioria desses animais. No entanto, é nos rios e lagos que estão as espécies mais procuradas pelos caçadores, como o jacaretinga, o jacaré-açu e a tartaruga-da-amazônia.

Guia Amazônia - Brasil - Editora Horizonte.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Inovação Tecnológica e Design versus Sustentabilidade


Inovações representam esperança, novidade, desafio para alguns poucos e medo, risco, insegurança, perigo e instabilidade para a maioria.  Inovação tecnológica é elemento gerador de mudanças que apresentam também dimensões de ordem política, econômica e sociocultural. Para a introdução de produtos ou serviços novos necessita-se ser criativo, paradigmático, experimentalista, sistêmico, interdisciplinar, insatisfeito e ousado por natureza.  Inovação tecnológica e design se confundem à medida que estes buscam trabalhar sobre processos e produtos na construção de um diálogo entre tecnologia e sociedade, tendo como base o processo criativo humano.

No entanto, a inovação tecnológica dentro do modelo capitalista tem sido vista exclusivamente pelo prisma da nossa sociedade globalizada atrelada ao círculo vicioso da economia ortodoxa: produção à consumo à crescimento econômico. A globalização estimula o superconsumo e gera pressões sobre os recursos naturais sem contabilizar os custos sociais e ambientais da produção. As diretrizes que norteiam os investimentos em design, inovação e marketing (uso intensivo da mídia falada e escrita) têm como objetivo principal o aumento de vendas de produtos, ou o estímulo ao consumo, baseado, muitas vezes, naquilo que não nos serve. Pessoas compram coisas, sem as quais viviam muito bem, induzidas por intensas e sofisticadas campanhas de publicidade para aumentar o lucro daqueles que monopolizam o capital.

Para quem a inovação tecnológica deveria tratar de introduzir a melhor técnica ou forma de organização no contexto produtivo, com efeitos positivos avaliados não somente por meio de critérios de rentabilidade econômica, mas também por critérios sociais a ambientais.

Não há dúvidas que as oportunidades de desenvolver novas tecnologias são grandes em um país que necessita de soluções tecnológicas apropriadas para resolver seus problemas de tratamento de lixo adequado e saneamento básico, inexistentes em mais de 70% de seus municípios, sem contar a necessidade de desenvolvermos novas fontes de energia, que sejam ao mesmo tempo eficientes, menos agressivas ao meio ambiente e renováveis.

No Brasil, ainda pouco se faz em pró do potencial da biotecnologia. Maiores incentivos a pesquisas científicas podem transformar elementos da nossa rica biodiversidade em produtos de mercado, em áreas como de medicamentos, alimentos, cosméticos, fertilizantes, pesticidas e solventes naturais.

A origem do design, como o conhecemos hoje, confunde-se com o início da Revolução Industrial e tem estado comprometido desde então com o aumento constante da produtividade defendida pelas economias industriais. Em sua maioria, os designers na sua ‘atividade de criação’, foram treinados para buscar a integração de fatores funcionais, culturais, tecnológicos e econômicos, tendo como foco o aumento de vendas e de lucro. Assim os produtos são desenvolvidos apenas para se adequarem às exigências estético-culturais e condições técnico-econômicas da produção industrial de uma sociedade.

Poucos têm sido os críticos de como o design se desenvolveu em nossa sociedade industrializada, tão desvinculado do entendimento das necessidades humanas básicas, como do funcionamento dos ecossistemas naturais. O estilo e a imagem têm sempre predominado sobre durabilidade e a eficiência. O processo de globalização desvirtuou o forma como o design havia sido concebido na Escola de Bauhaus, na Alemanha, no início do século 20, onde a ideia era de casar a arte e a indústria, promovendo uma harmoniosa relação entre os fundamentos estéticos do design e da arquitetura moderna com a linha de montagem industrial.

O desenho industrial ou design, acabou por se tornar um instrumento para a consecução do oposto ao pretendido por seus idealizadores originais, convertendo-se não num elemento de sensibilidade dos consumidores, e sim num fator de deseducação sensível, na medida que se impõe um padrão esteticamente neutro, desprovido de valores e expressões  culturais.  Isto provoca a desidentificação entre usuário e o produto, além da ausência de vínculos que não sejam exclusivamente utilitários e funcionais, facilitando assim a descartabilidade do objeto.

Entre aqueles que também reconhecem o impacto muitas vezes negativo da atividade do design na área social, cultural e ambiental está o designer, educador e ambientalista Victor Papanek, que publicou em 1971, Design for the Real World – Human Ecology and Social Change, onde ele defende um design socialmente e moralmente mais responsável. Já em The Green  Imperative  -  Ecology  and  Ethics  in  Design  and Architecture (Papanek, 1995), apresenta uma visão diferenciada de como poderia ser o  papel  do  design  e  do  designer  na  transformação  de  uma  sociedade “industrial-destruidora” para uma “ecológica-responsável”.

O design é instrumento para a conexão do que é possível no campo das tecnologias limpas com aquilo que é culturalmente desejável no campo da crescente preocupação com o meio ambiente. Com essa capacidade de  perceber  e  interpretar  potenciais  técnicos  e  expectativas  sociais  e projetá-los em novas soluções, o design pode, por conseguinte, acelerar positivamente a mudança de processos de produção e consumo.

