sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A ética do necessário

Segundo Fernandes (2001), alguns desejos são naturais e necessários; outros são naturais e não necessários; outros nem naturais nem necessários, mas nascidos apenas de uma vã opinião (...). Administrar os desejos para manter-se nos limites impostos pela natureza, eis o caminho que conduz à serena felicidade. A partir dessa questão, a ética do necessário prevaleceu ao longo da história em pequenos grupos (de religiosos, de alquimistas, de magos e bruxas), em tribos (de índios e nativos) e em algumas civilizações orientais (chinesa) e ameríndias (astecas, incas e maias), a partir de uma profunda vinculação espiritual com a terra e com os elementos naturais que pertenciam ao seu meio.

Na era contemporânea, inúmeras experiências de ONGs e comunidades alternativas que exprimem uma perspectiva ecológica são exemplos da possibilidade de se viver com qualidade de vida sem colocar em risco a capacidade de suporte do meio ambiente.

A questão central do debate ambiental de nossos dias está relacionada à velocidade e à intensidade das transformações do ambiente natural impostas pela dinâmica das sociedades contemporâneas, incompatíveis com a manutenção ou a reprodução da capacidade de suporte global, o que por sua vez implica a redução das possibilidades das futuras gerações.

Assim, importa não apenas a intensidade dos efeitos predatórios que promovem a contínua extinção das espécies, mas também a rapidez das transformações impostas pela atual racionalidade econômica que torna impossível qualquer adaptação e evolução gradual das espécies.

A dinâmica imposta pela sociedade contemporânea sobre o ambiente contribui sinergicamente para a redução da qualidade ambiental e da sustentabilidade dos ecossistemas que compõem o sistema maior, uma vez que a estabilidade desses se mantém por meio de mecanismos complexos que dependem da variedade de seus elementos, dentre outros fatores.

Com relação às perspectivas futuras, a escassez dos elementos naturais não renováveis, energéticos e materiais, e a contaminação e a exclusão de amplos espaços do nosso limitado planeta impõem um prognóstico sombrio para as sociedades futuras, a menos que novos valores, concebidos numa rígida perspectiva de sustentabilidade, substituam os atuais, centrados na virtualidade da atual racionalidade econômica.

Fonte: FERNANDES, A. J. Implicações ambientais do marketing contemporâneo. Unimep, 2001.

Carros menos poluentes - qualidade do ar sentida por todos

A partir desse ano, a população das cidades brasileiras tem razão de sobra para respirar aliviada. Medidas adotadas pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), que começaram a valer a partir do primeiro dia do ano, devem elevar a qualidade do ar nos centros urbanos a padrões internacionais nos próximos anos.

É a fase P-7, do Programa Nacional de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores. Estão previstos níveis de redução de poluentes só atingidos até agora pelos países mais desenvolvidos.

As novas regras, negociadas com a indústria e com os representantes da sociedade civil no Conama, prometem reduzir drasticamente a poluição que sai do escapamento de ônibus e caminhões. Juntos, eles são os maiores responsáveis pelo sufoco da população, emitem grande parte dos poluentes que afetam diretamente a saúde dos habitantes das cidades, principalmente grandes e médias.

A ampliação da oferta no mercado do Diesel S-50 e sua substituição daqui a um ano pelo S-10, com teor de enxofre 50 vezes menor que o utilizado até agora, aliada aos Planos Estaduais de Controle da Poluição do Ar, que vierem com a obrigatoriedade da inspeção veicular, fazem parte do pacote que vai garantir uma melhor qualidade do ar nos grandes centros urbanos.

Os Estados, de acordo com os níveis de poluição de suas cidades, podem optar ou não pela inspeção dos veículos usados. Já está sendo ampliada em todo o País a oferta dos combustíveis menos poluentes nas bombas. A indústria já modificou totalmente os motores dos veículos pesados novos e, a partir de agora, os motoristas de carros já em uso vão precisar medir os níveis de emissões de poluentes na hora de renovar a licença anual.

