terça-feira, 10 de abril de 2012

Você é um profissional sustentável?


Para quem pensa no meio ambiente, não basta só ter esse pensamento dentro de casa, a sustentabilidade tem que ser aplicada em todos os lugares, até no trabalho.

Pensar no futuro do planeta não é uma tarefa particular, ela deva ser unânime, mas nem todos têm a mesma consciência. Uma atitude sustentável parte de cada um de nós. No ambiente de trabalho não é diferente, porém, algumas empresas visando o bem do planeta, mantêm atitudes sustentáveis, ou seja, consomem e utilizam produtos de outras empresas ambientalmente responsáveis, mas nada disso funciona se você não estiver fazendo a sua parte!

Quando precisa rapidamente anotar alguma coisa o que você faz? Pega uma folha nova na impressora ou tem separadas aquelas folhas usadas com o verso em branco, sim o famoso rascunho? São pequenas atitudes que geram grandes resultados para o nosso meio ambiente. Já pensou em quantas árvores foram derrubadas para manter essa papelada toda que os escritórios usam?!

E a água e o cafezinho? Onde você costuma tomar? Ao invés de usar um copinho plástico para cada vez que for tomar água, não seria melhor trazer de casa um squeeze ou uma caneca? E aquela brisa natural que vem de fora, às vezes não é bem mais agradável do que o gelo do ar condicionado que consome bastante energia?

Falando em energia, ao sair para o almoço, por exemplo, você desliga o monitor do seu computador? Apesar de o desperdício ser pouco, ao pensar em todos os computadores da empresa multiplicando isso pelos dias do mês, a proporção pode ser bem considerável.

Motive seus colegas e mantenha essas pequenas atitudes como parte da sua rotina, além do que, elas podem te transformar num profissional diferenciado na visão do seu chefe, pois além de consciente você estará colaborando com a redução dos custos.

Quando você menos esperar vai praticar a sustentabilidade em tudo o que fizer. No final das contas seu bolso agradece e o planeta também.

Empregos.com.br

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Enchentes na Amazônia Tucujús


Quem passou pela orla da cidade de Macapá nesta segunda-feira (9), pode observar o Rio Amazonas transbordando. O fato até que passaria sem muitas objetivações por parte da população, a não ser pelos acontecimentos recentes da política local.  Antes que os desavisados possam largar suas ásperas frases tentando justificar as causas do tipo: - “Foi por causa das 35 contas do governador que culminaram com o ocorrido” ou do outro: - “foram as verbas indenizatórias que com seus R$100 mil por mês fizeram transbordar”. O fenômeno ocorrido é chamado de Maré Alta ou Maçante, que esse ano se mostrou mais severo, em virtude da Lua cheia. O fenômeno é comum no inverno e neste mês de abril, devidos às chuvas e ventos fortes, pode ocorrem ainda nos próximos dias.

Boatos e fatos à parte, as causas dos transbordamentos do maior e mais extenso rio do mundo tem suas origens bem longe aqui da foz.

As causas surgem na nascente, pois com o aumento acelerado da emissão de gases tóxicos oriundos da queima de combustíveis fósseis e com as queimadas e desmatamentos, a temperatura da Terra esta fazendo com que haja o derretimento das camadas de gelo acumuladas no topo das Cordilheiras dos Andes, justamente onde nasce o rio Amazonas.

Em seu trajeto, o Rio Amazonas, em virtude da exuberante biodiversidade, traz consigo restos de árvores e outros vegetais, animais mortos e sedimentos arrancados das beiras do rio. Concorre para o aumento do nível das águas a chuva, pois a região é bastante úmida. Não só apenas os sedimentos ajudam, mas as ações antrópicas também. O lixo despejado nos rios e a retirada da mata ciliar agravam em muito o problema.

Na Amazônia, normalmente, as inundações são cíclicas e nitidamente sazonais. Quem mais sofre com as enchentes são os ribeirinhos. Em Macapá quem mora perto do Rio Amazonas como no Canal da Mendonça Júnior, Orla do Perpétuo Socorro e Aturiá, tem suas vidas e casas arruinadas com o aumento das águas.

