terça-feira, 17 de abril de 2012

Degradação do meio ambiente e a relação com os problemas das comunidades indígenas


Quando se fala em problemática atual das comunidades indígenas, não se pode dizer que nasceram na atualidade, mas sim, que são resquícios de problemas que nasceram ainda na colonização, por este o fato de tanto se estudar os primeiros séculos do “descobrimento” do Brasil.

Além do processo de colonização, houve no Brasil o processo de Neocolonização, que foi o período em que o interior do Brasil passou a ser ocupado, acabando de inúmeras formas com as comunidades indígenas, período este que foi até em meados do século XX. Assim, houve intromissão de inúmeros segmentos, como as madeireiras, os garimpeiros, latifundiários, mineradoras, hidrelétricas, rodovias, entre outros. Conforme a citada autora, esta intromissão causou nas últimas décadas o desmatamento, o assoreamento de rios, a poluição ambiental e a diminuição da diversidade local, trazendo as enfermidades, a fome e o empobrecimento compulsório da população indígena.

O século XX foi marcado pela industrialização global, porém as industrializações foram feitas de forma desenfreada, com o intuito de lucro imediato, sem se pensar em proteger o meio ambiente. Além dos fatores de degradação ambiental que ocorria em todo o mundo gerados pelo desenvolvimento econômico e industrial das grandes cidades, o interior do Brasil, que ainda tinha suas florestas nativas intactas, passou a ser povoado, a fim de iniciar o processo de plantio e agropecuária das regiões Norte, Centro Oeste, Sul e Sudeste do País, sendo que as comunidades indígenas que ainda não tinham sido “descobertas” passaram a ser desbravadas neste processo de Neocolonização.

Os empreendimentos hidrelétricos acarretam inúmeros problemas para a população indígena, tendo em vista que eles perdem parte de sua terra produtiva, perdendo então sua subsistência, necessitando do comércio local para sobreviver, haja vista não tendo eles conhecimento sobre o dinheiro, acabaram perdendo em poucos meses todo o dinheiro recebido na indenização em compra de alimentos. Além deste fato, como o local é rico em biodiversidade, diversos madeireiros da região passam a agredi-lo, gerando grande devastação da área, sendo que o lucro que os madeireiros receberam muitas vezes não é repassado aos indígenas e quando o era, o valor é irrisório.

A maioria desses empreendimentos ocorreu no início da década de 80. Todavia, as consequências ainda são vistas na atualidade, onde os indígenas vivem na miserabilidade, necessitando de políticas públicas assistencialistas para a sobrevivência, ocasionando, assim, outras consequências, como o alcoolismo e a prática de delitos.

Em relação às rodovias, uma das mais dramáticas histórias foi a da rodovia que liga a cidade de Cuiabá, capital do estado do Mato Grosso à cidade de Santarém, no estado do Pará, a BR-163, conhecida como rodovia Transamazônica, uma das mais extensas do País. Ela foi construída durante o Regime Militar, há 38 anos.

Durante o período da construção os caminhões traziam a mensagem “integrar para não entregar a Amazônia”. Isto porque, naquela região, viviam índios Panarás, que nunca tinham sido contatados. Desta forma, acreditava-se que era necessário integrá-los à Comunhão Nacional para que o Brasil não perdesse a Floresta Amazônica. Porém, graças ao trabalho dos irmãos Villas Bôas, durante os contatos não houve conflitos, mas por conta das doenças que os homens brancos transmitiram aos indígenas, mais precisamente o sarampo, dois anos depois havia somente 82 índios Panarás naquela região.

Além dos problemas causados durante a construção das rodovias, hoje o principal problema é a questão de haver estradas que “cortam” as aldeias, trazendo diversos problemas dos “não índios” para dentro da comunidade, além de haver vários atropelamentos dentro das aldeias. Conclui-se então que o desenvolvimento do País com a construção de hidroelétricas e de rodovias gerou diversos problemas às comunidades indígenas.

Também durante o Regime Militar, na fase do “progresso” do Brasil, as regiões aldeadas por índios passaram a ser povoadas por fazendeiros, a fim de intensificar a agropecuária. Nessa ocasião vale ler e analisar a obra “Ditadura e Agricultura” - o desenvolvimento do País durante este período e os prejuízos causados na Floresta Amazônica no período de expansão capitalista, bem como os prejuízos causados às Comunidades Indígenas neste período na região amazônica.

As terras tribais eram praticamente todas as terras da região. Depois, pouco a pouco, ou com rápida violência, os indígenas foram sendo rechaçados de suas terras. A catequese, a evangelização, o extrativismo, a pecuária, a agricultura sob as mais diferentes formas, estenderam a sociedade e a comunhão nacionais pelas terras, comunidades e culturas indígenas. As maiores vítimas da penetração de relação de exploração das riquezas da Amazônia foram, entretanto, os indígenas.

