domingo, 15 de abril de 2012

Movimento Zeitgeist: Como podemos tornar nossos representantes obedientes?


A urgência e a seriedade das questões sociais e ambientais do mundo de hoje, ligadas à incapacidade humana de resolver esses problemas, nos levam a refletir sobre o relacionamento do homem com a natureza e também com o próximo. O desenvolvimento medido pelo consumo e o crescimento da economia à custa da natureza põem em xeque a possibilidade de avanço real em direção a “governança sustentável” e “economia verde” no plano global.  O Movimento Zeitgeist, conhecido pela repercussão de seus documentários, defende que os problemas de hoje são o resultado da paralisia do progresso natural da espécie humana rumo à união e igualdade.  A apenas dois meses da Rio + 20, esse debate se vê necessário.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Como podemos explicar os problemas da humanidade?

MOVIMENTO ZEITGEIST: Dentre outros problemas da humanidade como pobreza, corrupção, consumismo, vamos pegar o desmatamento como um exemplo. O que faz as árvores irem ao chão desnecessariamente? Serras-elétricas? Evidentemente não, pois as máquinas não possuem vontade própria. Então seriam os empregados de fazendas ou criminosos? Também não, pois estes apenas fazem aquilo que têm acesso para sobreviver. É apenas um meio de se ganhar dinheiro. Então seria o dinheiro a causa? Também não, pois usamos isto como meio de troca. O dinheiro por si nada faz. Perceba o que está realmente por trás de tudo! Retire todos os humanos da Terra e as florestas não sofrerão mais qualquer abuso. O problema são as pessoas. Então é isso o que temos que entender. As pessoas precisam mudar. Precisamos nós nos tornarmos responsáveis. Porém, não há como ser responsável por algo que simplesmente não compreendemos. E o que é aquilo que não compreendemos? Nós mesmos. Como indivíduos e, ao mesmo tempo, espécie humana. Toda vez que segregamos pessoas deixamos de ver os fatos: só há humanos! Não existem membros de entidades, empresas, fundações, universidades, movimento sociais, tampouco rótulos como brasileiros, ativistas, empregados, o que for. Tudo são ideias, não fatos. A realidade é que simplesmente somos animais da mesma espécie que coexistem no mesmo planeta. O MZ age para conscientizar as pessoas de que os problemas da humanidade são simplesmente uma ausência de união da espécie. Ao nos unirmos, resolvemos nossos problemas em conjunto. Pois o indivíduo percebe que enquanto nos organizarmos em grupos separados, iremos competir por base na escassez. E neste cenário de guerra, por exemplo, uma floresta não é nada além de “munição”, uma vantagem competitiva.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Estamos nos aproximando da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável que marca os vinte anos da Cúpula da Terra, realizada no Rio em 1992. Os temas da conferência vão desde economia verde à erradicação da pobreza.  Há alguma mobilização por parte do movimento para essa ocasião?

MOVIMENTO ZEITGEIST: Pois então, questiona-se a relevância destas conferências. Percebe-se que entra ano e sai ano, a tentativa é sempre aplicar um modelo já conhecido. Percebe-se que o fato de aplicar modelos (um conjunto pré-estabelecido), sejam quais forem, simplesmente em nada se resolve. Quando realmente investigamos os fatos? Quando nos tornamos responsáveis como pessoas e fazemos algo a respeito? Ou apenas mantemos um discurso que nada diz? Não precisamos de mais conferências. Não precisamos de nenhuma conferência. Nós humanos somos capazes de resolver os problemas que nós mesmos criamos. A destruição da Terra é uma mera consequência da destruição que sustentamos como indivíduos, pois não assumimos responsabilidade em nível particular. Uma pergunta muito importante a se fazer é: “o que eu sei sobre minha espécie? O quanto compreendo que meus atos individuais refletem no mundo? Este tipo de pergunta, se compreendida, pode levar à novidade. E a novidade é nos unirmos como uma só espécie e resolvermos nossos problemas.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Como o Movimento encara o debate atual sobre a questão da produção de alimentos vs. desmatamento? É possível suprir para os sete bilhões de habitantes do planeta?