A Amazônia apresenta nas margens dos seus inúmeros rios, principalmente na margem do rio Amazonas, núcleos de ocupação populacional, representantes de múltiplas realidades sociais em convivência com a dinâmica ambiental, ou seja, os habitantes das margens dos rios aprenderam a viver e conviver com a dinâmica da enchente e ao mesmo tempo com os fenômenos climáticos.

A cada ano as influências climáticas globais atingem e agravam a situação de vida dos moradores das margens dos rios e para agravar mais a situação das mudanças climáticas dentro da Amazônia têm a presença da ação antrópica, ou seja, a floresta e toda sua riqueza é vista como fonte de lucro e com isso os latifundiários, grandes madeireiras e criadores se instalam dentro da região com o discurso do desenvolvimento, porém falta manejo.

O resultado desse avanço são áreas devastadas e solos cada vez mais empobrecidos. As várzeas passam ser ocupadas pela pecuária, expulsando os antigos moradores, tendo como consequência a mudança do viver e do morar.

Estas características de impactos e convivências sócio naturais permitem ao amazônida criar novas formas de relações de produção e aprendem a conviver com as grandes cheias do rio Amazonas e seus afluentes.

Diante dos desastres naturais e antrópicos, a Amazônia é um lugar de biodiversidade, guardando heranças geológicas e também populacionais dos primeiros habitantes, que deixaram registrados sua estada em sítios arqueológicos e nos seus herdeiros – índios da Amazônia; há também a herança da colonização, tendo na figura do caboclo-ribeirinho e dos moradores da Amazônia marcas deste processo, seja em traços físicos ou em aspectos culturais.

ENTREVISTA COM MARINA SILVA: POLÍTICA AMBIENTAL REGREDIU 20 ANOS COM DILMA


Enquanto o governo brasileiro demonstra otimismo em sediar o maior evento da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre sustentabilidade, a Rio+20, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva denuncia a pauta "esvaziada" de temas ambientais da conferência que vai ocorrer entre 20 e 22 de junho. 

A ex-senadora e líder socioambiental não poupou críticas ao governo Dilma Rousseff, que classificou como o pior dos últimos 20 anos em relação ao meio ambiente. Segundo Marina, que disputou as eleições presidenciais em 2010, em apenas um ano de gestão da petista o Brasil amargou importantes retrocessos na política ambiental. "Estamos vivendo hoje, em um ano do governo Dilma, uma situação de claro retrocesso em relação a tudo que foi feito ao longo dos últimos 20 anos", afirmou. Ela citou como exemplos a votação do Código Florestal, que "diminui a proteção integral, amplia o desmatamento sobre áreas preservadas e beneficia o desmatador" e as restrições à atuação do Ibama. Marina ainda lamentou a "fraca" atuação do Ministério do Meio Ambiente que, segundo ela, "trabalha para fortalecer a agenda dos que lhe são contrários". Confira:

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Vinte anos após a realização da Eco-92 no Rio de Janeiro, a senhora considera que houve avanço concreto em relação à preservação do ambiente?

MARINA SILVA: O maior avanço foi o aumento da consciência das pessoas. Vinte anos atrás, o nível de consciência que as pessoas tinham sobre reciclagem, proteção das florestas, mudanças climáticas e uma série de outros temas era muito menor. Isso possibilitou que fosse criada uma base de sustentação política para a formatação de várias leis importantes no Brasil que não teriam se sustentado ao longo desses 20 anos se não fosse a ampliação da consciência e do senso de responsabilidade que as pessoas passaram a ter em relação aos recursos naturais. Graças a isso, temos um dos melhores arcabouços legais sobre o meio ambiente e o País é signatário de todas as convenções importantes, como a Convenção do Clima e da Biodiversidade. Agora, precisamos estar atentos que estamos vivendo hoje, em um ano do governo Dilma, uma situação de claro retrocesso em relação a tudo que foi feito ao longo desses 20 anos.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: A senhora considera o Código Florestal um retrocesso?

MARINA SILVA: O Código Florestal é o maior de todos os retrocessos, mas o retrocesso está em toda parte. Está na flexibilização da legislação em vários aspectos, como, por exemplo, na remoção de uma série de cuidados legais em relação à proteção das cavernas. Assim que nós saímos do governo foi feito um decreto que mudou a forma de proteção das cavernas para facilitar a mineração. Já o Código Florestal é um verdadeiro show de retrocessos porque diminui a proteção integral, amplia o desmatamento sobre áreas preservadas e beneficia o desmatador.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Esse retrocesso se refere às políticas adotadas por Dilma em comparação com outros presidentes?