As atividades de desmatamento começaram a ser executadas de forma cada vez mais intensa nos anos 70 e 80 do século passado. O comércio de madeira foi a atividade mais importante, o grande negócio que hoje latifundiários e madeireiros desejariam possuir. Com exceção de plantios de milho e de soja, hoje em dia nesta região predomina a criação de gado bovino. Para isso foram semeadas, nas áreas desmatadas, os capins africanos do gênero braquiária para pasto, que é extremamente agressivo e se espalha facilmente sobre cada pedacinho livre de terra, e que se espalhou, também, sobre a superfície de cultivo dos indígenas. 
A partir de então, as aldeias passaram a ter seu espaço reduzido e os problemas passaram a evoluir. A Amazônia, como explica Leonardo Boff, principalmente durante o Regime Militar, entre as décadas de 70 e 80, passou a ser povoada, por conta do lema “terra sem homens para homens sem terra”. Entretanto, este povoamento foi realizado sem nenhum controle ambiental, hidroelétricas, rodovias e a agropecuária passaram a ser desenvolvidas, desmatando as florestas e matando indígenas.

Os graves problemas fundiários existentes no Brasil, igualmente, não podem ser solucionados sem que se resolva os problemas relativos às terras indígenas. Assim, na medida em que a expansão da fronteira agrícola verificada na década de 70 do século XX e a construção de diversas rodovias, tais como a Transamazônica, implicaram o deslocamento de inúmeros povos indígenas das terras que tradicionalmente ocupavam ou mesmo a invasão das terras indígenas por colonos originários das mais diferentes regiões do País.

Como estudado, a terra para o indígena é o seu meio de sobrevivência. Sem ela não há vida. Conclui-se que a principal fonte das problemáticas destes índios é a perda da terra, das florestas: O  prejuízo advindo da perda da floresta vai muito além do componente econômico. Para os guarani a floresta com seus campos naturais era "tudo o que contava", era tudo o que conheciam do mundo, era o seu mundo. Domesticar a floresta com seus perigos era a oportunidade que tinham os homens para desenvolver sua personalidade e para obter prestígio. A comunicação vital com os animais e com os espíritos da floresta permitia-lhes desenvolver sua rica vida espiritual. Tudo isto está irremediavelmente perdido, pois com a perda da floresta, também se perdeu, quase ao mesmo tempo, os saberes a ela relacionados e a prática da convivência vital com as plantas e os animais.

Hoje se encontram diversos problemas de ordem sociais ocasionados pela falta de terra, acarretando em falta de produtividade. Além da falta de terra, muitas aldeias estão em áreas em que não há solo fértil, tampouco caça e pesca, ou então, estão em áreas que não podem ser cultivadas.

Não eram somente os indígenas da Amazônia que sentiam os problemas gerados pela degradação do meio ambiente, eles eram sentidos em todo o território nacional, devido à exploração das matas nativas, da construção de hidroelétricas e da construção de rodovias.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O significado da terra para os povos indígenas


Os povos indígenas mantêm uma relação muito especial com a terra. Para ocupá-la, não distribuem títulos ou lotes particulares, ocupam-na de forma coletiva. A terra é posse de todo o povo. Uma das mais expressivas vitórias na história recente dos índios no Brasil foi a conquista de um capítulo especial na Constituição Brasileira. O artigo 231, referente aos direitos indígenas, reconhece a posse coletiva das terras, o significado do território para as culturas dos povos. Afirma serem elas “inalienáveis e indisponíveis”, ou seja, não podem ser vendidas, não estão a serviço do mercado, mas sim do usufruto exclusivo dos índios.

A terra para o índio “é seu chão cultural, habitada por suas tradições, referência básica dos seus valores vitais, prenhe de mitos, campo de sua história” O relacionamento dos índios com sua terra assemelha-se ao modo como o povo hebreu concebia a terra prometida. Para eles, a Palestina não era igual às outras terras, porque era a terra da Promessa. Fora daquela terra era impossível celebrar a liturgia, as festas e até mesmo cantar um dos cânticos de Sião. Da mesma maneira, os povos indígenas têm seus lugares sagrados, espaços de seus rituais, de manifestação de suas crenças e da força de seus ancestrais. A terra é o chão de sua história, de sua cultura, de sua coesão, de sua sobrevivência.

A luta dos povos indígenas para defender e garantir a posse de seus territórios já dura cinco séculos. Mas é, certamente, uma luta justa e abençoada, porque tem a finalidade de assegurar uma vida digna e plena destes povos tão sofridos. Como o Povo de Deus buscando e acreditando na Terra Prometida, os índios seguem nestes cinco séculos, refazendo a utopia, lutando de muitas maneiras para conquistar a “terra sem males”.

A invasão portuguesa, no século XVI, é o início desta luta. No entanto, nos trinta primeiros anos, os europeus dedicaram-se à exploração das riquezas aqui existentes e à busca de metais preciosos. A luta pela posse do território se intensificou na quarta década, quando a Coroa Portuguesa implantou as capitanias hereditárias. As capitanias foram a forma encontrada por Portugal para ocupar e explorar o território, assim como para impedir a presença de outros povos nele, ou, inclusive, expulsar os que nele estivessem.

Entretanto, graças à persistência guerreira dos povos, que não se curvaram ao domínio Português, protagonizando incontáveis guerras, os índios conseguiram conquistas importantes, mesmo dentro do ordenamento jurídico do Estado colonial português, que era obrigado a fazer concessões. Foi assim que, já em 1680, a Coroa Portuguesa, através de um alvará régio, reconheceu aos indígenas o título de “primários e naturais senhores” de suas terras, mesmo que incidentes em terras concedidas através de regime de sesmarias. Inicialmente direcionado às áreas do Grão-Pará e Maranhão, em 1758 este reconhecimento estendeu-se a todo o País.

