sábado, 31 de dezembro de 2011

RETROSPECTIVA AMBIENTAL 2011

O ano de 2011 foi muito comentado e discutido no âmbito ambiental. Travaram-se lutas contra a Reforma do Código Florestal, ou será Código Ruralista? Já que as discussões têm se estendido nos últimos meses com a contemplação de argumentos técnicos e de imparcial lucidez e, recentemente, com posicionamentos doutrinários parciais e defesas ideológicas que ferem os interesses socioeconômicos nacionais.
Houve intensas discussões para interromper a construção da hidrelétrica de Belo Monte, sendo que para muitos o projeto desconsidera e/ou subestima os reais impactos ambientais, sociais, econômicos e culturais do empreendimento. Além disso, é esperado que a obra intensifique o desmatamento e incite a ocupação desordenada do território, incentivada pela chegada de migrantes em toda a bacia e que, de alguma forma, trarão impactos sobre as populações indígenas.
As discussões sobre os riscos ambientais associados a atividades de exploração de recursos naturais e a forma como o governo lida com essas questões também vieram à tona com o vazamento de petróleo em poços da empresa Chevron em Campos (Rio de Janeiro) e a possibilidade de diminuição da área de proteção da Serra da Canastra, em Minas Gerais, para a extração de diamantes – debate que deve ser retomado em 2012.
Para não dizer que 2011 – declarado pela ONU o Ano Internacional das Florestas – teve apenas recordes negativos, em dezembro o governo brasileiro divulgou que a taxa de desmatamento na Amazônia entre julho de 2010 e julho de 2011 foi a menor já registrada desde que começaram as medições, em 1988: 6.238 km2, valor 11% menor que o do ano anterior. Mas não há muito que comemorar, pois essa queda estaria relacionada ao fato de a cobertura florestal ser menor hoje.  Além disso, em alguns estados, como Maranhão e Rondônia, as taxas de desmatamento são escandalosas.
Na mata atlântica, os números apontam queda de 50% no desmatamento entre os períodos de 2005 a 2008 e 2008 a 2010. Mesmo assim, a situação do bioma, que tem apenas 8% de sua cobertura original, preocupa.
E foi ainda um ano de provações e expectativas. Muitas destas expectativas já foram frustradas com o resultado da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 17). O desfecho aconteceu em Durban, na África do Sul, de 29 de novembro até 11 de dezembro e foi desanimador para muitos militantes, cientistas e organizações sustentáveis.
Enquanto se almejava comprometimento com o meio ambiente para conseguir curar as mazelas do nosso planeta, o que se viu foi poderosos interessados em saber quanto e para quem se deve pagar para continuar poluindo, contrabandeando e devastando a natureza.
Precisamos digerir, ainda, a falta de respeito com as questões ambientais e práticas nada conservacionistas.  Acompanhando as negociações sobre mercado de carbono, Protocolo de Kyoto e Redução de Emissões por Desmatamento e Emissões (REDD), chegamos à conclusão que a COP é mesmo uma conferência de poluidores e dissimulados. Nada de concreto foi decidido pelos governantes do planeta na direção do acordo necessário para controlar as emissões de gases que aumentam a temperatura da Terra e agravam as mudanças climáticas.
Precisamos difundir uma nova sociedade, da recuperação e fortalecimento das relações indígenas e tradicionais, solidárias, interdependentes e complementares entre a sociedade em geral e a natureza. Não podemos mais permitir políticas ambientais que apenas remediam, mas sim aquelas que previnem as omissões e tragédias ambientais.