MARINA SILVA: Sim, do primeiro ano de Dilma no poder em relação aos últimos governos, desde a Constituição de 1988. Nesse período, os governos, com mais ou menos dificuldade, fizeram avanços. Esse é o primeiro governo que só se tem retrocessos. É o Código Florestal que foi transformado em um código agrário, é a redução das competências do Ibama para fiscalizar o desmatamento, a flexibilização do processo de licenciamento ambiental, que passa a ser muito mais um processo político do que técnico para dizer se os projetos de infraestrutura são viáveis ou não. Além disso, temos uma ação do Congresso sem nenhuma articulação do governo como era feito em gestões anteriores. Antes a sociedade pressionava e, de certa forma, ajudava os governos no sentido de dar respaldo para não deixar os retrocessos acontecerem no Congresso. Dessa vez, a própria base do governo opera para viabilizar o retrocesso. (...) Obviamente que é o primeiro ano do governo e os erros ainda podem ser corrigidos.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: O governo já demonstrou interesse em adiar a votação do Código Florestal para depois da Rio+20. O que a senhora acha disso?

MARINA SILVA: Isso já foi dito para o governo: nós vamos chegar na Rio+20 como se fosse Rio-20. No lugar de estarmos avançando na agenda ambiental, estaremos retrocedendo. Por isso que o mais sensato é deixar essa discussão para depois, para que possamos dialogar, pensar, e não permitir que todo o esforço conquistado ao longo dos últimos anos venha a ser removido como está sendo feito. O pior é que essa desconstrução é feita em cima dos ganhos, porque o Brasil passou a ter uma imagem boa lá fora. Ao mesmo tempo em que fala dessa imagem boa, o governo mina as bases que deram sustentação a tudo isso.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Atrasar a votação para depois da Rio+20 para evitar constrangimentos não seria pior?

MARINA SILVA: Depende, se o governo quiser chegar com uma agenda campeã de retrocessos, se for esse o objetivo do governo, não entendo por que seria constrangedor. Para mim, constrangedor ao Brasil, que tem liderado uma agenda de redução das emissões de gás carbônico e de desmatamento, que assumiu metas na Convenção das Mudanças Climáticas, que conseguiu dar uma contribuição importante na redução da perda da biodiversidade, principalmente durante o governo do presidente Lula, que criou mais de 24 milhões de hectares de conservação, é chegar lá tendo minado as bases legais que poderiam levar o País a outro modelo de desenvolvimento. Constrangimento é mudar o teste ao invés de se propor a passar no teste.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: A senhora acredita que a presidente possa vetar o Código Florestal, caso ele seja aprovado pelos parlamentares da forma como está proposto?

MARINA SILVA: Pelo menos 80% da sociedade, segundo pesquisas, não quer esse código. Na campanha ela assumiu o compromisso de vetar qualquer projeto que significasse aumento no desmatamento e anistia a desmatadores. A mobilização da sociedade ajuda a dar mais respaldo político para esse veto, mas é claro que seria melhor que todos os problemas fossem corrigidos no Congresso, para que a presidente não precisasse criar uma situação incômoda com os parlamentares. Qualquer governo precisa ter uma postura de alinhamento com sua base de sustentação, mas até esse momento se apostou no "quanto pior, melhor". O que prevalece até agora é que o compromisso da presidente não foi respeitado na tramitação do projeto no Congresso. Espero que a sociedade de respaldo político para que ela vete esse código.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Como a senhora classifica a atuação da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, frente às discussões para a Rio+20 e o debate do Código Florestal?

MARINA SILVA: É a primeira vez que vejo um Ministério do Meio Ambiente sem operar na direção de fortalecer sua agenda, atuando muito mais no sentido de fortalecer a agenda daqueles que lhe são contrários. A sociedade busca uma interlocução direta, com o ministro Pallocci, na época dele, e agora com o secretário Gilberto Carvalho, porque não encontra mais no Ministério do Meio Ambiente um espaço de interação que promova a agenda ambiental.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: O governo Dilma teria influência no que os cientistas classificam como uma pauta esvaziada de temas ambientais para a Rio+20?