O reconhecimento formal do direitos dos povos indígenas sobre suas terras não se constituiu, no entanto, em nenhuma medida de proteção efetiva e as comunidades continuaram a perder suas terras para invasores, refugiando-se em outras áreas, sendo empurrados para  situações insustentáveis de vida. A Lei de Terras, editada em 1850 determinava que as terras indígenas não eram passíveis de colonização, por já estarem destinadas aos seus ocupantes tradicionais (indígenas). Apesar desta garantia, a consequência mais evidente desta lei foi o confinamento dos índios em reservas, cercadas por grandes fazendas, muitas delas implantadas dentro da própria terra indígena. A situação atual das terras indígenas no sul do País é uma consequência direta da aplicação da Lei de Terras.

Na segunda metade do século XIX, os governadores das províncias, principalmente das regiões Nordeste e Sudeste, para atender a interesses da elite rural, passaram a declarar, por decreto, a extinção dos aldeamentos indígenas, para que pudessem os respectivos terrenos ser revertidos ao patrimônio das mesmas províncias e daí às câmaras municipais e particulares. Embora tivessem sido extintos seus aldeamentos, os índios não deixaram de existir e continuaram sendo “um problema” para o País, pois faziam frente às fronteiras expansionistas, resistindo, para permanecerem em seus territórios. O SPI foi incumbido de fazer a integração pacífica das populações indígenas, para desobstruir gradativamente os territórios.  Ser índio era visto como uma condição transitória e estas populações seriam totalmente integradas à sociedade brasileira.

A persistência dos índios em reivindicar seus direitos fez com que a questão indígena emergisse pela primeira vez num texto constitucional. A Constituição Federal de 1934 reconheceu o respeito à posse territorial indígena e proibiu sua alienação, como mecanismo de garantia contra a investida de terceiros. Mas, novamente, a legislação não foi suficiente para conter o avanço das invasões, que na década de quarenta, estavam voltadas para os territórios dos povos indígenas no Brasil Central. Integrantes do SPI, a exemplo de Darcy Ribeiro e dos irmãos Villas Boas, achavam que a única forma de evitar o extermínio dos povos indígenas era agrupá-los em grandes parques, onde estariam protegidos. A primeira experiência neste sentido foi o Parque Indígena do Xingu, idealizado na década de 50 e criado em 1961. Apesar de bastante elogiado como modelo de proteção e garantia da sobrevivência dos povos indígenas, na verdade esses parques constituíram-se em uma espécie de depósito de índios, para onde foram transferidos diversos povos, atingidos pelo processo desenvolvimentista. Além de serem deslocados para terras desconhecidas, o que abalava significativamente suas formas de viver e seus conhecimentos sobre o meio ambiente, muitas vezes povos que mantinham relações históricas de colaboração, de troca de bens e até de casamentos, foram separados e tiveram que reconstruir suas próprias estruturas sociais.

Com a extinção do SPI, em 1967, os governos militares passaram a conceber a figura da reserva indígena – pequenas porções de terras destinadas aos grupos, não necessariamente em seus territórios tradicionais. Foi a estratégia encontrada para acomodar aqueles povos ao processo de ocupação das terras no centro e norte do País. Na década de 70 emergem uma série de conflitos pela posse da terra, em decorrência das estratégias de ocupação do território brasileiro implantadas durante 470 anos. Nas regiões Centro-Oeste e Norte encontrava-se o maior número de povos e as mais variadas situações de contato. Havia povos que não eram mais considerados indígenas, tais como os “caboclos” do Acre, incorporados ao trabalho nas frentes seringalistas, e os “caboclos” de Roraima, integrados às fazendas dos invasores. Havia também povos desconhecidos, sem contato com a sociedade brasileira. Todos eles permaneciam em seus territórios tradicionais, que precisavam ser demarcados e protegidos das invasões dos não-índios, pois estavam ameaçados pela violência e truculência características do processo de ocupação recente da região amazônica. Os índios das regiões Sul, Sudeste e Nordeste já apresentavam uma situação totalmente diferenciada. Em função de já existir ali uma estrutura agrária mais consolidada, dada sua antiga ocupação, as populações indígenas viviam confinadas em pequenas reservas, ou em comunidades dispersas, sem terra.

Esses cenários embasaram o surgimento de vários grupos de apoio às lutas dos índios pela demarcação de suas terras. Conjugaram-se, desta forma, duas vontades e duas consciências: a dos povos, com suas experiências de vários séculos de resistência e a dos que apoiam a causa indígena e são aliados estratégicos dentro da sociedade brasileira. O apoio de setores da sociedade trazia, no bojo, a crítica ao sistema agrário do País, através do qual se constituem e fortalecem os latifúndios, sob o peso da expulsão de populações tradicionais.

