terça-feira, 20 de março de 2012

INFORMATIVOS AMBIENTAIS

III Fórum Mundial de Sustentabilidade

Vai acontecer entre os dias 22 e 24 de março, o terceiro Fórum Mundial de Sustentabilidade em Manaus.  Estarão presentes palestrantes de peso como Gro Harlem Brundtland, ex Primeira Ministra da Noruega que liderou a famosa comissão da ONU que escreveu o relatório “Nosso Futuro em Comum” em 1987, motivando a ECO 92 no Rio de Janeiro.  Também estarão lá Brice Lalonde, diretor executivo da Rio+20, o ex presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex Primeiro Ministro da França Dominique de Villepin, o diretor executivo do Greenpeace, Kumi Naidoo, a ativista de direitos humanos Bianca Jagger e muitos outros.
Estes encontros são bons nos atualizarmos com o que está acontecendo na linha de frente do mundo da sustentabilidade e o que estão pensando os líderes de governos, empresas e da sociedade civil.
Para mim, talvez a presença mais marcante será da Sylvia Earle, oceanógrafa e pesquisadora da National Geographic, que hoje é a maior autoridade mundial em ecosistemas marinhos.  Ela virá trazer informações sobre o estado dos oceanos do planeta hoje.  Este é um tema ainda muito pouco discutido no Brasil, mas que merece receber mais atenção do governo e de empresas, especialmente agora que os riscos da exploração de petróleo em alto mar devem aumentar devido ao pré-sal.
Apenas pouco mais de 1% do nosso mar territorial está incluso em algum tipo de área protegida.  Mas paira sobre o arquipélago de Abrolhos, o mais importante conjunto de formações de coral no Atlântico Sul, a ameaça da exploração de petróleo em áreas próximas.  Outras regiões do nosso litoral sofrem com a eliminação de manguezais para o cultivo de camarão ou então para a construção de portos ou especulação imobiliária.
É necessário iniciar uma discussão nacional sobre uma política de proteção para o mar e ecossistemas litorâneos.  É isso que espero que aconteça com a visita da Dra. Sylvia Earle.

Ativistas do Greenpeace visitam governador e anunciam chegada do navio da organização no Amapá dia 27 de abril de 2012

O governador Camilo Capiberibe recebeu a visita dos ativistas do Greenpeace, Francisco Brito e Márcio Astrine. Eles vieram em missão e conversaram sobre a participação da organização e do Amapá no evento Rio+20 e da visita do navio do Greenpeace, o Arctic Sunrise, ao Estado no final de abril deste ano. A vinda do navio ao Amapá faz parte da programação da ONG que promove a paz e defende o meio ambiente em busca da mudança de atitude das pessoas com relação à preservação ambiental.
Eles consideram o Rio+20 a maior oportunidade de discussão sobre questões ambientais mundiais, e o Amapá com grandes possibilidades de se destacar pelo nível de compromisso do governo e da sociedade com o meio ambiente e quantidade mínima de área desmatada. A passagem do navio pelo Estado faz parte da agenda do Greenpeace, que culmina no Rio+20.
Eles participam do evento com discussões paralelas com a sociedade sobre floresta e a matriz energética em termos globais.
A embarcação veio dos Estados Unidos e entrou no Brasil pelo Amapá, quando fez o procedimento alfandegário, e seguiu para Manaus, onde abre as portas para o público dia 23 deste mês. O navio é conhecido por denunciar crimes ambientais, promover alternativas de atitudes ecologicamente corretas e por contribuir para a discussão de um novo modelo de desenvolvimento sustentável. Construído há seis anos, ele atrai por demonstrar na prática modelos sustentáveis de desenvolvimento e locomoção.
Ele é movido à vela, o motor só é utilizado em casos necessários para a navegação, como a passagem por canais estreitos. Dentro do navio, os visitantes podem ver as exposições fotográficas que mostram tanto a beleza como o descaso com o meio ambiente. Chama também a atenção o sistema de reciclagem de lixo e de ventilação que não agridem o meio ambiente.
O navio chega ao Amapá no dia 27 de abril, e ficará atracado na Docas de Santana. Entre os dias 28 e 30 abre as portas para o público. Além da tripulação, chegam no navio ambientalistas, convidados, imprensa nacional e internacional, além de celebridades do mundo artístico engajados na luta pela preservação ambiental.
A coordenação do Greenpeace e o Governo do Estado do Amapá planejam como será o acesso à embarcação. Daqui eles navegam até Belém, de onde seguem para Recife e finalmente Rio de Janeiro, onde participam do Rio+20.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Água temos, o que falta é gerenciamento !