MARINA SILVA: O país que sedia tem uma influência em qualquer conferência. Por incrível que pareça, em 1992 tinha-se uma agenda de incentivo a agenda socioambiental. Em 2012 houve um tencionamento para exilar os temas ambientais e transformar a conferência que nasce sobre a égide de uma crise global sem precedentes no clima, na biodiversidade, na desertificação, em uma agenda puramente econômica e social. Como se tratar os problemas econômicos e sociais fosse incompatível com tratar os problemas ambientais. Só haverá uma solução sustentável para os problemas econômicos e sociais quando os danos ambientais forem resolvidos, porque o planeta já está colapsando. Os cientistas estão muito certos em afirmar que houve um esvaziamento proposital da conferência e isso é muito coerente com o retrocesso que está acontecendo aqui. Juntando isso com a crise econômica, os demais países e a Organização das Nações Unidas acabaram entrando nessa proposta esvaziada.

Ambiente Já

domingo, 8 de abril de 2012

Páscoa sustentável: comemore com consciência


Com a desculpa do desenvolvimento econômico, existe uma corrida desenfreada pela produção e pelo consumo, que transforma florestas em desertos, plantas e animais ameaçados de extinção, rios, lagos e mares poluídos, substâncias tóxicas no ar. O Planeta Terra está doente. É preciso rever alguns valores como o conceito de riqueza. Riqueza é qualidade de vida e acesso de todos ao conhecimento. É distribuição de renda, de oportunidades, é biodiversidade, qualidade do solo, da fauna e flora para nós e as gerações futuras.

Sabia que para produzir 1kg de chocolate se consome 24.000 litros de água? As pessoas estão desconectadas de todo o processo de produção dos alimentos e desconhecem a quantidade de recursos naturais não renováveis utilizados para produzir certos produtos que consumimos diariamente. A água doce é uma dos recursos mais explorados em toda a indústria, mas o manejo precário e a rápida poluição nas cidades nos conduz a uma crise marcada pela escassez deste líquido vital por volta de 2025.

Até mesmo em comemorações como a Páscoa é possível ter hábitos sustentáveis, que valorizam e respeitam o meio-ambiente. Evitar desperdícios é, sem dúvida, um deles. Umas das saídas é consumir chocolate provenientes de outras fontes e com embalagem reciclável, pois ajudam a preservar a natureza.

Algumas empresas brasileiras já estão utilizando material reciclado nas embalagens dos ovos de páscoa. Na embalagem, utilizam o Butil-oligo-polipropileno (BOPP) 100% reciclável, no suporte do ovo (copinho plástico) usa polipropileno (PP) 100% reciclável e no papel alumínio utiliza Alumínio (Al) 100% reciclável.

Mas, já que a data sugere consumo, principalmente de chocolate, que tal se atentar para os produtos e empresas que estão preocupados com a preservação do meio ambiente? Abaixo seguem algumas dicas. Aproveite e consuma essa ideia.

Chocolates orgânicos

Os chocolates considerados orgânicos são livres de agrotóxicos, pois os cuidados de produção envolvem um processo integrado que abrange desde a lavoura até o processamento final na fábrica. 

Para fazer os chocolates orgânicos, utilizam-se amêndoas 100% orgânicas. O cacau utilizado é cultivado à sombra da floresta, mantendo-a preservada. O manejo adequado do solo e a não utilização de insumos agroquímicos, como pesticidas ou fertilizantes, tem como objetivo manter o equilíbrio do meio ambiente.

Chocolate de alfarroba

Você já viu por aí um ovo feito à base de alfarroba? Trata-se de uma vagem comestível, semelhante ao feijão, de cor marrom escuro, com sabor adocicado e de elevado valor nutritivo. A polpa só é utilizada depois de torrada e moída. O pó da alfarroba é usado para substituir o cacau e possui expressiva diferença no conteúdo de açúcar e de gordura.

