quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Aula de hoje: Perdas de nutrientes em áreas florestais
1. Perdas de nutrientes pela água corrente e subterrânea - O transporte de substâncias dissolvidas e particuladas em água corrente é, talvez, a principal forma pela qual os nutrientes são perdidos de ecossistemas de floresta. As concentrações em água corrente são diretamente relacionadas ao intemperismo de minerais do solo e rochas de uma bacia florestal. Adicionalmente, a concentração de sódio, Cl-, e SO4 2- em água corrente pode, freqüentemente, ser relacionado à deposição atmosférica no ecossistema. Com exceção do Fe e P, os quais são solúveis em pequenas porções em água e facilmente adsorvidos às partículas do solo, as perdas anuais de nutrientes de florestas não perturbadas ocorrem predominantemente na forma dissolvida, via água perdida da floresta. Apenas o excesso de N disponível é perdido por água corrente, o restante é aproveitado nos processos bióticos.
2. Perdas de nutrientes pelo fogo e por volatilização - Enquanto a queima remove nutrientes do ecossistema, a disponibilidade de nutrientes na camada de cinzas é geralmente maior que na serapilheira não perturbada. Cátions e P estão prontamente disponíveis nas cinzas, as quais, usualmente, produzem aumento no pH do solo.Adicionalmente, o N pode ser liberado das cinzas pela atividade microbiológica, imediatamente após a queima dos resíduos. Com a queima da vegetação, as perdas de formas voláteis de N e S são aceleradas. Na cinza, permanecem formas de K e P que não são volatilizadas, ou seja, a queima implica em maiores perdas (N, S, etc.) do solo para a atmosfera de alguns nutrientes e em aumento temporário na disponibilidade de K+, principalmente. Com o tempo, o K+, quando não é absorvido pelas plantas, pode ser perdido por lixiviação do sistema solo-planta.A intensidade desses processos de volatilização de nutrientes pela queima de resíduos depende da biomassa presente na floresta e da temperatura máxima atingida durante a queimada. Naturalmente, ocorrem perdas de N (volatilização e desnitrificação, em solos com micro-sítios com baixa difusão de O2 em áreas de floresta) e S (reações redutoras em solo mediadas por bactérias). Esses processos de perdas, naturais e artificiais (fogo), representam, ao longo dos anos, saídas de nutrientes do sistema solo-planta, determinando uma menor eficiência na ciclagem de nutrientes em áreas de floresta. O metano e o gás sulfídrico são freqüentemente liberados de solos temporariamente inundados. Estes gases reduzidos são produzidos por bactérias do solo especializadas, como exemplo, as bactérias dos gêneros Desulfomonas, Desulfovíbrio, Desulfomaculum produtoras de HS- e as metanogênicas, produtoras de CH4. Alguns gases produzidos por bactérias são importantes fontes de nutrientes e energia dissolvidos pela água da chuva.
3. Remoção de nutrientes das áreas de plantio - A fração leve da matéria orgânica do solo diminui com o cultivo de solos florestais e sua recuperação é lenta após o pousio das áreas de plantio.A fração leve tem um papel chave na rápida imobilização de N em solos florestais, em razão dessas frações orgânicas representarem as moléculas fontes de C e de energia para a biomassa microbiana. O NO3 - pode ser lixiviado através do perfil do solo e aparecer na água corrente. Desde que a equivalência iônica é mantida em solução, as altas concentrações de NO3 - poderão ser balanceadas por um aumento na remoção de cátions da bacia hidrográfica.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
A Agricultura pode caminhar junto à Biodiversidade?
As atividades agrícolas responsáveis, principalmente, para obtenção do alimento, sempre exerceram uma das maiores pressões ambientais, pelo uso inadequado de recursos naturais promovendo intensa degradação ambiental a partir da destruição de habitats e de espécies potencialmente úteis.
O desafio enfrentado pelo mundo moderno é de atender à necessidade de aumentar a produção de alimentos para a população em crescimento, além de conservar os fundamentos ecológicos necessários para sustentar esse aumento, sabendo-se que a base alimentar humana limita-se a poucas espécies: trigo, soja, milho, arroz, o que representa risco para segurança alimentar.
A biodiversidade é a espinha dorsal dos sistemas de produção envolvendo animais, culturas, forragens, florestas e aquicultura e não somente é essencial para manter o sistema biosfera funcionando, mas indispensável para fornecer insumos básicos para a agricultura e para o homem, tais como fibras para vestuário, material para abrigo, transporte, medicamentos, fertilizantes e combustíveis. E responsável, também, como suporte para produção de alimentos, através da polinização, da formação e fertilidade do solo, controle de pragas e doenças, tanto quanto à oportunidade que oferece de adaptação, essencial à sobrevivência de plantas e animais em um ecossistema particular.
