terça-feira, 24 de abril de 2012

A Economia Verde e a Bioeconomia


A Economia Verde é entendida como a resultante em bem-estar humano e a equidade social, reduzindo significativos riscos ambientais e a escassez ecológica.

Na verdade, esta nova alternativa visa construir o cenário que permite operacionalizar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio - ODM, com o objetivo de construir um acordo global para alcançar uma sociedade mais equitativa que atenda as aspirações do desenvolvimento do presente sem sacrificar os direitos e as oportunidades das gerações futuras. Este novo conceito, tem sua origem nas discussões realizadas imediatamente desenvolvimento sustentável e visa proporcionar um acordo global e inclusivo de todos setores da economia, a partir de uma perspectiva inclusiva no social, mas centrou-se nas questões ambientais.

A bioeconomia é uma parte específica da economia verde. É interpretado como uma oportunidade de lidar de forma consistente abordou a situação complexidade objetivos e acima desafios e, ao mesmo tempo, os recursos novos para energizar promover crescimento com equidade econômica e social. Conceitualmente, pode ser resumido como a aplicação de novos conhecimentos em ciências da vida, em um ambiente sustentável, produtos competitivos, de agregação de operações econômicas em uma sociedade que usa o valor latente em produtos e processos biológicos para capturar esses novos benefícios para os cidadãos e nações abraçando a produção de renováveis recursos biológicos e suas conversão de resíduos e fluxos em valor agregado, como alimentos, forragens, produtos biológicos e bioenergia.

Independentemente da ênfase colocada em alguns aspectos (na utilização de biomassa ou o papel da nova biologia) os denominadores comuns nas atividades é o uso mais eficiente dos recursos naturais e maior intensidade no uso do conhecimento em processos de produção. O pano de fundo que apoia esta proposta é captar a energia solar transformando-a em outras formas de energia e de produtos que continuem no caminho do desenvolvimento iniciado a partir do petróleo. Em outras palavras, é uma estratégia que visa enfrentar os desafios através do uso mais eficiente dos recursos naturais, capaz de fornecer ferramentas para atingir o social e o econômico (disponibilidade de alimentos, inclusão social, etc.) e substituir o uso de combustíveis fósseis por fontes renováveis.

Pensando em uma nova abordagem, permite reformular o bio tradicional: a dicotomia de relacionamento entre agricultura e indústria, resultantes das economias do desenvolvimento, com vínculos que vão além da produção tradicional de alimentos, liberação de procura de trabalho, para a atividade industrial. Pensando a partir de utilização de "recursos biológicos" (processos biológicos e biomassa), permite visão mais abrangente, onde as relações entre agricultura e outras atividades econômico se tornar muito mais denso e potencialmente excelência.

Em resumo, a economia verde deve ser entendida como um conceito de economia e inclui a bioeconomia, sendo o segmento responsável pela melhorar a utilização da biomassa e as oportunidades emergentes da nova biologia e ciências. Mas geralmente, a bio-economia é um dos componentes da economia verde, mais específica no que diz respeito aos recursos e processos biológicos.

As instâncias são estreitamente relacionadas e os termos de estratégias principais são a otimização do uso de energia e a substituição de fontes fósseis; no caso de bio, através do processo de aproveitamento biológico - inerente às plantas, principalmente para a transformação de energia solar. E a partir de sua captura, que institui as restantes cadeias, também têm sidos desenvolvidos com base na economia de combustíveis fósseis.

Neste cenário, há novas tecnologias com importância de ganho convencional, oportunidades estratégicas oferecidas em termos de novas opções para vencer os desafios apontados e ao estreitamento dos vínculos entre a agricultura e outras atividades econômicas. Neste sentido, a emergência da biotecnologia mostra como um dos componentes-chave do novo paradigma tecnológico, não só para mudar as funções de produção de um número de setores econômicos, mas também a taxa de produção da tecnologia em si, por exemplo, por aumentar a eficiência e a eficácia dos processos relacionados com o melhoramento de variedades de plantas, processos industriais e baseados em recursos de fontes biológicas, testes diagnósticos, etc. Este processo é agora completamente desenvolvido e novos atores e instituições (legal e regulatório) estão começando a aparecer, refletindo o impacto da produção científica e tecnológica no surgimento de novos padrões de mercado. A partir desta perspectiva, o desafio é inserir efetivamente o valor de mercado de recursos e processos biológicos.

Além da biotecnologia, há progresso na geração de cenários para a interação da nova tecnologia da informação, biologia e comunicação, para melhorar os resultados. Estes processos estão começando a perceber ao redor de seis caminhos de desenvolvimento, cada um dos quais é de relevância em situações e com respeito aos aspectos distintos, mas não são mutuamente exclusivos. Estes caminhos incluem:
  • A valorização da biodiversidade, permitindo a geração de novos produtos e aplicações, ao conseguir a conservação dos recursos de recuperação;
  • A intensificação ecológica a melhoria do desempenho ambiental da agricultura sem sacrificar os níveis de produtividade / produção;
  • O uso da biotecnologia, a capacidade da nova biologia para expandir fronteiras de produção, incluindo, mas além de OGM;
  • Biorrefinarias e bio como eixos para a produção de biocombustíveis e insumos para a indústria, mas, sobretudo, para fortalecer a expansão de espaços produtivos em áreas rurais;
  • Serviços ambientais e produtos que atingem a valorizar a integridade do ecossistema;
  • Melhorar a eficiência - entrada / saída - a cadeia de valor, minimizando perdas de produto ao longo da cadeia (que são estimados em um 30-50%) e, assim, conseguir uma maior eficiência na utilização dos recursos naturais.