Este processo estimulou o espírito guerreiro dos povos indígenas, recriando novas formas de luta, conscientes de que precisavam agir de maneira mais organizada para defender seus territórios e garantir a continuidade de suas vidas. E foi o protagonismo indígena, nos anos 70, que possibilitou conquistas significativas, tanto legislativas como na prática concreta das demarcações e garantia dos territórios. Ao mesmo tempo, gerou uma reação das elites no poder, que propuseram iniciativas que significavam frontal agressão aos direitos indígenas. Foi o caso da “campanha da emancipação” que, de forma obstinada, o Ministro do Interior, Rangel Reis, levou adiante na segunda metade da década de 70. O projeto só foi barrado a partir de uma mobilização ampla dos povos indígenas e de setores aliados da sociedade brasileira e internacional. O verdadeiro objetivo do projeto era a “emancipação das terras indígenas”. Ou seja, liberar as terras para o avanço do latifúndio e da colonização e ocupação dos espaços pelo grande capital.

Nesse contexto, os índios foram desenvolvendo formas diferenciadas de luta pela terra, desde as ações de reivindicação junto aos órgãos públicos responsáveis pela questão indígena, até as iniciativas próprias de recuperação da terra invadida. Assim, surgiram as retomadas, expressão usada para designar a reconquista territorial, prática comum nas regiões Leste, Nordeste, Sul e Sudeste. O ato de retomar implica sempre o confronto direto dos índios com o invasor, já que a posse indígena depende da expulsão daquele. Há, portanto, muita violência praticada contra os povos indígenas nestas iniciativas de luta para assegurar seus territórios.

A realidade dos Povos Indígenas


Atualmente, têm-se conhecimento da existência de povos indígenas, com suas respectivas terras tradicionais, demarcadas ou não, vivendo em 24 unidades da federação. Estima-se que a população indígena total seja de 550.438 pessoas, pertencentes a 225 povos, falando cerca de 180 línguas diferentes. Desta população, cerca de 358.310 vivem em seus territórios, outros 191.228 migraram para centros urbanos e há uma estimativa de 900 índios que são pertencentes a povos não constatados.

Há dois segmentos da população indígena para os quais há ausência total de política de atendimento por parte do governo: são os índios que vivem nas cidades e os povos considerados “ressurgidos ou emergentes”.

As famílias indígenas que vivem em centros urbanos, em sua grande maioria, foram forçadas a migrar. Elas geralmente não deixam suas terras por opção, mas para tentar encontrar condições melhores de vida. Suas histórias são marcadas pela violência, fogem das ameaças constantes, da escassez intensa ou do preconceito. A migração não ocorre apenas em direção às cidades. Em várias regiões encontram-se grupos familiares dispersos, que nas migrações vão se afastando, tanto de suas terras tradicionais quanto de outros membros de seu povo. Podemos citar o exemplo do povo Atikum, que embora seu território tradicional se localize na Região Nordeste, no Estado de Pernambuco, encontra-se hoje distribuído entre os Estados do Pará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Bahia.

Outro segmento da população indígena, desassistido pelo governo brasileiro, são os povos ressurgidos.  São povos que foram forçados a manter no anonimato as suas identidades étnicas e culturais durante anos e até séculos, em consequência de violentos processos de perseguição e de discriminação. A conjuntura dos últimos anos tem possibilitado que estes povos reassumam suas identidades e reivindiquem a devolução de seus territórios tradicionais, cabendo ao Estado Brasileiro demarcá-los, conforme determina a Constituição Federal. Nos encontros, assembleias e momentos coletivos, os povos indígenas têm alertado para a necessidade de se assegurar aos índios que vivem nas cidades e aos povos ressurgidos os mesmos direitos consagrados na Constituição.

Não há dúvidas de que, a partir da chegada dos europeus, os povos indígenas passaram a conviver com os mais variados tipos de violência. Componente intrínseco ao regime imposto pela colonização portuguesa, a prática da violência acontecia, sobretudo, no trato com os escravos. Era também a estratégia mais comum na disputa pela terra e ampliação das fronteiras do território colonial. Passados quinhentos anos, a violência continua em pauta, na política indigenista atual. É uma violência estrutural, estrategicamente incorporada aos processos genocidas que se revelam hoje nas invasões de terra, aliciamento, repressão cultural e religiosa, roubos, fome, alcoolismo, prostituição, esterilização de mulheres, discriminação e etc.

Uma das principais causas da violência contra os índios é a cobiça de suas terras. Pode-se afirmar que 85% das terras indígenas (incluindo-se as demarcadas) são objeto dos mais diversos tipos de invasão, tais como a presença de posseiros, garimpeiros, madeireiros, projetos de colonização, abertura de estradas, hidrelétricas, linhas de transmissão, hidrovias, ferrovias, gasodutos, oleodutos, minerodutos, criação de unidades de conservação ambiental e etc.

As reivindicações dos povos indígenas são justas, pois se fundamentam nos direitos que possuem, como pessoas, como cidadãos e como povos diferenciados. Para a superação da violência, eles exigem a garantia da terra, da dignidade, da justiça e de um atendimento respeitoso e adequado. Nos caminhos traçados em suas lutas, os índios questionam não apenas a política indigenista, mas a base de toda a política que coloca em segundo plano o bem estar da pessoa humana. Suas lutas questionam a concentração da terra em grandes latifúndios, a privatização dos bens, recursos e conhecimentos produzidos socialmente. Estas são também as reivindicações de todos aqueles que lutam para construir uma sociedade mais humana e igualitária, de todos os que cultivam a utopia da transformação ampla da sociedade.