Ao destruir-se um bosque e mudar o clima local, não se sabe o que se perde em plantas úteis para a medicina ou para a alimentação, ou mesmo porque cumprem alguma função especial em algum sistema ecológico. Nosso país possui uma magnífica diversidade, cerca de 20% das espécies de plantas, animais e microrganismos do planeta estão aqui representados. Muitos desses organismos são endêmicos, ocorrendo exclusivamente no Brasil.
O processo de ocupação territorial e a incorporação de novas áreas ao processo produtivo agrícola no Brasil, ao longo dos anos, foram feitos sem preocupação ambiental. A expansão da fronteira agrícola caracterizou-se pela redução da biodiversidade e por outros impactos sobre os recursos ambientais, principalmente sobre o solo e a água.
Nas áreas de agricultura tradicional é comum o derruba-queima para preparo de área: destruindo biodiversidade, emitindo gases para a atmosfera, provocando erosão e degradação do solo. No semiárido nordestino os problemas ambientais expõem os processos de salinização do solo pelo manejo inapropriado da água e do solo. Em outras áreas o manejo inadequado do solo aumenta o risco de desertificação.
Nas últimas décadas, com a difusão e a generalização dos sistemas intensivos de agricultura em todo o mundo, baseados no paradigma da Revolução Verde, a produção aumenta de forma espetacular trazendo, todavia, impactos significativos ao meio ambiente. Nas áreas de cultura intensiva os problemas mais comuns são: erosão, degradação do solo, perda de biodiversidade como resultado da retirada total do revestimento florístico original, prática de monocultivos e uso intensivo de agrotóxicos que são fonte potencial de contaminantes. Tornam-se importantes também problemas ambientais de difícil equacionamento como contaminação das águas subterrâneas por nitratos e emissão de carbono para a atmosfera.
Com este quadro, os mais apressados poderiam condenar definitivamente a produção agrícola, por isso, cabe lembrar que a análise que se faz não leva em conta a pressão da expansão urbana, o tratamento inadequado de resíduos industriais, as condições socioeconômicas e culturais sofríveis de grande parte de nossa população, todos fatores de agressão ao meio ambiente.
Embora potencialmente tão negativa para a conservação dos recursos naturais, quando estes não entram na equação de produção, a atividade agrícola tem uma relação direta com a conservação dos recursos naturais, quer seja por sua dependência da biodiversidade pelo fornecimento de material genético para novos cultivares, quer seja pela necessidade de um ambiente equilibrado para o desenvolvimento agrícola. Em alguns aspectos, a agricultura pode ser vista como um real instrumento de recuperação ambiental. Considera-se, entretanto, que a intensificação inadequada da agricultura pode causar danos irreversíveis ao meio ambiente, caso não se integre uma consciência ambiental através de ações educativas junto à população e aos agricultores.
Salvemos o que resta da Mata Atlântica
O que chamamos de Mata Atlântica são, na verdade, várias matas que têm em comum o fato de estarem próximas ao oceano Atlântico e em áreas de campos e mangues. São lugares bastante úmidos, onde chove muito durante todo o ano. Isso garante a permanência constante de rios e riachos e a imensa manutenção da variedade de espécies vegetais e animais, a biodiversidade. Por causa das condições exclusivas que a floresta proporciona, muitos animais só são encontrados na Mata Atlântica, um refúgio para espécies que, fora dela, já teriam desaparecido.
A Mata Atlântica foi, muito provavelmente, uma das primeiras visões que a tripulação de Cabral teve quando chegou ao Brasil. Nessa época, a exuberância da mata se estendia desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul e ocupava mais de 1 milhão de quilômetros quadrados.
"Terra Brasilis", como ficou conhecida a nova colônia de Portugal, teve a origem de seu nome diretamente ligada à exploração do pau-brasil e, portanto, ao início da destruição da Mata Atlântica. Calcula-se que 70 milhões de árvores foram levadas para a Europa. Atualmente, a espécie vive graças ao trabalho de grupos ambientalistas que fazem seu replantio.
Atualmente, a Mata Atlântica sobrevive em cerca de 100 mil km2. Seus principais remanescentes concentram-se nos estados das regiões Sul e Sudeste, recobrindo parte da Serra do Mar e da Serra da Mantiqueira, onde o processo de ocupação foi dificultado pelo relevo acidentado e pela pouca infraestrutura de transporte.
