quinta-feira, 12 de abril de 2012

Entrevista: Cláudio Pádua e a vida em natureza


No final da década de 70, o executivo Cláudio Pádua decidiu abandonar uma carreira de sucesso na indústria farmacêutica, no Rio de Janeiro, estudar biologia e se dedicar à conservação ambiental. Ele, a esposa e os filhos, chegaram a morar em uma cabana no Morro do Diabo, no interior do Estado de São Paulo, para pesquisar o mico-leão-preto. Anos mais tarde, ele e Suzana Pádua, sua esposa, fundaram o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE). Confira mais detalhes da história desse ambientalista e aventureiro.







FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: O que te motivou a abandonar o luxo e o conforto da cidade grande pra viver no meio da floresta?

CLÁUDIO PÁDUA: Então, eu não tenho uma resposta… Eu fui porque eu queria salvar a natureza, não tem uma explicação muito lógica. Não está no campo da lógica, não está no campo da cabeça, mas está no coração. E eu aprendi que seguir o coração da gente é uma boa forma de levar a vida. Te dá valores, te dá consistência naquelas coisas que você faz.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Conte como foi essa experiência no começo. Você chegou a se arrepender da sua escolha?

CLÁUDIO PÁDUA: Eu saí de uma sexta feira do escritório e disse “eu não volto mais”. E decidi nem olhar pra trás… se eu olhasse pra trás eu podia me arrepender. E cheguei em casa, e comuniquei a minha esposa que estava tomando essa decisão. A primeira pergunta que ela me fez foi: “você não quer ver um psicólogo?”. E eu disse: “Não, eu estou fazendo isso porque eu não quero ver um psicólogo”. Então, ela falou: “E que tal um divórcio?”. Eu falei: “Não, eu também estou fazendo isso porque eu não quero um divórcio”. E nós estamos casados a 40 anos já, então foi uma decisão certa.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: A vida na mata muitas vezes ensina mais do que a ciência formal. Como vocês conciliam, hoje, o conhecimento tradicional e o conhecimento científico?

CLÁUDIO PÁDUA: A vida na mata me ensinou muitas coisas. Uma parte eu aprendi com a própria natureza, tem coisas pra aprender com a natureza todos os dias… Eu trabalhei com macacos, e aprendi muito com as famílias dos primatas: como eles convivem, como os pais tratam os filhos e como os irmãos se tratam, e a relação deles com os recursos naturais que a mata lhes dá. Mas também aprendi muito com um auxiliar de campo, Seu José, uma dessas pessoas que não teve a chance de estudar, como muitas no Brasil, mas que traz em si o conhecimento da natureza, um conhecimento de um sábio, um verdadeiro sábio.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Você tem uma frase que é muito forte: se os ambientalistas se preocuparem apenas com a preservação dos animais, eles irão desaparecer da face da Terra. É preciso trabalhar com gente. O que significa trabalhar com gente para conservação ambiental?

CLÁUDIO PÁDUA: Isso eu aprendi logo no começo quando fui morar lá [no Morro do Diabo]. Porque eu achava, nesse momento, que se eu estudasse muito da biologia das árvores, das plantas, dos animais, eu ia conseguir salvá-los, eu ia conseguir fazer a conservação… Mas, em pouco tempo, eu descobri que tem gente envolvida no processo, tem ser humano, tem relações, tem ecossistemas. E nós partimos para um trabalho de educação ambiental, um trabalho de melhoria da qualidade de vida daquelas populações, transformando-as em aliados no processo de conservação. Não era mais algo como “você não chegue aqui, porque eu preciso proteger esse local”, mas era “vamos juntos e ver como podemos fazer pra ter conservação e ter melhoria na sua vida”.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Atualmente, muita gente tem feito uma escolha parecida com a sua de abandonar a vida na cidade e procurar se reconectar com a natureza. Por que você acha que isso tem acontecido?