Segundo dados do censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 60% da população da capital Macapá está ligada a rede de abastecimento de água. Isso corresponde a 100 mil residências, mas apenas 36 mil estão cadastradas como unidades consumidoras da Caesa. Logo é alto o número de ligações clandestinas.

Apesar das ampliações na rede de água e esgoto, muitas residências ficam sem receber o “precioso líquido”. Não basta ir longe para se ver os problemas decorrentes da falta de água. Muitos bairros periféricos e da região central de Macapá sofrem com o racionamento e até falta total da água.

Quando falamos em água, falamos em água potável, recomendada para o consumo humano. A realidade é que usamos irresponsavelmente a água. Siga essa lógica: gastamos um copo de água para beber e, em contrapartida, gastamos três para lavá-lo. O problema é que não nos damos conta do quanto devemos economizar.

Além disso, o uso indiscriminado do solo e o desmatamento levam ao desaparecimento da fauna e flora e esgota a água das nascentes, gerando muitas perdas e, os efeitos, são percebidos por todos.

Há a necessidade de governos, iniciativa privada e sociedade estarem preparados para os riscos, vulnerabilidades e impactos da destruição dos ecossistemas. Nas áreas urbanas, a falta de tratamento de esgoto compromete a qualidade das águas, e no meio rural o desmatamento prejudica a capacidade de recarga do ciclo hídrico, conduzindo à sua falta.

Tanto no Estado do Amapá, como no resto do Brasil, o maior problema para garantir o abastecimento de água nesta década não é a limitação de oferta para captação e tratamento, tampouco o desperdício da população ou os vazamentos nas redes. O grande desafio é o gerenciamento eficaz do uso da água. A deficiência de água para o uso diário é um problema de falta de gerenciamento do recurso em todas as instâncias. O mau uso dos recursos hídricos leva à escassez, o que pode gerar conflito entre as populações e gerar problemas bem maiores de saúde pública e desenvolvimento.

Veja os dados dos dois principais aquíferos do Brasil, reflita sobre a importância desses mananciais e seja um propagador da relevância deles para nossas vidas, fauna, flora e sistemas naturais como um todo: Aquífero Alter do Chão ou Grande Amazônia (possui um volume de 86 mil quilômetros cúbicos de água doce, o equivalente para abastecer a população mundial - atualmente estimada em sete bilhões - em até 100 vezes e está localizada sob os Estados do Amazonas, Pará e Amapá); e o Aquífero Guarani (com 45 mil km³ de volume, o suficiente para abastecer de forma sustentável cerca de 500 milhões de habitantes. Se estende por São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Sua área total é de 1,19 milhão de quilômetros quadrados e atinge ainda partes dos territórios do Uruguai, Paraguai e Argentina).

Vale lembrar que o país possui outros aquíferos importantes também como Urucuia (BA), Serra Grande (PI) e Cabeças (MA). Em relação ao Aquífero do Alter do Chão e o do Guarani, os números são expostos dessa forma para se fazer um comparativo em relação à riqueza dos recursos naturais e ao vastíssimo potencial das águas subterrâneas.

A propósito do Dia Mundial da Água, a ANA (Agência Nacional de Águas) divulgou que mais da metade dos municípios brasileiros poderá ter problemas de abastecimento nos próximos anos. Ao avaliar a oferta e o crescimento de demanda de água no País, a entidade concluiu que o Brasil precisará investir R$ 70 bilhões para assegurar o fornecimento de água tratada até 2025. Isso significa que se a infraestrutura não acompanhar o crescimento populacional, e consequente elevação do consumo, boa parte da população brasileira terá de conviver com períodos de crise no abastecimento, com racionamento ou simplesmente falta de água nas torneiras. E isso tudo, paradoxalmente, com fartura de água.