Neste sentido, é fundamental conhecermos e refletirmos sobre o significado da terra, da convivência, do meio ambiente, da saúde, da educação para os povos indígenas e quais os caminhos apontados por eles na construção de um país melhor. Compreendendo a realidade indígena e os caminhos de luta construídos coletivamente por estes povos, podemos vislumbrar, não apenas as formas possíveis de solidariedade com eles, mas as diversas maneiras de viver, de lutar, de acreditar e de forjar o amanhã. Úteis também para a transformação de nossa própria realidade.

domingo, 15 de abril de 2012

Movimento Zeitgeist: Como podemos tornar nossos representantes obedientes?


A urgência e a seriedade das questões sociais e ambientais do mundo de hoje, ligadas à incapacidade humana de resolver esses problemas, nos levam a refletir sobre o relacionamento do homem com a natureza e também com o próximo. O desenvolvimento medido pelo consumo e o crescimento da economia à custa da natureza põem em xeque a possibilidade de avanço real em direção a “governança sustentável” e “economia verde” no plano global.  O Movimento Zeitgeist, conhecido pela repercussão de seus documentários, defende que os problemas de hoje são o resultado da paralisia do progresso natural da espécie humana rumo à união e igualdade.  A apenas dois meses da Rio + 20, esse debate se vê necessário.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Como podemos explicar os problemas da humanidade?

MOVIMENTO ZEITGEIST: Dentre outros problemas da humanidade como pobreza, corrupção, consumismo, vamos pegar o desmatamento como um exemplo. O que faz as árvores irem ao chão desnecessariamente? Serras-elétricas? Evidentemente não, pois as máquinas não possuem vontade própria. Então seriam os empregados de fazendas ou criminosos? Também não, pois estes apenas fazem aquilo que têm acesso para sobreviver. É apenas um meio de se ganhar dinheiro. Então seria o dinheiro a causa? Também não, pois usamos isto como meio de troca. O dinheiro por si nada faz. Perceba o que está realmente por trás de tudo! Retire todos os humanos da Terra e as florestas não sofrerão mais qualquer abuso. O problema são as pessoas. Então é isso o que temos que entender. As pessoas precisam mudar. Precisamos nós nos tornarmos responsáveis. Porém, não há como ser responsável por algo que simplesmente não compreendemos. E o que é aquilo que não compreendemos? Nós mesmos. Como indivíduos e, ao mesmo tempo, espécie humana. Toda vez que segregamos pessoas deixamos de ver os fatos: só há humanos! Não existem membros de entidades, empresas, fundações, universidades, movimento sociais, tampouco rótulos como brasileiros, ativistas, empregados, o que for. Tudo são ideias, não fatos. A realidade é que simplesmente somos animais da mesma espécie que coexistem no mesmo planeta. O MZ age para conscientizar as pessoas de que os problemas da humanidade são simplesmente uma ausência de união da espécie. Ao nos unirmos, resolvemos nossos problemas em conjunto. Pois o indivíduo percebe que enquanto nos organizarmos em grupos separados, iremos competir por base na escassez. E neste cenário de guerra, por exemplo, uma floresta não é nada além de “munição”, uma vantagem competitiva.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Estamos nos aproximando da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável que marca os vinte anos da Cúpula da Terra, realizada no Rio em 1992. Os temas da conferência vão desde economia verde à erradicação da pobreza.  Há alguma mobilização por parte do movimento para essa ocasião?

MOVIMENTO ZEITGEIST: Pois então, questiona-se a relevância destas conferências. Percebe-se que entra ano e sai ano, a tentativa é sempre aplicar um modelo já conhecido. Percebe-se que o fato de aplicar modelos (um conjunto pré-estabelecido), sejam quais forem, simplesmente em nada se resolve. Quando realmente investigamos os fatos? Quando nos tornamos responsáveis como pessoas e fazemos algo a respeito? Ou apenas mantemos um discurso que nada diz? Não precisamos de mais conferências. Não precisamos de nenhuma conferência. Nós humanos somos capazes de resolver os problemas que nós mesmos criamos. A destruição da Terra é uma mera consequência da destruição que sustentamos como indivíduos, pois não assumimos responsabilidade em nível particular. Uma pergunta muito importante a se fazer é: “o que eu sei sobre minha espécie? O quanto compreendo que meus atos individuais refletem no mundo? Este tipo de pergunta, se compreendida, pode levar à novidade. E a novidade é nos unirmos como uma só espécie e resolvermos nossos problemas.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Como o Movimento encara o debate atual sobre a questão da produção de alimentos vs. desmatamento? É possível suprir para os sete bilhões de habitantes do planeta?

MOVIMENTO ZEITGEIST: Podemos viver num mundo de abundância econômica desde meados do século XX. Temos os recursos adequados para uma gestão inteligente da produção, exploração e distribuição para todos. Uma economia que preserva e, ao mesmo tempo, sustenta a vida de todos.  A única coisa que impede de usarmos nossas ferramentas somos nós mesmos.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: No debate da reforma do Código Florestal brasileiro, 80% da população se mostra contrária aos caminhos tomados pelos seus representantes no governo. Espera-se agora um posicionamento da presidente Dilma.  Igualmente com a questão da construção de Belo Monte.  Como podemos nos fazer ouvir pelos nossos representantes?