CLÁUDIO PÁDUA: Primeiro porque a população está ficando muito urbana, mas as pessoas às vezes se esquecem de que elas também fazem parte do mundo natural. E, de vez em quando, vem uma oportunidade para um ou para outro de relembrar esse conhecimento de que faz parte do mundo natural, e tentar se reconectar com a natureza. Então, eu acho que fica faltando alguma coisa na formação daquela pessoa que não tem essa oportunidade. Porque essa reconexão com a energia, essa energia vital, é extraordinária para a formação de uma pessoa, para a formação de um caráter, para a formação do intelecto.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Talvez, agora, a gente tenha um novo desafio de buscar essa reconexão com o meio ambiente mesmo escolhendo viver em uma cidade. Como podemos adquirir essa consciência de que somos apenas mais uma espécie nessa grande cadeia da vida?

CLÁUDIO PÁDUA: Primeiro, a cidade precisa mudar, pra falar a verdade. Mas, ainda assim, qualquer um tem a oportunidade de, em uma cidade, achar o seu nicho, seu pedacinho de natureza na vida da cidade. Seja num parque, seja caminhando na beira de um córrego, ou seja achando seu espaço, mesmo dentro do seu apartamento, cuidando das suas plantinhas, criando um vínculo, uma conexão dentro daquele espaço que a selva de pedra te permite.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Se você pudesse escolher apenas uma coisa que cada indivíduo deveria fazer para se tornar um amigo do meio ambiente, por onde a gente poderia começar?

CLÁUDIO PÁDUA: Eu acho que as pessoas têm que começar compreendendo que nós somos um grãozinho de areia, nosso planeta é um grãozinho de areia num universo muito maior. E que esse grãozinho de areia teve uma oportunidade, não se sabe por que, de ter vida. E valorizar a vida, tentando preservar todos os tipos de vida que estão aqui, sejam eles da sua maior diversidade possível. Se você tiver essa compreensão, esse conhecimento, já é um grande passo.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: E hoje, quando você olha para essas mais de três décadas depois de ter feito a sua escolha de seguir seu coração, você teria feito alguma coisa diferente? Valeu a pena ter a natureza como causa e paixão da sua vida?

CLÁUDIO PÁDUA: Honestamente, eu não poderia estar mais feliz. Fiz aquilo que meu coração mandou. Se você consegue trabalhar pela sua missão, consegue atingir sua missão, ou mesmo que não consiga, mas está trabalhando por ela, porque é uma construção na sua vida; se você puder aliar essa construção de uma missão para o bem, e uma missão em que você pode incorporar a família, que mais eu posso esperar? Felicidade completa!

NaturaEkos

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Sustentabilidades da Agricultura Familiar


A agricultura familiar tem um papel estratégico no projeto de desenvolvimento econômico e social do nosso país. A agricultura familiar, tanto no sentido de apoio e de fomento aos agricultores familiares, como também na política nacional de reforma agrária, que é um instrumento de combate à extrema pobreza no campo, visando à constituição de agricultores familiares que produzam alimentos saudáveis para população urbana e rural.

Vejamos os quatro eixos da sustentabilidade (Econômica, Social, Ambiental e Democrática). O eixo econômico é o que visa fazer com que os pobres do campo tenham acesso à terra para produzir alimentos saudáveis para a população, além de políticas de fomento e de apoio para agricultura familiar em desenvolvimento ou consolidada. Precisa de apoio tanto de crédito, como para comercialização. Nesse eixo da sustentabilidade econômica é muito importante o direito das mulheres e da juventude, sendo preciso assegurá-los.

Importância da sustentabilidade social como componente importante de uma Política de Desenvolvimento Sustentável. Sustentabilidade social das políticas sociais. Como no campo podemos, além de viabilizar a produção rural e a produção agrícola, viabilizar o acesso ao serviço publico de educação, saúde e outros.

Quanto à sustentabilidade ambiental, é decisiva e que a agricultura familiar tem uma grande contribuição. Se formos ver a realidade do campo brasileiro as pequenas propriedades da agricultura familiar dialogam muito mais com a ideia da sustentabilidade ambiental do que, muitas vezes, grandes propriedades que produzem commodities agrícolas para exportação. Os nossos grandes passivos ambientais estão muito mais nas grandes propriedades do que nas pequenas propriedades, que preservam mais. Toda nossa agricultura agroecológica está muito mais voltada para agricultura familiar do que para agricultura empresarial.

Sustentabilidade democrática, sobre a necessidade de ter um Estado que seja indutor do processo de desenvolvimento, mas que esteja sob controle social, onde o cidadão seja o protagonista das políticas públicas.

