quarta-feira, 4 de abril de 2012

Ataque de Jacarés: parece cena de cinema, mas é a vida real

Um jacaré apareceu no canal do Beirol, zona oeste de Macapá, assustando moradores e trabalhadores. O réptil não era de grande porte, medindo um pouco mais de um metro. O tamanho de um jacaré pode variar de sessenta centímetros (jacaré-anão) até 6,5 metros (jacaré-açu), podendo pesar de três a quinhentos quilos. Outro jacaré também foi avistado no canal do Perpétuo Socorro, sendo abatido pelos moradores e outro foi capturado vivo pela equipe do batalhão. A aparição de jacarés em canal preocupa os moradores desses bairros. Eles procuram a margem, mas acabam se assustando com o grande número de pessoas.

Na quinta-feira passada (29), no Igarapé do Poname - município de Amapá -, um jacaré atacou e matou o pescador Pedro de Jesus Ferreira Melo. Na manhã de sábado, foi encontrado apenas parte do corpo. No domingo (1), O réptil foi abatido por bombeiros da 9ª Companhia de Resgate. Ao abrirem a barriga do réptil, encontraram as demais partes do corpo.

Geralmente os jacarés atacam quando se sentem ameaçados ou quando seu habitat natural é degradado, indo procurar alimento e moradia em outros lugares. Como nosso Estado possui muitas áreas de ressacas e canais que se interligam com rios, igarapés e lagos, o tráfego de jacarés é constante e ameaçador.

Os jacarés são ecologicamente importantes porque fazem o controle biológico de outras espécies animais ao se alimentarem daqueles indivíduos mais fracos, velhos e doentes, que não conseguem escapar de seu ataque. Também controlam a população de insetos e dos gastrópodes (caramujos) transmissores de doenças como a esquistossomose (barriga-d’água). Suas fezes servem de alimento a peixes e a outros seres vivos aquáticos.

Os jacarés são répteis bem adaptados ao meio ambiente e dominam ainda hoje muitos habitats. Ao contrário do que se pensa, o jacaré não é lento. Se for melindrado ou estiver preste a dar o bote, adquire velocidade impressionante. Dentro da água, seu ataque é geralmente mortal, já que é um exímio nadador.

O jacaré é carnívoro e aceita tudo, desde que a alimentação oferecida seja à base de proteína animal. A exigência alimentar é de 10 % do peso vivo ao dia, pois tem o metabolismo lento.

O que mais assusta nesse animal é o tamanho de sua boca e a quantidade de dentes - entre 70 e 80. Quando a vítima é pequena, o jacaré simplesmente engole a presa inteira. Já quando a vítima é maior, o jacaré a segura pelas mandíbulas e a sacode bruscamente até que se despedace. Quando o ataque acontece dentro da água, uma espécie de válvula isola a traqueia evitando, assim, que a água invada o pulmão.

O sucesso da saída do animal da água para o meio terrestre ocorreu por alguns motivos como pele grossa que auxilia no equilíbrio iônico do animal; desenvolvimento dos pulmões bem capacitados; coração com quatro cavidades (muito parecido com o coração humano) e ovo com casca, que protege o embrião do meio.


Abaixo segue o vídeo na íntegra da retirada das partes do corpo do pescador de dentro da barriga do jacaré. São cenas fortes!!!



A “maior casa na árvore” do mundo

Foi construída pelo Norte-americano Horace Burgess e levou 11 anos para ser concluída (possui 10 andares).











terça-feira, 3 de abril de 2012

Inovação tecnológica e sustentabilidade

Se pararmos para pensar, o progresso da ciência e da tecnologia como a conhecemos hoje, nossos ecossistemas naturais têm pagado um alto preço por esta evolução. Desde então desenvolver e conservar têm sido um dos maiores paradoxos com a qual a humanidade tem de conviver. A degradação ambiental sem fronteiras iniciada a partir da Revolução Industrial do Século XVIII, e acentuada com o advento da globalização no Século XX, levou a fortes questionamentos no início dos anos 60. Desde então, o modelo econômico vigente e seus negativos impactos sociais e ambientais vem sendo apontados por especialistas atuantes em diversas áreas.