Na década de 1990, o geógrafo Tony Allan criou o conceito de ‘água invisível' - aquela que é retirada do planeta, é consumida e ‘não aparece'. Quando se toma uma simples xícara de café, por exemplo, é bom lembrar que ‘gastamos' também 140 litros, segundo o cálculo da água necessária em toda a cadeia produtiva, do plantio na lavoura ao processamento industrial. Um quilo de carne exige 15.497 litros. Uma calça jeans (algodão) pede 11 mil litros.

Mas cada vez mais é necessário fazer contas para se avaliar a dimensão dos desafios da sobrevivência humana neste século 21. Nenhum governante possui a solução mágica para assegurar o fornecimento de água nas próximas décadas. Há apenas um consenso: nada mudará em relação à água sem a conscientização da população sobre o seu uso consciente.

Equinócio das Águas 2012

Equinócio, que em latim é "aequinoctium", quer dizer “dia igual a noite”. O evento acontece amanhã, dia 20 de março de 2012.

Macapá é a única capital que podemos observar esse fantástico fenômeno e é a quinta capital do mundo cortada pela linha imaginária do Equador.

Será montado um planetário, onde por meio uma simulação, vai ser possível conhecer o sistema solar. Durante o evento haverá lançamentos de livros, danças regionais entre outras atrações. O objetivo é fazer do evento um instrumento para o desenvolvimento do Turismo, que esse ano tem parceria com a Guiana Francesa.

O fenômeno acontece nos meses de março e setembro, e definem as mudanças de estação. Em março, o equinócio marca o início da primavera no hemisfério norte, e outono no hemisfério sul. Em setembro ocorre o inverso, quando o equinócio marca o início do outono no hemisfério norte e da primavera no hemisfério sul.

O Equinócio este ano será às 2h14 do dia 20 de março. Uma programação em Macapa de 20 a 24 de maço será realizada pela  Secretaria de Estado do Turismo (Setur), em parceria com outras instituições governamentais e a iniciativa privada.

Confira a programação:

Dia 20 (terça-feira)
Manhã: a partir das 8h, café da manhã ao público com abertura oficial da programação; assinatura do Protocolo de Acordo entre Setur e o Sindicato Misto do Parque Natural da Guiana Francesa e início da Gincana Fest Tur no Meio do Mundo;
Tarde: a partir das 14h, continuação da Gincana Fest Tur no Meio do Mundo, até às 19h;
Noite: a partir das 20h, premiação para as escolas vencedoras e apresentações de banda de pop rock.

Dia 21 (quarta-feira)
Manhã e tarde: ação A Escola vai ao Meio do Mundo, através da visitação de alunos das escolas públicas - três de Macapá pelo turno da manhã e três de Santana pelo turno da tarde - aos centros de interesses montados no espaço do Monumento Marco Zero, sob monitoramento de técnicos da Setur e de recepcionistas que prestam serviço no Centro de Atendimento ao Cliente do Monumento Marco Zero;
Noite: a partir das 18h, concentração do encerramento da caminhada do "Dia Internacional do Combate à Discriminação Racial". A partir das 19h, apresentação cultural (violão e voz).

Dia 22 (quinta-feira)
Manhã e tarde: ação A Escola vai ao Meio do Mundo;
Noite: a partir das 19h, apresentação cultural (violão e voz).

Dia 23 (sexta-feira)
Manhã e tarde: ação A Escola vai ao Meio do Mundo;
Noite: a partir das 18h, ciclo de palestras voltadas para acadêmicos e população em geral:
Palestrante: Germano Bruno Afonso, astrônomo do Museu da Amazônia, pesquisador de Etnoastronomia (astronomia Indígena) e Arqueoastronomia. Formado em Física, mestrado em Ciências Geodésicas, doutorado em Astronomia e pós-doutorado em Astronomia. A partir das 21h, apresentação cultural (escola de samba e pagode).