MOVIMENTO ZEITGEIST: Podemos viver num mundo de abundância econômica desde meados do século XX. Temos os recursos adequados para uma gestão inteligente da produção, exploração e distribuição para todos. Uma economia que preserva e, ao mesmo tempo, sustenta a vida de todos.  A única coisa que impede de usarmos nossas ferramentas somos nós mesmos.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: No debate da reforma do Código Florestal brasileiro, 80% da população se mostra contrária aos caminhos tomados pelos seus representantes no governo. Espera-se agora um posicionamento da presidente Dilma.  Igualmente com a questão da construção de Belo Monte.  Como podemos nos fazer ouvir pelos nossos representantes?

MOVIMENTO ZEITGEIST: Como fazer-nos ouvir? Atualmente fazer-se ouvir é algo simples, posso citar a antiga conferência de Génova ou a mais atual onda de “ocupações” que se espalhou pelo mundo. Em ambos os casos “gritos populares” foram ouvidos. Mas, mesmo assim, o resultado não veio a ser nenhuma solução para nossos problemas. Quem sabe a pergunta mais adequada fosse: “como podemos tornar nossos representantes obedientes?”. E nesta pergunta temos o verdadeiro problema, pois novamente refletimos em nossas ações uma perspectiva reducionista, “‘nós” contra “nossos representantes’”. A questão é que ninguém enxerga a humanidade como uma só, logo ninguém busca soluções para a humanidade como um todo, mas apenas para seu próprio pequeno grupo. De fato, não existem representantes, apenas pessoas tentando garantir sua própria sobrevivência.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: A dependência da energia de origem fóssil é um grande norteador de políticas públicas de governos e de riqueza de poucos. Como o Movimento aborda essa questão?

MOVIMENTO ZEITGEIST: Como humanidade, já temos tecnologias que podem substituir qualquer energia não renovável. Podemos gerar mais de 1000% em relação à nossa taxa de consumo. No entanto, por nada entendermos de como nosso mundo funciona, fazemos uso de métodos obsoletos de decisão. Agora, se projetamos escassez, competição e segregação, é apenas isso o que produziremos. O uso do petróleo é uma consequência desta doença, não sua causa. Se perguntamos sobre guerra, as respostas serão sobre guerra. Talvez seja hora de rever as perguntas.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Estamos assistindo hoje no cenário mundial vários movimentos como o #VetaDilma, #Florestalfazadiferença, #Kony2012, # OccupyWallStreet, entre outros, em que a participação da sociedade, principalmente de jovens, está cada vez mais clara graças às redes sociais.  A revolução depende da internet e de redes sociais?  Basta “curtir”?

MOVIMENTO ZEITGEIST: A internet é só uma ferramenta. Como uma faca, depende da compreensão humana usar o recurso para matar ou compartilhar um alimento. Questionar ferramentas é ignorar a causa de nossos problemas, porque ferramentas não possuem vontade própria. Há muito a oferecermos em termos de compreensão. Fica a cargo de sua liberdade compreender como resolvemos nossos problemas. Ninguém o fará por nós. Este é o mundo no qual vivemos. É nossa responsabilidade assumir nossas capacidades. E nós podemos muito quando juntos.

Saiba mais sobre o movimento: movimentozeitgeist.com.br/primeiravezporaqui

IPAM

sábado, 14 de abril de 2012

Os riscos de se buscar energia nas profundezas


A utilização de novas tecnologias para extrair hidrocarbonos das entranhas da Terra, até agora inacessíveis, pode dar início a um pesadelo ecológico definitivo.