Em várias partes do mundo vem crescendo o uso do conceito elaborado por acadêmicos canadenses conhecido como “pegada ecológica” (ecological footprint) que avalia a capacidade ecológica necessária para sustentar o consumo de produtos e estilos de vida. Calcula-se uma pegada ecológica somando fluxos de material e energia requeridos para sustentar qualquer economia ou segmento da economia. Tais fluxos são então convertidos em medidas padrão da produção que se exige das regiões de terra e água. Pegada é a superfície total da terra necessária para sustentar determinada atividade ou um produto.

O relatório do WWF (Fundo Mundial para a Natureza) sobre a pegada de hoje da humanidade oferece um flagrante dos ecossistemas críticos dos quais dependemos e uma medida do nosso uso coletivo dos recursos naturais renováveis tais como terra cultivável, pastagens, florestas, sítios de pesca e assim por diante.

O processo de globalização acelerou o aumento da pobreza mundial e suas consequências como deterioração da saúde e da dignidade humana. Esta não tem trazido à maioria dos trabalhadores uma melhor qualidade de vida, ao contrário, tem colaborado para o aumento de maior concentração de renda entre os mais ricos em detrimento da diminuição de renda entre os mais pobres.

A partir dos anos 80 o termo “ecodesenvolvimento” e “desenvolvimento sustentável”, se convergem nas suas propostas, apontando para a necessidade do equilíbrio entre o ambiental, o social e o econômico. Enquanto que países desenvolvidos colocam a ênfase da sustentabilidade na questão ambiental, vemos a preocupação de países em desenvolvimento em incluir também a questão socioeconômica.

Em fato, a sustentabilidade socioambiental somente poderá ocorrer quando implantar-se ações sistêmicas capazes de transformar modelos tecno-econômicos cartesianos em resoluções que promovam real qualidade de vida as atuais e futuras gerações, respeitando nossas diversidades culturais e potencializando nossas características regionais. Necessita-se colocar o direito a um ambiente saudável no mesmo nível de direito ao acesso a renda, saúde, habitação, educação e lazer.

Não há dúvidas que as oportunidades de desenvolver novas tecnologias são grandes em um país que necessita de soluções tecnológicas apropriadas para resolver seus problemas de tratamento de lixo adequado e saneamento básico, inexistentes em mais de 70% de seus municípios, sem contar a necessidade de desenvolvermos novas fontes de energia, que sejam ao mesmo tempo eficientes, menos agressivas ao meio ambiente e renováveis.

No Brasil, ainda pouco se faz em pró do potencial da biotecnologia. Maiores incentivos a pesquisas científicas podem transformar elementos da nossa rica biodiversidade em produtos de mercado, em áreas como de medicamentos, alimentos, cosméticos, fertilizantes, pesticidas e solventes naturais.

Segundo a Conservation International, dos 17 países mais ricos em biodiversidade do mundo, o Brasil está em primeiro lugar com 23% do total de espécies do planeta. Apenas na Amazônia, são encontradas mais 20.000 espécies endêmicas, enquanto o México tem cerca de 3.000, a Alemanha, 19 e a Suíça, apenas uma planta. O impulso a esta “bio-economia” aliada a medidas de proteção ao conhecimento das populações tradicionais e indígenas, conhecedores de plantas e fungos que podem vir a ser tornar produtos de mercado, pode gerar renda e reduzir a miséria dos povos da floresta.

Revista Educação & Tecnologia

segunda-feira, 2 de abril de 2012

As mangueiras pedem socorro

Quedas sucessivas durante as chuvas provocam aflição em várias ruas de Belém.

As mangueiras de Belém, além de serem um belo cartão – postal, estão se tornando um perigo para a população. Em menos de uma semana - na sexta, 23, e na terça, 27 - duas delas, em ruas próximas (14 de Abril e 9 de Janeiro), desabaram e causaram danos em carros, na rede elétrica e aos nervos de quem mora ou trabalha por perto. O temor de outras quedas, algumas delas anunciadas pelos moradores, colocam em questão a saúde da arborização da cidade, sobretudo das mangueiras centenárias.