A fronteira de uma agricultura se esgota por diversos motivos, como o crescimento demográfico, o uso excessivo e abuso dos recursos naturais, o abuso de agroquímicos e uma série de fatores que estão influenciando a falta de alimentos. Soma-se a isso o crescimento da população mundial e a atividade agrícola trouxeram consequências como mudanças climáticas que estão impactando diretamente na atividade agropecuária.

Vale lembrar que não se pode ignorar que a agricultura também contribui para esse cenário. A agricultura que tem se desenvolvido ao longo dos anos tem que ser modificada e adaptada. A nova agricultura deve ser a base para a segurança alimentar das futuras gerações. Por exemplo, se está pensando na necessidade urgente de aumentar os rendimentos. Temos que ser mais eficientes na produtividade, temos que ser mais eficientes na transformação dos recursos naturais. Os sistemas de produção atuais têm que ser melhorados em função da inovação tecnológica ou resgatar as tecnologias que ao longo do tempo se comprovaram como apropriadas e estão diretamente vinculadas com o acervo cultural e conhecimento dos agricultores e camponeses nos nossos países.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Programa de computador ajuda a reduzir até 40% do consumo de água


Controle do consumo é feito pela internet com programa que pode ser baixado gratuitamente. Vinte e sete escolas da rede estadual da Bahia já aderiram ao mecanismo.


Programa de computador, criado há quatro anos pela Universidade Federal da Bahia, tem ajudado muita gente a economizar água e reduzir o consumo em até 40%. O controle é feito pela internet e o programa pode ser baixado gratuitamente. Basta acompanhar a medição no hidrômetro, lançar os dados e usar os gráficos gerados pelo sistema para acompanhar o gasto diário.

Vinte e sete escolas da rede estadual da Bahia estão usando este programa. Em uma delas, já virou rotina: diariamente, um funcionário anota o consumo registrado no hidrômetro e repassa os números pra a direção. Os dados são lançados no programa e o gráfico mostra se a escola está gastando mais ou menos água. Quando há um aumento inesperado, os encanadores entram em ação para eliminar o problema. Geralmente, a culpa é dos vazamentos.

Os professores também passaram a conscientizar os 1500 alunos a evitar o desperdício. “Com as medidas corretivas da escola, conseguimos atingir uma faixa de 35% a 40% na redução do consumo”, ressalta o diretor da escola, Cristiano Assis.

Os órgãos oficiais também descobriram essa facilidade. No Centro Administrativo da Bahia, onde estão as secretarias, a quantidade de água consumida é verificada diariamente. Nos últimos quatro anos, a economia nas contas foi de quase R$ 1 milhão.

O programa também é usado para controlar o consumo doméstico: 170 condomínios e residências de Salvador já estão cadastrados e não pagam nada pelo serviço.

g1.globo.com

Você é um profissional sustentável?


Para quem pensa no meio ambiente, não basta só ter esse pensamento dentro de casa, a sustentabilidade tem que ser aplicada em todos os lugares, até no trabalho.

Pensar no futuro do planeta não é uma tarefa particular, ela deva ser unânime, mas nem todos têm a mesma consciência. Uma atitude sustentável parte de cada um de nós. No ambiente de trabalho não é diferente, porém, algumas empresas visando o bem do planeta, mantêm atitudes sustentáveis, ou seja, consomem e utilizam produtos de outras empresas ambientalmente responsáveis, mas nada disso funciona se você não estiver fazendo a sua parte!

Quando precisa rapidamente anotar alguma coisa o que você faz? Pega uma folha nova na impressora ou tem separadas aquelas folhas usadas com o verso em branco, sim o famoso rascunho? São pequenas atitudes que geram grandes resultados para o nosso meio ambiente. Já pensou em quantas árvores foram derrubadas para manter essa papelada toda que os escritórios usam?!

E a água e o cafezinho? Onde você costuma tomar? Ao invés de usar um copinho plástico para cada vez que for tomar água, não seria melhor trazer de casa um squeeze ou uma caneca? E aquela brisa natural que vem de fora, às vezes não é bem mais agradável do que o gelo do ar condicionado que consome bastante energia?

Falando em energia, ao sair para o almoço, por exemplo, você desliga o monitor do seu computador? Apesar de o desperdício ser pouco, ao pensar em todos os computadores da empresa multiplicando isso pelos dias do mês, a proporção pode ser bem considerável.

