sexta-feira, 6 de abril de 2012

Entrevista: Antônio Nobre - A tecnologia da floresta é insubstituível


Antônio Donato Nobre é cientista da Terra e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Segundo ele, a única maneira possível de recuperarmos o equilíbrio do planeta é replantando florestas nativas. Afinal, elas possuem um grau de sofisticação tecnológica que o ser humano jamais será capaz de reproduzir.






FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Qual é a definição de florestas?

ANTÔNIO NOBRE: Floresta é um tapete multicolorido, vivo, extremamente rico, um tapete que tem 400 milhões de anos. Elas são uma colônia gigantesca de organismos que saíram do oceano e vieram para a terra. E dentro da folha existem condições semelhantes às da água do mar. Então, a floresta é um mar suspenso muito elaborado, muito adaptado. E essa colônia de organismos que tem a capacidade de fazer fotossíntese é responsável pelo oxigênio que a gente respira, pela estabilidade climática do planeta e pelo conforto que apreciamos na Terra e que é desconhecido fora da Terra. Se conversarmos com um astrônomo ou astrofísico, ele vai dizer que as condições de estabilidade climática, mesmo com os grandes acidentes naturais que presenciamos – tsunamis, tormentas, secas etc. –, isso é nada quando comparado ao que existe fora da Terra.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Qual é exatamente o papel das florestas para manter o equilíbrio terrestre?

ANTÔNIO NOBRE: O gás carbônico funciona como alimento para a planta. Quando ela o consome, faz madeira, folhas, frutos, raízes. Ao consumir o CO2, a concentração desse gás na atmosfera diminui. Com isso, o planeta esfria e a planta cresce menos, ou consome menos CO2 e o planeta esquenta. Então, ela funciona exatamente como um termostato.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO:  Você costuma afirmar que a Amazônia não é simplesmente o pulmão do mundo. Qual é exatamente a função da Amazônia para o Brasil e para o planeta?

ANTÔNIO NOBRE: Os papéis são tantos que a gente ia gastar muito tempo falando dos papéis que a gente sabe, e olha que a gente sabe muito pouco ainda, estamos aprendendo. Quando começamos a entrar nos meandros da riqueza da floresta, é inevitável pensar: “Nossa, como é que nós, um dia, desmatamos?”. Porque isso é uma brutalidade. Hoje, olhamos para trás e falamos: “Como é que um dia a gente colocou seres humanos no porão de um navio, trouxe da África para a América e escravizou essas pessoas?”. Nós fazemos isso hoje, com todo o aparato legal que nós temos, nós cometemos uma atrocidade contra uma riqueza tecnológica incompreensível.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: O senhor afirma que a energia captada pela floresta, para fazer evaporar, todos os dias, 20 bilhões de toneladas de água, é equivalente a 50 mil Itaipus. Isso significa que a tecnologia da natureza é insubstituível?

ANTÔNIO NOBRE: A floresta é o maior parque tecnológico que a Terra já conheceu, porque cada organismo lá é uma maravilha de miniaturização e manipulação de átomos e moléculas. Toda a pesquisa nanotecnológica, que recebe bilhões, se comparada a um simples micróbio ou à pontinha de uma folha, é patética, é ridícula. E com a nossa tecnologia, precisamos de uma estrutura monstruosa, sistema a vácuo, pinça a laser… Aquilo custa milhões, a gente consegue mover alguns átomos e é isso. A natureza, em temperatura ambiente, faz tudo isso numa complexidade extraordinária e ainda se reproduz.
As plantas na Amazônia têm antifúngicos poderosíssimos. Se uma pessoa tem um fungo de pele, você pega um extrato daquela planta, passa e acabou o fungo. Por quê? Porque as plantas da Amazônia têm que lidar com fungos o tempo todo, há milhões de anos. Elas inventaram soluções superinteligentes para lidar com isso. E isso é tecnologia que pode ser aproveitada pela indústria.
Então, se nos unirmos aos povos da floresta, fizermos uma universidade dentro da floresta, criarmos institutos e começarmos a estudar isso, aprender com quem sabe, com quem tem a noção intuitiva daquela sabedoria, daqui a pouco, teremos uma indústria pujante ligada à biodiversidade. E ninguém mais vai pensar em tirar aquela floresta para plantar soja. E não é que não precise plantar soja, mas vamos plantá-la nos lugares onde podemos plantar soja, e tem lugar de montão.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: O senhor afirma que recuperar as florestas é a única maneira de restabelecer o equilíbrio climático. Fale sobre isso. O que podemos fazer efetivamente?