Nas cidades que adotarem os novos critérios, a licença não sai para quem não estiver dentro dos limites, de acordo com o plano de cada um dos 26 estados. “Os níveis exigidos variam porque os problemas enfrentados por cada uma das cidades é diferentes”, explica o gerente de qualidade do ar do MMA, Rudolf Noronha.

A redução da quantidade de poluentes lançados na atmosfera pela frota brasileira, que cresce em média 12% todo ano, já vem sendo sentida nos últimos anos. Nos carros de passeio, a redução gradativa que começou há vinte e cinco anos, entra na fase L-6 daqui a dois anos. O resultado será uma gasolina aditivada, de alta qualidade, baixo teor de enxofre e livre de chumbo, além de motores muito mais eficientes do ponto de vista ambiental.

A melhoria da qualidade do ar vai ser sentida na redução de doenças respiratórias, que além dos prejuízos à saúde, principalmente de crianças e idosos, impactam no orçamento do Sistema Único de Saúde.

Fonte: http://mercadoetico.terra.com.br

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Projeto de Implantação de uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) compacta no Canal da Mendonça Junior, Macapá – Amapá - Brasil

A ETE consiste em separar a parte líquida da parte sólida do esgoto e tratar cada uma delas separadamente, reduzindo ao máximo a carga poluidora, de forma que elas possam ser dispostas adequadamente, sem prejuízo ao meio ambiente.
O presente projeto visa recuperação da área degradada com a deságua do canal da Mendonça Jr., cujos principais problemáticas são: poluição da água, do solo, do ar e visual; redução da biodiversidade; liberação de metais pesados. Tornando a orla da cidade, um dos principais pontos turísticos do estado, um ambiente desagradável, sujo e com mau cheiro.

Segundo o Diário do Amapá (2009), ainda na década de 50, tão logo o Mercado Central passou a ser o ponto principal do comércio de Macapá, o canal da Mendonça Jr. começou a ser construído. Nessa época nem se imaginava que o homem iria poluir o planeta. Foi construído para coletar as águas das chuvas e logo em seguida aproveitaram para transformar o carnal num coletor de esgoto, que se esgotaria no Rio Amazonas. Além do fedor contagiante outra feira maluca de ambulantes “fixos”, transformava o espaço num cenário de favela, já que hoje foram retirados para poder haver uma revitalização e urbanização de seu entorno. Esta que há anos não foi realizada com êxito.

Porque usar ETE Compacta?
Seu caráter compacto permite que ela seja instalada num galpão ou abaixo do solo, inserindo-se melhor no ambiente urbano. O tratamento quase que exclusivamente biológico, que, por isso mesmo, produz muito pouco lodo, ao contrário das outras estações. Esse desempenho contribui para a recuperação dos cursos d água e diminui os riscos de contaminação e diminui os riscos de contaminação e transmissão de doenças. Outra característica da nova estação é o baixo custo. Uma ETE convencional que utilize a tecnologia de lodos ativados tem um custo de implantação de R$ 100 por habitante, enquanto que a que nós desenvolvemos custa entre R$ 60 e R$ 70 por pessoa, ou seja, é de 30% a 40% mais barata. Quanto ao custo de operação, a redução também é de cerca de 40%; enquanto na ETE convencional um metro cúbico de esgoto tratado fica entre 17 e 20 centavos, na nossa estação esse valor cai para 11 centavos. Fim do mau cheiro, além da eficiência, a estação possui um sistema de desodorização. Nos pontos em que há maior emissão de compostos que produzem mau cheiro (o principal deles é o gás sulfídrico), o ar é coletado por exaustores, para em seguida serem injetados em filtros aeróbios, onde as bactérias irão oxidar os compostos, reduzindo o mau cheiro a níveis praticamente imperceptíveis ao ser humano. Outra peculiaridade é possibilidade de a estação ser coberta, diminuindo seu ruído. Essas características fazem com que sua proximidade das residências não seja um problema para a população, ao mesmo tempo em que se apresenta como uma solução de baixo custo para a falta de tratamento de esgoto doméstico em área.