MOVIMENTO ZEITGEIST: Como fazer-nos ouvir? Atualmente fazer-se ouvir é algo simples, posso citar a antiga conferência de Génova ou a mais atual onda de “ocupações” que se espalhou pelo mundo. Em ambos os casos “gritos populares” foram ouvidos. Mas, mesmo assim, o resultado não veio a ser nenhuma solução para nossos problemas. Quem sabe a pergunta mais adequada fosse: “como podemos tornar nossos representantes obedientes?”. E nesta pergunta temos o verdadeiro problema, pois novamente refletimos em nossas ações uma perspectiva reducionista, “‘nós” contra “nossos representantes’”. A questão é que ninguém enxerga a humanidade como uma só, logo ninguém busca soluções para a humanidade como um todo, mas apenas para seu próprio pequeno grupo. De fato, não existem representantes, apenas pessoas tentando garantir sua própria sobrevivência.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: A dependência da energia de origem fóssil é um grande norteador de políticas públicas de governos e de riqueza de poucos. Como o Movimento aborda essa questão?

MOVIMENTO ZEITGEIST: Como humanidade, já temos tecnologias que podem substituir qualquer energia não renovável. Podemos gerar mais de 1000% em relação à nossa taxa de consumo. No entanto, por nada entendermos de como nosso mundo funciona, fazemos uso de métodos obsoletos de decisão. Agora, se projetamos escassez, competição e segregação, é apenas isso o que produziremos. O uso do petróleo é uma consequência desta doença, não sua causa. Se perguntamos sobre guerra, as respostas serão sobre guerra. Talvez seja hora de rever as perguntas.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Estamos assistindo hoje no cenário mundial vários movimentos como o #VetaDilma, #Florestalfazadiferença, #Kony2012, # OccupyWallStreet, entre outros, em que a participação da sociedade, principalmente de jovens, está cada vez mais clara graças às redes sociais.  A revolução depende da internet e de redes sociais?  Basta “curtir”?

MOVIMENTO ZEITGEIST: A internet é só uma ferramenta. Como uma faca, depende da compreensão humana usar o recurso para matar ou compartilhar um alimento. Questionar ferramentas é ignorar a causa de nossos problemas, porque ferramentas não possuem vontade própria. Há muito a oferecermos em termos de compreensão. Fica a cargo de sua liberdade compreender como resolvemos nossos problemas. Ninguém o fará por nós. Este é o mundo no qual vivemos. É nossa responsabilidade assumir nossas capacidades. E nós podemos muito quando juntos.

Saiba mais sobre o movimento: movimentozeitgeist.com.br/primeiravezporaqui

IPAM

sábado, 14 de abril de 2012

Os riscos de se buscar energia nas profundezas


A utilização de novas tecnologias para extrair hidrocarbonos das entranhas da Terra, até agora inacessíveis, pode dar início a um pesadelo ecológico definitivo.

O geólogo norte-americano Marion King Hubbert previu, já em 1956, que a produção de petróleo alcançaria seu nível máximo quando a humanidade tivesse usado a metade das reservas mundiais até então comprovadas. Esta postura se baseia no fato de os geólogos tenderem a encontrar primeiro os poços maiores e a estes ficarem “exaustos” antes de realmente se ter extraído todo o óleo. É possível que a oferta de petróleo tenha chegado ao seu máximo histórico em julho de 2008, e, assim, já tenhamos passado o temido teto sem que ninguém se desse conta. Isso teria sua explicação no fato de a produção de gás natural continuar aumentando e cada vez mais substituindo derivados do petróleo.

As coisas seguramente vão piorar quando a extração combinada de petróleo e gás natural alcançar o máximo possível no planeta. Depois disto, o fornecimento de hidrocarbonos começará a baixar e já não poderá atender a demanda, e os preços dispararão. Quando isso ocorrer, começará um período de depressões severas da economia, com recuperações curtas e intermitentes. A produção de alimentos também sofrerá, pois 80% de nosso consumo é produzido com ajuda de fertilizantes nitrogenados, cujos preços dependem do valor de mercado do gás natural. Os governos e as empresas se tornaram muito conscientes do problema e enormes quantias de dinheiro são investidas em várias soluções alternativas.

Uma opção possível é expandir as reservas de gás natural acessível, com uma tecnologia conhecida como fratura hidráulica, ou fracking. A técnica consiste em bombear, sob alta pressão, dezenas de milhões de litros de água tratada quimicamente dentro de profundas formações de relativamente impermeáveis rochas sedimentares, conhecidas como xisto. O líquido quebra estas pedras ou expande fraturas existentes, liberando os hidrocarbonos de modo que possam fluir para um poço. Outra opção é um método conhecido como gaseificação subterrânea do carvão, ou UCG. Neste procedimento, os veios de carvão são convertidos em syngas (gás sintético), uma mistura de metano, hidrogênio e monóxido de carbono, mediante a injeção de oxidantes na profundidade do solo. O conceito foi proposto originalmente por Dmitri Mendelejev, cientista russo conhecido como o pai da tabela periódica dos elementos.