A Avenida Magalhães Barata, um dos célebres corredores de mangueiras da cidade está infestada de ervas - de - passarinho (parasita que ataca e mata plantas tropicais) e com sinais evidentes de que está prestes a morrer, por causa das crateras em seu caule, algumas tão profundas que atravessam a árvore.

O Corpo de Bombeiros e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente – Semma -, parecem não conseguir resolver os problemas que vem acometendo as árvores. Falta responsabilidade com a arborização. Em algumas árvores, não há mais o que fazer, então tem que cortar, tem que retirar.

Se repararmos nas árvores em frente do Museu Emilio Goeldi, iremos ver que são bem cuidadas, não caem. Mais à frente, nas calçadas, a situação já é bem diferente. A falta de manutenção das mangueiras é uma cultura da cidade. Não é uma coisa de agora, ou dessa ou daquela gestão do Estado ou do município.

Faltam dados precisos e atualizados sobre a arborização de Belém. Talvez a Semma possua essa informação, mas o que adianta saber quantas árvores caem por ano sem relacionar esse número com o total de árvores, com a localização no mapa da cidade e as características desse local, o histórico e as condições biológicas e físicas dessas árvores no momento da queda, com a espécie botânica a que pertence? Esses problemas poderiam ser superados com um inventário da arborização de Belém, passo inicial para a gestão e o planejamento do plantio em áreas ainda não arborizadas.

Na ausência de um estudo mais apurado - e aplicado no dia a dia -, vale apenas a experiência de quem trabalha ou se interessa pelo tema. É fácil constatar, por exemplo, que a época em que cai um maior número de árvores é durante os primeiros meses do ano, numa relação direta com o período mais chuvoso; a infiltração de água nas raízes, muitas vezes já fragilizadas ou apodrecidas, e o aumento do peso da copa pela estagnação da água na folhagem mal distribuída, se não forem os motivos, são agravantes que levam à queda das árvores.

As mangueiras - sejam as centenárias ou as de plantio mais recente – são as árvores que mais caem em Belém porque estão concentradas em locais de verticalização e tráfego intensos, onde sofrem a ‘concorrência desleal’ das fundações dos prédios, marquises, mobiliário urbano, cabos de redes aéreas, tubulação de redes subterrâneas, trepidação, poluição e baques dos veículos, além de toda sorte de injúrias provocadas pela população menos consciente da necessidade dessas árvores para minimizar o desconforto da cidade.

Repensemos o plantio de mangueiras em Belém. As mangueiras não se enquadram em vários aspectos considerados ideais para o plantio em calçadas. É inconcebível plantá-la em outras áreas da cidade onde não haja espaço aéreo e subterrâneo para contê-la, só porque Belém é a ‘Cidade das Mangueiras’. A recente transformação em lei, pela Câmara Municipal, do Plano Municipal de Arborização Urbana de Belém, garante que a situação atual das árvores, ou da falta delas, tenderá a mudar, mesmo que não na velocidade que muitos gostariam.

As mangueiras são tão familiares para os belenenses, que até esquecem sua origem asiática. Chegaram, por volta de 1700, via Nordeste, trazidas pelos portugueses, depois de descobertas as rotas marítimas entre a Europa e a Ásia. A espécie possui excelente produtividade, que abastece o mercado interno e também faz parte dos itens destinados à exportação. Bem adaptadas ao clima brasileiro, foi possível a produção de inúmeras variedades, encontradas em grande diversidade de forma, peso, sabor e cor, que vai do verde ao vermelho intenso. Há, inclusive, mangas sem fiapos, produzidas a partir do cruzamento de variedades indianas e americanas, com vantagens em termos de peso, coloração e resistência às pragas. Tirando as especificidades, as mangueiras foram implantadas na capital paraense principalmente por causa do paisagismo, por questões de arborização. 

O liberal

domingo, 1 de abril de 2012

Logística reversa ainda não é realidade

Sancionada  no dia 2 de agosto de 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos mudou a maneira como o governo, em suas três esferas, empresas e cidadãos devem encarar a destinação do lixo. Um dos principais pontos diz respeito à logística reversa, que traz para os vendedores e fabricantes parte da responsabilidade no descarte dos resíduos dos produtos.