O geólogo norte-americano Marion King Hubbert previu, já em 1956, que a produção de petróleo alcançaria seu nível máximo quando a humanidade tivesse usado a metade das reservas mundiais até então comprovadas. Esta postura se baseia no fato de os geólogos tenderem a encontrar primeiro os poços maiores e a estes ficarem “exaustos” antes de realmente se ter extraído todo o óleo. É possível que a oferta de petróleo tenha chegado ao seu máximo histórico em julho de 2008, e, assim, já tenhamos passado o temido teto sem que ninguém se desse conta. Isso teria sua explicação no fato de a produção de gás natural continuar aumentando e cada vez mais substituindo derivados do petróleo.

As coisas seguramente vão piorar quando a extração combinada de petróleo e gás natural alcançar o máximo possível no planeta. Depois disto, o fornecimento de hidrocarbonos começará a baixar e já não poderá atender a demanda, e os preços dispararão. Quando isso ocorrer, começará um período de depressões severas da economia, com recuperações curtas e intermitentes. A produção de alimentos também sofrerá, pois 80% de nosso consumo é produzido com ajuda de fertilizantes nitrogenados, cujos preços dependem do valor de mercado do gás natural. Os governos e as empresas se tornaram muito conscientes do problema e enormes quantias de dinheiro são investidas em várias soluções alternativas.

Uma opção possível é expandir as reservas de gás natural acessível, com uma tecnologia conhecida como fratura hidráulica, ou fracking. A técnica consiste em bombear, sob alta pressão, dezenas de milhões de litros de água tratada quimicamente dentro de profundas formações de relativamente impermeáveis rochas sedimentares, conhecidas como xisto. O líquido quebra estas pedras ou expande fraturas existentes, liberando os hidrocarbonos de modo que possam fluir para um poço. Outra opção é um método conhecido como gaseificação subterrânea do carvão, ou UCG. Neste procedimento, os veios de carvão são convertidos em syngas (gás sintético), uma mistura de metano, hidrogênio e monóxido de carbono, mediante a injeção de oxidantes na profundidade do solo. O conceito foi proposto originalmente por Dmitri Mendelejev, cientista russo conhecido como o pai da tabela periódica dos elementos.

Os primeiros grandes projetos aconteceram no Uzbequistão na década de 1930, quando esse país integrava a União Soviética. Nos últimos tempos, muitos governos se mostraram interessados em ressuscitar esta ideia. É fácil compreender o motivo de tanto entusiasmo. Relativamente perto da superfície há limitadas quantidades de carvão, mas as reservas situadas nas profundezas da crosta terrestre são enormes. Por exemplo, estima-se que no fundo do Mar da Noruega há três bilhões de toneladas de carvão. Estes depósitos não podem ser explorados economicamente com os meios convencionais atuais, mas a UCG pode convertê-los em syngas. O lado negativo é que tanto o fracking como o UCG podem ser uma receita para o pior pesadelo ecológico definitivo.

Apesar de poderem multiplicar os recursos recuperáveis de combustíveis fósseis e produzir muitas vezes mais dióxido de carbono (CO²) do que outro modo, a ação combinada desta técnica teria consequências desastrosas para o clima, por que o dióxido de carbono é um gás de forte efeito estufa. Além disso, um terço do dióxido de carbono que produzimos atualmente se dissolve no oceano, como ácido carbônico. Cada vez mais cientistas afirmam que a acidificação dos oceanos poderia, no longo prazo, ser um problema mais sério do que o aquecimento global. Outro perigo é que parte do metano produzido por fracking ou UCG vaze dos sistemas de coleta para a atmosfera. Se forem considerados tanto os impactos diretos quanto os indiretos, durante os próximos cem anos uma molécula de metano esquentará nosso planeta 33 vezes mais do que uma molécula de dióxido de carbono. Segundo um estudo da norte-americana Cornell University, inclusive agora, até 8% do gás natural vaza para a atmosfera durante a fase de produção ou transporte ou no uso final.