Objetivos
Melhorar a qualidade da água que é despejada no Rio Amazonas pelo canal da Mendonça Jr. Propiciando um ambiente adequado ao desenvolvimento harmonioso do ecossistema; Melhorar o aspecto olfativo, reduzindo o mau cheiro proveniente das águas poluídas do canal; Reduzir a poluição do solo; Diminuir a liberação de metais pesados da degradação de componentes sólidos, e gases decorrentes da degradação da matéria orgânica nas águas.

Diretrizes
Reduzir índices de coliformes fecais, óleos, resíduos de combustíveis fósseis e matéria orgânica em decomposição com a instalação de estação de tratamento de efluentes; Acelerar a decomposição da matéria orgânica transportada pela água reduzindo a liberação de gases que poluem o ambiente; Coletar partículas sólidas oriunda das águas do canal para não decantarem sobre a superfície do solo no leito do rio amazonas; Coletar latas, plásticos e outros componentes sólidos nas fases preliminares do processo de tratamento antes de entrarem em decomposição e evitando a liberação de metais pesados.

Metas
Remover 95% dos coliformes fecais e da matéria orgânica carreada nas águas do canal; Reduzir em 90% os índices de metais pesados e gases liberados por resíduos sólidos; Melhorar a qualidade da água despejada no rio Amazonas.

Missão
Efetivar o tratamento da água que flui no canal para não poluir a área da orla em torno da jusante do canal compreendendo o espaço que se estende do trapiche Eliezer Levi à fortaleza de São José.

Prazo de duração
Implantação em 6 meses e, após, monitoramento e manutenção.

Território de abrangência
Local beneficiando a população dos arredores e os visitantes deste ponto turístico.

Aspectos ambientais
Impactos negativos: importância municipal; iminência a médio prazo; incidência contínua; inclinação estacionar; Poluição da água, do solo, do ar e visual; Redução da biodiversidade; Liberação de metais pesados como: fósforo, nitrogênio, sulfatos.

Impactos positivos: importância municipal; iminência imediata; incidência rara; inclinação melhorar; Predominância de espécies vegetais, tais como Siriúba, protegendo o solo e amenizando a erosão do entorno da jusante do canal e evitando o assoreamento; O acúmulo de resíduos que favorece a alimentação de aves da espécie Maçarico.

Problemas ambientais: Acúmulo de lixo; Odor desagradável; Contaminação da água e solo; Poluição visual; Redução da biodiversidade; Erosão e assoreamento no local.

Análise de decisão
Avaliação de riscos: Poluição visual; Poluição sonora; Impermeabilização do solo pela pavimentação da instalação da ETE; Possível contaminação do local com produtos químicos ou agentes biológicos em caso de acidentes.

Obra: 60 mil reais para atender 1000 pessoas; Risco de 15% ou 1.5 em escala de 0 a 10. Recuperação de provável dano em caso de acidente: 9 mil reais.

Sistemas semelhantes1- Decantação; 2- Lagoa de estabilização; 3- Aplicação de reagentes bactericidas ou químicos; 4- Uso de plantas aquáticas.

Risco: 1 a cada 4 sistemas: 100% x1/4= 25%; Escala de risco: Probabilidade= 2.5; Geral= 1.5; Risco total= 3.75

Medidas de proteção /prevenção
Recomendações a Prefeitura que execute: Campanha de conscientização da população a respeito da coleta seletiva e adequada do lixo; Distribuição de lixeira públicas adequadas ao longo do canal e na orla para que o lixo não seja lançado na água; Treinamento de pessoal para operação, monitoramento e manutenção dos equipamentos; O recolhimento dos resíduos para destinação final: aterro controlado; A área do entorno da ETE será contemplada com um projeto paisagístico para minimizar a poluição visual.