Esse tema depende de acordos com as cadeias produtoras que devem definir o modelo de recolhimento, reciclagem e destinação final, para entrar efetivamente em funcionamento. Mas, até o momento, nenhum ramo industrial apresentou proposta nesse sentido.

O atraso no processo de definição da logística reversa se deve à falta de empenho das indústrias. A indefinição prejudica outros pontos previstos na política nacional, como os planos municipais para gestão de resíduos. Isso porque as estratégias devem levar em conta todo o manejo, incluindo a coleta e reciclagem da qual as empresas também deverão participar.

A situação se agrava em razão dos prazos. Os planos municipais devem ser concluídos até agosto de 2012 e, em 2014, só poderão ir para os aterros o lixo que não tem mais como ser aproveitado ou remanufaturado.

A indústria não está “apática” no processo de discussão.  É normal que haja um período de adaptação à lei, sem resultados práticos. Esse é um processo natural. Porque a lei é bastante inovadora, que altera a sistemática até então desenvolvida e exige um tempo de adaptação.

Mas o período está chegando ao fim. Por isso, deve-se exigir, a partir de agora, o cumprimento do estabelecido na legislação. A partir desse momento o assunto já está mais do que maduro para ser exigido, inclusive, o seu não cumprimento pode ser penalizado.

O que é 

A logística inversa, conhecida também por reversível ou reversa, é a área da logística que trata, genericamente, do fluxo físico de produtos, embalagens ou outros materiais, desde o ponto de consumo até ao local de origem. Os processos de logística inversa existem há tempos; entretanto, não eram tratados e denominados como tal. Como exemplos de logística inversa, temos: o retorno das garrafas (vasilhame), a recolha / coleta de lixos e resíduos recicláveis. Atualmente é uma preocupação constante para todas as empresas e organizações públicas e privadas, tendo quatro grandes pilares de sustentação: a conscientização dos problemas ambientais; a sobrelotação dos aterros; a escassez de matérias-primas; as políticas e a legislação ambiental.

A logística inversa ou reversa aborda a questão da recuperação de produtos, parte de produtos, embalagens, materiais, de entre outros, desde o ponto de consumo até ao local de origem ou de deposição em local seguro, com o menor risco ambiental possível. Assim, a logística inversa trata de um tema bastante sensível e muito oportuno, em que o desenvolvimento sustentável e as politicas ambientais são temas de relevo na atualidade.



Eco4u, Agência Brasil

sábado, 31 de março de 2012

10 inventores mortos por suas criações

Eles tiveram notória participação na ciência, mas acabara morrendo por causa de suas criações.

Thomas Midgley Jr. - O químico americano é o pai da gasolina com chumbo e do clorofluorocarbono, invenções causaram milhões de mortes na história da humanidade, bem como graves impactos ao meio ambiente. Ironicamente, ele contraiu intoxicação por chumbo e poliomielite, o que limitava sua movimentação. Então, criou um elaborado sistema de cordas e polias que lhe permitia mover e ajustar o seu corpo em sua cama. Aos 55 anos, foi estrangulado acidentalmente pelo equipamento.


Alexander Bogdanov - Bogdanov foi um médico russo, filósofo, economista, escritor de ficção científica e revolucionário. Em 1924, ele começou experimentos com transfusão de sangue em busca da eterna juventude. Depois de 11 transfusões em si mesmo, ele realizou o procedimento com o sangue de um paciente infectado com malária e tuberculose, morrendo pouco tempo depois.


Elizabeth Ascheim - Casada com um médico, Elizabeth Fleischman Ascheim deixou seu emprego como contadora para estudar ciência elétrica. Ao lado do marido, criou o primeiro laboratório de raios X em São Francisco. Após vários testes com as máquinas, sem qualquer tipo de proteção, ela foi acometida por um câncer agressivo, que a levou à morte.





O alfaiate austríaco ficou famoso mundialmente ao inventar uma combinação de um sobretudo com paraquedas. O único teste de sua invenção, no entanto, foi feito pelo próprio criador, que saltou do primeiro andar da Torre Eiffel. Seu invento não funcionou (Franz Reichelt).