É razoável presumir que a UCG e o fracking produzirão perdas ainda maiores do que os métodos atuais. Então, o que podemos fazer para substituir o gás natural e o petróleo se a UCG e o fracking são muito perigosos para nosso clima e nossos oceanos? Uma terceira opção comumente mencionada é usar o óleo do xisto e a areia betuminosa como matérias-primas para produtos substitutos do petróleo, mas isto também produziria muita emissão de dióxido de carbono. Em teoria, os carros elétricos poderiam substituir os movidos à gasolina e diesel, contudo, até agora se difundem muito lentamente e também seria praticamente impossível fabricar navios de carga ou aviões elétricos. Isto nos deixa apenas com duas soluções realistas: com a economia e melhor eficiência energética, por um lado, e o aumento da produção de biocombustíveis, por outro. Também não se deve descuidar da produção de insumos para elaborar biocombustíveis, que frequentemente exigem fortes doses de fertilizantes nitrogenados, que, por sua vez, produzem óxido nitroso, outro gás-estufa.

Por isso a conversão em grande escala de áreas florestadas e turbas tropicais em plantações destinadas a esse fim constitui um risco para a biodiversidade e para o clima. Para evitar essa ameaça se deveria apelar para a produção de biocombustíveis por meios ecológica e socialmente sustentáveis. Temos imensas superfícies de campos seriamente prejudicados pela erosão e terras de pastoreio que perderam a maior parte de seu carbono orgânico e sua fertilidade. Podem ser distribuídas a famílias de camponeses sem terras para que produzam alimentos e madeira, bem como de matérias-primas para biocombustíveis. Este pode ser um excelente meio para resolver os problemas relacionados com a futura queda na produção de petróleo e gás de uma maneira que também propicie um sustento decente para centenas de milhões de famílias rurais.

tierramerica

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ideias de produtos sustentáveis


Eco Can: a latinha amiga do meio ambiente

Idealizada pelo estúdio Molla Space, a latinha ao lado, chamada Eco Can, é feita de um material plástico biodegradável que leva amido em sua composição, sendo livre dos componentes de petróleo usados na fabricação de plástico convencional. Além de ser uma graça e reduzir o consumo de copos descartáveis, a latinha “verde” tem efeito térmico que ajuda a manter a bebida geladinha ou quente. Custa em torno de 25 reais no site da empresa. Embora o Brasil seja exemplo mundial em reciclagem de latinhas de alumínio, a ideia de ter uma dessas para carregar para todos os cantos ou deixar no escritório como garrafinha reutilizável é muito atraente.

Patch: o primeiro relógio feito de papel

Vem da Itália o primeiro relógio biodegradável feito de papel e comprometido com o meio ambiente. Criado em 2010 por uma tradicional grife local, o Patch é produzido com papel e tratado com uma espécie de revestimento protetor que o torna resistente à água e agressões externas. Com mostrador LED biodegradável dotado das funções hora, data e contador dos segundos, o relógio de papel pesa apenas 11 gramas e, segundo a fabricante, se encaixa no pulso como uma segunda pele.

Flor solar recarrega gadgets

Em um mundo cada vez mais conectado à aparelhos eletrônicos, a pressão sobre os recursos energéticos é constante. Então que tal ter em casa uma pequena usina solar para recarregar seus dispositivos tecnológicos? Foi pensando nisso que o designer Bon-Seop bolou o “Solar Plant”, um aparelho com visual de flor que gera energia elétrica a partir da luz do sol. Basta deixá-lo exposto ao sol durante um tempo e depois plugar no gadget que quiser. Leve e compacto, o Solar Plant pode ser levado pra todos os lados, garantindo energia limpa onde e quando você precisar.

Clean Closet, o armário que lava roupa

Quem mora em cidade grande sabe que está cada vez mais difícil encontrar apartamentos amplos com cômodos espaçosos, cozinha e uma boa área de serviço para acomodar eletrodomésticos. Pensando nisso, o designer sueco Michael Edenius desenvolveu o Clean Closet, um armário três em um que “lava”, seca e guarda a roupa. Para isso, ele conta com uma “tecnologia molecular” e um scanner que eliminam as sujeiras e odores das roupa, dispensando água e produtos químicos.