ANTÔNIO NOBRE: Podemos tentar recuperar as florestas que destruímos, e a natureza nos favorece nisso. É preciso reverter os desertos, as áreas que foram degradadas, enquanto é tempo, porque quando chega numa situação de Saara, não é possível reverter.
Nós temos essa capacidade de replantar florestas. No projeto Y Ikatu Xingu, os indígenas coletavam sementes das árvores nativas da floresta e os agricultores adaptaram uma plantadeira de soja para plantá-las. E eles recuperaram muitos hectares de uma floresta de galeria, porque reconheceram que foi um erro terem-na destruído.
Além disso, daqui a pouco, isso vai ser remunerado. Reconstruir os habitats vai gerar o que se chama de serviços ambientais. Nós estamos em um momento muito favorável e o mundo inteiro está demandando isso. Daqui a pouco, todas as empresas terão que colocar, em seus produtos, qual é o footprint (pegada) de floresta.
Reconstruir a floresta é a forma mais fácil de contrapormos um desequilíbrio de magnitudes nunca antes vistas. Eu não saberia dizer se isso vai resolver o problema, mas é a melhor opção que nós temos.

FLORESTA DO MEIO DO MUNDO: Qual é a sua sugestão para revalorizarmos as florestas, que são tão importantes para o planeta como um todo?

ANTÔNIO NOBRE: Precisamos ligar a vida urbana com a vida rural, precisamos sentir empatia e simpatia pelos agricultores, de forma que eles percebam que a pessoa que vive no asfalto tem sensibilidade com a realidade que ocorre no campo. E todos juntos, entrarmos num grande projeto de reflorestamento nacional. Isso não vai tirar área para a agricultura. E, se a gente aplicar tecnologia, a agricultura vai aumentar sua produção, nos lugares que são adequados para isso.
Podemos usar a ciência e a tecnologia a serviço do esclarecimento e da otimização. Chamemos assim: paisagens produtivas. Não precisamos ter ou agricultura ou reserva florestal, com os ambientalistas protegendo a reserva de um lado e os agricultores querendo produzir de outro. Porque a reserva florestal é fundamental para a produção. A reserva produz água potável, produz oxigênio, limpa o ar, produz uma série de serviços que interessam à agricultura, interessam ao urbano, interessam a todo mundo. Então, vamos falar de paisagens produtivas, onde o ambientalista e o agricultor se dão as mãos vão trabalhar juntos. Nós estamos no mesmo barco, e o barco está afundando, precisamos encontrar soluções.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A Mosca-da-Carambola ainda ataca no Estado do Amapá