Dia 24 (sábado)
Projeto Marabaishow no Meio do Mundo, uma estratégia de promoção que visa divulgar a cultura do Marabaixo e promover um dos principais cartões postais de Macapá;
Manhã: 8h às 12h: Palestra "Educar para não descriminar - Religião de Matriz Africana";
Tarde: 16h às 19h: Lançamento do livro da Doutora Piedade;
Noite: a partir das 20h, apresentação de grupos de Marabaixo.

domingo, 18 de março de 2012

Semana da Água: Qualidade das águas

Grande parte da população mundial vive nos centros urbanos e em áreas próximas às linhas costeiras estuarinas. Esse fato característico da humanidade, tem se tornado um forte componente de impacto sobre os corpos de águas naturais a demandar serviços de saneamento básico e disposição de resíduos. Por essa razão, muitos problemas de qualidade da água já estão sendo percebidos, principalmente decorrentes do mau uso e desperdício. Alguns são significativos como em Macapá e Santana, ambas localizadas na linha costeira estuarina do Estado do Amapá, margem esquerda do rio Amazonas.

A poluição é detectável em alguns corpos de água, com consequências negativas para a saúde humana e ecossistemas em geral. As principais causas desses impactos ambientais decorrem de uma forte pressão antrópica sobre os recursos hídricos. O uso intenso do solo e da água gera um permanente conflito entre o desenvolvimento econômico, normalmente com ocupação desordenada da bacia hidrográfica, e a busca de mitigação de impactos resultantes destas atividades. Isso resulta num interesse cada vez maior pela abordagem econômica e racional do gerenciamento da qualidade da água.

No Amapá, a migração populacional intensa, oriunda de outros Estados e da zona rural, contribui para formar grandes assentamentos informais, os quais concentram-se em espaços ou áreas restritas e inadequadas, favorecendo os fatores críticos que acabam elevando o nível de risco da população contrair doenças de origem hídrica.

Daí a importância de se desenvolver um programa de monitoramento da qualidade da água das áreas mais afetadas, a fim de se obter informações para auxiliar a tomada de decisão de instituições governamentais como a Companhia de Água e Esgoto, Secretarias de Estado e Municipais de Meio Ambiente e Saúde, Vigilância Sanitária e Defesa Civil. Dessa forma, a geração de informações úteis sobre a qualidade da água torna-se o cerne do planejamento estratégico e de gerenciamento dos recursos hídricos e mitigação de riscos à saúde pública.

A ocupação desordenada, desmatamento e urbanização das áreas de drenagem das bacias hidrográficas são os principais componentes que contribuem, negativamente, para a qualidade da água. Associado a estes, a falta de saneamento (disposição final de resíduos) e as sobrecargas de poluentes nos corpos de água, problemas de operação e manutenção de abastecimento e tratamento de água, bem como as dificuldades financeiras para cobrir despesas de infraestrutura, elevam os riscos de contaminação e surgimento de problemas de saúde pública e ambientais nos ecossistemas.

O uso e ocupação da bacia hidrográfica apresentam reflexos diretos na qualidade da água e nas populações que vivem próximas a elas. Tais reflexos podem ser mensurados ou quantificados pelos indicadores ou parâmetros da qualidade da água. Dessa forma, torna-se importante a avaliação dos usos de fontes de água de origem potencialmente perigosa, para que se possam prever os riscos associados ao acesso e obtenção de água potencialmente perigosas à saúde humana. Seja ela bruta, parcialmente tratada ou plenamente potável.

Série Ciências Naturais

sábado, 17 de março de 2012

Ecossistemas Amazônidas, um mito de sustentabilidade

A Rio +20 que acontece este ano levanta um questionamento que desde a década de 90, quando se institucionalizou apolítica ecológica no Brasil, com a farta divulgação da Conferencia  da ONU para o desenvolvimento sustentável, ou simplesmente ECO 92, que está em aberto há vinte anos: As intenções acordadas pelas cúpulas dirigentes do mundo naquele período, realmente trouxeram Algum benefício concreto às relações ecológicas no mundo? E principalmente, quais contribuições advieram deste encontro que realmente produziram resultados afins dos benefícios esperados?

Essa ampla exploração do termo ecológico, acabou por mera associação semântica, elevando ao grau ecológico, tudo aquilo que se refere às relações de fauna e flora, elevando o termo para jargão de ambientalistas que em nenhum momento se preocuparam com o real sentido da palavra ecologia, que na mais geral forma, não se resume a florestas e micos dourados, mas às relações dos organismos e seus ambientes em geral.