Relógio marca hora com água

Ele parece um objeto saído de um laboratório de química, mas é um relógio ecológico que mede a passagem do tempo com água, dispensando o uso de baterias. Idealizado pela designer Vera Wiedermann, o Dream Time Alarm Clock vem com um vasinho para o líquido, um reservatório e dois pêndulos, que fazem as vezes do alarme. Funciona assim: você enche de água o primeiro potinho (foto) até a altura desejada – cada tracinho representa uma hora - e durante toda a noite essa água vai pingar por um funil no reservatório, marcando a passagem do tempo. Quando o pinga-gota termina, o peso do segundo potinho aciona os dois pêndulos, que se chocam, gerando um agradável som para despertar, que passa longe do estridente “pi-pi-pi-pi” de um relógio digital. O planeta agradece e nossos ouvidos também.

Nest Rest, seu ninho

Com design orgânico inspirado num ninho gigante, a espreguiçadeira Nest Rest é um convite para curtir momentos de relaxamento ou meditação ao ar livre. Projetada pelos designers Daniel Pouzet and Fred Frety para a descolada empresa de móveis alemã Dedon, a “cabaninha” de 2m de diâmetro por 2,60m de altura é totalmente feita de materiais recicláveis, não-tóxicos e resistentes à agua. Ideal para pendurar na varanda de casa, na árvore do quintal ou até mesmo deixá-la no chão, como uma cama. Quando o vento sopra, ela balança levemente, passando a sensação de refúgio e aconchego.

Exame

As mudanças para tornar os produtos verdes mais viáveis


O Fórum Brasil Certificado, que está acontecendo em São Paulo, mostram os caminhos viáveis e consolidados para os produtos sustentáveis se tornarem mainstream.

De forma tímida, a certificação socioambiental vem chamando atenção de grandes empresas, que enxergam neste atestado de produção sustentável a chance de se diferenciar da concorrência e acessar mercados mais exigentes. Mas ainda é preciso fazer o fruto desse trabalho - os produtos verdes - caírem nas graças dos consumidores.

A solução para tornar o “verde” mainstream é simples – e de mão dupla: “As empresas precisam fornecer e levar aos consumidores escolhas sustentáveis. E os consumidores têm que incentivar as empresas a fazer essas escolhas.

Produto verde é um produto sustentável, que é produzido de uma forma que é boa para as pessoas e boa para o planeta. Cujos obstáculos para se tornarem mainstream passam por muitas resistências. Primeiro, a sociedade está acostumada a produzir produtos de maneira que não protegem as pessoas ou o ambiente. O desafio aqui é encontrar uma nova forma de fazer negócios. Um segundo obstáculo é o fato dos consumidores terem se acostumado a pagar um preço baixo por produtos que nem sempre refletem os custos reais de produção, tanto em termos de salários dos trabalhadores, quanto de uso de água, solo, proteção da biodiversidade e outros serviços ambientais.

Muitas pessoas disseminam a crença de que ser verde é caro e difícil. Mas, de fato, os produtos sustentáveis costumam ter preço mais alto que um convencional. Mas, no final das contas não são. Observamos que a produção sustentável pode aumentar a produtividade e qualidade e, além disso, reduzir os custos (por usar menos produtos químicos e recursos e gerar menos resíduos, etc). O problema é que muitas vezes os produtos convencionais são tão baratos, mas tão baratos, que a única explicação para eles custarem pouco é porque são produzidos explorando trabalhadores e o meio ambiente.

Precisamos ter em mente que ser verde requer mudança. Quanto mais abraçarmos essa ideia, mais fácil e menos cara ela será. E se nós nos preocupamos com o futuro de nossos filhos e netos, não temos escolha. Teremos que mudar.

O setor do mercado que está ganhando mais atenção pela certificação socioambiental é o de alimentos, pois as pessoas pensam mais sobre o que comem do que sobre outros produtos. Além disso, alguns dos problemas de segurança alimentar têm deixado os consumidores mais sensibilizados e atentos para a necessidade de saber de onde seu alimento vem. Por isso, é mais fácil conseguir a atenção do consumidor.