O fator comum das trilhas propostas é o uso intensivo de conhecimento no contexto da bioeconomia. O aprofundamento envolve um aumento nas estratégias de crescimento e resolução dos desafios globais inicialmente, mas a sua orientação para os ODM envolvem ações ainda mais na sua integração direção a uma maior igualdade e sustentabilidade ambiental.

Eduardo Villarreal - CVI

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Surf na Pororoca: o esporte radical domando a força da natureza


Começou hoje (23), o 12º Campeonato Brasileiro de Surf na Pororoca, onde oito surfistas estarão disputando o título de surfar a maior onda de pororoca do mundo.

Em sua origem tupi, essa palavra quer dizer algo como "causar um grande estrondo". Ela foi adotada para se referir a um dos mais impressionantes fenômenos da natureza - que ocorre quando o mar invade um rio, na forma de uma grande onda que se choca contra a corrente fluvial. Essa onda pode atingir até 4 metros de altura e durar até uma hora e meia, avançando 50 quilômetros rio adentro. A pororoca só ocorre em regiões de grandes marés, como a foz dos rios Sena, na França (onde é conhecida como mascaret), e Ganges, na Índia (chamada de bore) - mas é muito mais intensa no litoral norte do Brasil. Essa região é especialmente propícia para o fenômeno. Primeiro, por receber as águas do rio Amazonas, que, a cada minuto, lança 12 bilhões de litros no Atlântico. Segundo, por registrar as maiores marés do país - o nível do mar chega a subir até 7 metros.

Para completar, os fortes ventos alísios sopram do leste, fazendo com que a maré entre bem de frente no estuário dos rios. As pororocas mais violentas acontecem nos períodos de lua cheia ou nova, nos meses de março e abril. Essa é a época de cheia no Amazonas - e também quando a influência gravitacional do Sol e da Lua sobre as marés atinge seu ponto máximo. Aí, ocorrem as elevações do mar que provocam a onda. Na guerra do mar contra o rio, a maré cheia forma uma única onda devastadora e irrompe terra adentro.

Entenda mais:

  • Na maré alta, a 30 quilômetros da costa, uma sequência de ondas se forma em direção ao estuário dos rios. No norte do país, as marés são grandes: o nível do mar pode se elevar até 7 metros. É o nascimento da onda de maré: a pororoca;
  • No leito da maioria dos rios, o caminho da pororoca se afunila e fica mais raso. Resultado: a onda cresce, alcançando até 4 metros de altura. Nesse ponto, sua força é tamanha que ela chega a inverter a direção da correnteza do rio;
  • A onda devastadora é produto da colisão da água do mar com a massa de água doce que vem na direção contrária. Por cerca de uma hora e meia, o mar vence a disputa - e a pororoca segue continente adentro com uma velocidade de cerca de 30 km/h;
  • Nas pororocas mais fortes, o mar avança até 50 quilômetros rio adentro. Depois disso, a correnteza retoma sua direção habitual. Mas, após um intervalo de 12 horas, na maré alta seguinte, a briga do rio com o mar torna a acontecer...

FORÇA DESTRUIDORA
As pororocas mais violentas não poupam as margens dos rios. Nas áreas mais altas, provocam erosão do solo. Nas planícies alagáveis, o terreno fica submerso. Pela ação da onda, o leito do rio fica mais largo a cada ano.

SAI DA FRENTE!
"Na pororoca, as árvores são arrancadas como se fossem palitos", afirmou o célebre oceanógrafo francês Jacques Cousteau. Quando passa, a onda arrasta tudo o que encontra pela frente: de animais e plantas a qualquer barqueiro desavisado. A água do rio fica barrenta e suja.

AVENTURA RADICAL
Todo ano, são organizados campeonatos de surfe em plena pororoca. Em 2001, o cearense Marcelo Bibita bateu um recorde mundial na onda do rio Araguari: ficou 19 minutos e 14 segundos surfando sem parar. A façanha ganhou as páginas do Guinness Book brasileiro.

SABEDORIA POPULAR
Na Amazônia, toda forma de vida tem de obedecer ao ritmo das águas. É por isso que, acostumados às cheias e às ondas de maré, os ribeirinhos constroem suas casas sobre palafitas - e ninguém se atreve a sair ou a navegar quando passa a pororoca.

Recorde planetário
O litoral norte do Brasil - do Cabo Orange, no Amapá, à divisa do Pará com o Maranhão - é palco das maiores marés do planeta. Em março e abril, nas luas cheia e nova, ocorrem as mais poderosas pororocas.