Também muito se apregoou sobre o potencial amazônico para ambos os lados destas relações que quando não de cunho predatório como o extrativismo e o mutualismo das populações Amazônidas com seu meio, ou do extrativismo predatório, partindo em seguida para a cultura da cadeia produtiva, como a agricultura e pecuária.

Neste período também não se cogitou pensar que um ambiente tão exuberante como a Floresta Amazônica, tinha por sua concepção própria de produtividade, pois em um bioma tão particular que consegue erguer verdadeiras “torres” de até 60 metros de fuste como a Samaúma (Ceiba pentandra) ou flavores exóticos que conquistaram o mundo como o açaí (Euterpe oleracea) e o cupuaçu (Theobroma grandiflorum) com um solo tão pobre mantido à base da decomposição da matéria orgânica das folhas oriundas do grande dossel formado pelas copas.

As chuvas também contribuem para a formação do composto, já que a absorção de ¼ da água produz a umidade e o calor necessário para transformação dos compostos em nutrientes de possível absorção pelas raízes pouco profundas, adaptadas a absorver estes nutrientes em um solo pobre internamente. Sendo os outros ¾ absorvidos lentamente pelo solo sem danificar por erosão a fina camada de húmus que sustenta essa relação harmônica entre os gigantes da flora e seus mutuais habitantes da fauna.

Segundo o engenheiro florestal Elielson Borges, "O sistema amazônico, apesar de toda a exuberância e dinâmica, é muito frágil. Devido a sua ecologia depender de um organismo complexo original, onde cada espécie tem seu papel harmônico definido e não adaptável às mudanças antrópicas".

Do pouco sabido sobre estas relações, onde dantes se achava deste o universo o “pulmão do mundo”, muito se fez em prol da degradação através da exploração madeireira, onde as queimadas abriram grandes clareiras mata adentro, na ânsia de alimentar um mercado que apesar de hoje ser mais exigente nos padrões de produtos de origem da floresta, agora exige sua certificação, que muitas vezes ainda é burlada pelo próprio sistema que assim como ironia da palavra, alimenta uma relação ecológica entre a extração ilegal de madeira e os mecanismos corrompidos de alguns órgãos ambientais que deveriam coibir práticas danosas ao bioma amazônico.

Este desconhecimento ecológico por muitas vezes foi aprendido à duras penas por brasileiros e por estrangeiros como Henry Ford e Daniel Ludwig, que por não conhecerem nada sobre as realidades Amazônidas e não terem nenhuma noção desta ecologia de sustentação adentraram a mata e com muita vontade e dinheiro, levantaram empreendimentos que prometiam um desenvolvimento sustentável dentro da Amazônia com a ideia de convivência harmônica. Fato que acabou levando Ford a sepultar Fordlandia no Estado do Pará que sofreu primeiro com a falta de planejamento ecológico, pois as seringueiras (Hevea brasiliensis), em ambiente natural, apresenta espaçamento entre os espécimes pré-determinado naturalmente pelas relações de altura e diâmetro do dossel, que se encarrega de dar o distanciamento entremeando-as entre outras espécies da floresta.

Entretanto o interesse comercial fez com que o plantio fosse feito de maneira linear e muito próxima, para maximizar a produção, alterando assim o equilíbrio entre os demais entes ecológicos e fazendo com que uma praga de fungos dizimasse o plantio e o que sobrou, foi extinto pelo uso da borracha sintética. Fazendo com que Ford abandonasse o empreendimento.

As mesmas práticas insensatas também sepultaram os eucaliptos (Gmelina arborea) e pinheiros (Pinus taeda) por pragas e por serem espécimes asiáticas inadequadas à realidade do bioma amazônico. E Fizeram Ludwig vender seu projeto a preço nababesco ao governo dos generais.

Essa falta de conhecimento da ecologia amazônida também foi responsável por muitos outros projetos fracassados como a construção da Madeira-Mamoré, que praticamente teve seus trabalhadores e idealizadores consumidos pela malária, devido a falta de conhecimento das consequências da “invasão” instaurada floresta adentro.

As consequências destes projetos mal ajambrados, que de maneira direta quebraram esta harmonia milenar de um bioma isolado, tem sido remediada com ações que nem sempre são as mais ortodoxas, afinal recompor um ambiente degradado, de maneira artificial, leva tempo não só para sua recuperação mas também pelo estudo e a experimentação do comportamento natural da dinâmica das espécies.