Enquanto o cacau possui até 23% de gordura e 5% de açúcar, a alfarroba possui 0,7% de gordura e um alto teor de açúcares naturais (sucrose, glucose e frutose), em torno de 38% a 45%. Mesmo para quem é diabético ou intolerante à lactose dá para optar pelos chocolates de soja ou alfarroba, que são mais saudáveis e possuem um valor calórico inferior ao chocolate tradicional.

O produto também não contém glúten, nem açúcar. É rico em vitaminas A, B1, B2, E, niacina, cálcio, magnésio, ferro e fibras, possuindo um correto balanceamento de potássio e sódio. Estudos recentes mostraram que a alfarroba não contribui com nenhum tipo de glúten na dieta e que possui propriedades antioxidantes, além de reduzir efetivamente a assimilação de colesterol.

Chocolates de soja

Os chocolates de soja possuem o cacau tradicional, a diferença é que em vez de leite usa-se a soja. Essa proteína de alto valor biológico proporciona benefícios à saúde do coração. 

Outras substâncias encontradas na soja são as isoflavonas. São compostos que possuem estrutura muito semelhante ao hormônio feminino estrógeno, e estão relacionadas com atividade que previne o câncer, redução da perda de massa óssea e diminuição do colesterol sanguíneo.

Acredito que juntos podemos mudar a escola, a rua, o bairro, a cidade, o país e por que não, o mundo? Proponho a reflexão e a ação, na tentativa de mostrar aos amigos leitores que toda mudança tem um ponto de partida e a hora é agora.

Vivenciar a PÁSCOA é poder pensar que outro mundo é possível. Um mundo solidário, sem discriminações e sem danos ao meio ambiente. A partir disso, podemos conviver com mais saúde e alegria.

Como dizia BEATRICE BRUTEAU: “Não podemos aguardar que os tempos se modifiquem e nós nos modifiquemos junto, não podemos aguardar uma revolução que chegue e nos leve em sua marcha. Nós somos o futuro. Somos a revolução”.

sábado, 7 de abril de 2012

Será a Cidade dos Sonhos?


Araraquara, cidade de 200 mil habitantes no interior de São Paulo, é uma cidade diferente. Destaca-se pelas suas vias arborizadas, pelo sua alta renda média per capita, ausência de favelas e, principalmente, por ter sido uma das primeiras do Brasil a conseguir universalizar o acesso ao saneamento básico.

Lá, 100% das residências recebem água de boa qualidade, sem racionamento. Todas as casas têm coleta de esgoto. O efluente é tratado e devolvido limpo à natureza. O segredo? Desde o início do século passado, a cidade entendeu que saneamento era um serviço essencial e nunca deixou os problemas acumularem.

Getúlio Vargas Cassoli, 81 anos, nasceu e se criou em Araraquara. Uma de suas lembranças mais antigas é de ir à prefeitura, desde os 7 anos, pagar a conta d'água. "Desde sempre tivemos água encanada na casa dos meus pais. O esgoto também era canalizado. Nunca vi aqui ninguém carregando balde d'água na cabeça nem esgoto correndo a céu aberto", afirma.

O uso de reservatórios começou em 1901. A primeira obra de tratamento, com decantação e aplicação de cloro, foi inaugurada em 1948, cercada por um parque ecológico e com uma fonte pública que funciona até hoje. Quando a cidade recebeu uma grande migração de pessoas por conta da construção da linha ferroviária que passa por ali, na década de 1950, os investimentos acompanharam a necessidade.

A Vila Ferroviária, habitada pelos trabalhadores e que hoje batiza o principal time de futebol do município, foi toda construída com as ligações de água e de esgoto. Quando o governo federal instituiu sua primeira política nacional de saneamento, em 1960, Araraquara tinha suas estruturas prontas. Hoje, conta com três adutoras, 20 poços subterrâneos e uma estação que limpa os esgotos de toda a cidade.

"Sempre fizemos as obras com recursos próprios. Nunca pedimos financiamento estadual ou federal. Nossa operação sempre foi lucrativa, e todo o dinheiro ia para novas obras", afirma o engenheiro Guilherme Soares, superintendente do Departamento Autônomo de Água e Esgoto (DAAE) do município. "Trabalho aqui há 40 anos e sempre tivemos projetos para o futuro. Não se universaliza o saneamento a curto prazo" , diz Soares.