Procedimentos
O tratamento de efluentes será feito em estação compacta que ocupa apenas 70 metros quadrados instalada num galpão utilizando um tratamento quase que exclusivamente biológico, que, por isso mesmo, produz muito pouco lodo, ao contrário das outras estações. Esse tratamento possui duas etapas — uma anaeróbia (sem oxigênio) seguida de outra aeróbia (com oxigênio) — que concentram uma grande quantidade de bactérias, cuja função é degradar a poluição orgânica do esgoto. A lógica do processo, que consegue remover 95% da matéria orgânica e 99% dos coliformes fecais, é a de que a maior quantidade de bactérias permite o menor porte da estação. Além da eficiência, a estação desenvolvida pela UFES possui um sistema de desodorização. "Nos pontos em que há maior emissão de compostos que produzem mau cheiro (o principal deles é o gás sulfídrico), o ar é coletado por exaustores, para em seguida serem injetados em filtros aeróbios, onde as bactérias irão oxidar os compostos, reduzindo o mau cheiro a níveis praticamente imperceptíveis ao ser humano".

-A operação das máquinas dar-se-à por agentes treinados pela UFES;
-O processo de operação da ETE iniciará a partir da meia maré de vazante até o início da próxima enchente no canal;
-O fornecimento de energia para funcionamento da ETE será da concessionária estadual. Em caso de interrupção de energia, aciona-se o grupo gerador da ETE;
-A estação estará adequada com todas as normas de segurança no trabalho.

Recursos tecnológicos e financeiros
Os equipamentos e treinamento de pessoal serão adquiridos através de convênio entre a UFES e a Prefeitura Municipal de Macapá. Incluindo treinamento técnico para manuseio de equipamentos constituintes da ETE.

Monitoramento
A execução, monitoramento das atividades da ETE dar-se-à pelos agentes treinados e a parte de fiscalização e análise pelos órgãos ambientais competentes.

Controle
O órgão ambiental competente analisará as amostras de água, solo, bem como seu andamento emitindo um laudo técnico dos resultados obtidos.


Veja as implicações políticas da revitalização urbanística do Canal da Mendonça Júnior clicando aqui.

Fonte: Projeto elabora em sala de aula, Curso de Eng. Florestal (ENFLOR 11), Universidade do Estado do Amapá - UEAP.

Curiosidade do dia: Passivo Ambiental

É notória a preocupação mundial acerca do tema meio ambiente, conforme já abordado anteriormente em outros textos. Também já não são novidades as razões pelas quais se tem discutido muito sobre a necessidade da preservação ambiental e seu uso sustentável, de modo a evitar, compensar ou minimizar os impactos ambientais negativos, gerados principalmente pelos empreendimentos potencialmente poluidores.

Logo, frente à nova realidade, se fez necessário a criação de legislações especificas, capazes de disciplinarem os procedimentos tecnológicos e operacionais empregados, visando a eliminação ou a redução da carga poluidora, lançada indiscriminadamente, até então.

Tamanha a seriedade do problema, não bastassem as normas legais, surgiram ainda recomendações e propostas, objetivando a efetivação das obrigações quanto à reparação de danos causados. E, nesse sentido, surge mais um instrumento de gestão, representado pelo passivo ambiental, muito utilizado em avaliações para negociações de empresas e nas privatizações, uma vez que os novos proprietários, via de regra, se responsabilizam pela reestruturação do meio ambiente afetado.

Passivo, em linguagem contábil, indica as obrigações formais ou legais reconhecidas de determinada empresa, perante terceiros. Apesar de já utilizado em muitas empresas, em todas as partes do mundo, o passivo ambiental, ainda é um assunto pouco estudado e discutido, apesar de muito relevante dentro da rotina empresarial.

Passivo ambiental é um valor monetário, composto em regra por três conjuntos. No primeiro conjunto, figuram as multas, dívidas, ações judiciais, taxas e impostos pagos, devido à inobservância dos requisitos legais. Já o segundo conjunto seria composto dos custos de implementação de procedimentos e tecnologias que possibilitam o atendimento às exigências legais. No terceiro conjunto, os dispêndios necessários à recuperação da área degradada, bem como às indenizações às populações afetadas, incluindo os gastos futuros.