Algumas ações têm sido mais predatórias ainda, como a pecuária de gado de corte, que vem sendo amplamente difundida em solo amazônico. Fazendo com que haja compactação do solo e por consequência a demanda por mais espaços de pastagens, alterando radicalmente o meio, em necessidade estrutural de abertura de estradas para escoamento e poluição advinda dos processos de abate.

Mas sem sombra de dúvida, nesta virada de milênio e estas duas décadas que separam os protocolos assinados, quem está na berlinda é a agricultura de grãos e o setor primário de produção, que exportadas do centro-oeste, trazem consigo a grande tábua da salvação para alimentar um mundo faminto e um mercado voraz, em troca de um desenvolvimento abertamente consorciado com a devastação do bioma amazônico em busca de mais e mais áreas, sem levar em consideração a fragilidade do solo e muito menos a sua baixa produtividade, partindo da observação de que se a Amazônia produz gigantes florestais, será muito bem capaz de erguer um império da soja para suprir as necessidades de bilhões de bocas famintas, por grãos e por cifras.

O grande desafio agora é inibir os que pelo conhecimento da falta de nutrientes em um solo nu em uma Amazônia degradada insere mais nutrientes sintéticos, para que enfim haja após o cansaço do solo e uma esterilização até ter por consequência um processo de desertificação, trazendo para a Amazônia as lembranças de duas eras atrás, quando a mesma conheceu os mesmos efeitos que estamos impingindo agora, só que antes o responsável foi a glaciação, agora, somos nós mesmos...


Artigo criado pelo Professor Doutor Charles Borges, Engenheiro Químico pela Universidade Federal do Pará, Mestre em Gestão Pública pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universität der Bundeswehr Hamburg. Sob coautoria do Engenheiro Florestal Elielson Borges (criador do blog FLORESTA DO MEIO DO MUNDO). Publicado originalmente pelo saudoso jornalista Bonfim Salgado. 

O que é que a Amazônia tem? Tem caça e peixe de defeso tem !

Há alguns dias atrás assisti a mais uma daquelas recorrentes notícias de apreensão de pescado "ilegal" (período de defeso) e de carnes de animais silvestres aqui no Estado do Amapá realizadas pelos fiscais do Imap e militares do Batalhão Ambiental.  O cenário é quase sempre o mesmo: barco, peixes e carne de animais apreendidos, pescadores e caçadores foragidos, a destinação a um órgão de assistência, e os holofotes aos fiscais garantidores da lei.

Em relação aos peixes, o defeso iniciou no dia 15 de novembro do ano passado para 22 espécies. Para tentar solucionar o problema, o período de defeso que encerraria no dia 15 deste mês foi prorrogado por mais 15 dias. A medida é para garantir a reprodução e manter os estoques pesqueiros. E durante os 5 meses desse período, quem sobrevive comprovadamente da pesca tem direito a um benefício no valor de um salário mínimo, o seguro defeso. Apesar disso, boa parte dos pescadores do Estado ainda não conseguiram ter acesso ao benefício.

Os crimes ambientais podem levar o infrator a pagar multa de até R$ 100 mil reais. Mas, infelizmente, muitos não pagam nada; e, na maioria das vezes, as apreensões são doadas a instituições que trabalham com crianças e idosos.

No Amapá, a área portuária do município de Santana que possui mais estrutura para muitas embarcações e pescados, é o local mais utilizado pelos contrabandistas que trazem as caças do interior do Estado e outros locais vizinhos. Para frear consideravelmente esse comércio, a colaboração da população é fundamental. Sendo assim, nunca compre nenhum animal (vivo ou morto – carnes e outras partes); conscientize as outras pessoas a não comprarem animais silvestres, nativos ou exóticos. Animal não é mercadoria. Vida não tem preço. Se não houver procura não haverá venda; imprima panfletos educacionais e distribua o máximo que puder; Denuncie, chame a polícia e faça um TC (cite o Art. 32 da Lei Federal de Crimes Ambientais 9.605/98); fotografe e/ou filme a captura e o alojamento dos animais; o local em que são expostos e a transação entre comprador e vendedor - provas e documentos são fundamentais para combater transgressões.