A fruticultura brasileira é um segmento de expressão econômica pela crescente participação no comércio internacional e, principalmente, pelo abastecimento do mercado doméstico. No entanto, a ocorrência de moscas-das-frutas nas áreas comerciais constitui uma ameaça à atividade com impactos negativos para o agronegócio.
Para as espécies de moscas-das-frutas dos gêneros Ceratitis e Anastrepha existem tratamentos fitossanitários e marcos regulatórios que permitem o fluxo de comércio em atendimento aos requisitos de sanidade. Situação diferente ocorre em relação ao surgimento de novas pragas, como Bactrocera carambolae no Estado do Amapá, de modo que tal fato pode representar um obstáculo ao desempenho da fruticultura local, regional e nacional.
Apesar de ser conhecida vulgarmente como mosca-da-carambola, a praga ataca mais de 100 espécies de fruteiras, são referidos os seguintes hospedeiros: primários (carambola, goiaba, manga, maçaranduba, sapoti, jambo vermelho, laranja caipira ou da terra) e secundários (caju, jaca, acerola, gomuto, abiu, laranja doce, pomelo, tangerina, fruta-pão, pitanga, tomate, bacupari, cajá ou taperebá, jambo branco e rosa, jambo d’água, jujuba, pimenta e amendoeira).
As exigências vinculadas à defesa sanitária para impedir a introdução e disseminação de novas pragas vêm assumindo papel central nos fóruns de negociação entre Estado, setor produtivo e sociedade civil. Os debates sobre as medidas fitossanitárias se justificam pelos riscos à saúde humana e à produção de alimentos saudáveis. Entretanto, as barreiras não tarifárias podem constituir mecanismo de protecionismo comercial, procedimento condenado pela Organização Mundial do Comércio (OMC), instância supranacional que visa impedir que normas fitossanitárias sejam utilizadas para fins protecionistas.
A importância da mosca-da-carambola está associada aos prejuízos que pode causar à produção de frutas hospedeiras, às restrições impostas pelos mercados consumidores, às implicações de medidas de controle e aos impactos econômicos, políticos, sociais e ambientais do aparecimento e disseminação dessa praga.
A análise dos benefícios econômicos de um programa de defesa e erradicação de uma praga ou doença não é, por sua própria natureza, uma tarefa simples. Assim, temos de discutir a importância econômica, ambiental e social das moscas-das-frutas, em particular de B. carambolae, bem como estimar valores monetários que representem os benefícios agregados para as regiões brasileiras em função da adoção de medidas efetivas de controle da praga considerando-se os prejuízos que poderiam ocorrer com a dispersão da mosca-da-carambola.
Os ecossistemas amazônicos e a biodiversidade de florestas nativas podem atuar como áreas potenciais de infestação de hospedeiros silvestres, sobretudo porque a realização do combate às pragas por controle químico pode atingir os inimigos naturais dos insetos, agravando ainda mais a situação.
A inspeção do trânsito de mercadorias nos portos, rodovias e aeroportos constituem importante mecanismo de prevenção e controle de pragas que afetam a agricultura, uma vez que nesses locais há um tráfego intenso de commodities e passageiros. No entanto, na região Amazônica, por sua extensão territorial e a existência de áreas limítrofes com países estrangeiros, ocorrem diversos entraves para a aplicação de programas efetivos de defesa sanitária, principalmente em função do modal de transporte fluvial de grande capilaridade com expressivo fluxo de pessoas e mercadorias. As fronteiras internacionais extrapolam o controle e regulação da legislação nacional, como ocorre em relação à circulação de embarcações entre Oiapoque e Saint Georges, na Guiana Francesa.
Para ações de controle da praga é necessário conhecer em que hospedeiros ela se desenvolve nas condições do Amapá. É imperioso, portanto, efetuar a prospecção de possíveis hospedeiros silvestres da mosca nas áreas de mata nativa do Estado.
É recomendável que todo programa de monitoramento populacional de moscas-das frutas seja complementado pela amostragem de frutos. Assim, é possível avaliar o nível de infestação destes e identificar, com precisão, a associação de determinada espécie de tefritídeo com a espécie vegetal ou variedade de frutífera, o que não é possível quando se utiliza armadilha para capturar adultos. Através dessa amostragem, pode-se detectar as larvas das moscas-das-frutas presentes no fruto, o grau de infestação do pomar e o dano direto causado pelas moscas. Dados sobre a fenologia das espécies frutíferas e hospedeiros silvestres, com ênfase especial à época de frutificação, devem ser coletados.
No Estado do Amapá, os impactos sociais podem ser relevantes em função do papel exercido pela incipiente fruticultura para o abastecimento do mercado local e para o autoconsumo. Os agricultores familiares são diretamente afetados na medida em que a presença de B. carambolae acarreta proibição do transporte e do comércio dos frutos hospedeiros e redução das oportunidades de ocupação e renda agrícolas.
Por outro lado, os impactos econômicos da mosca-da-carambola no Amapá podem ser considerados pouco significativos no cômputo da produção nacional de frutas frescas. Entretanto, poderia ocasionar o aumento de dependência do fornecimento de alimentos, o abortamento de uma oportunidade de desenvolvimento da fruticultura local e o comprometimento da renda das famílias rurais dedicadas à atividade frutícola.
Na realidade, os efeitos imprevisíveis da dispersão da mosca-da-carambola diante dos fatores que interferem nos diversos segmentos dos arranjos produtivos locais e da cadeia produtiva da fruticultura, como a influência do clima, a adaptação e interação da praga ao ambiente e aos hospedeiros, conjuntura econômica, regulação de instâncias supranacionais, entre outros, acarretam incertezas quanto à previsibilidade das consequências futuras sobre o setor agrícola e, em especial, sobre o agronegócio brasileiro de frutas frescas.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Ataque de Jacarés: parece cena de cinema, mas é a vida real