Em suma, o passivo ambiental representa os danos causados ao meio ambiente e consequentemente revela a obrigação e a responsabilidade social da empresa. Portanto, sua grande utilidade é se prestar como um elemento de decisão que identifica, avalia e quantifica custos e gastos ambientais gerados a curto, médio e longo prazo.

Todavia, o passivo ambiental não precisa estar necessariamente atrelado aos balanços patrimoniais, podendo o mesmo ser feito mediante relatório específico, o qual traça as ações para a eliminação dos problemas ambientais gerados pela empresa.

Aspectos administrativos
Os aspectos administrativos do passivo ambiental dizem respeito à observância e a implementação das normas ambientais dentro da empresa. A tal aspecto, se relacionam os registros e cadastros junto aos órgãos ambientais; o cumprimento da legislação ambiental vigente seja em nível municipal, estadual ou federal; o estudo de impacto ambiental e o relatório de impacto ambiental causados pela atividade desenvolvida, as licenças ambientais exigidas; as pendências relacionadas à infrações, penalidades e multas; acordos com o Ministério Publico (TAC); acordos com a comunidade local; certificação ambiental; auditorias ambientais e as medidas de compensação, indenização ou minimização pendentes.

Aspectos Físicos
Além dos aspectos administrativos, o passivo ambiental contempla também os aspectos físicos. Por sua vez, as áreas de indústrias contaminadas; as instalações desativadas; os equipamentos obsoletos; a recuperação e áreas degradadas pela atividade desenvolvida; a recomposição dos canteiros de obras; a existência de resíduos industriais; a contaminação do solo e das águas; os produtos e insumos industriais vencidos; as bacias de tratamento abandonadas e os dejetos animais são exemplos dos aspectos físicos levados em conta no passivo ambiental.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Aula de hoje: Idade e crescimento das árvores – Técnicas Florestais