O papel das empresas, governos e investidores nesse processo é simples e fácil. As empresas precisam fornecer e levar aos consumidores escolhas sustentáveis. E os consumidores têm que incentivar essas empresas a fazer essas escolhas.

A maioria dos consumidores costumam ser céticos em relação às empresas que se dizem verdes, mesmo quando elas realmente estão fazendo a coisa certa. Para quebrar essa postura defensiva, as pessoas precisam fazem reclamações e perceber que há uma terceira parte envolvida, ONGs e insituições independentes, que avaliam as práticas dessas empresas e dão seu parecer. A certificação é o atestado de que os produtos e serviços de determinada empresa são diferenciados, por terem a garantia de que são produzidos de forma socialmente justa e com baixo impacto ambiental.

exame

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Entrevista: Cláudio Pádua e a vida em natureza


No final da década de 70, o executivo Cláudio Pádua decidiu abandonar uma carreira de sucesso na indústria farmacêutica, no Rio de Janeiro, estudar biologia e se dedicar à conservação ambiental. Ele, a esposa e os filhos, chegaram a morar em uma cabana no Morro do Diabo, no interior do Estado de São Paulo, para pesquisar o mico-leão-preto. Anos mais tarde, ele e Suzana Pádua, sua esposa, fundaram o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE). Confira mais detalhes da história desse ambientalista e aventureiro.







FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: O que te motivou a abandonar o luxo e o conforto da cidade grande pra viver no meio da floresta?

CLÁUDIO PÁDUA: Então, eu não tenho uma resposta… Eu fui porque eu queria salvar a natureza, não tem uma explicação muito lógica. Não está no campo da lógica, não está no campo da cabeça, mas está no coração. E eu aprendi que seguir o coração da gente é uma boa forma de levar a vida. Te dá valores, te dá consistência naquelas coisas que você faz.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Conte como foi essa experiência no começo. Você chegou a se arrepender da sua escolha?

CLÁUDIO PÁDUA: Eu saí de uma sexta feira do escritório e disse “eu não volto mais”. E decidi nem olhar pra trás… se eu olhasse pra trás eu podia me arrepender. E cheguei em casa, e comuniquei a minha esposa que estava tomando essa decisão. A primeira pergunta que ela me fez foi: “você não quer ver um psicólogo?”. E eu disse: “Não, eu estou fazendo isso porque eu não quero ver um psicólogo”. Então, ela falou: “E que tal um divórcio?”. Eu falei: “Não, eu também estou fazendo isso porque eu não quero um divórcio”. E nós estamos casados a 40 anos já, então foi uma decisão certa.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: A vida na mata muitas vezes ensina mais do que a ciência formal. Como vocês conciliam, hoje, o conhecimento tradicional e o conhecimento científico?

CLÁUDIO PÁDUA: A vida na mata me ensinou muitas coisas. Uma parte eu aprendi com a própria natureza, tem coisas pra aprender com a natureza todos os dias… Eu trabalhei com macacos, e aprendi muito com as famílias dos primatas: como eles convivem, como os pais tratam os filhos e como os irmãos se tratam, e a relação deles com os recursos naturais que a mata lhes dá. Mas também aprendi muito com um auxiliar de campo, Seu José, uma dessas pessoas que não teve a chance de estudar, como muitas no Brasil, mas que traz em si o conhecimento da natureza, um conhecimento de um sábio, um verdadeiro sábio.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Você tem uma frase que é muito forte: se os ambientalistas se preocuparem apenas com a preservação dos animais, eles irão desaparecer da face da Terra. É preciso trabalhar com gente. O que significa trabalhar com gente para conservação ambiental?