Nos termos da Lei 5.197/67, entende-se por fauna silvestre: “os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu desenvolvimento que vivem naturalmente fora do cativeiro”.

E de acordo com a Lei 9.605/98 no seu art. 29, §3º: “são espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou em águas jurisdicionais brasileiras”.

Na verdade, carecemos de uma definição mais completa de modo a assegurar a todos os silvestres a devida proteção legal. Contudo, são considerados animais silvestres os animais não domesticados, participantes do conjunto de vertebrados, mais especificadamente mamíferos, como o peixe-boi, aves, répteis, peixes e animais marinhos, como a tartaruga marinha, alguns invertebrados superiores (artrópodes) e ainda outros invertebrados, como borboletas.

Os animais silvestres estão tutelados pela proteção constitucional genérica, e pelas normas infraconstitucionais, ou seja, estão sob o amparo específico da Lei 5.197/67, que proíbe a utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha desses animais, assim como estende a proteção aos seus ninhos, abrigos e criadouros naturais. Ademais, constitui crime matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativas ou em rota migratória, sem a devida licença ou autorização, nos termos da Lei 9.605/98.

É ínfimo o numero de perdas que ocorrem perto do lucro dos traficantes. O tráfico começa pelos “mascates”, regatões (barqueiros que transitam pelos rios das regiões Norte realizando escambo de produtos básicos por animais silvestres), donos de barracões (pequenos comerciantes rurais), fazendeiros, caminhoneiros, os motoristas dos ônibus (estaduais/interestaduais) e comerciantes ambulantes que transitam entre a zona rural e os médios e grandes centros urbanos. A realidade  é que são inúmeras as situações, envolvendo vários responsáveis que utilizam  todos os meios possíveis e inimagináveis para converter animais silvestres em dinheiro.

Em relação a animais vivos, os animais apreendidos em operações policiais, na maioria das vezes,  permanecem horas em cima ou em volta das viaturas, debaixo de sol e grande circulação de pessoas, com insuficiência de alimento e água, gerando mais stress e ficando cada vez mais debilitados.

A presença de um técnico como  médico veterinário ou biólogo é absolutamente indispensável para orientação do manejo de forma correta, prosseguindo, inclusive, com os primeiros socorros. O ideal após esta operação é encaminhar imediatamente os animais apreendidos para um local apropriado onde se possa proceder a catalogação ou classificação das espécies e em seguida, rumar a um centro de manejo. Mas, os locais do Governo Estadual e Municipal do Amapá que recebem esses animais, já não suportam a quantidade, visto que não há infraestrutura adequada para sua recuperação e posterior soltura.

Dados Importantes

Biodiversidade ou diversidade biológica vem a ser a variedade de seres que compõem a vida na Terra. Preservar a biodiversidade significa reconhecer, inventariar e manter o leque dessas diferenças. Nesse sentido, quanto mais diferenças existirem, maiores serão as possibilidades de vida e de adaptação às mudanças. Quando a variedade de espécies em um ecossistema muda, a sua capacidade em absorver a poluição, manter a fertilidade do solo, purificar a água também é alterada. A ciência não conhece nem 10% da biodiversidade do Planeta e grande parte desse tesouro já se perdeu. Por isso é urgente conhecer e conservar aquilo que pode no futuro significar novas possibilidades em alimentação e cura de doenças. Os países tropicais, como é o caso do Brasil, apresentam maior variedade em espécies, podendo funcionar como verdadeiros bancos, dos quais a humanidade poderá sacar meios de sobrevivência.

Pea 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Algodão orgânico: bom para o meio ambiente

O algodão orgânico é aquele produzido sem o uso de produtos químicos sintéticos, tais como agrotóxicos, adubos químicos ou outros insumos prejudiciais à saúde humana, animal e ao meio ambiente. Esse algodão também pode ser livre de organismos geneticamente modificados e seguir a princípios da responsabilidade social.

A cultura do algodão orgânico ainda busca promover e melhorar a biodiversidade e os ciclos biológicos dos locais onde ele é produzido, mantendo e recuperando a fertilidade e a vida dos solos e a diversidade de seres vivos.