Os primeiros grandes projetos aconteceram no Uzbequistão na década de 1930, quando esse país integrava a União Soviética. Nos últimos tempos, muitos governos se mostraram interessados em ressuscitar esta ideia. É fácil compreender o motivo de tanto entusiasmo. Relativamente perto da superfície há limitadas quantidades de carvão, mas as reservas situadas nas profundezas da crosta terrestre são enormes. Por exemplo, estima-se que no fundo do Mar da Noruega há três bilhões de toneladas de carvão. Estes depósitos não podem ser explorados economicamente com os meios convencionais atuais, mas a UCG pode convertê-los em syngas. O lado negativo é que tanto o fracking como o UCG podem ser uma receita para o pior pesadelo ecológico definitivo.

Apesar de poderem multiplicar os recursos recuperáveis de combustíveis fósseis e produzir muitas vezes mais dióxido de carbono (CO²) do que outro modo, a ação combinada desta técnica teria consequências desastrosas para o clima, por que o dióxido de carbono é um gás de forte efeito estufa. Além disso, um terço do dióxido de carbono que produzimos atualmente se dissolve no oceano, como ácido carbônico. Cada vez mais cientistas afirmam que a acidificação dos oceanos poderia, no longo prazo, ser um problema mais sério do que o aquecimento global. Outro perigo é que parte do metano produzido por fracking ou UCG vaze dos sistemas de coleta para a atmosfera. Se forem considerados tanto os impactos diretos quanto os indiretos, durante os próximos cem anos uma molécula de metano esquentará nosso planeta 33 vezes mais do que uma molécula de dióxido de carbono. Segundo um estudo da norte-americana Cornell University, inclusive agora, até 8% do gás natural vaza para a atmosfera durante a fase de produção ou transporte ou no uso final.

É razoável presumir que a UCG e o fracking produzirão perdas ainda maiores do que os métodos atuais. Então, o que podemos fazer para substituir o gás natural e o petróleo se a UCG e o fracking são muito perigosos para nosso clima e nossos oceanos? Uma terceira opção comumente mencionada é usar o óleo do xisto e a areia betuminosa como matérias-primas para produtos substitutos do petróleo, mas isto também produziria muita emissão de dióxido de carbono. Em teoria, os carros elétricos poderiam substituir os movidos à gasolina e diesel, contudo, até agora se difundem muito lentamente e também seria praticamente impossível fabricar navios de carga ou aviões elétricos. Isto nos deixa apenas com duas soluções realistas: com a economia e melhor eficiência energética, por um lado, e o aumento da produção de biocombustíveis, por outro. Também não se deve descuidar da produção de insumos para elaborar biocombustíveis, que frequentemente exigem fortes doses de fertilizantes nitrogenados, que, por sua vez, produzem óxido nitroso, outro gás-estufa.

Por isso a conversão em grande escala de áreas florestadas e turbas tropicais em plantações destinadas a esse fim constitui um risco para a biodiversidade e para o clima. Para evitar essa ameaça se deveria apelar para a produção de biocombustíveis por meios ecológica e socialmente sustentáveis. Temos imensas superfícies de campos seriamente prejudicados pela erosão e terras de pastoreio que perderam a maior parte de seu carbono orgânico e sua fertilidade. Podem ser distribuídas a famílias de camponeses sem terras para que produzam alimentos e madeira, bem como de matérias-primas para biocombustíveis. Este pode ser um excelente meio para resolver os problemas relacionados com a futura queda na produção de petróleo e gás de uma maneira que também propicie um sustento decente para centenas de milhões de famílias rurais.

tierramerica

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ideias de produtos sustentáveis


Eco Can: a latinha amiga do meio ambiente

Idealizada pelo estúdio Molla Space, a latinha ao lado, chamada Eco Can, é feita de um material plástico biodegradável que leva amido em sua composição, sendo livre dos componentes de petróleo usados na fabricação de plástico convencional. Além de ser uma graça e reduzir o consumo de copos descartáveis, a latinha “verde” tem efeito térmico que ajuda a manter a bebida geladinha ou quente. Custa em torno de 25 reais no site da empresa. Embora o Brasil seja exemplo mundial em reciclagem de latinhas de alumínio, a ideia de ter uma dessas para carregar para todos os cantos ou deixar no escritório como garrafinha reutilizável é muito atraente.

Patch: o primeiro relógio feito de papel

Vem da Itália o primeiro relógio biodegradável feito de papel e comprometido com o meio ambiente. Criado em 2010 por uma tradicional grife local, o Patch é produzido com papel e tratado com uma espécie de revestimento protetor que o torna resistente à água e agressões externas. Com mostrador LED biodegradável dotado das funções hora, data e contador dos segundos, o relógio de papel pesa apenas 11 gramas e, segundo a fabricante, se encaixa no pulso como uma segunda pele.

Flor solar recarrega gadgets

Em um mundo cada vez mais conectado à aparelhos eletrônicos, a pressão sobre os recursos energéticos é constante. Então que tal ter em casa uma pequena usina solar para recarregar seus dispositivos tecnológicos? Foi pensando nisso que o designer Bon-Seop bolou o “Solar Plant”, um aparelho com visual de flor que gera energia elétrica a partir da luz do sol. Basta deixá-lo exposto ao sol durante um tempo e depois plugar no gadget que quiser. Leve e compacto, o Solar Plant pode ser levado pra todos os lados, garantindo energia limpa onde e quando você precisar.