Em relação ao documento do Jubileu Sul/Américas, rejeitemos a mercantilização e a banalização dos danos à natureza, as falsas soluções sustentáveis, o endividamento subjugado, a economia da destruição, que continuam lucrando com a destruição dos biomas. Nosso mundo não está à venda, nossa história de proteção e amor pela terra, saberes e culturas, também não. O meio ambiente não se vende, nem se troca, apenas se defende.
Diante desse desfecho, como se pode avaliar 2011? O que representou este ano na luta rumo à justiça social e ambiental? Avançamos? Retrocedemos? Estagnamos? Seguimos pelo caminho certo ou erramos tentando acertar?
Em 2011 continuamos aumentando teimosamente nossa responsabilidade pelo desequilíbrio que leva a Terra a não conseguir evitar eventos climáticos extremos, com graves consequências para todas as formas de vida. Pelo visto, ainda temos muito o que fazer, evoluir, lutar, organizar, pensar juntos, construir coletivamente. Nesse sentido, os olhares se voltam para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20. As esperanças se renovam com a realização de mais um evento de grande porte, que reunirá tomadores de decisões em junho, no Rio de Janeiro (Brasil).
A Rio+20 não deve ser considerada uma tábua de salvação, pois a pauta do evento de junho de 2012 é limitada e menos extensa que a da COP 17. Diferente da Conferência sobre Mudanças Climáticas, os temas Economia Verde e Desenvolvimento Sustentável já estão definidos. Mas há um risco de as decisões do evento não representarem um avanço muito grande, porque a pauta será diminuta diante dos desafios e não contemplará os problemas profundamente.
O que esperar do ano de 2012?
Nesse próximo ano muitas questões deverão permear as mentes e os anseios da população preocupada com a jornada que travamos até aqui: a luta pela manutenção do planeta.
Em relação o Novo Código Florestal, é preciso aprimorar a reforma do Código Florestal, em consonância com os interesses nacionais, como a defesa do meio ambiente e o avanço da agropecuária, que enfrenta os riscos de um país de clima tropical e precisa abastecer 193 milhões de brasileiros, ao mesmo tempo em que ostenta 63% da sua área de vegetação nativa preservada.
O poder público parece ainda não ter atentado para empecilhos advindos da regulamentação da nova proposta, que poderá inviabilizar a regularização e o negócio de muitos produtores. É tempo de definição e de analisar a questão com objetividade, competência e lealdade aos homens do campo. Espera-se que os parlamentares concluam o processo com independência, lucidez e visão desenvolvimentista. A aprovação do novo Código Florestal deve se balizar na conciliação entre preservação ambiental e capacidade de expansão agropecuária, inserindo a sustentabilidade de forma prática e objetiva no ordenamento jurídico brasileiro.
Com base na COP 17, voltará a ganhar força os desafios relacionados à mudança climática em nível mundial. Mas, não estão claras as metas de emissões dos países ricos. Como se garantirá as promessas dos 30 bilhões de dólares para ajudar os países pobres? Em relação ao Brasil, haverá continuidade dos embates em torno do Código Florestal e mais um assunto será a discussão sobre projetos criação de siderúrgicas, mineradoras e hidrelétricas versus desenvolvimento segundo a realidade regional (local) e ao meio ambiente justo e equilibrado.
Então nesse novo ano que se inicia, pensemos e reflitamos sobre nossas ações e que o bom senso impere nas questões ambientais. Lutemos e façamos o melhor: DEFENDER E PRESERVAR/CONSERVAR O QUE RESTA DA NOSSA MAIOR RIQUEZA, A VIDA AMBIENTAL.