Horace Lawson Hunley - O engenheiro naval americano criou o primeiro submarino de combate, o H.L. Hunley, durante a Guerra Civil Americana. Ao todo, foram realizados três testes com o veículo, que não voltou à superfície em nenhuma das vezes. Na última deles morreram os nove tripulantes, incluindo o próprio Horace.


Karl Wilhelm - Scheele foi um brilhante químico farmacêutico que descobriu muitos elementos químicos, sendo o mais notável deles o oxigênio. O hábito de experimentar o sabor de suas descobertas fez com que ele morresse com sintomas similares ao do envenenamento por mercúrio.






Louis Slotin - Físico canadense do Projeto Manhattan, ele realizou um experimento de risco conhecido como “cutucando o rabo do dragão” que envolvia dois hemisférios de berílio mantidos juntos em torno de um núcleo de plutônio. O cientista deixou que uma das semiesferas tocasse a outra acidentalmente, que causou uma fissão nuclear. Slotin absorveu uma dose letal de radiação e morreu uma semana depois.

Marie Curie - Primeira pessoa na história a receber dois prêmios Nobel em campos diferentes (química e física) e primeira professora mulher da Universidade de Paris, Marie Curie descobriu junto de seu marido o elemento rádio. A constante exposição à radiação fez com que ele desenvolvesse leucemia. A doença progrediu e Marie morreu em 1934.




Max Valier - Pioneiro na construção de foguetes, o austríaco Max Valier fez com sucesso o test drive de um foguete de combustível líquido na Alemanha, em 1930. A tragédia veio no mês posterior. Valier trabalhava em seu laboratório, em Berlim, quando um dos motores que ele desenvolveu explodiu e Um pedaço de metal voou direto em sua artéria pulmonar.

Otto Lilienthal - Primeiro homem a realizar repetidos voos planados com sucesso, morreu em agosto de 1896, um dia após cair de uma altura de 17 metros e quebrar a espinha dorsal. Suas últimas palavras foram: 'Sacrifícios precisam ser feitos'.



Yahoo Notícias

sexta-feira, 30 de março de 2012

As 10 florestas mais ameaçadas do mundo

Elas cobrem apenas 30% da área do planeta. Ainda assim, abrigam 80% da biodiversidade terrestre mundial. As florestas também são diretamente importantes para a sobrevivência dos humanos. Estima-se que 1,6 bilhão de pessoas dependem delas para garantir o seu sustento. Além disso, muitas das necessidades mais básicas para a sobrevivência do homem na Terra veem das interações entre as espécies de plantas e animais com os ecossistemas, como a polinização de safras agrícolas, os solos saudáveis, os remédios, o ar puro e a água doce. 
Apesar de terem tanta importância, a devastação vem destruindo as florestas. Elas estão sendo destruídas a uma taxa alarmante para dar lugar a pastagens, plantações, mineração e expansão de áreas urbanas. Com isso, estamos destruindo nossa própria capacidade de sobreviver. Além de prestar serviços vitais para os humanos, as florestas têm potencial econômico, de prevenção de erosão e, ainda, de absorção do carbono, gás que contribui para o aquecimento global. 
Para o fornecimento de água, elas também são essenciais. Cerca de três quartos da água doce acessível do mundo vêm de vertentes florestais. As florestas contribuem para a estabilização do clima. Florestas saudáveis nos oferecem os melhores meios econômicos para enfrentar os diversos desafios ambientais da mudança climática e a crescente demanda por produtos florestais.

REGIÕES DA INDO-BIRMÂNIA (Ásia-Pacífico) - suas planícies aluviais são ameaçadas pelo cultivo de arroz, mangues foram convertidos em reservatórios de aquicultura de camarão e a pesca excessiva e o uso de técnicas de pesca destrutiva são problemas graves para os ecossistemas costeiros e de água doce da região. Além disso, alguns rios foram represados para gerar eletricidade, o que causou o alagamento de bancos de areia e outros hábitats que normalmente seriam expostos durante a estação seca, importantes para os ninhos de aves e tartarugas. Os rios e pântanos desse hotspot também são importantes para a conservação de peixes de água doce, incluindo alguns dos maiores peixes de água doce do mundo. O Lago Tonle Sap e o Rio Mekong são hábitats para a lampreia gigante Mekong e a carpa dourada de Jullien. Apenas 5% do habitat original ainda está lá.