O tratamento de esgoto só virou uma prioridade no Brasil na década de 1990. Em Araraquara, o problema foi resolvido em 15 anos. Em 1993, a população começou a pagar taxa extra na conta para financiar a primeira estação.

O complexo hoje dá conta de todos os efluentes da cidade e funciona com tecnologia de ponta. O lodo que sai do esgoto é seco e queimado para facilitar a armazenagem. Até mesmo os gases que resultam da operação são lavados antes de serem jogados na atmosfera. "Aquecido a 300 ºC, o lodo fica inerte e perde 80% de seu volume, sem patogenicidade nenhuma", explica Fernando Lourencetti, gerente de projetos da DAAE.

Esse procedimento foi o único a receber financiamento externo, R$ 6 milhões do PAC. "Hoje essa preocupação ecológica é nacional, mas fomos pioneiros nesse tipo de intervenção", afirma Soares. "Mesmo com coleta completa, vimos que nossos efluentes poluíam córregos que chegavam a municípios vizinhos".

O pioneirismo da cidade é reconhecido por vários municípios vizinhos, que mandam engenheiros regularmente para conhecer os métodos utilizados em Araraquara. Um cuidado que orgulha a população. "Eu não troco isso aqui por nada. Todas as pessoas que vieram para cá em algum momento continuam aqui até hoje. É maravilhoso", diz Getúlio.

Leonardo Echeverria ANDI

Perspectivas para a natureza na modernidade


Fomos educados de uma maneira meio estúpida. Não nos ensinaram a valorizar as riquezas naturais que fazem parte da vida. Não fomos incentivados a observar os requintes de interdependência entre as espécies e entre estas e elementos naturais como água, ar, solo ou rochas. Somos parte de uma imensa teia de vida, mas não nos damos conta da maravilha que existe em nós e ao nosso redor. Ao contrário, temos o hábito de usar insustentavelmente os recursos naturais, e a esperar felicidade vinda de fora e de coisas materiais. Só que o prazer do consumo dura pouco, e por isso estamos sempre querendo mais, criando necessidades que de fato não existem. Não percebemos que tudo tem origem em elementos da natureza e que, ao extrairmos recursos naturais indefinidamente, estamos provocando uma crise sem precedentes.

Até pouco tempo, nutria-se a ilusão de que os países em desenvolvimento chegariam ao padrão de vida dos países desenvolvidos. Hoje, sabe-se que a Terra não sustenta tanta demanda. Estudos sobre “nossas pegadas ecológicas” estimam que, se toda a população humana consumisse o mesmo que cidadãos do Primeiro Mundo, já seriam necessários quase quatro planetas. O interessante é que o mesmo estudo indica que, se a distribuição fosse mais equitativa, a produção atual cercearia as necessidades básicas de toda a humanidade.

O modelo de desenvolvimento predominante é, portanto, insustentável e longe de parecer ter sido concebido pela espécie mais inteligente da Terra. A natureza não consegue se recompor na velocidade dos impactos que causamos. Num complexo sistema de reações, agora ocorrem fenômenos intensos e frequentes em todas as partes do mundo, como furacão, enchente, tsunami e aquecimento da temperatura, com degelo dos polos e aumento do nível dos oceanos. Tudo isso tem provocado incertezas, e seriam necessárias reações rápidas com base em conhecimentos que já estão disponíveis. Mas a humanidade resiste a mudanças e, assim, podemos perder a chance de revertermos o quadro atual para salvarmos a riqueza de vida de nosso planeta.

O mundo econômico não atribui valores à natureza em suas equações, nem reflete sobre os “inputs”, ou elementos naturais que entram no sistema produtivo, nem nos “outputs”, ou o que é produzido e gera riqueza, mas também dejetos que impactam o planeta. Não são estimados os recursos naturais como ar, água, solo fértil e outros, nem os investimentos para tratar o lixo gerado e, ainda mais grave, a natureza é tratada como infinita.

Nos últimos anos, nota-se uma maior consciência a respeito desses limites e uma maior valorização do que resta de ecossistemas nativos. Daí a grande oportunidade de os países que ainda contam com ricos ecossistemas, que normalmente são pobres socialmente, reverterem suas condições socioambientais. Mas, para que isso ocorra, é necessário que se comece pelos tomadores de decisão, que precisam tratar o que existe em seus próprios territórios com maior respeito. Há uma tradição histórica de buscar ganhos econômicos com a extração de matérias-primas que precisa ser quebrada.