Da Mata Atlântica original, sobraram 456 manchas verdes, irregularmente distribuídas pela costa atlântica brasileira. Embora isso represente apenas 7% da floresta original de 100 milhões de hectares praticamente contínuos, ainda é uma vasta área, equivalente aos territórios da França e da Espanha juntos.
Já foram registradas mais de 1.361 espécies diferentes das quais, muitas são endêmicas (cerca de 567 espécies de animais que só existem ali). Sem contar a vegetação que, devido às características do solo, altitude e clima diferenciados desenvolveu características peculiares a cada região. São mais de 20 mil espécies de plantas. Algumas espécies da Mata Atlântica já são famosas como o Mico-leão-dourado que, infelizmente, ficou conhecido por ser o símbolo dos animais em extinção deste bioma.
A região da Mata Atlântica é o local onde existe a maior concentração de pessoas do país. As duas maiores cidades do Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro, se encontram em regiões onde inicialmente o desmatamento era causado pelo plantio de culturas como o café, que por muitos anos foi o “carro chefe” das exportações brasileiras. Desta forma, é impossível não levar em consideração o fator econômico e social em qualquer tentativa de preservar o que ainda resta da Mata Atlântica.
Diversos programas de pesquisa e conservação, não só da mata, mas também, do patrimônio cultural da região, vêm sendo desenvolvidos a fim de preservá-la e evitar que mais e mais áreas sejam degradadas. Trabalhos como o desenvolvido pela ONG SOS Mata Atlântica que realiza pesquisas e campanhas educativas e ainda desenvolve projetos como o “Florestas do Futuro” ou “Mata Atlântica vai à escola”, ou ainda, a criação de parques e até reservas extrativistas onde a exploração de recursos é controlada, tentam conciliar a preservação da Mata Atlântica com o atendimento das necessidades básicas da população que já habita a região da formação florestal, economicamente, mais importante do país.
Além disso, salvar a Mata Atlântica é uma questão de “sobrevivência econômica”: em suas imediações, vivem hoje cerca de 100 milhões de pessoas e, pela sua delimitação geográfica, circulam 80% do produto interno bruto nacional (PIB).
O Brasil precisa realmente de Belo Monte?
O projeto ressurge como uma obra estratégica, apresentada por meio de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) de mais de 20 mil páginas, como a possível terceira maior hidrelétrica do mundo, perdendo apenas para a usina Três Gargantas (China) e para Itaipu (Brasil-Paraguai).
A hidrelétrica propõe o barramento do rio Xingu com a construção de dois canais que desviarão o leito original do rio, com escavações da ordem de grandeza comparáveis ao canal do Panamá (200 milhões m3) e área de alagamento de 516 km2, o equivalente a um terço da cidade de São Paulo.
A UHE de Belo Monte vai operar muito aquém dos 11.223 MW aclamados pelos dados oficiais, devendo gerar em média apenas 4.428 MW, devido ao longo período de estiagem do rio Xingu. Belo Monte produzirá energia a quase 5.000 km distantes dos centros consumidores.
Esse modelo ultrapassado de gestão e distribuição de energia a longas distâncias indica que o governo federal deveria planejar sua matriz energética de forma mais diversificada, melhor distribuindo os impactos e as oportunidades socioeconômicas ao invés de sempre optar por grandes obras hidrelétricas que afetam profundamente determinados territórios ambientais e culturais, sendo que as populações locais, além de não incluídas nos projetos de desenvolvimento que se seguem, perdem as referências de sobrevivência.
O EIA apresenta modelagens do processo de desmatamento passado, não projetando cenários futuros, com e sem barramento, inclusive desconsiderando os fluxos migratórios, que estão previstos nos componentes econômicos do projeto.
O projeto tem desconsiderado o fato de o rio Xingu (PA) ser o ‘mais indígena’ dos rios brasileiros, com uma população de 13 mil índios e 24 grupos étnicos vivendo ao longo de sua bacia. O barramento do Xingu representa a condenação dos seus povos e das culturas milenares que lá sempre residiram.
O projeto desconsidera e/ou subestima os reais impactos ambientais, sociais, econômicos e culturais do empreendimento. Além disso, é esperado que a obra intensifique o desmatamento e incite a ocupação desordenada do território, incentivada pela chegada de migrantes em toda a bacia e que, de alguma forma, trarão impactos sobre as populações indígenas.
O EIA desconsidera ou subestima os riscos de insegurança alimentar (escassez de pescado), insegurança hídrica (diminuição da qualidade da água com prováveis problemas para o deslocamento de barcos e canoas), saúde pública (aumento na incidência de diversas epidemias, como malária, leishmaniose e outras) e a intensificação do desmatamento, com a chegada de novos migrantes, que afetarão toda a bacia.