NOVA ZELÂNDIA (Oceania) - terra de paisagens variadas com grandes índices de espécies endêmicas, incluindo o kiwi, seu representante mais famoso. Neste arquipélago montanhoso dominado pelas florestas temperadas, nenhum dos mamíferos, anfíbios ou répteis é encontrado em outro lugar do mundo. As espécies invasoras, como as que chegaram no século XIX com os europeus, são uma série ameaça à flora e à fauna das ilhas. Foram levadas ao arquipélago 34 espécies exóticas de mamíferos (como gambás, coelhos, gatos, cabras e furões) e centenas de espécies de ervas daninhas. Nos últimos 200 anos, somando-se o impacto da caça e da destruição de hábitats, houve extinção de inúmeras espécies de aves, invertebrados, plantas e de um morcego e um peixe endêmicos. A drenagem de pântanos também é um problema-chave. Há apenas 5% de remanescentes do hábitat original do arquipélago.

SUNDA (Ásia-Pacífico) - esse hotspot cobre a metade ocidental do arquipélago Indo-Maláio, um arco de cerca de 17 mil ilhas equatoriais, dominado pelas duas maiores ilhas do mundo: Boréo e Sumatra. Suas espetaculares flora e fauna estão sucumbindo devido ao crescimento explosivo da indústria florestal e do comércio internacional de animais que consome tigres, macacos e espécies de tartarugas para alimentos e remédios em outros países. Populações endêmicas de orangotangos estão em dramático declínio. Outros fatores que levam à degradação são a produção de borracha, óleo de dendê e celulose. Em Sumatra, o corte e a extração ilegal de madeira - e outros produtos florestais - abastecem a alta demanda da China, América do Norte, Europa e Japão. Só 7% da extensão original da floresta permanece mais ou menos intactos.

FILIPINAS (Ásia-Pacífico) - é considerado um dos países mais ricos em biodiversidade do mundo. Diversas espécies endêmicas estão confinadas a fragmentos de florestas que cobrem apenas 7% da extensão original do hotspot, que abrange mais de 7.100 ilhas. Ocorrem só lá cerca de seis mil espécies de plantas endêmicas e diversas espécies de aves, como a águia das Filipinas (Pithecophaga jefferyi), a segunda maior águia do mundo. Outro exemplo é o sapo voador pantera (Rhacophorus pardalis), que passou por diversas adaptações para planar, como as abas extras na pele e as membranas entre os dedos. Toda a riqueza está ameaçada pela atividade madeireira. Os poucos remanescentes também são dizimados pela agricultura e para acomodar as necessidades do alto crescimento populacional. O sustento de cerca de 80 milhões de pessoas depende principalmente de recursos naturais provenientes das florestas.

MATA ATLÂNTICA (América do Sul) - se estende por toda a costa atlântica brasileira, e por para partes do Paraguai, Argentina e Uruguai, incluindo também ilhas oceânicas e o arquipélago de Fernando de Noronha. O bioma 20 mil espécies de plantas, sendo 40% delas endêmicas. Mais de duas dúzias de espécies de vertebrados, como os leões-marinhos e seis espécies de aves de uma pequena faixa no Nordeste, estão ameaçados de extinção, listadas como “criticamente em perigo”. A região é desmatada há centenas de anos, por causa do ciclo da cana-de-açúcar, das plantações de café, e, mais recentemente, por conta da crescente urbanização e industrialização do Rio de Janeiro e de São Paulo. O suprimento de água doce desse remanescente florestal abastece mais de 100 milhões de pessoas, a indústria têxtil, agricultura, fazendas de gado e atividade madeireira da região. Sobrou apenas 10% da floresta original.