O Brasil faz parte desse rol e é um dos países mais privilegiados da Terra. Conta com imenso território onde diversos biomas se destacam: Amazônia, Mata Atlântica, Pantanal, Cerrado, Caatinga e Campos Sulinos (conforme classificação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Em seus 8,5 milhões de quilômetros quadrados, engloba várias zonas climáticas, o que favorece a existência de uma inigualável diversidade de plantas e animais, e ainda hospeda 20% da água doce do planeta, um dos elementos mais preciosos nesta era de transformações. Mas por isso mesmo temos grande responsabilidade, principalmente na proteção de nossas áreas naturais.

Com o receio de que nada sobraria à ganância humana, em meados do século 19 foram declaradas as primeiras áreas protegidas no mundo. No Brasil, o Parque Nacional de Itatiaia foi o pioneiro, criado em 1937, e muitos se seguiram. Hoje, aproximadamente 25% do território nacional está protegido em terras indígenas ou Unidades de Conservação (UCs). No entanto, a maioria destas é fechada à visitação pública, o que dá margem a que sejam tratadas com ressentimento pelas comunidades locais, por não terem a chance de conhecerem suas belezas e não serem incentivadas a participar de sua proteção.

Imaginar ser possível conservar a biodiversidade dessas áreas sem o envolvimento de quem mora ao redor é ilusão. Primeiro, porque quem vive perto pode se tornar aliado à conservação, se devidamente envolvido com educação ambiental e alternativas sustentáveis que melhorem as condições sociais. Segundo, não há verbas nem infraestrutura disponíveis para cobrir investimentos com guarda-parques, viaturas e meios de comunicação. É repassado ao Ministério do Meio Ambiente um dos menores orçamentos da União, o que demonstra o descaso com a área. De fato, uma das maiores fontes de recursos para conservação advém dos Termos de Ajuste de Conduta (TACs), ou seja, somente quando alguém ou uma empresa comete delitos e é multado é que a conservação sai vencedora. Portanto, a proteção da natureza depende mais dos “pecadores” do que da vontade pública.

Mas existem novos caminhos surgindo que indicam uma revalorização ambiental. Alguns exemplos do setor privado demonstram mudanças dos paradigmas desenvolvimentistas tradicionais que se atinham somente ao lucro. Adicionaram responsabilidades socioambientais que incluem compensar suas emissões de gases de efeito estufa por meio de reflorestamentos, ou manejarem determinados recursos naturais antes extraídos sem muitos cuidados, além de se preocuparem em beneficiar as comunidades locais. Essas experiências merecem ser disseminadas para que outros se “contaminem” e também passem a assumir posturas que levam à maior sustentabilidade local e planetária.

Fica claro que hoje é necessário que todos os setores assumam novos compromissos. Não basta deixar responsabilidades somente nas mãos de ONGs, ou governos e empresas. Precisamos estar juntos nesse caminhar, que poderá nos levar ou a um estado preocupante quanto à nossa própria sobrevivência ou a uma nova celebração da vida como ela merece.

IPE

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Peixe temos, o que falta são “borbulhas” de conscientização


Nosso país possui várias bacias hidrográficas, as quais comportariam uma grande produção de pescado. Entretanto, nossa grande disponibilidade de reserva aquática não é devidamente utilizada. São 12% de água doce, além das águas oceânicas, as quais banham uma grande parte do território brasileiro. As duas somadas se tornam o maior potencial pesqueiro que existe no mundo.

A pesca no Estado do Amapá caracteriza-se pela influência da sazonalidade do ciclo das chuvas, tendo como alvo, espécies de origem marinha (pescada amarela, gurijuba, etc.), durante a estação seca e espécies estuarinas da bacia amazônica (dourada, filhote, etc), durante a estação chuvosa.

O Estado do Amapá possui 10 municípios costeiros. A pesca artesanal no Amapá corresponde atualmente mais de 90% de toda a captura efetuada nas áreas costeiras do Estado e é realizada, principalmente de forma artesanal, sendo que geralmente a mão de obra utilizada é a familiar e a produção na maioria das vezes é de subsistência.