Podemos definir a idade da árvore como o número de anos transcorridos desde a germinação da semente, ou da brotação das touças de uma raiz, até o momento em que é observado ou medido. Genericamente o estudo da idade e crescimento da árvore, das florestas, e suas implicações são tratados pela epidometria.
A idade de uma floresta ou povoamento florestal torna-se um conceito vago, pois nem todas as árvores que as compõe iniciam o seu crescimento ao mesmo tempo. Nesse sentido, emprega-se a idade média das árvores como maneira de aproximação. Porém para as práticas de manejo florestal, se faz necessário que as florestas nativas e os reflorestamentos possam ser caracterizados por uma idade definida.
Chama-se de povoamentos coetâneos ou maciços florestais equietâneos ou equiâneos, quando as árvores neles existentes são da mesma idade. Normalmente os plantios de reflorestamentos pertencem a essa categoria. Florestas nativas são geralmente maciços multiâneos, também chamadas de idades múltiplas e variadas. Também é encontrado na literatura o termo de idades irregulares, quando os plantios florestais ou florestas nativas apresentam árvores com diferentes idades.
Na mensuração florestal a idade de uma árvore é uma variável muito importante, especialmente na estimativa da produção florestal. Fundamentalmente é utilizada nas avaliações do crescimento e da produtividade de um sítio e nos ordenamentos florestais. A idade é também utilizada como ferramenta para práticas silviculturais, na determinação do crescimento presente e futuro da floresta e nas decisões dos planos de manejo. A idade permite, portanto: avaliar o incremento em termos de diâmetro, área basal, volume e altura de uma espécie em um determinado local, permitindo comparar a capacidade produtiva de diferentes locais; estimar o crescimento em altura das árvores dominantes nos povoamentos, para que sejam construídas curvas de índice de sítio de modo a se determinar a capacidade produtiva dos locais onde estes povoamentos estão implantados; definir parâmetros a serem utilizados nas práticas de manejo florestal, servindo principalmente como base comparativa entre povoamentos e decidindo metas na exploração da floresta.
A determinação da variável idade envolve frequentemente muitas dificuldades, mesmo quando se trabalha em zonas temperadas e maior será a problemática quando se trabalha na região tropical.
No caso de plantios florestais, a maneira mais segura de conhecer a idade é registrando a data dos plantios em fichas, catálogos ou sistemas computacionais, de modo que para se obter a idade de um povoamento basta recorrer aos arquivos podendo obtê-la rapidamente e com grande precisão. No caso de florestas nativas tal procedimento não é possível, pois a floresta é normalmente composta de várias espécies e com diferentes idades. Assim, há necessidade de que o engenheiro ou técnico florestal utilize de outras técnicas para obter a idade das árvores ou da floresta.
Nas práticas dasométricas a variável idade apresenta-se em expressões desde o início da vida da árvore até a idade crítica do povoamento, nesta última fase interpretando como o período de senescência ou senilidade das árvores. Idade de rotação comercial se refere ao ano em que as árvores devem ser cortadas, seguindo princípios técnico-científicos estabelecidos nos correspondentes planos de manejo. Idade de corte, identifica quando as árvores deverão ser abatidas.
Idade de decrepitude, ou de declínio, ou de senescência, é quando as árvores mostram sinais evidentes e visíveis de redução biológica do crescimento, como resultado da diminuição das atividades fisiológicas. Idade fértil de um povoamento florestal se refere ao período de frutificação das árvores, muitas vezes este fenômeno acontece depois de prolongados intervalos de tempo, onde as árvores não produzem frutos.
O tamanho das árvores é uma função do período de tempo em que elas se desenvolveram. Sobre este período de tempo, o tamanho do indivíduo será o resultado das interações da capacidade genética inerente do crescimento e do ambiente no qual está habitando. Anualmente o período durante o qual os fatores climáticos, tais como temperatura, umidade do ar, duração e intensidade de luz, e outros fatores como a fertilidade do solo, se modificam e tornam-se elementos decisivos no crescimento das árvores.
Esse período é conhecido como estação ou época de crescimento. A estação de crescimento é consequentemente um exemplo de ciclos de eventos, ou seja, eventos que se repetem em certos intervalos de tempo mais ou menos contínuos.
Alterações favoráveis nas condições ambientais podem produzir períodos de crescimento estacionário/sazonal nas plantas. Muitas árvores em sua estrutura anatômica da madeira e em respostas fenológicas, no início e fim da estação de crescimento, adquirem características estruturais bem definidas e facilmente observáveis.

Fonte: Comunicações Técnicas Florestais, Brasília, v.7, n.1, 2005.

Curiosidade do dia: Animais em extinção

Um animal é considerado extinto quando deixa de existir, seja no seu ambiente natural ou em cativeiro. Isso pode acontecer por causas naturais do ecossistema ou pela ação do homem. A extinção de animais está ligada ao desaparecimento de determinados grupos de animais. Algumas categorias são usadas por instituições para definir em que estágio está uma espécie animal com relação a sua existência no meio ambiente.

São considerados criticamente em perigo animais que enfrentam risco muito grande de extinção na natureza. Isso acontece quando a redução do tamanho da população de um animal é de 90% nos últimos 10 anos. Nesses casos, estima-se que a população de tal espécie seja de aproximadamente 50 adultos no planeta.

Estão em perigo quando a redução de tamanho populacional de um animal é de 70% nos últimos 10 anos. A população estimada no planeta, nesse caso, é de aproximadamente 250 adultos. Estão em situação vulnerável animais que apresentam redução populacional de 50% nos últimos 10 anos. A população estimada na Terra é de aproximadamente 10 mil adultos.

É grande o número de animais em extinção em nosso planeta. Isso tem ocorrido, principalmente, por causa da ação do homem no meio ambiente. Por isso alguns governos determinaram espaços com grande variedade e reprodução da fauna como área de preservação ambiental.

No Brasil, o Ministério do Meio Ambiente já chegou a divulgar em parceria com o IBAMA uma lista com 400 animais em risco de extinção.