Um jacaré apareceu no canal do Beirol, zona oeste de Macapá, assustando moradores e trabalhadores. O réptil não era de grande porte, medindo um pouco mais de um metro. O tamanho de um jacaré pode variar de sessenta centímetros (jacaré-anão) até 6,5 metros (jacaré-açu), podendo pesar de três a quinhentos quilos. Outro jacaré também foi avistado no canal do Perpétuo Socorro, sendo abatido pelos moradores e outro foi capturado vivo pela equipe do batalhão. A aparição de jacarés em canal preocupa os moradores desses bairros. Eles procuram a margem, mas acabam se assustando com o grande número de pessoas.

Na quinta-feira passada (29), no Igarapé do Poname - município de Amapá -, um jacaré atacou e matou o pescador Pedro de Jesus Ferreira Melo. Na manhã de sábado, foi encontrado apenas parte do corpo. No domingo (1), O réptil foi abatido por bombeiros da 9ª Companhia de Resgate. Ao abrirem a barriga do réptil, encontraram as demais partes do corpo.

Geralmente os jacarés atacam quando se sentem ameaçados ou quando seu habitat natural é degradado, indo procurar alimento e moradia em outros lugares. Como nosso Estado possui muitas áreas de ressacas e canais que se interligam com rios, igarapés e lagos, o tráfego de jacarés é constante e ameaçador.

Os jacarés são ecologicamente importantes porque fazem o controle biológico de outras espécies animais ao se alimentarem daqueles indivíduos mais fracos, velhos e doentes, que não conseguem escapar de seu ataque. Também controlam a população de insetos e dos gastrópodes (caramujos) transmissores de doenças como a esquistossomose (barriga-d’água). Suas fezes servem de alimento a peixes e a outros seres vivos aquáticos.

Os jacarés são répteis bem adaptados ao meio ambiente e dominam ainda hoje muitos habitats. Ao contrário do que se pensa, o jacaré não é lento. Se for melindrado ou estiver preste a dar o bote, adquire velocidade impressionante. Dentro da água, seu ataque é geralmente mortal, já que é um exímio nadador.

O jacaré é carnívoro e aceita tudo, desde que a alimentação oferecida seja à base de proteína animal. A exigência alimentar é de 10 % do peso vivo ao dia, pois tem o metabolismo lento.

O que mais assusta nesse animal é o tamanho de sua boca e a quantidade de dentes - entre 70 e 80. Quando a vítima é pequena, o jacaré simplesmente engole a presa inteira. Já quando a vítima é maior, o jacaré a segura pelas mandíbulas e a sacode bruscamente até que se despedace. Quando o ataque acontece dentro da água, uma espécie de válvula isola a traqueia evitando, assim, que a água invada o pulmão.