Água em degraus
A impressionante escalada das marés - A pororoca acontece na entrada da maré alta, a cada 12 horas (1). Quando a onda passa, o nível de água do rio pode subir até 4 metros de uma só vez (2). Depois, ele se eleva gradualmente até 7 metros (3). Na maré baixa, o rio volta ao nível normal.

MundoEstranho

Entrevista com Leonardo Boff: “Precisamos aliar a justiça social com a ecológica”


Em entrevista ao blog Floresta do Meio do Mundo, o teólogo, escritor e professor Leonardo Boff afirmou que a sustentabilidade real supõe um outro paradigma de relação para com a natureza. “A prosseguir esta voracidade, vamos ao encontro de um colapso”, alertou o pensador, que é um dos redatores da Carta da Terra.

Sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), Boff destacou que “não espera nada” dos chefes de Estado. Na opinião dele, as discussões mais importantes serão promovidas na Cúpula dos Povos, evento paralelo à conferência marcada para junho, no Rio de Janeiro.

Recentemente, Leonardo Boff lançou o livro Sustentabilidade: o que é o que não é (Editora Vozes), no qual expõe o que pensa sobre o tema, além de analisar as visões deturpadas de governos, empresas e demais organizações que tornaram o desenvolvimento sustentável como mais um objeto do senso comum, de acordo com seus interesses. O autor também faz um histórico do conceito desde o Século 16 até os dias atuais, submetendo a uma rigorosa crítica os vários modelos existentes acerca do assunto.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: O título do seu mais novo trabalho, Sustentabilidade: o que é e o que não é, sugere que muitas pessoas e organizações deturpam o verdadeiro conceito de desenvolvimento sustentável. De que forma o senhor entende a sustentabilidade?

LEONARDO BOFF: A sustentabilidade real supõe um outro paradigma de relação para com a natureza. Hoje predomina ainda a relação meramente utilitarista, como se ela apenas existisse para atender às nossas necessidades. Esquecemos que nós somos parte da natureza e que ela não é composta apenas pelos seres humanos. Todos os seres são interdependentes e formam a comunidade de vida. A rede, que desta conectitividade se deriva, é responsável pelo equilíbrio da vida e do planeta. A sustentabilidade só ocorre quando garantimos esse equilíbrio de forma que nossas demandas e aquelas dos demais seres vivos sejam atendidas, os bens e serviços naturais possam ser mantidos e até enriquecidos e ainda entreguemos às gerações futuras um planeta habitável. Nesse sentido, quase nada do que fazemos em nossa atual sociedade é sustentável, pois implica sempre estresse da natureza e dificulta que ela se regenere.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: O senhor concorda que o meio ambiente tem sido comumente tratado como algo secundário e periférico?

LEONARDO BOFF: Para as empresas e para os grandes projetos, os custos ambientais, a poluição do ar, a contaminação das águas e outros danos à natureza são considerados externalidades – vale dizer, não entram na contabilidade dos negócios. Hoje, o nível de degradação geral do sistema-vida e do sistema-Terra é de tal ordem que pode impossibilitar a reprodução dos negócios e, no limite, pôr em risco a própria existência humana. A maioria das pessoas, especialmente os empresários e gente de governo, é de analfabetos ecológicos.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Como assim?

LEONARDO BOFF: Eles vivem na ilusão de que a Terra é uma espécie de baú inesgotável. Porém, já tocamos nos limites dela. A Terra precisa de um ano e meio para repor o que tiramos para o nosso consumo de um ano. A prosseguir esta voracidade, vamos ao encontro de um colapso. A Terra é um superorganismo vivo, Gaia, que se autoregula. Ao contrário, começam fenômenos extremos que estamos assistindo pelo mundo afora, grandes estiagens de um lado e severos invernos de outro ou verdadeiros tsunamis de enchentes devastadoras.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: No artigo Sustentabilidade: tentativa de definição, o senhor defende que a sustentabilidade precisa ser ampla e integradora, sob o risco de não passar de pura retórica sem consequências. Onde nós podemos identificar exemplos de que estão tratando a sustentabilidade dessa forma deturpada?

LEONARDO BOFF: Praticamente grande parte daquilo que vem apresentado como sustentável não o é. Não basta apresentar um produto sustentável apenas na fase final do ciclo de vida. Geralmente o processo de extração, produção, consumo e descarte são insustentáveis. O etanol, por exemplo, é limpo apenas na hora do abastecimento. O processo de produção, que exige pesticidas, transporte que queima energia fóssil, os rejeitos não aproveitados e a contaminação das águas revelam que é altamente poluente. As empresas se entendem sustentáveis porque conseguem se manter no mercado e resistir à concorrência, mas não computam os estragos que fazem na natureza para produzir seus produtos, os salários baixos que pagam aos funcionários (ecologia social) e a forma como tratam os dejetos.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: E o que o senhor sugere?

LEONARDO BOFF: Mudar a forma de produção, respeitando os ciclos da natureza. Buscar uma economia não de acumulação, mas sim de uma produção suficiente e decente para todos. Esta exigência supõe um outro paradigma de civilização, uma forma diferente de habitar o planeta, não estando em cima dele dominando-o, mas ao pé dele, convivendo. Ou fazemos tal mudança ou então iremos irrefragavelmente ao encontro do pior, de uma situação sem retorno. A questão é de vida ou de morte para a espécie humana.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Estamos a cerca de dois meses da Rio+20. De que forma o senhor vê a realização desta conferência 20 anos após a Rio 92? Existem avanços e regressos que mereçam ser destacados nesse intervalo de duas décadas?