Motive seus colegas e mantenha essas pequenas atitudes como parte da sua rotina, além do que, elas podem te transformar num profissional diferenciado na visão do seu chefe, pois além de consciente você estará colaborando com a redução dos custos.

Quando você menos esperar vai praticar a sustentabilidade em tudo o que fizer. No final das contas seu bolso agradece e o planeta também.

Empregos.com.br

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Enchentes na Amazônia Tucujús


Quem passou pela orla da cidade de Macapá nesta segunda-feira (9), pode observar o Rio Amazonas transbordando. O fato até que passaria sem muitas objetivações por parte da população, a não ser pelos acontecimentos recentes da política local.  Antes que os desavisados possam largar suas ásperas frases tentando justificar as causas do tipo: - “Foi por causa das 35 contas do governador que culminaram com o ocorrido” ou do outro: - “foram as verbas indenizatórias que com seus R$100 mil por mês fizeram transbordar”. O fenômeno ocorrido é chamado de Maré Alta ou Maçante, que esse ano se mostrou mais severo, em virtude da Lua cheia. O fenômeno é comum no inverno e neste mês de abril, devidos às chuvas e ventos fortes, pode ocorrem ainda nos próximos dias.

Boatos e fatos à parte, as causas dos transbordamentos do maior e mais extenso rio do mundo tem suas origens bem longe aqui da foz.

As causas surgem na nascente, pois com o aumento acelerado da emissão de gases tóxicos oriundos da queima de combustíveis fósseis e com as queimadas e desmatamentos, a temperatura da Terra esta fazendo com que haja o derretimento das camadas de gelo acumuladas no topo das Cordilheiras dos Andes, justamente onde nasce o rio Amazonas.

Em seu trajeto, o Rio Amazonas, em virtude da exuberante biodiversidade, traz consigo restos de árvores e outros vegetais, animais mortos e sedimentos arrancados das beiras do rio. Concorre para o aumento do nível das águas a chuva, pois a região é bastante úmida. Não só apenas os sedimentos ajudam, mas as ações antrópicas também. O lixo despejado nos rios e a retirada da mata ciliar agravam em muito o problema.

Na Amazônia, normalmente, as inundações são cíclicas e nitidamente sazonais. Quem mais sofre com as enchentes são os ribeirinhos. Em Macapá quem mora perto do Rio Amazonas como no Canal da Mendonça Júnior, Orla do Perpétuo Socorro e Aturiá, tem suas vidas e casas arruinadas com o aumento das águas.

A Amazônia apresenta nas margens dos seus inúmeros rios, principalmente na margem do rio Amazonas, núcleos de ocupação populacional, representantes de múltiplas realidades sociais em convivência com a dinâmica ambiental, ou seja, os habitantes das margens dos rios aprenderam a viver e conviver com a dinâmica da enchente e ao mesmo tempo com os fenômenos climáticos.

A cada ano as influências climáticas globais atingem e agravam a situação de vida dos moradores das margens dos rios e para agravar mais a situação das mudanças climáticas dentro da Amazônia têm a presença da ação antrópica, ou seja, a floresta e toda sua riqueza é vista como fonte de lucro e com isso os latifundiários, grandes madeireiras e criadores se instalam dentro da região com o discurso do desenvolvimento, porém falta manejo.

O resultado desse avanço são áreas devastadas e solos cada vez mais empobrecidos. As várzeas passam ser ocupadas pela pecuária, expulsando os antigos moradores, tendo como consequência a mudança do viver e do morar.

Estas características de impactos e convivências sócio naturais permitem ao amazônida criar novas formas de relações de produção e aprendem a conviver com as grandes cheias do rio Amazonas e seus afluentes.

Diante dos desastres naturais e antrópicos, a Amazônia é um lugar de biodiversidade, guardando heranças geológicas e também populacionais dos primeiros habitantes, que deixaram registrados sua estada em sítios arqueológicos e nos seus herdeiros – índios da Amazônia; há também a herança da colonização, tendo na figura do caboclo-ribeirinho e dos moradores da Amazônia marcas deste processo, seja em traços físicos ou em aspectos culturais.