E tanta preocupação não é à toa. A cultura do algodão tradicional ocupa uma área de 80 milhões de hectares em todo o mundo e usa 25% dos inseticidas consumidos mundialmente. Essa quantidade elevada de produtos químicos acaba poluindo o ar, o solo e os recursos hídricos, diminuindo a biodiversidade e abalando o equilíbrio do ecossistema local, além de causa alergia em alguns consumidores.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma vez colhido e beneficiado, o processamento têxtil do algodão requer o emprego de, pelo menos, oito mil substâncias químicas consideradas tóxicas ou extremamente tóxicas ao meio ambiente.

A contaminação por agrotóxicos utilizados no cultivo do algodão tradicional pode ocasionar doenças como leucemias, infertilidade masculina, arritmias cardíacas, cistite aguda, insuficiência renal aguda e neoplasia maligna do pâncreas (câncer). As poeiras químicas também podem causar rinites alérgicas, doenças pulmonares obstrutivas crônicas, bissinose, neoplasia maligna (câncer) da cavidade nasal e dos seios nasais.

Para reverter esse quadro, produtores da fibra deram início no final da década de 1980 ao novo modo de produção menos impactante para o planeta. Ao mesmo tempo, muitas indústrias têxteis modificam seus processos de fabricação, para reduzir a poluição que provocam.

Para isso, eles utilizam técnicas alternativas, com base no uso de estercos animais, rotação de culturas, adubação verde, compostagem e controle biológico de pragas e doenças. Esse modelo de cultivo pressupõe ainda a manutenção da estrutura e da profundidade do solo, sem alterar suas propriedades por meio do uso de produtos químicos e sintéticos.

A produção do algodão orgânico ainda pode adotar outras técnicas, tais como:
  • Plantio em nível, enleiramento de restos de culturas também em nível e, quando necessária, valetas de retenção;
  • Plantio do algodão nas primeiras chuvas, em consorcio com culturas alimentares;
  • Plantio de variedades precoces de algodão;
  • Catação e destruição dos botões florais caídos;
  • Controle biológico do curuquerê do algodoeiro através do Trichogramma sp;
  • Após a colheita, arranque e enleiramento em nível do algodão herbáceo ou poda do algodão arbóreo e enleiramento dos ramos em nível.

Como consequência, a produção orgânica traz benefícios para o homem e o meio ambiente:
  • Protege o solo e a qualidade das águas subterrâneas (eliminando contaminantes no escoamento superficial)
  • Reduz a ocorrência de insetos e faz o controle de doenças através da substituição do inseticida com a manipulação dos ecossistemas;
  • Prevenção em longo prazo de pragas através do plantio de habitat benéfico;
  • Conservação da biodiversidade;
  • Elimina o uso dos produtos químicos tóxicos usados na produção do algodão;
  • Produção biológica de culturas de rendimento, solos mais profundos, espessos e com maior teor de matéria orgânica, maior quantidade de polissacarídeos e menor módulo de ruptura, o que reduzir consideravelmente a erosão do solo;
  • Melhora a saúde e aumento da renda dos pequenos agricultores (agricultura familiar, comércio justo).

Mas nem tudo são benefícios. O cultivo do algodão orgânico também traz algumas desvantagens:
  • Reduz significativamente a produtividade (até 50%) nos primeiros anos;
  • Maiores variações nas características de fibra, principalmente na cor (deságios);
  • Dificuldades na desfolha, aumento do trash;
  • Dificuldades no controle de ervas daninhas.


Algodão orgânico colorido

Outra fase fundamental para determinar o impacto ambiental de um algodão é quando ele segue para a indústria têxtil para ser transformado em roupas, acessórios e diversos outros produtos. É nessa etapa que o material recebe uma alta dose de componentes químicos responsáveis pelo tingimento da fibra.

Uma alternativa capaz de evitar esse processo é o algodão colorido. Com tons que variam entre o verde, o marrom e o avermelhado, esse algodão já cresce naturalmente tingido, o que evita a etapa da coloração artificial.

Certificado

O certificado de propriedade orgânica é emitido por entidade de respaldo internacional na área e para recebê-lo é preciso seguir a uma série de critérios, dentre eles, deve-se garantir que naquela propriedade não foi utilizado nenhum insumo químico há pelo menos três anos do início da colheita que se pretende certificar.

(EcoD)
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