LEONARDO BOFF: No que diz respeito aos chefes de Estado eu não espero nada. Os países centrais estão em profunda crise econômico-financeira e então protelarão as decisões, como as que já foram anunciadas em Cancún (COP-16) para 2020. Ocorre que a situação global pode se deteriorar de tal forma, especialmente se ocorrer o temido aquecimento abrupto anunciado por inteiras comunidades científicas, como a norte-americana, segundo a qual a temperatura da Terra, nos próximos decênios, poderá se elevar quatro graus Celsius. Se isso ocorrer, advertem, grande parte da vida como a que conhecemos não vai subsistir e porções imensas da humanidade poderão desaparecer.O  importante será a Cúpula dos Povos e o encontro dos movimentos sociais mundiais que ocorrem paralelamente ao evento oficial, pois aí se farão as verdadeiras discussões e serão apresentadas experiências bem-sucedidas, que mostram que o mundo pode ser diferente. De todos os modos, haverá um crescimento notável da consciência de nossa responsabilidade pelo futuro comum, da espécie humana e da natureza.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Há quem defenda que a Rio+20 deva privilegiar o aspecto ambiental, sob pena de perder o foco nas discussões. Outra corrente, defendida pelo próprio governo brasileiro, prega que os fatores econômicos e, sobretudo, sociais, também precisam ser abordados com grande ênfase. Qual é a sua opinião?

LEONARDO BOFF: Precisamos superar o reducionismo que ocorreu na discussão de assuntos ecológicos. Existe também a ecologia social, quer dizer, as formas como as sociedades se relacionam com a natureza e garantem o acesso aos bens e serviços necessários à nossa vida e dos demais seres vivos. Aqui vivemos tempos de barbárie. Pois está ocorrendo uma corrida desenfreada para pôr preço em tudo, especialmente, nos commons, bens comuns como água, sementes, alimentos, ar puro, energia, educação, saúde, fibras e outros, privatizando-os. A vida e o que pertence diretamente a ela não podem virar mercadoria e estar à mercê da especulação. Hoje ocorre uma acumulação de riqueza em poucas mãos como nunca houve antes na história. Praticamente não existem países ricos, mas grandes corporações riquíssimas que detêm mais renda que países inteiros. Três grandes multinacionais detém mais ingressos que 46 países onde vivem 600 milhões de pessoas. Essa questão da justiça social combinada com a justiça ecológica tem que ser posta, como o faz inteligentemente Ladislau Dowbor e Ignacy Sachs.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Como funcionam as ecologias mental e integral?

LEONARDO BOFF: A ecologia mental é o tipo de visão de mundo, de valores e princípios que regem nossas práticas. Os conteúdos são antropocêntricos, utilitaristas, individualistas, materialistas, muito pouco cooperativos e altamente competitivos. Com esses valores, dificilmente se construirá uma sociedade com rosto humano. Por fim, há uma ecologia integral que percebe a Terra como parte de um vasto universo em evolução e que estamos sustentados pelas energias que ordenam o universo e nossas vidas. Tomar isso em conta faz com que nos sintamos parte de um todo maior. Desenvolvemos o sentimento de reverência e de respeito, fundamentais para uma relação não agressiva para com a natureza. Esta visão mais abrangente está praticamente ausente nas discussões, o que mostra como nos falta a consciência necessária para equacionar os problemas globais da Terra e da humanidade.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: O senhor já escreveu que o “mundo vive uma crise de ética” e que precisamos “reinventar um novo modo de estar no mundo”. O que sugere para evitarmos as tragédias ambientais e humanitárias?

LEONARDO BOFF: Ninguém possui uma fórmula salvadora. Ela deverá nascer das experiências positivas dos povos e das muitas tradições culturais da humanidade. O que podemos sempre fazer é começar conosco mesmo. Se não podemos mudar o mundo todo, podemos, no entanto, mudar este pedaço de mundo que sou eu mesmo. O que eu fizer corretamente não fica restrito a mim.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Qual é a sua opinião sobre a postura do governo brasileiro em relação ao desenvolvimento sustentável?

LEONARDO BOFF: Vejo que o governo brasileiro não toma suficientemente a sério a questão ecológica mundial. Não há consciência de nossa importância. Persegue-se um sonho já envelhecido e refutado pela prática de um crescimento sem limites, implicando a devastação de nossas florestas e a contaminação de nossas águas e a destruição de nossa imensa biodiversidade. É lamentável constatar esse fato. A Terra pode continuar sem o Brasil e sem nós. Mas nós não podemos continuar sem a Terra.

EcoD

domingo, 22 de abril de 2012

Entenda as diferenças entre a Rio 92 e Rio+20

Uma das principais diferenças entre a Rio 92 – a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento – e o encontro com a nova Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que ocorrerá em junho próximo no Rio, é que àquela época não havia uma mobilização popular como existe atualmente.