O processo de licenciamento tem sido cercado por polêmicas, incluindo ausência de estudos adequados para avaliar a viabilidade ambiental da obra, seu elevado custo, a incerteza dos reais impactos sobre a biodiversidade e as populações locais, a ociosidade da usina durante o período de estiagem do Xingu, e a falta de informação e de participação efetiva das populações afetadas nas audiências públicas.
Vale lembrar que uma bacia e seus povos repletos de história e diversidade social, ambiental e cultural nunca terão preço capaz de compensar tamanha riqueza. Enfim, o empreendimento é inviável do ponto de vista ambiental, já que a região pleiteada pela obra apresenta incrível biodiversidade de fauna e flora.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
O Desenvolvimento Sustentável já é realidade ou utopia?
A educação é base para qualquer desenvolvimento e, disso infere-se que, se a ação do homem vem provocando o desequilíbrio da natureza, urge, então, disseminar uma nova mentalidade para que o homem assuma posturas mais conscientes e éticas ante o meio em que vive e em relação a si próprio, postura essa que será obtida por meio da educação ambiental.
No entanto, essa nova ordem planetária reclama mudanças de estilo de vida e de valores, o que, por vezes, implicará na prevalência dos interesses diretamente ligados ao ambiente, em detrimento dos interesses individuais, visto que normalmente são antagônicos.
Educar-se em matéria ambiental implica em considerar o valor intrínseco da natureza e dos seres que a incorporam. Trata-se da formação de uma base cultural comum: a ética ambiental, que deve ser direcionada ao reconhecimento de que o meio ambiente é parte integrante da mesma cadeia universal em que o ser humano está inserido, bem como na compreensão de que é ele um patrimônio comum do povo, o que impõe o uso coerente desses bens.
Ademais, somente com a sedimentação de um comportamento ético ambiental seria possível colocar a economia moderna em sintonia com a proteção ambiental, sendo este um passo importante e necessário rumo à realização da sustentabilidade do desenvolvimento. Tal perspectiva pressupõe o reconhecimento de que a prática econômica não está comprometida apenas com o lucro e o crescimento econômico, mas seu objetivo primordial refere-se à manutenção da existência e melhoria da qualidade de vida.
Foi a conscientização da crise ambiental a nível internacional que fez surgir a preocupação de se buscar mecanismos legais de proteção do meio ambiente. A ideia da sustentabilidade do desenvolvimento é fruto dessa conscientização ecológica global, que acabou por merecer tutela constitucional (artigo 225, da Constituição Federal). Disso infere-se que a cultura é a fonte do sistema nacional e internacional de direitos.
Não obstante a Constituição Federal brasileira compreender um dos mais avançados textos normativos em matéria de Direito Ambiental, denota-se que a solução para a questão ambiental não será encontrada apenas na seara jurídica. Mesmo porque, como visto, a tutela ambiental é direcionada ao bem-estar do homem, tendo como escopo a sadia qualidade de vida. Até mesmo a teoria do desenvolvimento sustentável não está primordialmente voltada para uma assistência à natureza, uma vez que visa o meio ambiente ecologicamente equilibrado não apenas pelo seu valor intrínseco, mas para satisfação das necessidades das presentes e futuras gerações.
Evidencia-se, portanto, que a visão antropocêntrica não está totalmente superada. Todavia, a diretriz que mais condiz com a realidade, ante o sistema capitalista de produção imperante, uma vez que é essencial a esse sistema a contínua expansão de produção e consumo. Assim, para a efetiva proteção do meio ambiente, mister se faz a estruturação de políticas públicas coerentes, que apresentem esse objetivo.
As ações públicas devem ser motivadas pelo reconhecimento da limitação ecológica e ter por objetivo frear o curso das atividades econômicas que dissipam os recursos renováveis. Daí a necessidade de estratégias e planos econômicos que integrem o meio ambiente e o desenvolvimento de forma eficaz, capazes de garantir o equilíbrio ecológico e produzir um desenvolvimento socialmente justo, com a erradicação da pobreza. Trata-se de uma opção política de direcionamento da economia visando à satisfação das necessidades da sociedade, preservando o meio ambiente ecologicamente equilibrado Desse modo, as empresas, sobretudo aquelas que têm interesses em exportação, ficaram expostas a cobranças de posturas mais ativas com relação às suas atividades em obter melhorias de desempenho ambiental. Por uma exigência do mercado, a proteção do meio ambiente desloca-se para uma função da administração, o que exige também dos administradores uma mudança de valores na cultura empresarial, substituindo a ideologia do crescimento econômico pela ideia da sustentabilidade do desenvolvimento.