Dica do dia: Cozinha - ajude nosso planeta e ainda economize dinheiro


COZINHA

  • Ajuste a temperatura da geladeira entre 3 a 5ºC, evitando o acúmulo de gelo, e diminua as aberturas frequentes de portas e por tempo prolongado; 
  • Instale a geladeira e o freezer longe do fogão e dos raios solares;
  • Evite guardar comida ainda quente no refrigerador;
  • Nunca seque panos no motor da geladeira;
  • Mantenha a borracha de vedação da porta em bom estado;
  • Ligue a lavadora de louça apenas quando estiver com sua capacidade total preenchida e diminua a temperatura da lavagem.
Dicas preciosas que ajudam em muito o meio ambiente e o bolso!

Retrospectiva: Desastres Ambientais em 2011

O ano de 2011 foi marcado pela ocorrência de grandes desastres ambientais em todo o planeta e por números alarmantes associados ao aquecimento global. Na esteira desses recordes negativos, intensificaram-se as discussões – e as polêmicas – sobre ações e políticas governamentais relacionadas com o meio ambiente.
Para os brasileiros, o ano começou com a pior tragédia ambiental já vivida no país: as enchentes e os deslizamentos de terra provocados pelas chuvas na região serrana do Rio de Janeiro. Ainda em janeiro, dezenas de cidades de Minas Gerais e Santa Catarina decretaram situação de emergência por causa das fortes chuvas.
Fora do Brasil os estragos não foram menores. Austrália e Tailândia viveram as piores enchentes dos últimos 50 anos. Mas nenhuma tempestade foi tão devastadora este ano quanto a que atingiu as Filipinas em dezembro.
Se a água foi o maior problema para alguns países, para outros a falta dela foi a grande vilã. O nordeste da África – região conhecida como Chifre de África, que inclui Somália, Etiópia, Djibouti e Eritréia – passou pela pior seca dos últimos 60 anos e ainda sente os efeitos da escassez de comida provocada pelo fenômeno.
Na China, a seca que começou em 2010 não deu trégua em 2011 e também se tornou a pior dos últimos 60 anos. Especialistas alertam que a queda na produção agropecuária chinesa pode levar a uma crise alimentar global. Não bastasse a falta de água, várias províncias da China ainda enfrentaram chuvas torrenciais. Os Estados Unidos sofreram um número recorde de eventos climáticos extremos este ano. O principal deles foi a seca no Texas, a pior já ocorrida no estado.
Terremotos atingiram países como Sibéria, Nova Zelândia e Turquia. Mas nada se comparou ao terremoto seguido de tsunami que atingiu o Japão em março e provocou explosões na usina nuclear de Fukushima, resultando em um dos maiores acidentes nucleares da história.
Além dos efeitos ambientais, a tragédia japonesa colocou em evidência as discussões sobre o uso da energia nuclear e muitos países europeus já decidiram abandonar essa fonte. A Alemanha, por exemplo, anunciou que vai antecipar o fechamento de suas usinas nucleares para 2022 e a Suíça também decidiu acabar com seus reatores.

Diversos estudos têm relacionado a maior frequência ou o agravamento de eventos naturais extremos ao aquecimento global. “Este foi o 11º ano mais quente desde o início dos registros”, ressalta o biólogo Jean Guimarães, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Pesquisas realizadas no Canadá e no Reino Unido mostraram que a presença de gases-estufa derivados da ação humana contribui para elevar a temperatura da atmosfera e leva a um acúmulo maior de vapor d’água, o que aumenta significativamente a probabilidade de tempestades.
Além disso, um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas(IPCC) concluiu que há uma probabilidade de 66% de que as alterações no clima já estejam contribuindo para agravar a ocorrência de eventos climáticos extremos. E a situação deve piorar se o planeta continuar a aquecer.
Por falar em aquecimento, mapas de satélites mostraram que o gelo do Ártico está derretendo em nível nunca registrado desde que as observações começaram, em 1972. Se essa tendência permanecer, os pesquisadores acreditam que não haverá gelo na região polar nos meses de verão dentro de 30 anos – cerca de 40 anos antes do que previa o último relatório do IPCC.
A julgar pelas emissões de gás carbônico, o prognóstico não é nada animador. Um estudo norueguês publicado na recém-lançada Nature Climate Change concluiu que, em 2010, as emissões de CO2 cresceram 5,9% em relação ao ano anterior e bateram seu recorde histórico.

Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Curiosidade do dia: Importância dos decompositores nos ciclos biogeoquímicos

Ciclos biogeoquímicos são processos naturais que reciclam elementos em diferentes formas químicas do meio ambiente para os organismos, e, depois, vice-versa. Água, carvão, oxigênio, nitrogênio, fósforo e outros elementos percorrem estes ciclos, unindo os componentes vivos e não vivos da Terra.

Uma característica importante dos ciclos biogeoquímicos é a capacidade de ajustamento às mudanças que eles apresentam. Por exemplo, o aumento do C02 atmosférico devido a processos de oxidação e combustão é dissipado pela própria circulação atmosférica, pela absorção das plantas e pela formação de carbonatos no mar. Portanto a atmosfera pode ser vista como um reservatório, mas como todo reservatório ela também possui um limite.