A característica da Rio+20 é que não são apenas os governos, os presidentes e chefes de Estado que vão participar e assinar um documento principal. É toda a opinião pública. Pela primeira vez, o evento será transmitido em tempo real pela internet para todo o mundo. Milhões de pessoas vão ver o que se passa no Rio. Essa distinção é muito importante, porque dá uma característica participativa à Rio+20.

Outra diferença entre as duas conferências é que não havia, em 1992, o conceito de desenvolvimento sustentável como existe hoje. Esse conceito foi enunciado pela primeira vez no Relatório Brundtland, resultado de uma comissão independente constituída sob o comando da ONU e chefiada pela primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland. Apresentado em 1987, o relatório Nosso Futuro Comum propõe o desenvolvimento sustentável, que “atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades”.

Foi a primeira vez que a comunidade internacional admitiu esse conceito que se consagrou na Rio 92. Pela primeira vez esse conceito qualificou o substantivo desenvolvimento com o adjetivo sustentável e não reduziu a perspectiva de desenvolvimento. Ao contrário, deu mais segurança ao processo de desenvolvimento, para que ele se mantenha contínuo e permita que sejam produzidos bens que tragam bem-estar e vida digna para os seres humanos.

O conceito de desenvolvimento sustentável necessita do planeta e de tudo que ele possa fornecer para ser transformado em bens. O desenvolvimento depende do planeta. E para que ele continue verdadeiro e contínuo, é preciso que haja a sustentabilidade dos insumos que oferece.

A conferência Rio+20 já parte desse conceito, que é bem aceito e reconhecido pela opinião pública e objeto de interesse de governos, empresas, indivíduos e grupos sociais.
Outra diferença é que a Rio 92, também chamada Cúpula da Terra, vinha negociar uma agenda com foco preciso. Chefes de Estado de todo o mundo foram ao Rio naquele ano para negociar os tratados sobre biodiversidade e clima e a Agenda 21, que foi definiu como um modelo de convivência humana e de governabilidade firmado em 1992.

A Rio+20, ao contrário, foi convocada sem que houvesse uma linha de chegada, como havia na outra (conferência). A Rio+20 terá é uma declaração, que poderá ser muito importante se indicar novos rumos para o desenvolvimento sustentável “até o fim do século ou além”.

O rascunho da conferência, chamado documento zero, foi produzido a partir de sugestões dos governos e está ainda recebendo indicações informais a respeito desse novo rumo de desenvolvimento que deve ser seguido pelas nações. É uma nova forma de encarar o processo de desenvolvimento, que deve ser sustentável, respeitando os bens oferecidos pelo planeta como insumos para a produção.

Deixo claro, entretanto, que a conferência não pode decidir as modificações, mas somente indicar o caminho, de maneira que a produção condicione um consumo também diferenciado. Esse é um ponto essencial na percepção do que poderá vir da conferência. É uma revisão dos métodos de produção, dos critérios para qualificá-la e também do consumo. A nova conferência da ONU tem de estabelecer um patamar que torne possível a sobrevivência do planeta, que tem hoje cerca de 7 bilhões de habitantes.

Ao reconhecer e respeitar os limites do planeta, será mais fácil balizar a produção que devemos ou podemos tirar, em termos de bens e insumos oferecidos, para a nossa sobrevivência. O que não é justo é que continuemos a explorar os insumos do planeta – minerais, animais e vegetais – em prejuízo de futuras gerações.

Esse é o novo modelo de ver a organização da sociedade. Isso significa também novas maneiras de articular as atividades dentro da sociedade, partindo dos governos e enviando mensagens à ação social. Por aí, vamos chegar talvez a um documento que poderá ter impacto e que irá encerrar a conferência.

Agência Brasil

sábado, 21 de abril de 2012

Dia da Terra: será que somos "os presentes" que ela sempre sonhou?


O Dia da Terra vem ganhando cada vez mais importância desde que foi criado timidamente no início da década de 1970 (22 de abril). Este ano, mais de 500 milhões de pessoas devem comemorar a passagem do dia em 85 países.

O dia surgiu como um movimento universitário e converteu-se em um importante acontecimento educativo e informativo. Os grupos ecologistas utilizam-no como ocasião para avaliar os problemas do meio ambiente do planeta: a contaminação do ar, água e solos, a destruição de ecossistemas, centenas de milhares de plantas e espécies animais dizimadas, e o esgotamento de recursos não renováveis. Utiliza-se este dia também para insistir em soluções que permitam eliminar os efeitos negativos das atividades humanas. Estas soluções incluem a reciclagem de materiais manufaturados, preservação de recursos naturais como o petróleo e a energia, a proibição de utilizar produtos químicos danosos, o fim da destruição de habitats fundamentais como as florestas tropicais e a proteção de espécies ameaçadas. Por esta razão é o Dia da Terra.

Este dia não é reconhecido pela ONU e também não é um feriado em nenhum país da Terra. Que pena! Pois nossa Mãe Terra está cada vez mais carente e pobre de ideias e apoio em busca da tão sonhada sustentabilidade.