MONTANHAS DO CENTRO-SUL DA CHINA (Ásia) - elas abriga uma ampla gama de hábitats incluindo a flora temperada com a maior taxa de endemismo no mundo. O ameaçado panda gigante (Ailuropoda melanoleuca), quase totalmente restrito a essas pequenas florestas, é a bandeira da conservação da região. Essas montanhas também alimentam a maioria dos sistemas hídricos da Ásia, incluindo diversas ramificações do rio Yangtze. As atividades ilegais de caça, coleta de lenha e pastagem são algumas das principais ameaças à biodiversidade da região. A construção da maior barragem do mundo, a de Três Gargantas, no rio Yangtze, ameaça a biodiversidade da área. Apesar disso, a construção de barragens está sendo planejada em todos os rios principais da floresta, o que deve afetar os ecossistemas e a subsistência de milhões de pessoas. Apenas cerca de 8% da extensão original do hotspot permanece inalterado.

PROVÍNCIA FLORÍSTICA DA CALIFÓRNIA (América do Norte) - é uma zona de clima mediterrâneo com altos índices de plantas endêmicas. É o lar da sequoia gigante, o maior organismo vivo do planeta, e alguns dos últimos condores da Califórnia, a maior ave da América do Norte. Também é o local de maior reprodução de aves dos Estados Unidos. Diversas espécies de grandes mamíferos da região estão extintas, incluindo o urso cinzento (Ursus arctos), que aparece na bandeira da Califórnia e é símbolo do estado há mais de 150 anos. A maior ameaça vem da destruição causada pela agricultura comercial, que gera metade de todos os produtos agrícolas dos EUA. O hotspot também corre risco com a expansão de áreas urbanas, poluição e construção de estradas, fatores que tornaram a Califórnia um dos quatro estados mais degradados do país. Hoje resta cerca de 10% da vegetação original.

FLORESTAS COSTEIRAS DA ÁFRICA ORIENTAL (África) - apesar de pequenos e fragmentados, elas contêm altos níveis de biodiversidade. Lá são encontrados cerca de 200 mamíferos, sendo 11 endêmicos, entre eles o musaranho-elefante (Rhynchocyon chrysopygus). Os primatas são espécies-símbolo desse hotspot, incluindo três espécies de macacos endêmicos, duas delas encontradas ao longo do rio Tana, que corta o Quênia Central. Além disso, as 40 mil variedades cultivadas da violeta africana, que movimenta US$100 milhões anualmente no comércio global de folhagens, são derivadas de um punhado de espécies encontradas nas florestas costeiras da Tanzânia e do Quênia. O risco de extinção das Florestas Costeiras da África Oriental ocorre por causa da expansão agrícola e das fazendas comerciais, que consomem os recursos naturais da região. Resta 10% das florestas originais.

MADAGASCAR E ILHAS DO OCEANO ÍNDICO (África) - trata-se de um hotspot de exemplo da evolução de espécies em isolamento. Apesar de estarem próximas da África, as ilhas não compartilham qualquer grupo de animais do continente e contêm uma exuberante coleção única de espécies. O hotspot possui oito famílias de plantas, quatro de aves e cinco de primatas que não existem em nenhum outro lugar. As mais de 50 espécies de lêmures de Madagascar são os símbolos para a conservação da ilha, apesar de diversas delas já estarem em extinção. É uma das áreas mais prejudicadas economicamente no mundo, com um rápido crescimento populacional que pressiona o ambiente natural. Ameaças crescentes são a agricultura, a caça, a mineração e a extração não sustentável de madeira. A preservação dos 10% de hábitat original restantes é importante, uma vez que metade da população não tem acesso adequado à água doce.

FLORESTAS DE AFROMONTANE (África Oriental) - se concentra nas montanhas distribuídas ao longo da extremidade oriental da África, desde a Arábia Saudita ao norte até o Zimbábue ao sul. Apesar de geograficamente dispersas, as montanhas têm flora extraordinariamente similar. O gênero de árvore mais frequente é o Podocarpus. Uma zona de bambu é normalmente encontrada entre as altitudes de dois e três mil metros, acima da qual existe uma zona de floresta Hagenia, até uma altitude de 3.600 metros. O Vale do Rift abriga mais mamíferos, aves e anfíbios endêmicos do que qualquer outra região da África. Devido aos grandes lagos da região, há 617 espécies endêmicas peixes de água doce. A principal ameaça a essas florestas é a expansão da agricultura, especialmente com grandes plantações de banana, feijão e chá. O crescente mercado de carne, que coincide com o aumento da população, também poe em risco a região, com apenas 10% de seu hábitat original remanescente.

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