Os microrganismos são diversos e ubíquos e contribuem para a circulação global de matéria. Os microrganismos decompositores ou saprófitos fazem retornar no substrato a matéria orgânica por eles desagregada. Estes micro consumidores para conseguirem energia degradam a matéria orgânica, transformando-a em compostos simples e inorgânicos que são novamente utilizáveis pelos produtores.

Se um ecossistema perdesse seus decompositores aconteceria um acúmulo de lixo terrível, sem contar na falta de nutrientes na terra, que ficaria mais propícia a danos erosivos e de sustentabilidade. Sendo assim, a produtividade primária seria extremamente reduzida. Isso aconteceria porque as bactérias e os fungos são agentes decompositores, e a extinção desses organismos praticamente interromperia os ciclos biogeoquímicos. Como consequência, toda matéria orgânica morta iria se acumular e não haveria a decomposição rápida dessa fonte de nutrientes, ocasionando um colapso dos ecossistemas.

Preservar e Proteger são as palavras chaves para se manter um ecossistema funcionando normalmente!


Notícia: Sobrepesca e aquecimento dos oceanos ameaçam bilhões de pessoas, diz relatório do PNUD

O aquecimento das águas superficiais dos oceanos limita o movimento de nutrientes e pode resultar em diminuição da produção de peixes, afetando a vida de bilhões de pessoas. A conclusão é de um recente estudo publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sobre os efeitos das mudanças climáticas nos grandes ecossistemas marinhos e nos recursos costeiros.
As projeções de longo prazo publicadas no relatório indicam que a limitação do movimento ascendente dos nutrientes das águas mais profundas e frias (conhecido como ressurgência) afetará os grandes ecossistemas marinhos (GEMs) dos países em desenvolvimento situados em latitudes mais quentes da Ásia, África e América Latina. Nestas regiões, é alta a dependência de recursos costeiros para segurança alimentar e outros meios de subsistência.
O relatório intitulado Toward Recovery and Sustainability of the World’s Large Marine Ecosystems during Climate Change (Rumo à Recuperação e Sustentabilidade dos Grandes Ecossistemas Marinhos do Mundo durante as Alterações Climáticas), observa que entre 1982 e 2006, as temperaturas da superfície do mar aumentaram em 61 dos 64 GEMs. Em cerca de um terço das áreas cobertas por esses ecossistemas, a temperatura está aumentando de duas a quatro vezes mais rápido do que as tendências de aquecimento global relatadas pelo Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudança Climática.
Embora as taxas de pesca de captura estejam aumentando em águas mornas, o tamanho médio dos peixes está em declínio. Este efeito sobre a população reprodutora pode resultar no colapso de outras espécies de peixes. Em função disso, o relatório recomenda que são necessárias providências para estabelecer níveis de captura sustentáveis para a pesca em latitudes mais quentes. Além disso, o estudo propõe medidas de precaução que devem ser tomadas imediatamente para sustentar a pesca marinha, restaurar e proteger os habitats costeiros, incluindo importantes sumidouros de carbono, e reduzir a carga de poluição.
“A mudança climática é uma questão global muito importante e crítica. Sem ação, a mudança climática poderia anular décadas de progresso no desenvolvimento destes países e minar os esforços para a promoção do desenvolvimento sustentável”, disse Veerle Vandeweerd, Diretora do Grupo de Meio Ambiente e Energia do PNUD, em Nova York.
A publicação foi lançada durante a Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP 17) realizada recentemente em Durban, na África do Sul. Também contribuíram para o relatório as seguintes instituições: Gordon and Betty Moore Foundation, International Union for Conservation of Nature, US National Oceanic and Atmospheric Administration e Global Environment Facility.

Definições
Grandes ecossistemas marinhos (GEMs) são regiões extensas do espaço oceânico (acima de 200.000 km2) que abrangem as zonas costeiras das bacias e estuários. Os limites geográficos dos GEMs são definidos pelos contornos continentais e pelas correntes costeiras oceânicas.
São regiões relativamente grandes caracterizadas por distintas batimetrias, hidrografias, produtividades e populações troficamente dependentes. Em uma escala global, 64 grandes ecossistemas marinhos sustentam a maioria da pesca marítima do mundo e estão sendo prejudicados pela poluição costeira, pesca predatória, espécies invasoras e degradação do habitat.