CLÁUDIO PÁDUA: Isso eu aprendi logo no começo quando fui morar lá [no Morro do Diabo]. Porque eu achava, nesse momento, que se eu estudasse muito da biologia das árvores, das plantas, dos animais, eu ia conseguir salvá-los, eu ia conseguir fazer a conservação… Mas, em pouco tempo, eu descobri que tem gente envolvida no processo, tem ser humano, tem relações, tem ecossistemas. E nós partimos para um trabalho de educação ambiental, um trabalho de melhoria da qualidade de vida daquelas populações, transformando-as em aliados no processo de conservação. Não era mais algo como “você não chegue aqui, porque eu preciso proteger esse local”, mas era “vamos juntos e ver como podemos fazer pra ter conservação e ter melhoria na sua vida”.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Atualmente, muita gente tem feito uma escolha parecida com a sua de abandonar a vida na cidade e procurar se reconectar com a natureza. Por que você acha que isso tem acontecido?

CLÁUDIO PÁDUA: Primeiro porque a população está ficando muito urbana, mas as pessoas às vezes se esquecem de que elas também fazem parte do mundo natural. E, de vez em quando, vem uma oportunidade para um ou para outro de relembrar esse conhecimento de que faz parte do mundo natural, e tentar se reconectar com a natureza. Então, eu acho que fica faltando alguma coisa na formação daquela pessoa que não tem essa oportunidade. Porque essa reconexão com a energia, essa energia vital, é extraordinária para a formação de uma pessoa, para a formação de um caráter, para a formação do intelecto.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Talvez, agora, a gente tenha um novo desafio de buscar essa reconexão com o meio ambiente mesmo escolhendo viver em uma cidade. Como podemos adquirir essa consciência de que somos apenas mais uma espécie nessa grande cadeia da vida?

CLÁUDIO PÁDUA: Primeiro, a cidade precisa mudar, pra falar a verdade. Mas, ainda assim, qualquer um tem a oportunidade de, em uma cidade, achar o seu nicho, seu pedacinho de natureza na vida da cidade. Seja num parque, seja caminhando na beira de um córrego, ou seja achando seu espaço, mesmo dentro do seu apartamento, cuidando das suas plantinhas, criando um vínculo, uma conexão dentro daquele espaço que a selva de pedra te permite.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Se você pudesse escolher apenas uma coisa que cada indivíduo deveria fazer para se tornar um amigo do meio ambiente, por onde a gente poderia começar?

CLÁUDIO PÁDUA: Eu acho que as pessoas têm que começar compreendendo que nós somos um grãozinho de areia, nosso planeta é um grãozinho de areia num universo muito maior. E que esse grãozinho de areia teve uma oportunidade, não se sabe por que, de ter vida. E valorizar a vida, tentando preservar todos os tipos de vida que estão aqui, sejam eles da sua maior diversidade possível. Se você tiver essa compreensão, esse conhecimento, já é um grande passo.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: E hoje, quando você olha para essas mais de três décadas depois de ter feito a sua escolha de seguir seu coração, você teria feito alguma coisa diferente? Valeu a pena ter a natureza como causa e paixão da sua vida?

CLÁUDIO PÁDUA: Honestamente, eu não poderia estar mais feliz. Fiz aquilo que meu coração mandou. Se você consegue trabalhar pela sua missão, consegue atingir sua missão, ou mesmo que não consiga, mas está trabalhando por ela, porque é uma construção na sua vida; se você puder aliar essa construção de uma missão para o bem, e uma missão em que você pode incorporar a família, que mais eu posso esperar? Felicidade completa!

NaturaEkos

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Sustentabilidades da Agricultura Familiar


A agricultura familiar tem um papel estratégico no projeto de desenvolvimento econômico e social do nosso país. A agricultura familiar, tanto no sentido de apoio e de fomento aos agricultores familiares, como também na política nacional de reforma agrária, que é um instrumento de combate à extrema pobreza no campo, visando à constituição de agricultores familiares que produzam alimentos saudáveis para população urbana e rural.

Vejamos os quatro eixos da sustentabilidade (Econômica, Social, Ambiental e Democrática). O eixo econômico é o que visa fazer com que os pobres do campo tenham acesso à terra para produzir alimentos saudáveis para a população, além de políticas de fomento e de apoio para agricultura familiar em desenvolvimento ou consolidada. Precisa de apoio tanto de crédito, como para comercialização. Nesse eixo da sustentabilidade econômica é muito importante o direito das mulheres e da juventude, sendo preciso assegurá-los.