ENTREVISTA COM MARINA SILVA: POLÍTICA AMBIENTAL REGREDIU 20 ANOS COM DILMA


Enquanto o governo brasileiro demonstra otimismo em sediar o maior evento da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre sustentabilidade, a Rio+20, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva denuncia a pauta "esvaziada" de temas ambientais da conferência que vai ocorrer entre 20 e 22 de junho. 

A ex-senadora e líder socioambiental não poupou críticas ao governo Dilma Rousseff, que classificou como o pior dos últimos 20 anos em relação ao meio ambiente. Segundo Marina, que disputou as eleições presidenciais em 2010, em apenas um ano de gestão da petista o Brasil amargou importantes retrocessos na política ambiental. "Estamos vivendo hoje, em um ano do governo Dilma, uma situação de claro retrocesso em relação a tudo que foi feito ao longo dos últimos 20 anos", afirmou. Ela citou como exemplos a votação do Código Florestal, que "diminui a proteção integral, amplia o desmatamento sobre áreas preservadas e beneficia o desmatador" e as restrições à atuação do Ibama. Marina ainda lamentou a "fraca" atuação do Ministério do Meio Ambiente que, segundo ela, "trabalha para fortalecer a agenda dos que lhe são contrários". Confira:

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Vinte anos após a realização da Eco-92 no Rio de Janeiro, a senhora considera que houve avanço concreto em relação à preservação do ambiente?

MARINA SILVA: O maior avanço foi o aumento da consciência das pessoas. Vinte anos atrás, o nível de consciência que as pessoas tinham sobre reciclagem, proteção das florestas, mudanças climáticas e uma série de outros temas era muito menor. Isso possibilitou que fosse criada uma base de sustentação política para a formatação de várias leis importantes no Brasil que não teriam se sustentado ao longo desses 20 anos se não fosse a ampliação da consciência e do senso de responsabilidade que as pessoas passaram a ter em relação aos recursos naturais. Graças a isso, temos um dos melhores arcabouços legais sobre o meio ambiente e o País é signatário de todas as convenções importantes, como a Convenção do Clima e da Biodiversidade. Agora, precisamos estar atentos que estamos vivendo hoje, em um ano do governo Dilma, uma situação de claro retrocesso em relação a tudo que foi feito ao longo desses 20 anos.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: A senhora considera o Código Florestal um retrocesso?

MARINA SILVA: O Código Florestal é o maior de todos os retrocessos, mas o retrocesso está em toda parte. Está na flexibilização da legislação em vários aspectos, como, por exemplo, na remoção de uma série de cuidados legais em relação à proteção das cavernas. Assim que nós saímos do governo foi feito um decreto que mudou a forma de proteção das cavernas para facilitar a mineração. Já o Código Florestal é um verdadeiro show de retrocessos porque diminui a proteção integral, amplia o desmatamento sobre áreas preservadas e beneficia o desmatador.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Esse retrocesso se refere às políticas adotadas por Dilma em comparação com outros presidentes?

MARINA SILVA: Sim, do primeiro ano de Dilma no poder em relação aos últimos governos, desde a Constituição de 1988. Nesse período, os governos, com mais ou menos dificuldade, fizeram avanços. Esse é o primeiro governo que só se tem retrocessos. É o Código Florestal que foi transformado em um código agrário, é a redução das competências do Ibama para fiscalizar o desmatamento, a flexibilização do processo de licenciamento ambiental, que passa a ser muito mais um processo político do que técnico para dizer se os projetos de infraestrutura são viáveis ou não. Além disso, temos uma ação do Congresso sem nenhuma articulação do governo como era feito em gestões anteriores. Antes a sociedade pressionava e, de certa forma, ajudava os governos no sentido de dar respaldo para não deixar os retrocessos acontecerem no Congresso. Dessa vez, a própria base do governo opera para viabilizar o retrocesso. (...) Obviamente que é o primeiro ano do governo e os erros ainda podem ser corrigidos.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: O governo já demonstrou interesse em adiar a votação do Código Florestal para depois da Rio+20. O que a senhora acha disso?