Na época do Dia da Terra de 1970, bem como nos primeiros anos de celebração da data, tratava-se de um movimento em prol da “conservação” e não do “meio ambiente” em geral. O foco era preservar e proteger. Questões como a poluição do ar e da água, desmatamento e testes nucleares eram as maiores e mais discutidas – o aquecimento global ainda não estava em pauta.

As coisas mudaram desde os anos 70. A comunicação é muito mais eletrônica. Protestamos online contra as guerras. Petições são assinadas via internet. “Ações ambientais” incluem atirar um papel em um lixo reciclável em vez de jogá-lo na primeira lixeira que encontrar na rua. Com o Dia da Terra não foi diferente: você não vê mais verdadeiros motins pelas ruas, ainda bem. Mas você também não encontra a mesma atmosfera que a data tinha nos anos 70.

No século 21, “conservação” virou “meio ambiente” e os governos do mundo todo estão ligados em todas essas questões. No lugar de focar na proteção de parques e eliminar pesticidas de nossa comida, o grande foco atual é salvar o planeta do aquecimento global, que pode como nós sabemos, acabar com a vida na Terra.

Salvar o meio ambiente criou um consumismo desenfreado, e no Dia da Terra do século 21, você pode encontrar uma grande variedade de produtos “verdes” à venda. Está faminto? Experimente a barra de chocolate que vem em uma embalagem reciclável. Ou talvez você prefira um pacote de fraldas de bebê ecologicamente corretas, spray não tóxicos, e sacolas específicas para fazer compras – nada de sacolas de plástico.

O sentimento pelo Dia da Terra pode ter mudado um pouco nesses últimos 42 anos, mas a motivação ainda é a mesma: agregar o maior número de pessoas e governantes em prol de ações contrárias à destruição ambiental.

Amanhã (22), em comemoração ao Dia da Terra, haverá manifestações em Brasília sobre o projeto de lei aprovado em primeira instância por deputados e senadores com aval do Governo Federal que consolida desmatamentos em áreas sensíveis e estratégicas, como margens de rios e topos de morro, anistia desmatadores, abre espaço para mais derrubada de florestas nativas e para a especulação fundiária e reforça uma cultura de impunidade, de desrespeito à legislação e desvalorização do patrimônio natural (Código Florestal).

A questão em trâmite no parlamento avança para além das fronteiras nacionais, e pode colocar em xeque o cumprimento pelo país de metas assumidas internacionalmente ligadas à conservação da biodiversidade e mudanças climáticas, por exemplo. O mundo inteiro está atento a como o Brasil vai tratar o futuro de suas florestas e se conseguirá manter sua liderança global em desenvolvimento sustentável, conquistada nas últimas décadas.

Os reflexos de uma desastrosa aprovação a toque de caixa da reforma do Código Florestal, sem debate real com a sociedade, pode ter reflexos muito negativos na Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável que acontece em junho no Rio.

A manifestação programada para o dia 22 também irá engrossar a campanha pelo veto total ao projeto de lei, caso o mesmo seja aprovado no Congresso. A campanha “Veta, Dilma!” tem repercutido em todo o Brasil e no Exterior. Vários países demonstraram seu apoio, como Alemanha, Colômbia, Canadá, Espanha, México, Portugal, Suíça, Estados Unidos e Inglaterra.

Todavia, o parlamento não ouve a Ciência, não ouve os juristas e deu às costas para a sociedade. A presidente Dilma Rousseff precisa ouvir o clamor dos brasileiros.

10 jeitos de usar casca de ovo


Composta basicamente de cálcio, a "embalagem" desse alimento serve para proteger a parte interna, onde se desenvolve o embrião. Em vez de jogar a casquinha fora depois de preparar o ovo, guarde-a para utilizá-la no jardim, na limpeza, na cozinha e até na decoração.

CONFIRA A SEGUIR DEZ DICAS INUSITADAS:



1. Mosaico diferente 
Se você gosta de fazer arte em casa, esmague cascas de ovos - antes lave-as e seque-as no forno - em pedacinhos pequenos e cole-os na tampa de uma caixa de madeira, formando um grande mosaico. Depois, é só colorir tudo com tinta plástica.

2. Decoração de festa 
Que tal pintar ovos e recheá-los com confete de chocolate para dar como lembrança de Páscoa, aniversário, chá de bebê...? Fure uma das extremidades da casca com agulha e, com cuidado, abra uma pequena tampa na outra ponta. Assopre pelo buraco menor para que a clara e a gema saiam pela abertura do outro lado. Higienize o interior com água e sabão e seque a casca no forno. Daí é só preencher com os confetes, fechar a abertura com papel de seda e decorar com canetinha colorida, tinta, glitter...

3. Controle de pragas
Para impedir que lesmas e lagartas ataquem seus vasos, espalhe cascas de ovos esmagadas na terra, ao redor das plantinhas. O cálcio do invólucro do ovo mudará rapidamente o pH (índice de acidez) do solo, tornando-o menos ácido e afastando os bichinhos. Assim você evita o uso de pesticidas químicos!