O sucesso da saída do animal da água para o meio terrestre ocorreu por alguns motivos como pele grossa que auxilia no equilíbrio iônico do animal; desenvolvimento dos pulmões bem capacitados; coração com quatro cavidades (muito parecido com o coração humano) e ovo com casca, que protege o embrião do meio.


Abaixo segue o vídeo na íntegra da retirada das partes do corpo do pescador de dentro da barriga do jacaré. São cenas fortes!!!



A “maior casa na árvore” do mundo

Foi construída pelo Norte-americano Horace Burgess e levou 11 anos para ser concluída (possui 10 andares).











terça-feira, 3 de abril de 2012

Inovação tecnológica e sustentabilidade

Se pararmos para pensar, o progresso da ciência e da tecnologia como a conhecemos hoje, nossos ecossistemas naturais têm pagado um alto preço por esta evolução. Desde então desenvolver e conservar têm sido um dos maiores paradoxos com a qual a humanidade tem de conviver. A degradação ambiental sem fronteiras iniciada a partir da Revolução Industrial do Século XVIII, e acentuada com o advento da globalização no Século XX, levou a fortes questionamentos no início dos anos 60. Desde então, o modelo econômico vigente e seus negativos impactos sociais e ambientais vem sendo apontados por especialistas atuantes em diversas áreas.

Em várias partes do mundo vem crescendo o uso do conceito elaborado por acadêmicos canadenses conhecido como “pegada ecológica” (ecological footprint) que avalia a capacidade ecológica necessária para sustentar o consumo de produtos e estilos de vida. Calcula-se uma pegada ecológica somando fluxos de material e energia requeridos para sustentar qualquer economia ou segmento da economia. Tais fluxos são então convertidos em medidas padrão da produção que se exige das regiões de terra e água. Pegada é a superfície total da terra necessária para sustentar determinada atividade ou um produto.

O relatório do WWF (Fundo Mundial para a Natureza) sobre a pegada de hoje da humanidade oferece um flagrante dos ecossistemas críticos dos quais dependemos e uma medida do nosso uso coletivo dos recursos naturais renováveis tais como terra cultivável, pastagens, florestas, sítios de pesca e assim por diante.

O processo de globalização acelerou o aumento da pobreza mundial e suas consequências como deterioração da saúde e da dignidade humana. Esta não tem trazido à maioria dos trabalhadores uma melhor qualidade de vida, ao contrário, tem colaborado para o aumento de maior concentração de renda entre os mais ricos em detrimento da diminuição de renda entre os mais pobres.

A partir dos anos 80 o termo “ecodesenvolvimento” e “desenvolvimento sustentável”, se convergem nas suas propostas, apontando para a necessidade do equilíbrio entre o ambiental, o social e o econômico. Enquanto que países desenvolvidos colocam a ênfase da sustentabilidade na questão ambiental, vemos a preocupação de países em desenvolvimento em incluir também a questão socioeconômica.

Em fato, a sustentabilidade socioambiental somente poderá ocorrer quando implantar-se ações sistêmicas capazes de transformar modelos tecno-econômicos cartesianos em resoluções que promovam real qualidade de vida as atuais e futuras gerações, respeitando nossas diversidades culturais e potencializando nossas características regionais. Necessita-se colocar o direito a um ambiente saudável no mesmo nível de direito ao acesso a renda, saúde, habitação, educação e lazer.

Não há dúvidas que as oportunidades de desenvolver novas tecnologias são grandes em um país que necessita de soluções tecnológicas apropriadas para resolver seus problemas de tratamento de lixo adequado e saneamento básico, inexistentes em mais de 70% de seus municípios, sem contar a necessidade de desenvolvermos novas fontes de energia, que sejam ao mesmo tempo eficientes, menos agressivas ao meio ambiente e renováveis.

No Brasil, ainda pouco se faz em pró do potencial da biotecnologia. Maiores incentivos a pesquisas científicas podem transformar elementos da nossa rica biodiversidade em produtos de mercado, em áreas como de medicamentos, alimentos, cosméticos, fertilizantes, pesticidas e solventes naturais.