Importância da sustentabilidade social como componente importante de uma Política de Desenvolvimento Sustentável. Sustentabilidade social das políticas sociais. Como no campo podemos, além de viabilizar a produção rural e a produção agrícola, viabilizar o acesso ao serviço publico de educação, saúde e outros.

Quanto à sustentabilidade ambiental, é decisiva e que a agricultura familiar tem uma grande contribuição. Se formos ver a realidade do campo brasileiro as pequenas propriedades da agricultura familiar dialogam muito mais com a ideia da sustentabilidade ambiental do que, muitas vezes, grandes propriedades que produzem commodities agrícolas para exportação. Os nossos grandes passivos ambientais estão muito mais nas grandes propriedades do que nas pequenas propriedades, que preservam mais. Toda nossa agricultura agroecológica está muito mais voltada para agricultura familiar do que para agricultura empresarial.

Sustentabilidade democrática, sobre a necessidade de ter um Estado que seja indutor do processo de desenvolvimento, mas que esteja sob controle social, onde o cidadão seja o protagonista das políticas públicas.

A fronteira de uma agricultura se esgota por diversos motivos, como o crescimento demográfico, o uso excessivo e abuso dos recursos naturais, o abuso de agroquímicos e uma série de fatores que estão influenciando a falta de alimentos. Soma-se a isso o crescimento da população mundial e a atividade agrícola trouxeram consequências como mudanças climáticas que estão impactando diretamente na atividade agropecuária.

Vale lembrar que não se pode ignorar que a agricultura também contribui para esse cenário. A agricultura que tem se desenvolvido ao longo dos anos tem que ser modificada e adaptada. A nova agricultura deve ser a base para a segurança alimentar das futuras gerações. Por exemplo, se está pensando na necessidade urgente de aumentar os rendimentos. Temos que ser mais eficientes na produtividade, temos que ser mais eficientes na transformação dos recursos naturais. Os sistemas de produção atuais têm que ser melhorados em função da inovação tecnológica ou resgatar as tecnologias que ao longo do tempo se comprovaram como apropriadas e estão diretamente vinculadas com o acervo cultural e conhecimento dos agricultores e camponeses nos nossos países.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Programa de computador ajuda a reduzir até 40% do consumo de água


Controle do consumo é feito pela internet com programa que pode ser baixado gratuitamente. Vinte e sete escolas da rede estadual da Bahia já aderiram ao mecanismo.


Programa de computador, criado há quatro anos pela Universidade Federal da Bahia, tem ajudado muita gente a economizar água e reduzir o consumo em até 40%. O controle é feito pela internet e o programa pode ser baixado gratuitamente. Basta acompanhar a medição no hidrômetro, lançar os dados e usar os gráficos gerados pelo sistema para acompanhar o gasto diário.

Vinte e sete escolas da rede estadual da Bahia estão usando este programa. Em uma delas, já virou rotina: diariamente, um funcionário anota o consumo registrado no hidrômetro e repassa os números pra a direção. Os dados são lançados no programa e o gráfico mostra se a escola está gastando mais ou menos água. Quando há um aumento inesperado, os encanadores entram em ação para eliminar o problema. Geralmente, a culpa é dos vazamentos.

Os professores também passaram a conscientizar os 1500 alunos a evitar o desperdício. “Com as medidas corretivas da escola, conseguimos atingir uma faixa de 35% a 40% na redução do consumo”, ressalta o diretor da escola, Cristiano Assis.

Os órgãos oficiais também descobriram essa facilidade. No Centro Administrativo da Bahia, onde estão as secretarias, a quantidade de água consumida é verificada diariamente. Nos últimos quatro anos, a economia nas contas foi de quase R$ 1 milhão.

O programa também é usado para controlar o consumo doméstico: 170 condomínios e residências de Salvador já estão cadastrados e não pagam nada pelo serviço.

g1.globo.com
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