4. Café menos ácido
Duas substâncias presentes nos grãos - o ácido clorogênico lactonas e o fenil indane - provocam acidez, que muitas vezes ataca estômagos mais sensíveis. Para neutralizá-la, use o pH alcalino da casca do ovo. Basta colocar uma casca (limpa) no filtro da cafeteira. A bebida não perde o sabor.

5. Abrasivo ecológico
Pense em quantas palhas de aço vão para o lixo diariamente e poluem o planeta. Pois cascas de ovos limpas e esmagadas substituem com eficiência esse produto na hora de limpar panelas e frigideiras. Basta colocar um punhado na esponja já ensaboada.

6. Sementeiras práticas
Se você gosta de ter à mão temperos frescos, experimente usar a casca de ovo como sementeira no seu jardim. Preencha metade de várias cascas com terra, coloque dentro a semente desejada e plante-as. Como as cascas são biodegradáveis (ao contrário dos potes plásticos), a muda fica em contato direto com o solo depois para crescer.

7. Terra superfértil!
A compostagem (decomposição de resíduos orgânicos, como restos de vegetais e legumes crus, que depois são transformados em nutrientes para a terra) é o método mais eficiente para reduzir o lixo doméstico. As cascas de ovos degeneram-se rapidamente numa pilha de compostagem, contribuindo com cálcio e outros minerais valiosos para o solo. Suas plantinhas ficarão mais fortes e bonitas!

8. Moldes para gelatina
Torne mágica a hora da sobremesa. Fure uma das extremidades da casca do ovo com agulha e, cuidadosamente, abra uma pequena abertura na outra ponta. Assopre o buraquinho menor para que a clara e a gema saiam do outro lado. Limpe o interior com água e sabão e seque a casca no forno. Agora preencha-a com o líquido da gelatina e feche o furinho menor com esparadrapo. Coloque o "recipiente" em pé na caixa de ovo e leve à geladeira para a gelatina endurecer. Retire o esparadrapo antes de servir (as crianças devem quebrar o "ovo" na hora de comer).

9. Lâminas afiadas
De tempos em tempos, triture algumas cascas de ovo (lave-as e coloque-as no forno para secar) no liquidificador. O atrito delas com as lâminas deixa o metal afiado. E não jogue fora o pó que se formou - guarde-o num vidro em temperatura ambiente. Rico em cálcio, ele pode ser misturado na farinha de bolos e pães (basta uma pitada) para complementar a necessidade do mineral na alimentação.

10. Alívio para picadas 
Se você ou alguém da família passa o verão sofrendo com a alergia causada por picadas de mosquito, tenha sempre à mão esta receitinha natural, que alivia a vermelhidão e a coceira. Lave, seque e esmague a casca de ovo e deixe-a de molho por 2 dias num pequeno frasco de vinagre de maçã. Passe a solução na área afetada três ou mais vezes ao dia. Durante o molho no vinagre, forma-se o sal acetato de cálcio que, ao cristalizar, esquenta a pele trazendo sensação de conforto.

PlanetaSustentável

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Desafios e as possibilidades em matéria de proteção ambiental e povos indígenas


Ao final dos anos 1980, o Brasil era o vilão do mundo, por queimar e desmatar suas florestas. Nossas leis não estão transformando-se em ações concretas de proteção do meio ambiente. Falta-nos coordenação entre os diversos níveis da Administração Pública e entre os órgãos envolvidos na questão ambiental, sem falar na falta de recursos e na má aplicação daqueles existentes, além de existirem outros aspectos estruturais: várias realidades socioculturais em um Brasil. A existência dessa gama de realidades em termos regionais já é por si um dado que deve ser enfrentado sob pena das legislações ambientais não lograrem êxito.

Além das questões acima suscitadas devemos levar em consideração que falta vontade política também. No nosso caso específico, as razões seriam variadas: faltam recursos, coordenação burocrática e regulamentação e consolidação de algumas normas. Sobretudo, eis a verdadeira razão: falta vontade política de nossas elites.

Não basta apenas atribuir a responsabilidade no Governo. É muito fácil fazer isso. Falta, também, a vontade de nossas elites como um todo: sindical, universitária, jurídica, acadêmica e econômica. Necessário se faz uma reflexão sobre a consolidação da legislação ambiental. Alguns estudiosos entendem que a legislação deve ser consolidada, simplificada e racionalizada, que deveríamos também incorporar a experiência dos tratados ambientais internacionais, que é a de saber respeitar as diferenças para chegar à igualdade.

Nunca se falou tanto em direitos fundamentais, direitos humanos, universalização de direitos, direitos a diferença, direitos a um ambiente ecologicamente equilibrado como o que se está presenciando agora. Passou-se a decantar em todos os quadrantes do planeta a necessidade do respeito aos direitos ambientais e humanos, cuja violação gera retaliações e severas sanções por parte de organismos internacionais. A Constituição Federal do Brasil elegeu o respeito à dignidade humana como seu dogma maior, arrimado nos princípios da igualdade e liberdade.