MARINA SILVA: Isso já foi dito para o governo: nós vamos chegar na Rio+20 como se fosse Rio-20. No lugar de estarmos avançando na agenda ambiental, estaremos retrocedendo. Por isso que o mais sensato é deixar essa discussão para depois, para que possamos dialogar, pensar, e não permitir que todo o esforço conquistado ao longo dos últimos anos venha a ser removido como está sendo feito. O pior é que essa desconstrução é feita em cima dos ganhos, porque o Brasil passou a ter uma imagem boa lá fora. Ao mesmo tempo em que fala dessa imagem boa, o governo mina as bases que deram sustentação a tudo isso.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Atrasar a votação para depois da Rio+20 para evitar constrangimentos não seria pior?

MARINA SILVA: Depende, se o governo quiser chegar com uma agenda campeã de retrocessos, se for esse o objetivo do governo, não entendo por que seria constrangedor. Para mim, constrangedor ao Brasil, que tem liderado uma agenda de redução das emissões de gás carbônico e de desmatamento, que assumiu metas na Convenção das Mudanças Climáticas, que conseguiu dar uma contribuição importante na redução da perda da biodiversidade, principalmente durante o governo do presidente Lula, que criou mais de 24 milhões de hectares de conservação, é chegar lá tendo minado as bases legais que poderiam levar o País a outro modelo de desenvolvimento. Constrangimento é mudar o teste ao invés de se propor a passar no teste.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: A senhora acredita que a presidente possa vetar o Código Florestal, caso ele seja aprovado pelos parlamentares da forma como está proposto?

MARINA SILVA: Pelo menos 80% da sociedade, segundo pesquisas, não quer esse código. Na campanha ela assumiu o compromisso de vetar qualquer projeto que significasse aumento no desmatamento e anistia a desmatadores. A mobilização da sociedade ajuda a dar mais respaldo político para esse veto, mas é claro que seria melhor que todos os problemas fossem corrigidos no Congresso, para que a presidente não precisasse criar uma situação incômoda com os parlamentares. Qualquer governo precisa ter uma postura de alinhamento com sua base de sustentação, mas até esse momento se apostou no "quanto pior, melhor". O que prevalece até agora é que o compromisso da presidente não foi respeitado na tramitação do projeto no Congresso. Espero que a sociedade de respaldo político para que ela vete esse código.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Como a senhora classifica a atuação da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, frente às discussões para a Rio+20 e o debate do Código Florestal?

MARINA SILVA: É a primeira vez que vejo um Ministério do Meio Ambiente sem operar na direção de fortalecer sua agenda, atuando muito mais no sentido de fortalecer a agenda daqueles que lhe são contrários. A sociedade busca uma interlocução direta, com o ministro Pallocci, na época dele, e agora com o secretário Gilberto Carvalho, porque não encontra mais no Ministério do Meio Ambiente um espaço de interação que promova a agenda ambiental.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: O governo Dilma teria influência no que os cientistas classificam como uma pauta esvaziada de temas ambientais para a Rio+20?

MARINA SILVA: O país que sedia tem uma influência em qualquer conferência. Por incrível que pareça, em 1992 tinha-se uma agenda de incentivo a agenda socioambiental. Em 2012 houve um tencionamento para exilar os temas ambientais e transformar a conferência que nasce sobre a égide de uma crise global sem precedentes no clima, na biodiversidade, na desertificação, em uma agenda puramente econômica e social. Como se tratar os problemas econômicos e sociais fosse incompatível com tratar os problemas ambientais. Só haverá uma solução sustentável para os problemas econômicos e sociais quando os danos ambientais forem resolvidos, porque o planeta já está colapsando. Os cientistas estão muito certos em afirmar que houve um esvaziamento proposital da conferência e isso é muito coerente com o retrocesso que está acontecendo aqui. Juntando isso com a crise econômica, os demais países e a Organização das Nações Unidas acabaram entrando nessa proposta esvaziada.

Ambiente Já

domingo, 8 de abril de 2012

Páscoa sustentável: comemore com consciência


Com a desculpa do desenvolvimento econômico, existe uma corrida desenfreada pela produção e pelo consumo, que transforma florestas em desertos, plantas e animais ameaçados de extinção, rios, lagos e mares poluídos, substâncias tóxicas no ar. O Planeta Terra está doente. É preciso rever alguns valores como o conceito de riqueza. Riqueza é qualidade de vida e acesso de todos ao conhecimento. É distribuição de renda, de oportunidades, é biodiversidade, qualidade do solo, da fauna e flora para nós e as gerações futuras.