DELINEAMENTO DO DANO AMBIENTAL

A proteção do meio ambiente passou a constituir um problema fundamental no mundo contemporâneo. A humanidade, antes despreocupada com o meio ambiente,  encontra-se hoje ante a ameaça de sua extinção, pelo processo de autodestruição. Surge a necessidade de se tomar medidas enérgicas para proteger a vida e sua qualidade contra aquele que a ameaça, resolvendo o eventual conflito entre desenvolvimento econômico e proteção do meio ambiente, rumo ao então desejado desenvolvimento sustentável.

Diante das crescentes intervenções negativas que vem sofrendo o meio ambiente nos últimos tempos, pode-se verificar, na sociedade, uma preocupação cada vez maior com as questões que envolvem a sua preservação e, principalmente, o tratamento dado aos seus agressores.  Na esfera jurídica brasileira, o meio ambiente é tratado, em primeiro plano, pela Constituição Federal, que em seu art. 225 estabelece: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

É possível se depreender importantes considerações feitas pelo legislador sobre a questão. Primeiramente, o mesmo ressalta que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito de todos, portanto, não reconhece a sua titularidade nem ao Estado, nem ao particular, mas sim à coletividade. Em segundo lugar, atribui o dever de cuidar, preservar e defender o meio ambiente tanto ao Poder Público, como à sociedade civil como um todo, deixando claro que a ninguém é dado o direito de degradá-lo, ou mesmo, de ignorá-lo. Uma terceira consideração ainda se faz necessária: nem mesmo a coletividade deste momento histórico é a proprietária desse bem, sendo ela mera detentora em prol das presentes e futuras gerações, devendo impedir qualquer agressão que proporcione o desequilíbrio do mesmo.

Que nesse ano de 2012, a sociedade em geral, as instituições privadas e públicas e autoridades reflitam sobre os danos ao meio ambiente nesse ano que está acabando. 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Aula de hoje: Chuva ácida

A queima de carvão, de combustíveis fósseis e os poluentes industriais lançam dióxido de enxofre e dióxido de nitrogênio na atmosfera. Esses gases combinam-se com o hidrogênio presente na atmosfera sob a forma de vapor de água, resultando em chuvas ácidas. As águas da chuva, assim como a geada, neve e neblina, ficam carregadas de ácido sulfúrico ou ácido nítrico. Ao caírem na superfície, alteram a composição química do solo e das águas, atingem as cadeias alimentares, destroem florestas e lavouras, atacam estruturas metálicas, monumentos e edificações.
O gás carbônico (CO2) expelido pela nossa respiração é consumido, em parte, pelos vegetais, plâncton e fitoplâncton e o restante permanece na atmosfera. A concentração de CO2 no ar atmosférico tem se tornado cada vez maior, devido ao grande aumento da queima de combustíveis contendo carbono na sua constituição. Tanto o gás carbônico como outros óxidos ácidos, por exemplo, SO2 e NOx, são encontrados na atmosfera e as suas quantidades crescentes são um fator de preocupação para os seres humanos, pois causam, entre outras coisas, as chuvas ácidas.
Ao contrário do que se imagina, mesmo nos locais mais limpos, como o Ártico, a água da chuva é levemente ácida (pH 5,6). O pH mede o teor de íons positivos de hidrogênio de uma solução. A tabela do pH vai do zero ao quatorze: quanto maior for a concentração daqueles íons, menor será o pH, logo, mais ácida a chuva. Em várias cidades do oeste da Europa e do leste dos EUA, a chuva chegou a ter pH entre 2 e 3, ou seja, entre o do vinagre e o do suco de limão.
O termo chuva ácida foi usado pela primeira vez por Robert Angus Smith, químico e climatologista inglês. Ele usou a expressão para descrever a precipitação ácida que ocorreu sobre a cidade de Manchester no início da Revolução Industrial. Com o desenvolvimento e avanço industrial, os problemas inerentes às chuvas ácidas têm se tornado cada vez mais sérios. Um dos problemas das chuvas ácidas é o fato destas poderem ser transportadas através de grandes distâncias, podendo vir a cair em locais onde não há queima de combustíveis.
A poluição que sai das chaminés é levada pelo vento, sendo que uma parte dela pode permanecer no ar durante semanas, antes de se depositar no solo. Nesse período, pode ter viajado muitos quilômetros. Quanto mais a poluição permanece na atmosfera, mais a sua composição química se altera, transformando-se num complicado coquetel de poluentes que prejudica o meio ambiente.