Portanto, por tudo o que se diz, por tudo o que se proclama e defende, dever-se-ia estar vivendo a época de maior plenitude do indivíduo, por se encontrar amparado por uma gama de direitos e garantias. Dessa forma o Estado Democrático de Direito, não pode fugir a sua responsabilidade. E, faz-se necessário que esteja dotado de mecanismos ágeis e eficazes para preservar o ser humano. As instituições sociais, governamentais ou não, devem estar, cada vez mais imbuídas da necessidade de proteger o indivíduo e a própria sociedade devem tomar consciência da necessidade de participar do processo de “humanização da humanidade”.

Certo é que, que um sistema democrático é aquele que sabe conviver com a diferença, seja de ideias (liberdade de expressão, de imprensa etc.), seja de costumes ou culturas (respeito às minorias, direito à diferença etc.). O respeito à diferença entre culturas e a proteção a essas manifestações são algumas das necessidades  impostas  pelo moderno  sistema  de  proteção  aos  direitos  humanos. Daí  a  proteção  às manifestações  culturais dos  povos  indígenas,  e  a  própria garantia  à existência dessas comunidades  são exigências enunciadas no sistema de proteção dos Direitos Humanos.

No que concerne às sociedades indígenas entre os ordenamentos nacionais e internacionais estão surgindo novos cenários, com novos sujeitos, que se apresentam através de iniciativas locais, reivindicando o reconhecimento de seu próprio direito, inclusive o direito a um ambiente.

Não se trata de desprestigiar os instrumentos estatais, como em geral as Constituições ou os Tratados Internacionais, em particular o Convênio 169 da OIT, trata-se, sobretudo, de valorizar a interatividade que se pode produzir entre estes instrumentos e a parte justamente interessada: a indígena.

Sabe-se que a constituição originária da integração entre a necessidade de conquistar a sobrevivência e o imprescindível cuidado de não extrapolar os limites nessa constante busca de subsistência constitui-se num dos grandes desafios da atualidade.

Para melhor explicitar esse posicionamento, utilizou-se dois exemplos de casos para demonstrar que tanto no primeiro quanto no segundo, persiste o total desrespeito ao meio ambiente e o direito dos povos indígenas à sua autodeterminação como povos etnicamente diferenciados. O modelo pensado pelo Estado brasileiro em ambos os casos foi devastador. Além de não levar em conta a autodeterminação tampouco pensou-se que a vegetação nativa era finita. E mais, o aldeamento compulsório efetivado no Brasil e especialmente no Estado de Mato Grosso do Sul não contemplou o sistema de vida indígena.

Especialmente no primeiro caso, observa-se a incursão devastadora da ação humana. E que, tanto às áreas indígenas, quanto às não indígenas, especialmente essas últimas, encontram-se devastadas. Isso levando-se em consideração a forma como a racionalidade ocidental pensa o ambiente.

Quanto ao estudo desse caso, observa-se que, a omissão dos agentes políticos, no trato com as questões indígenas, no caso aqui apresentado sobre a situação que enfrentam as áreas indígenas, não indígenas e a população indígena no caso específico da área de Dourados, demonstra o total despreparo desses agentes com os princípios mais elementares da dignidade da pessoa humana.

É nesse contexto, que argumenta-se  sobre  a  necessidade  de discutirmos  “novas  práticas”  nas  políticas públicas.  Sendo que, o que nos parece mais urgente é fortalecer a capacidade dos indígenas, de suas comunidades e organizações representativas, em desenhar e gerir projetos próprios.

Assim, considera-se que o estudo deste tema é de fundamental importância para podermos compreender os novos desafios proposto à sociedade contemporânea, diante das novas demandas, com vistas à interculturalidade e com um perfil inovador de um justo desenvolvimento sustentável, ancorado na dignidade da pessoa humana.

No decorrer do processo histórico, evidencia-se que nos últimos cinco séculos, tem-se construído uma apropriação, que tem gerado uma desintegração entre o cuidar e o conquistar. Chega-se hoje, a uma dura realidade e consciência de que não pode-se mais continuar agredindo e destruindo a natureza, pois ela não é um objeto sem vida, e sim, um organismo vivo e vital, do qual o futuro da espécie humana depende. Vive-se um momento histórico em que impõem-se o desafio de propor saídas e iniciativas que visem minimizar essa situação. E, acredita-se que os povos indígenas, são um bom exemplo, para refletir.

Para que isso se efetive torna-se necessário pensar essa questão a partir da alteridade e não da homogeneidade, como se todos os povos e todos os espaços fossem únicos. A natureza não pode continuar sendo instrumentalizada a partir de uma tendência antropocêntrica em que ainda pensa salvar a natureza em função do homem, numa concepção dualista, que projeta uma compreensão de que o homem e a natureza são entes separados, apenas relacionados funcional e utilitariamente.

A partir do momento que a alteridade, a diferença são reconhecidas, as propostas, para solucionar a crise ambiental, jamais poderão ser funcionais, utilitárias e antropocêntricas. Inevitavelmente terão que ser dialogadas, pelo menos em dois níveis: diálogo com a natureza e o diálogo com as distintas culturas.

Portanto, diante do tema proposto- proteção ambiental e povos indígenas: conflito ou conversão, acredita-se que é necessário a interação, o respeito, levando-se em conta que a interculturalidade é um dos principais caminhos.
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