Sabia que para produzir 1kg de chocolate se consome 24.000 litros de água? As pessoas estão desconectadas de todo o processo de produção dos alimentos e desconhecem a quantidade de recursos naturais não renováveis utilizados para produzir certos produtos que consumimos diariamente. A água doce é uma dos recursos mais explorados em toda a indústria, mas o manejo precário e a rápida poluição nas cidades nos conduz a uma crise marcada pela escassez deste líquido vital por volta de 2025.

Até mesmo em comemorações como a Páscoa é possível ter hábitos sustentáveis, que valorizam e respeitam o meio-ambiente. Evitar desperdícios é, sem dúvida, um deles. Umas das saídas é consumir chocolate provenientes de outras fontes e com embalagem reciclável, pois ajudam a preservar a natureza.

Algumas empresas brasileiras já estão utilizando material reciclado nas embalagens dos ovos de páscoa. Na embalagem, utilizam o Butil-oligo-polipropileno (BOPP) 100% reciclável, no suporte do ovo (copinho plástico) usa polipropileno (PP) 100% reciclável e no papel alumínio utiliza Alumínio (Al) 100% reciclável.

Mas, já que a data sugere consumo, principalmente de chocolate, que tal se atentar para os produtos e empresas que estão preocupados com a preservação do meio ambiente? Abaixo seguem algumas dicas. Aproveite e consuma essa ideia.

Chocolates orgânicos

Os chocolates considerados orgânicos são livres de agrotóxicos, pois os cuidados de produção envolvem um processo integrado que abrange desde a lavoura até o processamento final na fábrica. 

Para fazer os chocolates orgânicos, utilizam-se amêndoas 100% orgânicas. O cacau utilizado é cultivado à sombra da floresta, mantendo-a preservada. O manejo adequado do solo e a não utilização de insumos agroquímicos, como pesticidas ou fertilizantes, tem como objetivo manter o equilíbrio do meio ambiente.

Chocolate de alfarroba

Você já viu por aí um ovo feito à base de alfarroba? Trata-se de uma vagem comestível, semelhante ao feijão, de cor marrom escuro, com sabor adocicado e de elevado valor nutritivo. A polpa só é utilizada depois de torrada e moída. O pó da alfarroba é usado para substituir o cacau e possui expressiva diferença no conteúdo de açúcar e de gordura.

Enquanto o cacau possui até 23% de gordura e 5% de açúcar, a alfarroba possui 0,7% de gordura e um alto teor de açúcares naturais (sucrose, glucose e frutose), em torno de 38% a 45%. Mesmo para quem é diabético ou intolerante à lactose dá para optar pelos chocolates de soja ou alfarroba, que são mais saudáveis e possuem um valor calórico inferior ao chocolate tradicional.

O produto também não contém glúten, nem açúcar. É rico em vitaminas A, B1, B2, E, niacina, cálcio, magnésio, ferro e fibras, possuindo um correto balanceamento de potássio e sódio. Estudos recentes mostraram que a alfarroba não contribui com nenhum tipo de glúten na dieta e que possui propriedades antioxidantes, além de reduzir efetivamente a assimilação de colesterol.

Chocolates de soja

Os chocolates de soja possuem o cacau tradicional, a diferença é que em vez de leite usa-se a soja. Essa proteína de alto valor biológico proporciona benefícios à saúde do coração. 

Outras substâncias encontradas na soja são as isoflavonas. São compostos que possuem estrutura muito semelhante ao hormônio feminino estrógeno, e estão relacionadas com atividade que previne o câncer, redução da perda de massa óssea e diminuição do colesterol sanguíneo.

Acredito que juntos podemos mudar a escola, a rua, o bairro, a cidade, o país e por que não, o mundo? Proponho a reflexão e a ação, na tentativa de mostrar aos amigos leitores que toda mudança tem um ponto de partida e a hora é agora.

Vivenciar a PÁSCOA é poder pensar que outro mundo é possível. Um mundo solidário, sem discriminações e sem danos ao meio ambiente. A partir disso, podemos conviver com mais saúde e alegria.

Como dizia BEATRICE BRUTEAU: “Não podemos aguardar que os tempos se modifiquem e nós nos modifiquemos junto, não podemos aguardar uma revolução que chegue e nos leve em sua marcha. Nós somos o futuro. Somos a revolução”.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...