Portanto, para que a sustentabilidade do desenvolvimento não fique apenas no campo da retórica ou da utopia, mister se faz a conscientização da comunidade, visto que a sua concretização não prescinde apenas da função estatal. Se o homem reconhecer a interdependência entre todos os seres do universo, buscará agir eticamente em favor da natureza, impulsionando o cumprimento das normas ambientais.
Aula de hoje: Pragas de Viveiros Florestais
A fase de viveiro é a mais suscetível do desenvolvimento de uma floresta implantada e, quando mal planejada, poderá comprometer todas as operações seguintes, inviabilizando o projeto de reflorestamento. A tecnologia de produção de mudas florestais teve grande avanço nos últimos anos, deixando a produção de mudas por sementes em sacos plásticos depositados sobre o solo, para a produção por estaquia em tubetes colocados em viveiros suspensos, chegando até as casas de vegetação com a micro-propagação. Durante esse percurso a produção de mudas florestais teve que enfrentar diversos fatores que contribuíam para o insucesso do empreendimento, como as pragas e doenças. As principais pragas que podem danificar as mudas florestais são as lagartas-rosca, lagarta-elasmo, grilos, paquinhas, cupins, formigas cortadeiras, besouros desfolhadores e moscas minadoras.
Geralmente, o que determina a ocorrência dessas pragas é o tipo de sistema de produção de mudas (viveiros suspensos ou não) e o tipo de manejo das mudas. Viveiros suspensos têm menor probabilidade de ocorrência de pragas, pois a maioria delas está associada ao solo, como cupins, paquinhas, formigas e grilos. O manejo das mudas está relacionado aos cuidados dispensados na sua produção. Mudas mal nutridas ou viveiros mal cuidados favorecem a ocorrência de pragas de viveiros.
Monitoramento de pragas de viveiros
As empresas florestais brasileiras têm programas de monitoramento de pragas nos viveiros para determinar se essas mudas sofrerão tratamento químico. Esse monitoramento é feito por viveiristas treinados para reconhecer as principais pragas, onde os mesmos anotam em determinada ficha todas as informações que observarem durante o monitoramento.
O nível de controle para as pragas de viveiros é de 2 a 5 % de mudas atacadas. Deve-se fazer um levantamento constante dos danos as mudas enviveiradas para a detecção imediata dos danos e para verificar a necessidade do tratamento, em cada unidade de manejo que pode ser um canteiro ou uma casa-de-vegetação.
O grau de incidência de pragas num viveiro florestal depende de alguns pré-requisitos básicos adotados antes mesmo de sua instalação. Antes do preparo do solo para instalar o viveiro é preciso eliminar colônias de formigas cortadeiras e de cupins da área do viveiro e em 200 metros ao seu redor. Nesse caso, utilizam-se todos os métodos de controle químico, como isca granulada, pó seco e termonebulização. Após a instalação do viveiro, somente os pós-secos e a termonebulização são recomendados, pois têm ação rápida e são compatíveis com a irrigação. Outra preocupação é quanto ao sistema de produção de mudas. Viveiros suspensos têm menor probabilidade de ocorrência de pragas , pois a maioria delas está associada ao solo, como cupins, paquinhas, formigas e grilos; portanto, devem ser preferidos.
Táticas de controle cultural
Procurar manter uma faixa limpa ao redor do viveiro para impedir o acesso de lagartas –rosca que, geralmente desenvolvem -se em pastagens adjacentes ao viveiro e possibilitar a visualização mais fácil de formigueiros. Retirar os entulhos da área do viveiro para evitar o aparecimento de grilos, paquinhas e lagartas -rosca, que se alojam e reproduzem nesses locais. Armazenar a matéria orgânica do substrato de mudas em local específico. Eliminação das plantas atacadas no viveiro pela broca do cedro.
Táticas de controle mecânico
Fazer coleta manual de besouros desfolhadores, grilos e lagartas-rosca durante a movimentação rotineira das mudas. Esse método tem se mostrado tão eficiente quanto o controle químico. No entanto, isso só é viável se o ataque for pequeno. O cultivo das mudas em casa-de-vegetação ou em casas teladas impede o acesso de muitas pragas às mudas.
Táticas de controle físico
Instalar armadilhas luminosas para capturar insetos como lagartas-rosca e broca-do-cedro, principalmente.
Táticas de controle químico
A aplicação de inseticidas em viveiros de mudas florestais pode ser feita através de pulverizadores costais ou através da água de irrigação, em viveiros abertos, ou por nebulização, em casas-de-vegetação.
Assinar:
Postagens (Atom)