Clean Closet, o armário que lava roupa

Quem mora em cidade grande sabe que está cada vez mais difícil encontrar apartamentos amplos com cômodos espaçosos, cozinha e uma boa área de serviço para acomodar eletrodomésticos. Pensando nisso, o designer sueco Michael Edenius desenvolveu o Clean Closet, um armário três em um que “lava”, seca e guarda a roupa. Para isso, ele conta com uma “tecnologia molecular” e um scanner que eliminam as sujeiras e odores das roupa, dispensando água e produtos químicos.

Relógio marca hora com água

Ele parece um objeto saído de um laboratório de química, mas é um relógio ecológico que mede a passagem do tempo com água, dispensando o uso de baterias. Idealizado pela designer Vera Wiedermann, o Dream Time Alarm Clock vem com um vasinho para o líquido, um reservatório e dois pêndulos, que fazem as vezes do alarme. Funciona assim: você enche de água o primeiro potinho (foto) até a altura desejada – cada tracinho representa uma hora - e durante toda a noite essa água vai pingar por um funil no reservatório, marcando a passagem do tempo. Quando o pinga-gota termina, o peso do segundo potinho aciona os dois pêndulos, que se chocam, gerando um agradável som para despertar, que passa longe do estridente “pi-pi-pi-pi” de um relógio digital. O planeta agradece e nossos ouvidos também.

Nest Rest, seu ninho

Com design orgânico inspirado num ninho gigante, a espreguiçadeira Nest Rest é um convite para curtir momentos de relaxamento ou meditação ao ar livre. Projetada pelos designers Daniel Pouzet and Fred Frety para a descolada empresa de móveis alemã Dedon, a “cabaninha” de 2m de diâmetro por 2,60m de altura é totalmente feita de materiais recicláveis, não-tóxicos e resistentes à agua. Ideal para pendurar na varanda de casa, na árvore do quintal ou até mesmo deixá-la no chão, como uma cama. Quando o vento sopra, ela balança levemente, passando a sensação de refúgio e aconchego.

Exame

As mudanças para tornar os produtos verdes mais viáveis


O Fórum Brasil Certificado, que está acontecendo em São Paulo, mostram os caminhos viáveis e consolidados para os produtos sustentáveis se tornarem mainstream.

De forma tímida, a certificação socioambiental vem chamando atenção de grandes empresas, que enxergam neste atestado de produção sustentável a chance de se diferenciar da concorrência e acessar mercados mais exigentes. Mas ainda é preciso fazer o fruto desse trabalho - os produtos verdes - caírem nas graças dos consumidores.

A solução para tornar o “verde” mainstream é simples – e de mão dupla: “As empresas precisam fornecer e levar aos consumidores escolhas sustentáveis. E os consumidores têm que incentivar as empresas a fazer essas escolhas.

Produto verde é um produto sustentável, que é produzido de uma forma que é boa para as pessoas e boa para o planeta. Cujos obstáculos para se tornarem mainstream passam por muitas resistências. Primeiro, a sociedade está acostumada a produzir produtos de maneira que não protegem as pessoas ou o ambiente. O desafio aqui é encontrar uma nova forma de fazer negócios. Um segundo obstáculo é o fato dos consumidores terem se acostumado a pagar um preço baixo por produtos que nem sempre refletem os custos reais de produção, tanto em termos de salários dos trabalhadores, quanto de uso de água, solo, proteção da biodiversidade e outros serviços ambientais.

Muitas pessoas disseminam a crença de que ser verde é caro e difícil. Mas, de fato, os produtos sustentáveis costumam ter preço mais alto que um convencional. Mas, no final das contas não são. Observamos que a produção sustentável pode aumentar a produtividade e qualidade e, além disso, reduzir os custos (por usar menos produtos químicos e recursos e gerar menos resíduos, etc). O problema é que muitas vezes os produtos convencionais são tão baratos, mas tão baratos, que a única explicação para eles custarem pouco é porque são produzidos explorando trabalhadores e o meio ambiente.

Precisamos ter em mente que ser verde requer mudança. Quanto mais abraçarmos essa ideia, mais fácil e menos cara ela será. E se nós nos preocupamos com o futuro de nossos filhos e netos, não temos escolha. Teremos que mudar.

O setor do mercado que está ganhando mais atenção pela certificação socioambiental é o de alimentos, pois as pessoas pensam mais sobre o que comem do que sobre outros produtos. Além disso, alguns dos problemas de segurança alimentar têm deixado os consumidores mais sensibilizados e atentos para a necessidade de saber de onde seu alimento vem. Por isso, é mais fácil conseguir a atenção do consumidor.

O papel das empresas, governos e investidores nesse processo é simples e fácil. As empresas precisam fornecer e levar aos consumidores escolhas sustentáveis. E os consumidores têm que incentivar essas empresas a fazer essas escolhas.

A maioria dos consumidores costumam ser céticos em relação às empresas que se dizem verdes, mesmo quando elas realmente estão fazendo a coisa certa. Para quebrar essa postura defensiva, as pessoas precisam fazem reclamações e perceber que há uma terceira parte envolvida, ONGs e insituições independentes, que avaliam as práticas dessas empresas e dão seu parecer. A certificação é o atestado de que os produtos e serviços de determinada empresa são diferenciados, por terem a garantia de que são produzidos de forma socialmente justa e com baixo impacto ambiental.

exame
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