Apesar do reconhecimento e da importância da atividade pesqueira para o desenvolvimento socioeconômico do Estado, observa-se na maioria dos casos um grande descaso por parte dos órgãos responsáveis pelo setor – falta de embarcações, de tecnologia de pesca, de financiamento, bem como de um adequado entreposto de pesca - em relação à aplicação de políticas sérias de desenvolvimento deste potencial.

O controle da produção e estocagem, dados indispensáveis à definição das políticas públicas também é deficiente. Fato observado durante as coletas de dados, em que embarcações de outros estados entram na costa do Amapá praticando a atividade pesqueira, muitas das vezes de maneira irresponsável, enquanto que o Amapá desperdiça essa potencialidade, deixando de gerar emprego e lucro para o Estado.

O Amapá, como visto, possui um grande potencial pesqueiro, haja vista, que grande parte do pescado desembarcado no Estado do Pará, provém do Estado do Amapá, logo se todo o pescado desembarcasse no Amapá, sem dúvida, o Estado seria o primeiro em produção. A causa disso é a ausência de entrepostos de pesca, bem como de políticas públicas. Sabe-se que hoje, para se fazer uma gestão dos recursos pesqueiros adequados, no mínimo é necessário possuir dados de desembarque por espécie de peixe por um longo período e regulares. Então é necessário se fazer um trabalho junto a colônia no intuito de conscientizar os pescadores a respeito da quantidade desembarcada, bem como fazer uma avaliação da quantidade exata dos pescadores existentes.

O consumo de pescado tem tido um crescimento acelerado, isso em função de muitas variáveis, sendo o preço do peixe até a opção dos consumidores por uma alimentação mais saudável algumas delas. Por ser uma carne rica em proteínas e aminoácidos essenciais, o pescado tem valor nutricional superior às demais carnes.

Para aumentar a produção de pescado no país, devido à crescente necessidade do mercado, uma alternativa tem sido muito empregada com grande sucesso, por exemplo, é a criação de peixes em Tanque-Rede.

Sob o ponto de vista nutricional, o pescado possui características específicas que o fazem um alimento benéfico. Entre estas características sobressaem as seguintes:
  • Rico em proteínas de alta qualidade e de rápida digestibilidade;
  • Rico em lisina e aminoácidos essenciais. A lisina constitui mais do que 10% da proteína do pescado enquanto o arroz tem só 2,8%. Isto faz com que o pescado seja um complemento adequado para as dietas ricas em carboidrato características dos pobres;
  • Rico em micronutrientes que geralmente não são encontrados em alimentos básicos. Por exemplo, é uma importante fonte de vitaminas A e D, caso suas gorduras forem ingeridas. Também contem tiamina e riboflavina (Vitaminas B1 e B2). É fonte de ferro, fósforo e cálcio. O pescado marinho é fonte de iodo; 
  • O pescado também contribui com ácidos graxos necessários ao desenvolvimento do cérebro e do corpo. O peixe gordo é rico em ácidos graxos poli-insaturados, especialmente ômega-3.

Para se garantir a segurança alimentar é preciso capacidade de ABSORÇÃO do alimento. Para que isto possa ser possível, as condições de higiene e inocuidade do pescado são essenciais.

As más condições de manipulação, armazenamento e transporte do pescado fresco muito contribuem para a perda da qualidade e mesmo deterioração do pescado desembarcado. Neste caso está incluído o Brasil, onde o quadro é precário em quase todos os locais de descarga de pescado. 

As práticas tradicionais de passagem do pescado fresco através de um ou mais intermediários, em sua viagem do pescador ao consumidor final, também contribui decisivamente para a perda da qualidade e a deterioração do pescado fresco disponível ao consumidor nas feiras livres, mercados, peixarias e supermercados do país. A indústria também é prejudicada pelo recebimento de matéria prima de qualidade inferior a desejável.

Práticas artesanais e/ou industriais inadequadas de preservação e processamento dão como resultado produtos de qualidade inferior e mesmo deteriorados, aumentando estas perdas. Más condições de transporte, armazenamento, comercialização e distribuição também contribuem para o aumento das perdas pós-captura.
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