Se faz necessária uma estratégia para unir design e sustentabilidade através da implantação de Ciclo de Vida dos Produtos (Lyfe Cicle Design - LCD) e das estratégias “projetuais’ (de design) para a integração dos requisitos ambientais nas fases de desenvolvimento do produto.A estratégia sistêmica do LCD incorpora:
  • Minimização de recursos: Reduzir o uso de materiais e de energia;
  • Escolha de recursos e processos de baixo impacto ambiental:
  • Selecionando os materiais, os processos e as fontes energéticas de maior ecocompatibilidade;
  • Otimização da vida dos produtos: Projetar artefatos que perdurem;
  • Extensão da vida dos materiais: Projetar em função da valorização (reaplicação) dos materiais descartados;
  • Facilidade de desmontagem: Projetar em função de separação das partes dos materiais.

Esta estratégia não se justifica somente pela preocupação ambiental, mas também econômica, uma vez que a redução de materiais e energia salvam dinheiro. Por outro lado quando minimiza-se ou elimina-se  resíduos,  também  economiza-se  na  coleta,  tratamento  e  transporte deste. Além do fato de que hoje já não é mais possível ignorar a agregação de valor que um produto sustentável representa para uma estratégia de competividade empresarial.

Um novo modelo de produção pode ser implantado quando a proposta de um design de baixo impacto ambiental se alia a da ecologia industrial. Esta não é somente uma “ecoindústria”, sinal da preocupação da indústria com a proteção do meio ambiente. Também não são os produtos “verdes” ou a reciclagem parcial dos detritos. Mas sim a reconfiguração completa dos processos industriais, desde a regulação dos fluxos de energia, matérias primas e produtos a partir da reutilização racional dos detritos.

PhD Eloy Fassi Casagrande Jr

Couro de peixe: essa ideia vai vestir você!


Na Amazônia, couro n’água é o desperdício das peles descartadas após a limpeza das 183 mil toneladas de pescado para comercialização. Isso, sem contar tudo o que é consumido pelos Amazônidas e não entra nas estatísticas da economia formal, lembrando que o consumo per capita do Estado do Amazonas é o mais alto do Brasil: 30 quilos de peixe por habitante por ano. No Amapá a média é de 9 kg/hab/ano, enquanto a média nacional é de apenas 4 kg/hab/ano. Ou seja, é mesmo muita pele jogada nos rios, só para alimentar piranhas.

A possibilidade de transformar todo esse resíduo em produto motivou um grupo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) a desenvolver uma tecnologia de curtimento do couro de alguns peixes para uso na indústria de moda, bolsas, calçados e acessórios.

Experimentou-se trabalhar com peles de peixes regionais grandes – como pirarucu, pirarara, tambaqui, surubim, tucunaré, aruanã – e conseguiu obter couros diferenciados: resistentes, macios, fáceis de tingir e com texturas exclusivas. Cada peixe tem seu nicho de mercado: o surubim tem manchas e pintas que conseguimos manter no couro; a pirarara dá um couro tão resistente quanto o do boi e o pirarucu tem uma malha muito diferente, resultante do processo adotado para a retirada das escamas. Mas, entre todos, a aruanã (Osteoglossum bissirosum) é a melhor promessa de mercado, pois a textura é semelhante à do pirarucu e já existe uma indústria estabelecida de filés que poderia fornecer as peles de forma regular.

Atualmente, essa indústria abate cerca de 500 mil exemplares por safra, entre agosto e novembro, só em Manaus. As peles são todas descartadas. Se fossem curtidas, teríamos um milhão de peles (2 peças por peixe) de alta qualidade, próprias para confecção de roupas, inclusive. O uso em calçados ainda depende de mais estudos e testes de resistência. Uma das vantagens dos peixes amazônicos em relação aos peixes do Sul e Sudeste é o tamanho: uma pele de aruanã chega a ter uma área útil de 25 centímetros por um metro, enquanto a do gigante pirarucu alcança 1,20 metro por 1,60 metro.

O primeiro cuidado para conseguir uma pele com tanto aproveitamento é mudar a forma de tirar as escamas e o filé, pois as maneiras tradicionais ferem muito a pele. No INPA, diversos tipos de corte foram testados e a equipe já ajustou um padrão para cada espécie de peixe.

O segundo cuidado é com a conservação da pele. Testou-se o envio das peles secas, salgadas e congeladas e só tivemos problemas com as secas, as salgadas ou congeladas aguentam bem o transporte. Porém o ideal seria instalar curtumes em diversos pontos da Amazônia, de forma que as peles fossem processadas nas localidades de onde vem o pescado, agregando qualidade ao produto e assegurando mais renda ao produtor.

Nesses curtumes modernos, os restos de carne e as escamas seriam retirados da pele com a ajuda de enzimas e com uma sucessão de processos também aperfeiçoados. A pesquisa foi iniciada ainda no final dos anos 1980, mas os maiores avanços foram obtidos nos últimos 3 anos.

Agora o INPA cuida da difusão dessas tecnologias desenvolvidas, com palestras em diversas localidades ao longo dos rios Solimões e Negro, em defesa das fábricas ribeirinhas de couro d’água – como é popularmente chamada a pele curtida de peixe. Também está prestes a substituir um velho laboratório por uma fábrica-piloto, incubada no INPA, com recursos da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), no valor de R$ 2 milhões. Com os equipamentos apropriados para curtir e amaciar as peles dos peixes, ele espera simplificar o curtimento e obter couros de alta qualidade.

A fábrica-modelo também terá um sistema de contenção e tratamento de efluentes para evitar que os químicos utilizados vazem para os rios. Mesmo que a ideia seja trabalhar, futuramente, com corantes naturais e com a redução de químicos de curtimento é de vital importância não deixar margem para a troca de um tipo de poluição (as peles jogadas nos rios) por outro (os dejetos de curtumes).

Alguns estilistas badalados já estão de olho no potencial das peles de peixe no mundo da moda. Agora é apostar na capacidade da Amazônia transformar o couro n’água num couro d’água de alto padrão!

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