Prejuízos e Efeitos   


Segundo o Fundo Mundial para a Natureza, cerca de 35% dos ecossistemas europeus já estão seriamente alterados e cerca de 50% das florestas da Alemanha e da Holanda estão destruídas pela acidez da chuva. Na costa do Atlântico Norte, a água do mar está entre 10% e 30% mais ácida que nos últimos vinte anos. Nas mais importantes áreas industriais do Hemisfério Norte, o vento predominante vem do oeste. Isso significa que as áreas situadas no caminho do vento, que sopra dessas regiões industriais, recebem uma grande dose de poluição.

Cerca de 3 milhões de toneladas de poluentes ácidos são levados a cada ano dos Estados Unidos para o Canadá. De todo o dióxido de enxofre precipitado no leste canadense, metade dele provém das regiões industriais situadas no nordeste dos EUA. Na Europa, a poluição ácida é soprada sobre a Escandinávia, vindo dos países vizinhos, especialmente da Grã-Bretanha e do Leste-Europeu.
Nos EUA, onde as usinas termoelétricas são responsáveis por quase 65% do dióxido de enxofre lançado na atmosfera, o solo dos Montes Apalaches também está alterado: tem uma acidez dez vezes maior que a das áreas vizinhas, de menor altitude, e cem vezes maior que a das regiões onde não há esse tipo de poluição. Na América do Sul, chuvas com pH médio 4,7 têm sido registradas tanto em regiões urbanas e industrializadas como em regiões remotas.
Monumentos históricos também estão sendo corroídos: a Acrópole, em Atenas; o Coliseu, em Roma; o Taj Mahal, na Índia; as catedrais de Notre Dame, em Paris e de Colônia, na Alemanha. Em Cubatão, São Paulo, as chuvas ácidas contribuem para a destruição da Mata Atlântica e desabamentos de encostas. A usina termoelétrica de Candiota, em Bagé, no Rio Grande do Sul, provoca a formação de chuvas ácidas no Uruguai. Outro efeito das chuvas ácidas é a formaçao de cavernas.
A chuva ácida obviamente também afeta a saúde humana, liberando metais tóxicos que estavam no solo, que podem alcançar rios e serem utilizados pelo homem causando sérios problemas de saúde.
Ainda, com relação ao meio ambiente, os lagos podem ser os mais prejudicados com o efeito da chuva ácida, pois podem ficar totalmente acidificados, perdendo toda a sua vida.
Os dois países com maior interesse em acabar com a chuva ácida são a Grã-Bretanha e a Alemanha. A Alemanha mudou sua política repentinamente para garantir pouca poluição; já a Grã-Bretanha, que tem menos problemas, ainda quer um pouco mais de provas antes de atuar. Um outro país, os Estados Unidos, acreditam que sejam necessários mais pesquisas e debates antes de uma ação prática.
Hoje em dia o carvão, o petróleo e o gás natural são utilizados para suprir 75% dos gastos com energia. É possível cortar estes gastos pela metade e ter um alto nível de vida. Eis algumas sugestões para economizar energia:
  • Transporte coletivo: diminuindo-se o número de carros a quantidade de poluentes também diminui;
  • Utilização do metrô: por ser elétrico polui menos do que os carros;
  • Utilizar fontes de energia menos poluentes: hidrelétrica, geotérmica, mareomotriz, eólica, nuclear (embora cause preocupações em relação à possíveis acidentes e para onde levar o lixo nuclear).
  • Purificação dos escapamentos dos veículos: utilizar gasolina sem chumbo e adaptar um conversor catalítico; utilizar combustíveis com baixo teor de enxofre. 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...