Segundo a Conservation International, dos 17 países mais ricos em biodiversidade do mundo, o Brasil está em primeiro lugar com 23% do total de espécies do planeta. Apenas na Amazônia, são encontradas mais 20.000 espécies endêmicas, enquanto o México tem cerca de 3.000, a Alemanha, 19 e a Suíça, apenas uma planta. O impulso a esta “bio-economia” aliada a medidas de proteção ao conhecimento das populações tradicionais e indígenas, conhecedores de plantas e fungos que podem vir a ser tornar produtos de mercado, pode gerar renda e reduzir a miséria dos povos da floresta.

Revista Educação & Tecnologia

segunda-feira, 2 de abril de 2012

As mangueiras pedem socorro

Quedas sucessivas durante as chuvas provocam aflição em várias ruas de Belém.

As mangueiras de Belém, além de serem um belo cartão – postal, estão se tornando um perigo para a população. Em menos de uma semana - na sexta, 23, e na terça, 27 - duas delas, em ruas próximas (14 de Abril e 9 de Janeiro), desabaram e causaram danos em carros, na rede elétrica e aos nervos de quem mora ou trabalha por perto. O temor de outras quedas, algumas delas anunciadas pelos moradores, colocam em questão a saúde da arborização da cidade, sobretudo das mangueiras centenárias.

A Avenida Magalhães Barata, um dos célebres corredores de mangueiras da cidade está infestada de ervas - de - passarinho (parasita que ataca e mata plantas tropicais) e com sinais evidentes de que está prestes a morrer, por causa das crateras em seu caule, algumas tão profundas que atravessam a árvore.

O Corpo de Bombeiros e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente – Semma -, parecem não conseguir resolver os problemas que vem acometendo as árvores. Falta responsabilidade com a arborização. Em algumas árvores, não há mais o que fazer, então tem que cortar, tem que retirar.

Se repararmos nas árvores em frente do Museu Emilio Goeldi, iremos ver que são bem cuidadas, não caem. Mais à frente, nas calçadas, a situação já é bem diferente. A falta de manutenção das mangueiras é uma cultura da cidade. Não é uma coisa de agora, ou dessa ou daquela gestão do Estado ou do município.

Faltam dados precisos e atualizados sobre a arborização de Belém. Talvez a Semma possua essa informação, mas o que adianta saber quantas árvores caem por ano sem relacionar esse número com o total de árvores, com a localização no mapa da cidade e as características desse local, o histórico e as condições biológicas e físicas dessas árvores no momento da queda, com a espécie botânica a que pertence? Esses problemas poderiam ser superados com um inventário da arborização de Belém, passo inicial para a gestão e o planejamento do plantio em áreas ainda não arborizadas.

Na ausência de um estudo mais apurado - e aplicado no dia a dia -, vale apenas a experiência de quem trabalha ou se interessa pelo tema. É fácil constatar, por exemplo, que a época em que cai um maior número de árvores é durante os primeiros meses do ano, numa relação direta com o período mais chuvoso; a infiltração de água nas raízes, muitas vezes já fragilizadas ou apodrecidas, e o aumento do peso da copa pela estagnação da água na folhagem mal distribuída, se não forem os motivos, são agravantes que levam à queda das árvores.

As mangueiras - sejam as centenárias ou as de plantio mais recente – são as árvores que mais caem em Belém porque estão concentradas em locais de verticalização e tráfego intensos, onde sofrem a ‘concorrência desleal’ das fundações dos prédios, marquises, mobiliário urbano, cabos de redes aéreas, tubulação de redes subterrâneas, trepidação, poluição e baques dos veículos, além de toda sorte de injúrias provocadas pela população menos consciente da necessidade dessas árvores para minimizar o desconforto da cidade.