Sistemas Agroflorestais como mecanismo de recuperação e promoção ambiental

Com o recente reconhecimento e a conscientização da importância dos valores ambientais, econômicos e sociais das florestas, podem-se perceber, no cenário mundial, fortes tendências para mudanças significativas na forma de uso da terra, com a utilização de sistemas produtivos sustentáveis que considerem, além da produtividade biológica, os aspectos socioeconômicos e ambientais. Diante desse fato, e dado ao caráter de múltiplo propósito das árvores, os Sistemas Agroflorestais (SAFs) constituem-se em alternativas sustentáveis para aumentar os níveis de produção agrícola, animal e florestal.
Os sistemas agroflorestais têm sido preconizados como sustentáveis, ou seja, capazes de produzir para o presente momento, mantendo os fatores ambientais, econômicos e sociais, em condições de serem utilizados pelas gerações futuras.
O objetivo desses sistemas é a criação de diferentes estratos vegetais, procurando imitar um bosque natural, onde as árvores e/ou os arbustos, pela influência que exercem no processo de ciclagem de nutrientes e no aproveitamento da energia solar, são considerados os elementos estruturais básicos e a chave para a estabilidade do sistema. No Brasil, diagnósticos regionais e resultados de pesquisas demonstram que os SAFs são de grande aplicabilidade em áreas com atividade agrícola e pecuária.
Pensar em SAF é pensar na estabilidade e resiliência de um agroecossistema, pois se baseia na diversidade de espécies, que juntas, cooperam para a capacidade de resistência e recuperação do meio às perturbações externas.
Desenvolver um SAF requer a observação, manejo e compreensão da vegetação nativa em se recuperar. Neste o agricultor é parceiro fiel da natureza e de seu processo de sucessão natural.
Bom, mas toda boa prática de agricultura requer cuidados que intensifiquem o seu desenvolvimento. O manejo de um SAF necessita de conhecimento e técnicas a serem realizadas no momento certo, para se obter os resultados esperados.
Um SAF nunca está pronto, acabado. Inerentemente ele é dinâmico e está sempre em formação. Está sempre entrando e saindo espécies. No planejamento deve-se levar em consideração a disponibilidade de mão-de-obra ao longo do tempo e compatibilizá-la com as atividades demandadas pelo SAF.
A ideia de SAFs sustentáveis só se desenvolverá e crescerá se forem obtidas evidências de viabilidade concretas, consistentes. Por isso, é preciso "por a mão na massa" e instalar, a partir dos conceitos que nortearão sua implantação e manejo. Recomenda-se que inicialmente sejam implantadas pequenas áreas, pois o aprendizado, muitas vezes, vem com os erros e acertos. Trabalhos em mutirões são muito úteis para a implantação, uma vez que a maior demanda por mão-de-obra se dá nessa fase.
A partir de experiências bem sucedidas (principalmente por agricultores) outros agricultores se abrirão para encarar a árvore como uma aliada e não mais como um obstáculo e poderão mostrar na prática que é possível uma relação harmoniosa entre ser humano e natureza, tornando-se enfim, indissociáveis. 
A utilização de SAFs é uma opção viável que concorre para melhor utilização do solo, para reverter os processos de degradação dos recursos produtivos, para aumentar a disponibilidade de madeira, de alimentos e de “serviços ambientais” (conservação dos solos, controle dos ventos, redução na contaminação da água e do ar, recuperação de áreas degradadas, entre outros). Adicionalmente a esses aspectos, a introdução do componente florestal no sistema, constitui-se em alternativa de aumento de emprego e da renda rural. 
Apesar do reconhecimento dos benefícios dos SAFs, o seu conhecimento e uso ainda são limitados. Isto representa uma oportunidade para o desenvolvimento de maiores ações de pesquisa, para a valorização dos benefícios ambientais e de maiores incentivos econômicos que venham a estimular sua implantação. Estes mecanismos são necessários para assegurar a sustentabilidade dos sistemas agroflorestais, a equidade social e a proteção ambiental. 

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