Repensemos o plantio de mangueiras em Belém. As mangueiras não se enquadram em vários aspectos considerados ideais para o plantio em calçadas. É inconcebível plantá-la em outras áreas da cidade onde não haja espaço aéreo e subterrâneo para contê-la, só porque Belém é a ‘Cidade das Mangueiras’. A recente transformação em lei, pela Câmara Municipal, do Plano Municipal de Arborização Urbana de Belém, garante que a situação atual das árvores, ou da falta delas, tenderá a mudar, mesmo que não na velocidade que muitos gostariam.

As mangueiras são tão familiares para os belenenses, que até esquecem sua origem asiática. Chegaram, por volta de 1700, via Nordeste, trazidas pelos portugueses, depois de descobertas as rotas marítimas entre a Europa e a Ásia. A espécie possui excelente produtividade, que abastece o mercado interno e também faz parte dos itens destinados à exportação. Bem adaptadas ao clima brasileiro, foi possível a produção de inúmeras variedades, encontradas em grande diversidade de forma, peso, sabor e cor, que vai do verde ao vermelho intenso. Há, inclusive, mangas sem fiapos, produzidas a partir do cruzamento de variedades indianas e americanas, com vantagens em termos de peso, coloração e resistência às pragas. Tirando as especificidades, as mangueiras foram implantadas na capital paraense principalmente por causa do paisagismo, por questões de arborização. 

O liberal

domingo, 1 de abril de 2012

Logística reversa ainda não é realidade

Sancionada  no dia 2 de agosto de 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos mudou a maneira como o governo, em suas três esferas, empresas e cidadãos devem encarar a destinação do lixo. Um dos principais pontos diz respeito à logística reversa, que traz para os vendedores e fabricantes parte da responsabilidade no descarte dos resíduos dos produtos.

Esse tema depende de acordos com as cadeias produtoras que devem definir o modelo de recolhimento, reciclagem e destinação final, para entrar efetivamente em funcionamento. Mas, até o momento, nenhum ramo industrial apresentou proposta nesse sentido.

O atraso no processo de definição da logística reversa se deve à falta de empenho das indústrias. A indefinição prejudica outros pontos previstos na política nacional, como os planos municipais para gestão de resíduos. Isso porque as estratégias devem levar em conta todo o manejo, incluindo a coleta e reciclagem da qual as empresas também deverão participar.

A situação se agrava em razão dos prazos. Os planos municipais devem ser concluídos até agosto de 2012 e, em 2014, só poderão ir para os aterros o lixo que não tem mais como ser aproveitado ou remanufaturado.

A indústria não está “apática” no processo de discussão.  É normal que haja um período de adaptação à lei, sem resultados práticos. Esse é um processo natural. Porque a lei é bastante inovadora, que altera a sistemática até então desenvolvida e exige um tempo de adaptação.

Mas o período está chegando ao fim. Por isso, deve-se exigir, a partir de agora, o cumprimento do estabelecido na legislação. A partir desse momento o assunto já está mais do que maduro para ser exigido, inclusive, o seu não cumprimento pode ser penalizado.

O que é 

A logística inversa, conhecida também por reversível ou reversa, é a área da logística que trata, genericamente, do fluxo físico de produtos, embalagens ou outros materiais, desde o ponto de consumo até ao local de origem. Os processos de logística inversa existem há tempos; entretanto, não eram tratados e denominados como tal. Como exemplos de logística inversa, temos: o retorno das garrafas (vasilhame), a recolha / coleta de lixos e resíduos recicláveis. Atualmente é uma preocupação constante para todas as empresas e organizações públicas e privadas, tendo quatro grandes pilares de sustentação: a conscientização dos problemas ambientais; a sobrelotação dos aterros; a escassez de matérias-primas; as políticas e a legislação ambiental.

A logística inversa ou reversa aborda a questão da recuperação de produtos, parte de produtos, embalagens, materiais, de entre outros, desde o ponto de consumo até ao local de origem ou de deposição em local seguro, com o menor risco ambiental possível. Assim, a logística inversa trata de um tema bastante sensível e muito oportuno, em que o desenvolvimento sustentável e as politicas ambientais são temas de relevo na atualidade.



Eco4u, Agência Brasil
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